24 fevereiro 2011

O Cosme Rímoli já disse quase tudo, mas como ele é um cara educado, e eu sou cascudo, posso acrescentar alguns detalhes. Essa África do Norte do futebol brasileiro é feita por mercenários a serviço dos tiranos encastelados.

A implosão do Clube dos 13 não carrega nenhum ato revolucionário. É um retrocesso, na verdade. Quando o pessoal da arquibancada perceber como seus clubes estão sendo usados, quem sabe o povão sai às ruas para pedir seu ingresso de volta.

A maneira como o Corinthians se coloca é a mais vergonhosa de todas. Bucha de canhão, mas com todo o prazer. E o principal argumento, se não fosse mentiroso, seria apenas canalha: negociar em separado para ganhar mais.

Alô! Quando alguém prefere queimar dinheiro, deixa de ser maluco e passa a ser burro. Como não existem inocentes no mundo da cartolagem, as opções que restam para descrever o caráter do incendiário se tornam impublicáveis.

No máximo, seria como um empregado pelego ir sozinho pedir aumento ao patrão, mandando o sindicato às favas. O desertor pode até tirar um troco, mas levaria uma surra da peãozada.

É fácil resumir o núcleo da questão: a Globo não quer pagar a mais pelo direito de transmissão do futebol brasileiro. Eles gostam é de monopólio! Touché! Que descoberta sensacional, não?

Se vai pagar menos que a concorrência, como os clubes poderão receber mais se negociarem isoladamente? Acorda, galera! Nessa história não cabe dúvida. É golpe.

Quando o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) acabou com a cláusula de exclusividade da Globo, parecia que as coisas poderiam se tornar mais lícitas e transparentes. O futebol não poderia continuar sendo pior que o restante da sociedade.

Melhor que isso só o modelo argentino. O governo foi lá e pagou uma fortuna para deter os direitos de televisionar o campeonato nacional. E revendeu o direito para quem quisesse. Simples, honesto e lucrativo para todos.

O estrago dessa patota que só quer trabalhar nos bastidores pode ser bem grande. Uma vergonha planetária. Nada com que já não estejamos acostumados. Mas não precisa ser assim para sempre. Nem ditaduras africanas duram tanto tempo.

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21 fevereiro 2011

O que mais a presidente Dilma vai esperar para declarar repúdio e romper relações com o governo de Muammar Gaddafi?  Se não for por convicção, que o faça por inteligência. Só precisa ser bem rápido.

Esse brucutu líbio está com os dias contados. Vai sair pela porta dos fundos, foragido como criminoso de guerra, acusado de genocídio. Daqui  a pouco, nem o Hugo Chaves dará asilo paro o ditador.

O maluco mandou bombardear praças com manifestantes. Mercenários foram pagos para metralhar cidadãos na rua. O exército também participou do massacre. Gaddafi endoideceu, pirou. Isso é coisa de psicopata, doente mental.

Said Gaddafi, filho e herdeiro político do ditador, ameaçou seu povo com "rios de sangue" caso insistam com as manifestações. Loucura hereditária, pelo visto.

Embaixadores líbios em diversos países renunciaram a seus postos e exigem a queda de Gaddafi. Pilotos que se recusaram a atacar compatriotas fugiram com seus aviões para países vizinhos. A casa caiu. O cachorro morreu.

Chega. Esse movimento aparentemente espontâneos por liberdade em países muçulmanos e do Norte da África podem até acabar na mesmice ou em novos governos conservadores e fundamentalistas. Revoluções nunca geram santos.

Mas que não se perde uma oportunidade dessas, com certeza, não. O tempo corre e, por enquanto, ainda dá para saber quem são os heróis e os vilões. Depois, fica bem mais difícil. Acorda, Dilma!

O que interessa é o Brasil se colocar, enfim, como um país que não tolera abusos, injustiças e violência contra gente pobre. Pelo menos, em países estrangeiros...

Aqui, até que ia bem um pouco de povo na rua. Que bom que o Carnaval está chegando.

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17 fevereiro 2011

O que mais causa espanto nessa história de proibir remédios para emagrecimento é o fato dessas drogas ainda serem vendidas no país. Demorou.

O Brasil é tratado como espelunca pela indústria farmacêutica. Ainda somos usados como cobaias humanas ou depósito de entulho para medicamentos ultrapassados.

Europa e Estados Unidos há tempos proíbem os emagrecedores. Aqui, médicos acomodados receitam as bolinhas como se fossem aspirinas para obesos.

Qualquer hipocondríaco sabe que os comprimidos podem até ajudar a emagrecer, mas virá o efeito sanfona assim que o gordinho parar com a medicação.

E o uso prolongado dessas porcarias leva ao emagrecimento absoluto, aquele em que só restam os ossos. São comprovados os malefícios cardiovasculares, mesmo quando ingeridos por curtos períodos.

Não é difícil encontrar endocrinologistas que receitam essas bombas para mocinhas vaidosas ou senhoras que não querem sofrer uma reeducação alimentar.

Obesidade é uma doença que atinge milhões de pessoas. Até nossas crianças são vitimas dessa epidemia.  É um problema sério, a ser enfrentado com seriedade.

Mas não seríamos um dos maiores consumidores mundiais dos moderadores de apetite se não fossemos escravos da ditadura da beleza. Todo mundo quer ser magrinho.

Se alguém pretende emagrecer porque está preocupado com sua qualidade de vida, e não com seu padrão estético, não faz sentido adotar remédios nocivos à saúde.

Que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) seja firme na intenção de vetar essas drogas. E que não ceda aos apelos de médicos imediatistas. Essa turma precisa se tratar.

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14 fevereiro 2011

Perdeu a majestade, o Fenômeno. Foi embora tarde. Chorando, com cara de dor. Final melancólico.

Mesmo assim, a mídia esportiva vai bajulá-lo nesse momento derradeiro. Sua lágrimas serão mostradas à exaustão. Vão buscar nos arquivos imagens amareladas de sua genialidade.

Desde seu retorno ao Brasil, Ronaldo acumulou uma série interminável de erros, pontuados por um ou dois miseráveis acertos. Não soube parar. Não teve a humildade dos sábios.

O erro maior foi de quem bancou essa farsa. O homem era pago a peso de ouro. Talvez por isso tenha engordado tanto: por ganância. Esses pobres meninos que se tornam bilionários...

Se tivesse sido menos vaidoso, seria lembrado apenas por seu talento excepcional e sua capacidade de superação. Seria um belo exemplo — se esquecêssemos sua pouco nobre vida pessoal, que não é da nossa conta, claro.

ronaldo1 Rei gordo, rei posto

Mas não. Cada gol memorável, cada arrancada fenomenal, virá junto com a imagem dele se arrastando em campo, ou parado mesmo, mãos na cintura avantajada. Barrigudo.

Deixar essa desculpa do hipotireoidismo para o dia do juízo final foi sua última atitude lamentável. Covarde mesmo. Seja verdade ou não.

Nenhum dos milhões de obesos anônimos que apelam para a mesma justificativa hormonal teve tantos recursos e facilidades como as que ficaram à disposição do Ronaldão.

Fico imaginando, daqui pra frente, o quanto esse moço vai engordar. Vai virar um Marlon Brando, um Elvis Presley. De qualquer forma, entrará para outra galeria de reis. O cara foi muito bom. Eu lembro.

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11 fevereiro 2011

A demissão de 150 funcionários da TV Cultura tornou ainda mais atual um texto publicado neste blog em agosto de 2010. É um assassinato premeditado.  (Leia aqui).

Só volto ao assunto para deixar um ponto bem claro: O PSDB destruiu a melhor emissora pública que este país já teve. Não há perdão.

A Fundação Padre Anchieta, mantenedora do canal, serve aos interesses tucanos há 16 anos. Então, que história é essa de "reestruturação"? Eles que desestruturaram tudo e agora vêm com esse cinismo? Que o diga o governador Alckmin, pela terceira vez no cargo.

Vão transformar a TV em mera retransmissora. A Cultura, a rigor, não vai mais produzir programas e conteúdo. Isso é uma indignidade. Nem o Silvio Santos faria um massacre desses.

Seria menos hipócrita se implodissem o prédio de uma vez. Que tal construírem lá um shopping ou um conglomerado de motéis? Melhor: um estacionamento, dá menos trabalho.

O pior é ouvir as justificativas do presidente da Fundação, João Sayad. Não vou reproduzir aqui seus argumentos. Ele não está no cargo por acaso. Em toda a sua vida, ele nunca construiu nada. Coitado.

É um economista que só sabe falar em enxugamento, downsizing, reengenharia e outros palavrões técnicos que não significam absolutamente nada. Ele nunca gerou um emprego, participou de uma rebeldia ou escreveu um poema. É apenas um tecnocrata. E ainda deve ter orgulho disso.

Ele é tão somente um soldado do pelotão de fuzilamento. Recebe ordens e as cumpre. Com prazer, não tenham dúvidas. Alguém precisa fazer o serviço sujo.

O mais lamentável é que ninguém se levantará contra esse desmanche. O brasileiro não tem cultura, nunca teve. Como entender a importância de uma TV pública, independente, criativa e a serviço da inteligência de um povo?

O assassinato da TV Cultura foi premeditado, sim. Mas poucos crimes tiveram tantas testemunhas. Omissas, silenciosas. Cúmplices.

Façamos ao menos um enterro digno. Prestemos as devidas homenagens. Vamos reunir os amigos e sintonizar o canal numa hora a ser combinada. Eu sugiro 1º de abril, às 21h.

Nesse dia, com muito esforço, quem sabe a gente consegue atingir uns históricos 12 pontos de audiência? Não que isso resolva alguma coisa. Afinal, homenagem póstuma não serve para nada mesmo.

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10 fevereiro 2011

Basta alguém dar uma boa ideia que lá vem porrada. Ô, gentinha.  É claro que vigias particulares deveriam ser mais ativos no combate ao crime. Depender do Estado é que não dá.

A sugestão óbvia veio do chefe da Polícia Civil paulista,  Marcos Carneiro Lima, imediatamente desautorizado pelo secretário da Segurança Pública de SP, Antonio Ferreira Pinto, que ainda não teve sua casa roubada, como a do seu antecessor Saulo de Castro Abreu Filho.

Parece confuso, mas não é. Quando um secretário de Segurança, em sua própria residência, fica durante 3 horas como refém de bandidos, a gente do lado de cá coça a cabeça e sussurra algum palavrão bem vagabundo.

Já os homens públicos responsáveis por prender marginais são obrigados a dizer algo que faça sentido. Nunca conseguem. Não somos tão bobos assim para acreditar que a situação está sob controle.

Aí vem o chefão, coloca o colete à prova de balas e abre seu coração. Poxa vida, pessoal, já que não conseguimos proteger nem os mais poderosos, vamos ser humildes e jogar a toalha. É uma sinceridade comovente demais para ser desvalorizada.

Por que não cobrar que vigias trabalhem com mais espírito cívico? Não queremos atrapalhar a soneca que eles tiram nas guaritas. Ninguém é de ferro. Mas se estiverem acordados, que mal há em dar uma mãozinha para a polícia?

Ninguém tem direito a fugir de suas responsabilidades como cidadão. Os garis, por exemplo, percorrem as madrugadas trabalhando. Pois que aproveitem qualquer segundo ocioso para identificar bandidos em atitude suspeita.

Catadores de papel, também. Chega de moleza, pessoal! Que se unam aos flanelinhas, porteiros, frentistas, entregadores de pizza, boêmios e consumidores de crack.

Imaginem esse exército noturno trabalhando junto com a polícia! Uma rede de informantes nada desprezível. Mãos na massa!

Não perguntem o que o Estado pode fazer por nós! Perguntem o que foi que fizemos para merecer um Estado desses. Aí sim.

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7 fevereiro 2011

A reportagem a seguir, do colega Raul Dias Filho, merece nossa atenção. Pelo esforço jornalístico em tratar de forma digna um problema que todos temos que enfrentar: a criminalidade de jovens e crianças.

Clique aqui para assistir

Sem nenhum sensacionalismo, podemos conhecer um pirralho de 14 anos, magrelo, baixinho, que conquistou notoriedade ao ter sido detido pela polícia 17 vezes. Desde os 9 anos, um ladrãozinho de carros.

Não me iludo quanto ao talento dele. É certo que tem uma habilidade precoce. Algum empresário da Fórmula 1 pode muito bem contratá-lo. Não me incomodaria. Se tudo desse certo, teríamos um belo filme.

Vemos um psicólogo defender essa tese. E um delegado fazer o oposto, alertar sobre premiarmos a delinquência. Pô, se o moleque é pego tantas vezes, não passa de um cretino, bem burro.

Os dois especialistas estão certo. Estamos diante de um talentoso imbecil. E aí, o que fazer? Tratá-lo como um gênio? Ou um caso perdido? O moleque, afinal, tem salvação?

Não se precipite, prezado leitor. A resposta não é simples. Encarcerá-lo é inútil. Vai sair do "reformatório" mais deformado do que entrou. Sem chance.

Levar o moleque para a escuderia da Ferrari seria um suicídio social, com um slogan perigoso: torne-se um criminoso mirim, antes que seja tarde.  Fernandinho Beira-Mar adotaria essa causa.

Nada a ver. Nem uma coisa, nem outra. Roubou? Cadeia. É um gênio? Escola. Aí começa a fazer sentido. Na verdade, começaria.

Porque não temos escolas nas prisões. Nem fora delas. Nem nas de adultos, muito menos nas de crianças. Poderíamos ter? Sim, é uma hipótese. Hipótese. Longínqua. Hipotética.

Ou alguém lá em cima começa a fazer isso ser realidade, ou vamos parar de hipocrisia. Do jeito que está, aquele menino vai levar porrada, depois voltar para as ruas e fazer uma coisa só: roubar.

Se alguém passar a mão na cabeça do jovem deliquente, inscrevê-lo num curso ruim,  dar-lhe um diploma vagabundo, ele vai voltar para as ruas e fazer uma coisa só: roubar.

Sabe por quê? Porque nossas prisões não punem. Nem regeneram. Apenas humilham e embrutecem.

Cada um que se vire. Seja um ser das luzes ou das trevas. No nosso país, isso é uma escolha rigorosamente pessoal.

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2 fevereiro 2011

Política é um troço chato pra caramba. E os políticos se esforçam para que continue assim, tedioso. É só ver a eleição do petista gaúcho Marco Maia para a presidência da Câmara dos Deputados. Um porre de chimarrão.

O meu xará ganhou com larga margem de votos, 375 dos 513 possíveis. Massacre. Os adversários tiveram constrangedores 106 para Sandro Mabel (PR-GO), ridículos 16 para Chico Alencar (PSOL-RJ) e humilhantes nove para Jair Bolsonaro (PP-RJ). Eu teria vergonha na cara.

Foi uma votação mais previsível do que a para a presidência do São Paulo FC. Ou de um eventual paredão entre Sabrina Sato e Suzana Vieira. Lavada da base governista.

Aí, o Arnaldo Jabor vai dizer que a democracia sai perdendo, que não é bom ter um Legislativo atrelado ao Executivo, que a Dilma precisa se vestir melhor, aquela papagaiada insuportável de sempre.

Pura bobagem. Nossas vidas exuberantes não vão sofrer um mísero arranhão com essa bagaça. Se ao menos o Tiririca tivesse vencido, ok, a conversa no almoço de domingo na casa da sogra seria mais animada.

Que nada. Nem sabemos quem é Marco Maia. E olha que o cidadão com direito a prisão e aposentadorias especiais está no comando da espelunca desde meados do semestre passado. Lembra dele? Nem eu.

Também não lembramos do nome da ministra do Meio Ambiente. E daí? Daí, nada. Izabella Teixeira também continua no comando da "pasta", desde 1º de abril de 2010. Nem vou me dar ao trabalho de piadas ou trocadilhos.

O fato é que essas pessoas deviam ser determinantes nas nossas vidas. Mas não são. São estranhos. Desconhecidos. E hostis. Anônimos revestidos de benefícios e nenhuma importância.

Para compensar essa frustração toda, José Sarney continua presidente do Senado. Um alívio para nossa memória. Desse lembramos muito bem. Foi ele quem prometeu abandonar a vida pública em 1989 (22 anos atrás).

Não é emocionante?

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1 fevereiro 2011

Por que as pessoas que protestam contra o aumento das tarifas de ônibus são tão classe média? Falta pobre nessa história.

Já me acostumei a ver manifestações impactantes em capitais como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Normalmente, convocadas por entidades estudantis.

Ora bolas, estudantes pagam meia. Que mesquinharia. Logo eles, os favorecidos. Por que os que pagam inteira e se desdobram não vão às ruas? Precisam trabalhar, é essa a desculpa?

Ah, vá. Assim não vai funcionar nunca. Nenhum prefeito será intimidado por rapazes e mocinhas aparentemente enfurecidos. É só não mandar a polícia ao local que tudo acaba no boteco da esquina.

Mas como essa patota escolhe avenidas principais para exercitar sua inocente fúria revolucionária, a PM acaba intervindo. Para garantir o tráfego dos carros pilotados por solitários cidadãos que nunca entram num busão.

É um primor de genialidade. Não por acaso, nunca vimos uma administração voltar atrás em algum reajuste, por mais abusivo que fosse. As filas estão sempre lá, nos terminais e pontos. Oferta e procura

bus Ônibus cheio e barriga vazia, a receita do reajuste de tarifas

O governo federal faz o quê? Obriga empresários a subsidiar o vale-transporte do trabalhador. Que lindo. Transporte é dever do Estado, mas quem paga grande parte da conta é a iniciativa privada que assina a carteira da peãozada.

Nenhum país sério banca transporte público gratuito. Muito menos de qualidade. Pois deviam, todos. Para que servem impostos? Me digam, por gentileza.

Fazer pagar a conta quem não pode espernear é covarde e desonesto. A molecada vai lá e faz a festa da democracia. O prefeito e seu motorista particular ficam vendo tudo pela TV.

As empresas de ônibus e os sindicatos de motoristas e cobradores agem como máfias. Muitos são bandidos, nada além. Cartas marcadas.

O mais desesperador é quando vemos um ônibus sendo queimado. Obra de traficantes e do crime organizado. É muita maldade.

Ar condicionado, lugares disponíveis, poltronas confortáveis, horários rigorosos, funcionários educados e ok, uma tarifa justa, que caiba no bolso de quem usa.

Duvido que isso seja impossível. Não é. Basta que aquele que entra numa lata de sardinha não se acomode nessa situação. Não há espaço para se acomodar. Não mesmo.

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31 janeiro 2011

Acompanho o noticiário sobre o Egito diariamente, para ter a certeza de que é impossível entender o que acontece por lá. Não por acaso, é um país do Oriente Médio, onde nada faz sentido.

Fiquei aliviado quando pelo menos percebi que a bagunça toda tinha a ver com o que aconteceu na Tunísia, semana atrás. Na verdade, confesso, demorei para me tocar que se tratava de países diferentes.

O esforço da imprensa é comovente. Nossos correspondentes tentam traduzir o enigma, com afinco e profissionalismo. Pena que estejam sediados em Londres e Nova Iorque, ou se baseiem exclusivamente no noticiário da Reuters.

E os analistas de internacional? Em poucas linhas ou segundos conseguem o feito de nos deixar na mesma. Problema nosso se não somos cultos como eles.

O conflito entre árabes e judeus, por exemplo. Década após década, lá estão eles se matando, e eu aqui, morrendo de tédio com minha ignorância sobre o assunto.

Para complicar, vieram os muçulmanos, xiitas, sunitas e outras coisas esquisitas. Complicou geral. Era tudo tão didático quando existiam apenas capitalistas e comunistas.

Como uma partida de futebol, um time de cada lado, sem a complicação do impedimento. Mas a História está sempre em movimento, para azar nosso que vivemos na simplicidade da América Latina.

Vou continuar de olho no noticiário. Já sei que não vou com a cara desse tal de Mubarak, assim como não gostava do Obama. Mubarak Obama... Ih, deu um nó na cabeça, de novo...

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