9 abril 2012

santos dumont 450 felipe de oliveira Fala muito, fala muito o Felipão Pondé

Guardar ressentimento é tomar veneno e esperar que outra pessoa morra. A frase, de um tal de Shakespeare, parece ter se tornado o lema da elite brasileira contra a chamada classe média ascendente. Puro rancor.

Já se tornou um clássico dizer que os aeroportos se tornaram rodoviárias depois que o povão passou a ter acesso a esses terminais — para logo em seguida ser responsabilizado pelo caos aéreo que há décadas vinha sendo engendrado na incompetência de um Estado feito apenas para os 10% mais ricos da população.

A burguesia tupiniquim não gostou de ter te dividir o espaço de suas bagagens com os antigos empregados. Mas como não tem muitos argumentos, fica na dependência de que algum reacionário de plantão venha esculachar o “churrasco na laje” feito nos saguões aeroviários.

É assim que fala o colunista da Folha e profeta do apocalipse Luiz Felipe Pondé. Sem nenhuma originalidade, repetiu essa ladainha carcomida pela inveja no tvfolha deste domingo, 08. Puro despeito, travestido de sociologia de botequim.

Como colonizador escravocrata que sempre foi, ainda teve a petulância de dar conselhos civilizatórios para o povaréu. Alertou sobre o risco do excesso de bagagem. Aviões podem cair com o peso dos brasileiros que estão sendo incorporados à economia formal. Sei.

Os esnobes sempre foram fazer compras em Miami. Era chique. Agora que chegou a vez do pessoal da “laje”, não pode mais, é feio. As malas dos pobres redimidos incomodam muito o refinado reacionário.

Quer saber? Fala muito, fala muito esse Felipão Pondé. Como diria um aristocrata de verdade: por que no te callas?

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5 abril 2012

O pessoal anda muito implicante. Agora cismaram com um concurso público para garis realizado pela prefeitura de Cambé, no Paraná. Só porque a Universidade contratada para elaborar as provas fez perguntas sobre Michel Teló, Fina Estampa e Zorra Total (leia mais aqui).

Os mais inconformados são os fãs do Luan Santana, que acharam absurdo o cantor não fazer parte do vestibular. Prometem entrar na Justiça, alegando discriminação e protecionismo. Ivete Sangalo, procurada, não quis se manifestar.

Outra que promete ir às últimas consequências é Suzana Vieira. Revoltada e espumando de inveja, quer saber por que Lilia Cabral merece ser imortalizada mesmo sem nunca ter feito barraco, lipoaspiração ou papéis insuportáveis.

Acuados, os responsáveis pelos questionários se justificam: basearam suas perguntas de atualidade em reportagens publicadas pela revista Veja. Aí tudo começa a fazer sentido.

Queriam o quê? Questões sobre Rei Davi, Legendários ou Chico Buarque de Holanda? Isso sim seria criticável, elitista e inútil.

Pessoalmente, achei o exame muito engenhoso. Qual o problema, gente? Afinal, nada mais adequado do que perguntar sobre lixo para futuros funcionários de limpeza pública.

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3 abril 2012

O maior argumento contra a implantação da pena de morte no Brasil é incontestável: ela já é praticada, e em larga escala. Somos o País cuja polícia mais assassina pessoas no mundo. Todo ano, praticamos um verdadeiro genocídio.

Números divulgados no final de março pela Anistia Internacional mostram que 20 países em todo o planeta executaram 676 pessoas em 2011. Nessa contabilidade fúnebre está excluída a China, que não divulga os detalhes de seu morticínio oficial.

Pois só as PMs do Rio e de São Paulo mataram, “em confronto”, mais do que essa soma de criminosos condenados à pena capital em todo o mundo. Somadas, as estatísticas revelam que 961 mortes foram cometidas por agentes dos dois Estados mais populosos do país. Em São Paulo, 437; no Rio, 524.

Nada indica que os demais Estados tenham policiais menos facínoras. O fechamento dessa conta deve ser macabro. Qualquer brasileiro esclarecido sabe disso. O detalhe é que muitos nativos acham que ainda é pouco. Por eles, poderia morrer muito mais gente.

Por gente, entendam-se jovens, pobres, negros, com baixíssima escolaridade e moradores de favela e periferia.  São esses que tombam na guerra civil que tomou conta do nosso cotidiano. Esses “autos de resistência” nem sequer são averiguados. Tornaram-se banais.

Nos Estados Unidos, um país notoriamente violento, com policiais também envolvidos com corrupção e abusos de poder, em 2009, foram mortos em tiroteio, em todo aquele gigantesco território, 406 cidadãos.

Em Tóquio, no Japão, durante a década de 1990, a média era de cinco mortos por ano, nessas circunstâncias. E olha que lá eles têm a Yakuza, uma das máfias mais armadas e perversas do planeta.

Esses argumentos, no entanto, são inúteis. Nada é capaz de mudar o pensamento bélico, assassino e psicótico que tomou conta da sociedade brasileira. A sede de sangue é insaciável. Mas para que pena de morte se ela já faz parte de nossas vidas?

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2 abril 2012

Tem maluco pra tudo. Uma empresa de marketing, uma tal de MPO, insiste em investir num sistema chamado crowdfunding, no qual torcedores fazem doações para que um clube contrate determinado jogador (leia mais aqui).

A ideia já deu errado três vezes: fracassou na hora de trazer Wesley para o Palmeiras, Christian para o Corinthinas e Nilmar para o São Paulo.

O dono da empresa vai continuar tentando. Tadinho. Garanto que esse tipo de iniciativa está condenada a sempre ser um fiasco retumbante. Por um motivo simples: brasileiro adora futebol, chega a ser bobo por causa disso, mas não é burro.

A resistência a esse sistema não é difícil de entender. O torcedor sabe que a cartolagem brasileira é feita basicamente de gente desonesta, picaretas do mais baixo nível.

Tem que ser muito ingênuo para acreditar que pessoas que levaram o futebol à falência vão cuidar do suado dinheiro alheio com algum respeito e decência.

O esporte movimenta bilhões de reais por ano, uma dinheirama respeitável. Mas os clubes estão sempre à míngua, em estado deplorável, de pires na mão. Por que será? Basta somar incompetência com ladroagem. Pronto, está explicado.

Todos os presidentes de clube no Brasil trabalham de graça, não recebem salário. Mas lutam ferozmente para se manter no cargo. Quanta dedicação. Não é? Pode até ser que algum deles seja realmente idealista, mas caramba, é difícil de engolir.

E outra: jogador ganha bem demais. É uma indecência. Por que a turma da arquibancada vai ajudar alguém que está nadando em dinheiro? Tem que ser muito trouxa. Burro mesmo.

Basta ter de pagar os preços de ingressos abusivos. É um assalto também. Está de bom tamanho.

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28 março 2012

Durante as últimas semanas, o Brasil pôde conhecer a verdade sobre negócios bastante suspeitos realizados pelo autodenominado apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus.

Foram denúncias apuradas pelo jornalismo da Rede Record que envolvem a compra de uma fazenda do tamanho de 13 mil estádios do Maracanã paga com dinheiro dos fiéis, a mansão em que o apóstolo vive avaliada entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões e outros dois imóveis em região de alto padrão, registrados em nome de Valdemiro.

A seriedade das denúncias veiculadas pelo Domingo Espetacular e Jornal da Record, além do portal R7, fizeram com que o Ministério Público Federal e a Receita Federal determinassem a abertura de investigação sobre o caso.

Assista às reportagens ao final deste texto. Pois nesta quarta-feira, dia 28, na página principal do UOL:

provocador A conversão de Frias ou o medo do UOL?

Uma vez mais o Grupo Folha/UOL ataca a Record e seu acionista, criando - ou embarcando - em teorias mirabolantes que nada têm a ver com uma denúncia jornalística inquestionável.

Minha dúvida resume-se a uma questão de múltipla escolha. Por que a Folha/UOL não dedicou-se a repercutir o caso do ponto de vista jornalístico? Por que não investiu em deslocar seus profissionais até a fazenda milionária?

Houve preocupação em acompanhar de perto algo que o Ministério Público ou a Receita irão investigar? A resposta clara é não. Mas a pergunta é: por que não?

Três alternativas:

a) Seria Otávio Frias Filho, poderoso chefão da Folha/UOL o mais novo convertido da Igreja Mundial do Poder de Deus?

b) Seria incômodo com o crescimento do R7? Para quem não sabe, o R7 cresceu 100,43 pontos percentuais a mais que o UOL em 2011, de acordo com o Ibope/Nielsen. O UOL cresceu 11% de janeiro a dezembro de 2011, enquanto a internet no Brasil avançou 8, 73%. No mesmo período, o R7 registrou mais de 111% de crescimento.

c) Todas as alternativas anteriores. Não é preciso fazer o curso de jornalismo da Folha para acertar a questão.

Assista às reportagens abaixo.

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clip image001 A conversão de Frias ou o medo do UOL?

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28 março 2012

demostenes torres Demóstenes é um pit bull lançado aos cães

Agência Brasil

Nunca confie no DEM. Seus integrantes são traíras por natureza. Basta ver a “falta de sacanagem” que querem fazer com o colega senador Demóstenes Torres. Logo ele, coitado.

Ingratos, seus comparsas ameaçam expulsá-lo do partido caso a Procuradoria-Geral da República abra uma ação contra o parlamentar por seu envolvimento com o bicheiro Carlos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Chega a ser revoltante a forma como tratam o principal pit bull da bancada oposicionista. Ex-promotor de Justiça, ex-delegado e ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes sempre se mostrou inflexível com o crime e a corrupção. Dos outros, claro.

E fazia esse serviço sem nenhum cuidado com provas ou evidências. Era implacável, feroz. Bastava uma acusação, mesmo que apressada ou leviana, para que subisse na tribuna e de lá achincalhasse seus inimigos. Ele parecia se divertir muito com isso.

E agora, experimenta do próprio veneno quando reportagem da revista Carta Capital, baseada em documentos da PF, afirma que o nobre parlamentar ficava com 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino. Coisa miúda, na casa de 170 milhões de reais nos últimos seis anos.

Nesse momento de desamparo, o que fazem seus outrora aliados? O largam em praça pública, para ser devorado pelos cães alheios. Covardia. Infâmia. Indecência. Traíragem. Essa gente não presta nem pra tomar cafezinho em pé no balcão.

Mas Demóstenes, apesar dos seus mais de 300 telefonemas para o “amigo” Cachoeira (devidamente grampeados pela polícia, com autorização da Justiça), jura inocência. Clama pelo direito à dúvida e à defesa. Argumento tardio, oportunista, mas legítimo.

O pobrezinho acaba de renunciar à liderança de seu partido no Senado. Ninguém protestou. Está sozinho, largado à fúria acusatória de gente sedenta por vingança. Vai ser expulso do seu partido, não duvidem. Aqui se faz, aqui se paga, descontada a comissão.

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28 março 2012

chave ok Não devemos construir novas casas sobre escombros

Como diria um comentarista enterrado vivo pelo seu preconceito: “Hoje, qualquer miserável pensa em ter a casa própria.”

É esse o recado que nos passa, de forma bem mais otimista e higiênica, uma recente pesquisa sobre a intenção de o brasileiro adquirir um imóvel nos próximos dois anos. Leia aqui.

O Instituto Data Popular constatou que o maior e mais distante sonho do brasileiro passou a ser um projeto de curto prazo para 11 milhões de famílias integrantes da chamada classe C.

Esse segmento social ascendente responde por 57,6% do total pesquisado.

As classes A e B respondem por 15,2% da intenção de compra, enquanto que 27,2% das famílias pertencentes às classes D e E têm o mesmo desejo. A pesquisa não informa quantos não alimentam essa perspectiva.

Isso não muda o essencial: em tese, mais de metade dos prováveis imóveis residenciais a serem vendidos em breve estão na mira de quem provavelmente só conhecia profundamente a lógica do aluguel.

Se somarmos as classes C, D e E teremos 84,8% dos potenciais futuros donos de escrituras fora da lógica que norteou nos últimos 512 anos o mercado imobiliário deste País. É um novo alicerce em construção.

A economia do Brasil não para de nos surpreender. Estamos prestes a nos tornar a quinta maior potência do planeta, já que a crise europeia deve permitir que ultrapassemos a França até o final de 2012.

Quem diria, ficaremos atrás apenas de EUA, China, Japão e Alemanha. Sei.

Como pode, em meio a esse estrondoso e recente cenário de crescimento, diante de tamanha revolução econômica, termos encerrado mais um verão soterrados por tragédias, enchentes, desabamentos e tantas pessoas mortas dentro de seus lares?

Não quero ser agourento, mas há algo de errado nisso tudo.

Todo ser humano merece um teto, é um direito universal. Mas, além de novas moradias, alguma esperança e muito esforço deveriam estar canalizados para garantir que não se construa um novo Brasil à margem e por cima de escombros. Isso já foi feito. E não deu certo.

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23 março 2012

chico 10 g e1332529638148 Estamos rindo do que, afinal?

A morte de Chico Anysio encerra simbolicamente um ciclo histórico do humorismo brasileiro. A rigor, Chico representa o tempo em que havia humoristas no Brasil. Acabou, podem fechar o caixão.

O que restou espalhado por aí é de chorar. E pensar que José Vasconcelos, Ronald Golias e Juca Chaves eram considerados pornográficos e vulgares. Tristeza não tem fim, felicidade sim.

Após as homenagens justas e veríssimas ao professor Raimundo, sobrará o Renato Aragão que, convenhamos, é outro tipo de palhaço, bem menos virtuoso.

Vai ficar cada dia mais sem graça. Estamos rindo do que, afinal? Dos playboyzinhos do CQC e Pânico? Ou das ridículas patrulhas ideológicas politicamente corretas ainda mais mal-humoradas?

Esses neuróticos que se acham engraçados sendo racistas, homofóbicos, machistas e misóginos deviam rever os quadros do Chico Anysio com negros, gays e mulheres. Sugiro que assistam ajoelhados.

Sapeca, Chico Anysio resolveu morrer ao mesmo tempo que  um evento anual chamado Risadaria reúne em São Paulo um amontoado de artistas desesperados por arrancar alguma risada da inadvertida plateia.

Risadaria homenageia Chico Anysio e Glauco em SP

Tivessem realmente algum senso de humor e dignidade, cancelavam o evento e botavam uma respeitosa placa na porta: “Fechado por motivo de luto”.

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21 março 2012

Somos um país moralmente contraditório. Podemos ter a dança mais pornográfica do planeta, mas nos cobrimos de pudores diante de um corpo nu. Essa esquizofrenia sexual merecia algum estudo antropológico sério.

Chega a ser vergonhoso. Todas as meninas do BBB, por exemplo, sonham em posar nuas. Estão lá pra isso, inclusive. Mas na hora de tomar banho, ficam constrangidas quando uma participante convidada, vinda da Espanha, faz o que eu, você, todo mundo faz: fica pelada.

Não que a tal Noemi não seja do balacobaco. Graças a ela, até penso em passar minhas próximas férias na Espanha. Não sabia que as mulheres de lá eram tão fogosas e desinibidas. Perdemos o pódio no futebol, agora também no créu? Só falta se tornarem mais corruptos.

Mas sempre achei que aquela situação ridícula de se banhar de biquíni ou sunga era exigência da produção do programa. Pelo visto, nunca foi. Quer dizer, então, que desde a primeira edição aquele amontoado de gente que vive exibindo seus dotes físicos decidiu por conta própria passar por esse papelão?

Até ex-participantes decidiram palpitar e chamar a “hermana” de periguete, oferecida, biscate, esses mimos todos. Hum? Alguns se masturbam debaixo do edredom, outros simulam estupros consentidos, para não dizer do festival de baixaria que diariamente promovem.

Mas tomar banho de forma higiênica (da única forma aceitável, diga-se de passagem), isso é feio? De fato, não nasci para o mundo das subcelebridades. Sou limpinho demais pra isso.

Tenho certeza que as pessoas assistem aos realities shows na esperança de ver e ouvir muita sacanagem. Poucos oferecem alguma resistência a esse tipo de expectativa. E a primeira coisa que fazem quando saem do confinamento é tirar a a roupa para fotos sensuais, sonhando que venha o convite para o nu explícito e seus cachês mirabolantes.

Quer dizer que o brasileiro, de forma geral, só aceita ficar nu para fins libidinosos ou exibicionistas? Só tira a roupa por dinheiro?  Que coisa mais porca.

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16 março 2012

Esse nosso mundo está ficando muito chato. Insuportavelmente chato. Já está na hora de as pessoas de bem com a vida se mobilizarem contra a epidemia de conservadorismo que atende pelo nome de politicamente correto.

A última cacetada moralista vem de uma tal Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. Os burocratas desocupados querem fechar uma boate, a Kitsch, por conta de um espetáculo humorístico que ocorreu nesta segunda, 12. Parece piada, mas não é.

No evento, a proposta era fazer uma noite só com anedotas racistas e sobre todo naipe de minorias. Ninguém foi obrigado a ir, todos que estavam lá eram maiores de idade, pagaram ingresso e tinham consciência do que iam assistir.

Todos, menos um músico da banda contratada para tocar vinhetas e outras bobagens. Pois o cidadão, um artista que deveria ter alguma afinidade com a liberdade de expressão, além de chegar atrasado, ainda resolveu se ofender quando um dos humoristas usou a velha expressão “macaco” para se referir ao baterista negro.

O cara chamou a polícia que, milagrosamente, apareceu. Fosse um assalto com vítima fatal, provavelmente ainda estariam esperando. Parece que chegaram num acordo e tudo ficou por isso mesmo. Mas aí vêm nossos valorosos funcionários públicos botar água fervente na fritura. Caramba. Que gente mal-humorada.

Pausa. Detesto piadas racistas, principalmente quando não têm graça nenhuma. Merece meu desprezo esse humorzinho deliquente tão bem (ou mal) representado pela turma do CQC e Pânico na TV. Lembro-me da espetacular e antológica declaração da atriz Vera Zimmermann: “Detesto quem tem preconceito contra as raças inferiores, como os negros e os japoneses”.  Detesto. Ponto.

Mas daí a fechar e multar uma boate por causa de uma anedota ruim chega a ser mais infame que a existência do Danilo Gentili.  Chamar a polícia por causa disso? Tenha dó. Ainda mais quando aconteceu num ambiente fechado, pretensamente artístico, em que os organizadores tiveram o cuidado de fazer com que os presentes (menos o baterista impontual) assinassem um termo de ciência a respeito de piadas preconceituosas. Menos, menos.

E porque não fazemos nada, esses velhacos estão tomando conta do mundo. Até tomar cerveja na calçada e na praia querem proibir. Convenhamos. Temos coisas mais importantes com que nos ofender. A candidatura a prefeito do Serra, por exemplo.

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