7 maio 2012

A Veja deveria ser coerente com seu histórico de arrogância e usar contra o diretor da revista em Brasília, Policarpo Junior, os mesmos métodos fascistas e truculentos que a consagraram como Diário Oficial da Nova Inquisição. Nem que fosse por hipocrisia, outra marca do semanário da família Civita.

A credibilidade desse jornalista virou pó. Se ele fosse ministro do governo Dilma, estaria queimando numa fogueira de denúncias em praça pública. Mas não. Sabe o que Veja fez no primeiro dia útil deste 2012? Promoveu Policarpo a redator-chefe, ao lado de Thaís Oyama, Fábio Altman e Lauro Jardim, com a saída de Mário Sabino no último dia de 2011.

Voltemos ao caso em questão.

Não há mais dúvidas de que a relação do escrevinhador com o bicheiro Carlos Cachoeira foi criminosa ou, no mínimo, promíscua e incompatível com o mais frouxo dos códigos de ética jornalística.

Não param de vir à tona novos fatos que comprovam que Policarpo era usado como porta-voz e escriba dos interesses do crime organizado. Leia aqui.

Para a sociedade, o cara já está morto profissionalmente. Ele não passa de aspone de contraventor. Mais que uma fonte, Cachoeira praticamente pautava a publicação, sempre a partir dos interesses mais espúrios. Gravações telefônicas grampeadas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, deixam isso muito claro.

O mais provável é que a Veja entregue a cabeça de seu colaborador numa bandeja de prata, mas com fundo falso. O cara vai cair pra cima. Deve ganhar algum cargo corporativo e ser colocado na geladeira, longe da redação. Uma espécie de exílio na Sibéria, só que numa sala com ar condicionado e secretária. Logo a Veja, que critica tanto o stalinismo e aqueles que reescrevem a história queimando arquivos e apagando seus crimes e erros.

O jornalismo “investigativo” dos Civita foi feito com informações repassadas por um bicheiro com o único objetivo de beneficiar um grupo criminoso. Para aplicar essa “política editorial”, recrutaram mentirosos, arapongas e gente desqualificada. Eles devem explicações não só a seus leitores, mas à opinião pública.

É preciso insistir neste assunto, diante do pacto de silêncio decretado pela chamada grande mídia. Nós não veremos nem ouviremos nada sobre isso na Folha de S.Paulo e nas Organizações Globo.

Por que essa blindagem, essa cortina de fumaça, esse cordão de isolamento?  São perguntas sérias, que a CPI do Cachoeira, instalada em Brasília, tem  a obrigação de responder. E nós, a de cobrar.


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2 maio 2012

.

cpi dobicheiro .

O assunto é sério. Gravíssimo. E é hora de todo cidadão honesto ficar alerta. Os barões da mídia se uniram para que uma CPI não passe a limpo as relações criminosas do bicheiro Cachoeira e parte da chamada grande imprensa brasileira, principalmente a revista Veja.

O País não pode perder essa oportunidade de desmascarar aqueles que toda semana tentam mostrar nas bancas que são os reis da honestidade. Falam de ética, mas agem como traficantes da informação. Investigações da Polícia Federal já revelaram que a Veja, revista da família Civita, agiu como porta-voz do bicheiro, preso desde o final de fevereiro, e manteve com ele uma clara troca de favores.

A relação fere, no mínimo, qualquer princípio do bom jornalismo. Evidências mostram que a Veja se submeteu aos interesses do crime organizado, jogou a favor de um determinado grupo político por interesses desconhecidos e usou informações obtidas de forma ilegal para atacar seus inimigos.

O diretor de jornalismo da Veja em Brasília virou confidente, amigo íntimo, do bicheiro Cachoeira e de sua turma envolvidos até o pescoço com ações criminosas, como provam as centenas de ligações grampeadas com autorização judicial. Eles escolhiam até em qual parte da revista a informação "denunciada" seria publicada.

Quando as denúncias contra o senador Demóstenes Torres e seus negócios com o bicheiro Cachoeira ameaçavam trazer à tona toda sujeira, a revista dos Civita preferiu dedicar uma capa ao Santo Sudário. Bem diferente da cobertura dedicada ao Mensalão, que mereceu 27 capas desde maio de 2005. Repito: 27. Vinte e sete. No dia 18 de abril até ensaiaram tocar no assunto como matéria principal, mas fizeram com a palavra MENSALÃO impressa assim, em letras garrafais em meio a uma cortina de fumaça. Coisa que a Editora Abril parece conhecer bem.

Globo e Folha de S. Paulo fazem barricada para proteger Veja. É de dar calafrios quando essa turma se une. Onde estão as reportagens no Jornal Nacional citando a revista e a editora abertamente? Onde se escondeu o jornalismo "plural e independente" da Folha?

Querem proteger os que praticam um crime.

Na edição desta semana, a Veja tenta intimidar os parlamentares que podem investigar as ligações de Cachoeira com a revista. “Vou explodir”, avisa Cachoeira da prisão, de acordo com uma chamada no alto da capa. Em entrevista a revista, Andressa Mendonça, mulher do contraventor, diz que o marido pode revelar tudo o que sabe. E agora, Veja?

O mais importante agora é ver a coragem dos parlamentares para levar de fato Roberto Civita, o dono da Veja, a sentar-se em uma das cadeiras da CPI e encarar as perguntas daqueles que estão lá como representantes do povo. O mesmo povo que a Veja tenta enganar todos os fins de semana.

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27 abril 2012

Uma das bases do pensamento de esquerda, o de viés humanista, proclama que a violência social tem como principal motivo a desigualdade econômica. Em uma sociedade justa, a criminalidade seria residual.

Pois o Brasil está se esforçando para desmoralizar essa tese mais do que razoável. Taxa de desemprego baixa, distribuição de renda inédita, classe média ascendente, respeito internacional. Nada disso adianta.

Quanto mais evoluímos na cadeia alimentar capitalista, mais selvagens ficamos. Ou é impressão minha que nosso País nunca foi tão violento?

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São Paulo eu garanto que contribui muito para essa sensação de barbárie. Que os cariocas nao fiquem com ciúmes, mas a coisa aqui está feia, e vai de mal a pior, com a desvantagem de não termos morros onde instalar UPPs.

O que mais tem chamado a atenção é a brutalidade gratuita com que os bandidos tratam suas vítimas. Pode parecer ingenuidade esperar gentileza de ladrões, mas daí a agirem como sádicos vai uma distância. Já tivemos criminosos mais elegantes, garanto.

Arrastões em prédios, sequestros relâmpagos ou o mais singelo dos assaltos são cometidos com uma truculência desmesurada, quase exibicionista. Nossos criminosos fazem questão de ser cruéis. Depois reclamam da polícia, os meliantes.

E nada indica que esse quadro vá mudar. Que o digam os números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública paulista. As estatísticas são brutais. A quantidade de homicídios dolosos, quando há a intençao de matar, cresceu inacreditáveis 80% na capital, comparados março deste ano com o mesmo mês de 2011. O Estado nao fica para trás e voltou a ultrapassar a linha epidêmica de 10 mortos para cada 100 mil habitantes. Foram 1.073 assassinatos apenas no primeiro trimestre de 2012. Uma calamidade.

Claro que o governador Geraldo Alckmin deve ter alguma boa desculpa para esse recrudescimento. O PSDB aprendeu a engabelar a população, tanto que, mesmo com uma política de segurança fracassada, se mantém há quase duas décadas no poder.

O chefão da Polícia Civil foi logo dizendo que março foi "um ponto fora da curva".  Ah, tá. Aumentaram também os casos de estupro, lesão corporal e tentativas de homicídio. Mas caiu o número de latrocínios, roubo seguido de morte, vejam só: 2,4% a menos de cidadãos foram trucidados! Um alívio, né?

Outro dia podemos falar da tragédia no campo, em que centenas de trabalhadores rurais, índios e ribeirinhos são mortos por ano, nos rincões desta nação que não para de crescer. Dá até medo.

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25 abril 2012

Se existe uma boa novela em cartaz, ela se chama Brasil — e passa periodicamente na TV Justiça. O capítulo que está no ar trata de um tema relevante e promete fortes desdobramentos: se é constitucional a política de cotas raciais para o acesso ao ensino superior.

Não é um assunto fácil. Somos um País abençoado pela miscigenação e, ao mesmo tempo, marcado historicamente por um dos mais perversos e tardios regimes escravocratas.

Praticamente atingimos o consenso de que o racismo é incompatível com a sociedade que todos desejamos. Tanto que é crime ser racista, sem que ninguém reclame. O que ainda é possível debater são as manifestações de preconceito, sejam elas sutis ou asquerosas.

Mas não é esse o caso do julgamento em curso no STF. O que os juízes vão ter de decidir é se o fato de ser negro pode ser critério para uma política educacional afirmativa.

Aí se abre outro parêntese, que coloca mais emoção nessa novela: nenhum ser civilizado é contra ações de Estado que diminuam as enormes desigualdades sociais com as quais convivemos. Se alguém discorda, fica calado, miudinho, pois sabe que está do lado do mal. E existem pessoas más.

Minha opinião sobre qual deveria ser o desfecho desse enredo foi exposta aqui há mais de um ano. Permito-me reproduzir um parágrafo:

“Se devemos ter uma política de cotas, que ela seja por critérios socioeconômicos. Existem (poucos) negros ricos. Eles não precisam de ajuda. Existem milhões de brancos pobres. A cor da pele não pode tornar um miserável melhor que o outro.”

No momento, sou apenas um telespectador. E vou acompanhar atentamente os que os 11 personagens principais do STF farão nos próximos dias.

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23 abril 2012

Pelo visto, o fracasso subiu à cabeça do pessoal da Folha. Não satisfeitos com o miserável pontinho de audiência que seu programa vem amargando nas noites de domingo, às 20h, eles resolveram passar pelo duplo constrangimento de reprisar o tvfolha à meia-noite do mesmo dia.

Se existe mania de grandeza, isso deve ser complexo de pequenez. A edição da madrugada não chegou a meio ponto no Ibope - deu 0,4 na madrugada desta segunda (23), ou seja, traço. Não vão sossegar enquanto não der Ibope negativo. Será um tipo de autoflagelo, uma punição voluntária por sua histórica prepotência?

Criado com o petulante slogan “O domingo à noite enfim tratado como horário nobre”, em sete edições já é possível afirmar que a atração se trata de um retumbante (e previsível) fracasso.

Esse casamento da Folha com a TV Cultura deveria ser batizado de Projeto Tvtraço. A união da decadência com a arrogância.

Triste fim para uma TV que já foi exemplo de emissora pública. Mas um bom começo para a Folha enfim entender que audiência e bom jornalismo não se conquista com auto-propaganda.

Alguém precisa dizer para aquele pessoal que o programa é chato, se arrasta, é previsível, faz pose de moderno, mas é antigo. E desnecessário. Ao contrário do jornal, nem para embrulhar peixe serve.

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19 abril 2012

Acredite se quiser. O governador Geraldo Alckmin acordou animado e, do nada, prometeu triplicar a rede de metrô paulistano até 2018. Aham.

Isso significa construir 120 km em seis anos. Ou 20 km a cada 12 meses. Tudo bem, não fosse o fato de o PSDB ter demorado os últimos 14 anos para entregar míseros 25 km. A tucanada é lerda mesmo.

E porque conseguiriam fazer agora o que não foram capazes nas duas décadas em que estão atolados no poder? Tem que ser muito ingênuo (ou burro?) para acreditar numa bravata dessas.

Não é a primeira vez que Alckmin e sua turma alardeiam promessas dessa magnitude. Despoluir o rio Tietê e transformar suas marginas no maior canteiro do mundo foram algumas de suas fanfarronices.

Se nem do básico, tipo educação e segurança, eles dão conta, imagina algo tão trabalhoso como ampliar o metrô para o tamanho que ele deveria ter desde os anos 70? Pura bazófia, conversinha.

O delírio verbal do nobre governador fica mais evidente quando nos lembramos do estado de calamidade em que se encontram os trens da CPTM, que sofrem panes homéricas e semanais. Vida de gado.

É desanimador ter que ouvir esse tipo de balela. Ofende a inteligência até do otimista mais incorrigível. E nem adianta pedir pra esse pessoal registrar promessas em cartório. O Serra está aí para provar que papel aceita tudo.

Não podemos dizer que todo político mente. Até porque a lei permite a qualquer pessoa, em último caso, permanecer em silêncio. Mas o eleitor sabe que faz parte da retórica política o apelo à demagogia e as juras que jamais se cumprirão. Acredita quem quiser.

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18 abril 2012

E não é que o governo ganhou a queda de braço com os maiores bancos privados, que enfim aceitaram reduzir suas taxas de juros? Minha memória pode estar falhando, mas acho que nunca antes na história deste país banqueiros foram tão contrariados.

A ideia de fazer com que Caixa e Banco do Brasil reduzissem o preço dos empréstimos para forçar as instituições privadas a fazerem o mesmo poderia ter sido um enorme tiro no pé.

Se os bancos estatais ficassem sozinhos ao amanhecer desse duelo, eles literalmente iriam pagar pra ver. Só o BB teve aumento de 45% na procura de nossos clientes. Uma avalanche de gente querendo se endividar.

Quem estivesse pendurado com os tubarões iria correndo pegar dinheiro barato nos cofres públicos para quitar suas dívidas podres. O governo, no final, ficaria com uma carteira exclusiva de maus pagadores. Fora a fila de espera.

O que nos manteve longe da quebradeira mundial sempre foram as condições perversas e a alta margem de segurança que o sistema financeiro impôs aos tomadores de empréstimos.

A aposta do governo é crescer a economia por meio do financiamento do consumo interno. De que outra forma manteria aquecida a indústria automobilística, a construção civil, os fabricantes de eletroeletrônicos e todos os etc.?

A farra vai começar. Não há mais motivos para adiar o sonho do smartphone de última geração, a entrada da casa própria, o televisor de LED, a viagem com a família, o presente da amante.

Por mais divertido que seja ver banqueiro ajoelhar no milho, fica a dúvida se há muito mais a comemorar. Tenho a convicção de que o brasileiro é o povo mais consumista do planeta. Só nunca teve condições históricas de provar sua selvagem compulsão materialista.

A forma como nos comportamos em free shops ou lojas em Nova Iorque, Miami e até mesmo Buenos Aires é de arrepiar. Agimos como uma horda armada de cartões de crédito, decepando prateleiras e explodindo malas com o peso da bagagem.

Nessa engenharia econômica do governo Dilma está faltando uma palavra-chave: poupança. Consumir é bom. Mas melhor ainda é comprar sem se endividar. Nunca fizemos essa lição de casa.

Um país que pensa no futuro coloca uma placa bem grande na entrada: “Fiado, só amanhã”.

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16 abril 2012

“Com a CPI que investiga o contraventor Carlos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres a caminho, a revista Veja lança uma desesperada ofensiva para tentar desviar a atenção dos crimes cometidos por eles no que foi o maior escândalo de corrupção da história brasileira.”

Só troquei os nomes, mas o parágrafo acima é a abertura da reportagem de capa desta semana da publicação da Editora Abril.

Desesperados, em pânico, os responsáveis pela relação promíscua e suspeitosa que se abateu sobre o tal veículo de comunicação tentam criar uma cortina de fumaça para encobrir o que todos os cidadãos esclarecidos já sabem: a Veja agiu como porta-voz da oposição, e para isso se serviu do que há de pior no mundo da corrupção e da arapongagem neste país.

No caudaloso editorial travestido de reportagem, o semanário inverte todos os sinais para bancar a tese de que investigar as maracutaias do DEM e o envolvimento da Veja com esse pessoal barra pesada é um truque do PT para abafar o julgamento do chamado Mensalão, em curso no Supremo Tribunal Federal.

Perdeu a compostura. Primeiro, porque em nenhum momento a “reportagem” deixa claro para o leitor que a Veja está sendo associada a esse esquema, tanto que será convocada, na figura do seu maior expoente, o Sr. Roberto Civita, a prestar esclarecimentos diante da CPI do Cachoeira.

Covardemente, a Veja dá a entender que diversos jornalistas estão sendo chamados a depor. Seria mais uma ofensiva “stalinista” do governo Dilma contra a liberdade de expressão. Balela. Quem está sob grave suspeição é apenas o panfleto semanal da elite branca deste País. Eles que se virem, não venham com essa conversa furada.

Todos queremos que o Mensalão seja julgado de forma rápida e rigorosa. Ladrão é ladrão, independentemente da filiação partidária. Mas que uma nova casa caiu, ah, caiu.

Agora faz sentido todo o espaço que a revista deu para as bravatas do Demóstenes, todas as “informações privilegiadas” a que tiveram acesso. Na verdade, veicularam as teses que interessavam aos bandidos do lado de lá, se é que me entendem.

Porrada em todos. Ponto final. Nem PT, nem Mensalão, nem DEM, nem Cachoeira. Chega de artimanhas e hipocrisia. Quem viver, verá que de bandidos o Brasil está bem servido. Se há mocinhos nessa história, não sou eu quem vai apontar. Basta não sermos tratados como trouxas. Já é um grande avanço.

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13 abril 2012

A meia-entrada para estudantes se tornou o inimigo privado número um da cultura. O principal inimigo público, todos sabemos, é a Ana de Hollanda.

O preço dos ingressos para eventos artísticos no Brasil atingiu proporções absurdas. Os do Rio de Janeiro são os mais caros do planeta e da Via Láctea. Para o show de Bob Dylan, o lugar mais barato sai por R$ 500, numa cadeira lateral. Em Berlim, custou R$ 134, em melhores condições.

Qualquer atração em cartaz serviria de exemplo. Simplesmente porque os organizadores embutem no preço final das entradas a avalanche de carteiradas que, sabem, levarão na bilheteria.

O Grupo Parlapatões, de São Paulo, cansado de brigar com os picaretas da meia-entrada, colocou a seguinte placa no caixa: “Aceitamos carteirinhas de estudantes falsificadas”. Não adianta brigar, esses documentos se tornaram mais fáceis de encontrar que mosquito da dengue em Niterói.

O que era para ser um benefício tornou-se uma maldição. Alguns shows chegam a ter 90% da bilheteria subsidiada. Claro que quem paga a conta é o cretino que teima em ser honesto mesmo depois de velho.

E o governo prepara-se para tornar o quadro ainda pior. Uma excrecência chamada Estatuto da Juventude prevê que o direito à meia-entrada seja estendido indistintamente a todos os brasileiros com até 29 anos de idade. Será o holocausto.

Só uma mente pervertida pode considerar, primeiro, que um marmanjo de quase 30 anos seja um jovem desassistido que precisa da proteção do Estado para assistir American Pie.

Segundo, que merecem o mesmo tratamento tanto o rapaz que trabalha como faxineiro na USP quanto o playboy que paga R$ 3000 de mensalidade para cursar administração na Fundação Getúlio Vargas.

Porque filhinhos de papai têm 50% de desconto até no ingresso do Hopi Hari? Não vejo outra explicação além de nossos legisladores serem canalhas acostumados a mordomias e carteiradas. Um parlamentar sério jamais votaria em algo tão esdrúxulo quanto dar regalias para quem não precisa.

A meia-entrada faz algum sentido para estudantes até o ensino médio e, não vamos nos esquecer, idosos. Além disso, é pura sacanagem. E burrice.

Quem se acha esperto deveria olhar para o seu ingresso e imaginar que, por causa da patifaria que se tornou regra neste País, está sendo cobrado o dobro do valor normal. Com desconto, vai pagar o preço que seria o final. Na verdade, todos saem perdendo. Cambada de patetas. Idiotas de carteirinha.

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10 abril 2012

Esse movimento “Não Foi Acidente”, que prega a coleta de um milhão de assinaturas para pressionar o Congresso a endurecer as leis de trânsito é a típica iniciativa populista, demagógica e burra. Só vai servir para gastar papel e adiar o surgimento das verdadeiras soluções.

O bom mocismo costuma causar tanto estrago quanto a vilania. Um dos motivos é que fazer o bem é muito mais complexo do que praticar uma maldade. Tente ajudar um vizinho desempregado (ou alcoólatra) e você vai entender rapidinho.

De uns anos pra cá, os que mandam no Brasil desenvolveram um hábito extremamente nocivo de ocupar a sociedade com novas leis que se resumem a reforçar as que já existem. É pura dissimulação de um Estado incapaz de cumprir com suas mínimas obrigações.

Se há algo que não falta em nossa terra país são leis. Temos toneladas delas, muitas inúteis e ridículas. Mas as que de fato interessam não são cumpridas, por falha de fiscalização ou desinteresse puro e simples dos poderosos.

Se somos o quinto país com maior número de mortes decorrentes de acidentes envolvendo meios de transporte, não é por falta de uma legislação dura. Para começo de conversa, faltam estradas transitáveis, minimamente sinalizadas. Falta equipar nossas polícias rodoviárias. Falta investir em educação a fortuna incalculável proveniente de multas e IPVAs. Falta obrigar as montadoras a fabricarem carros modernos e seguros, compatíveis com os preços extorsivos que tornam nossos veículos os mais caros do sistema solar.

Em vez disso, os inocentes úteis ficam atolando redes sociais com essa conversinha de tolerância zero para bebidas. É muito cretino imaginar que um cidadão que tome uma taça de vinho no almoço em família se torne um assassino em potencial que merece ser preso numa masmorra para o resto da vida.

Embriaguez ao volante é proibida desde sempre. Essa nunca foi a questão, se pode um miligrama de chope ou quinze doses de cachaça vagabunda. Vamos deixar de ser ingênuos. Esse amontoado de leis criadas de forma apressada, sem contrapartida das autoridades competentes, apenas atola delegados e juízes embaixo de uma montanha de burocracia. No final, sobrevivem apenas os que podem pagar bons advogados (e bons uísques).

E de uma vez por todas: a maioria das vítimas estão na periferia, nas estradas esburacadas e sem acostamento criminosamente abandonadas pelo poder público. Quem dera nosso problema fossem as Ferraris envenenadas e motoristas que se embriagam em boates de luxo. Nunca faltou lei para punir essa gente. O que sempre faltou foi Justiça, algo que não se encontra nas ruas. Eu, pelo menos, nunca vi.

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