22 fevereiro 2012

preso Liga do Samba ou crime organizado?

A Liga das Escolas de Samba de São Paulo entrou para o panteão das vergonhas nacionais. Lembrou os tempos em que carnaval era considerado coisa de marginais e bandidos. No caso, tudo indica, é mesmo.

Não bastasse a pobreza incorrigível do desfile paulista, sua patética imitação do espetáculo midiático que se tornou o modelo carioca, ainda temos que assistir a cenas explícitas de vandalismo, violência e mau-caratismo.

A apuração das notas do Grupo Especial acabou como se estivéssemos diante de uma rebelião de presidiários, com direito a polícia acuada e incompetente. Claro que no meio havia inocentes: é comum em situações como essa. Azar.

O mais vergonhoso é tudo ser patrocinado por dinheiro público. Na verdade, nada mais natural para um país que financia até a corrupção privada. Mais um pouco, vamos abrir linhas de crédito para o crime organizado.

Se os envolvidos nessa algazarra não forem punidos, podemos esperar pelo momento em que esses desfiles vão se tornar uma guerra campal.

Por mim, tudo bem, desde que cerquem o sambódromo e fiquem todos confinados lá. Aí, sim, vai fazer sentido que existam jurados presentes. Que se esfolem, os foliões.

Qualquer condescendência com esse show de barbárie deve ser responsabilizada criminalmente. Ou só eu percebi o clima de histeria que alimenta essa gente violenta e desocupada?

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17 fevereiro 2012

A irritação do jogador argentino Hernán Barcos, recém-contratado pelo Palmeiras, com um repórter da Rede Globo que o comparou fisicamente ao cantor e compositor Zé Ramalho veio em boa hora. Chega de palhaçada. Leia aqui.

ze barcos Eôô, vida de gado, essa do jornalismo esportivo

O jornalismo esportivo já é suficientemente ridículo para que seja turbinado com avacalhações, pegadinhas e piadas infames. Entrevista coletiva pós-jogo é o circo mais previsível do mundo. As matérias extra-campo são um amontoado de boatarias plantadas por empresários.

Basta lembrar as dezenas de vezes que Neymar & Cia foram vendidos ou repatriados ou "envolvidos em negociações". Ninguém saiu, ninguém entrou. Tédio. A chegada do "craque" chinês ao Corinthians se arrasta há meses, pautado pelo departamento de marketing do time. Chegou: fiasco total. Leia aqui.

Como não há assunto suficiente para dar conta das dezenas de programas de rádio e TV que parasitam o mundo do futebol, alguns candidatos a gênio do jornalismo inventaram as brincadeiras, o tom debochado e irritante das mesas de boteco. Ficou insuportável o festival de abobrinhas, pagação de mico, falsas provocações e falta de notícia das mesas redondas, quadradas e octogonais espalhadas por aí.

Tiago Leifert é o garoto prodígio que consolidou esse novo gênero de cobertura esportiva: informal, brincalhona, despojada e, de forma eventual, inteligente. O rapaz é carismático, articulado, boa gente. Demora para que se perceba sua vaidade incorrigível e sua ambição demasiadamente humana pelo sucesso. Num primeiro momento, surfei na onda de aplausos que até hoje o rapaz recebe.

Seu grande mérito é o de deixar claro que jornalismo esportivo não é para ser levado a sério. Não é pouco. Parabéns. A grande armadilha em que o bom moço caiu é não ter mais voz da consciência para ouvir. A dele tem carteira assinada e, todos sabemos, está lá para receber ordens. Vai ser ladeira abaixo. Com um pote de ouro no fim do precipício.

Não estou pedindo nada. Não sou ingênuo. O jornalismo esportivo sempre será esse lixo de futilidades e mentiras. Só estou desabafando. O Zé Ramalho já foi um bom compositor. Mas é feio que nem a dor da morte. Isso não é motivo para brincadeira. Ô, vida de gado.

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15 fevereiro 2012

A Folha de S. Paulo poderia deixar de ser um jornal diário e passar a ser semestral. Aí faria sentido a manchete de primeira página desta quarta-feira (15) sobre Ricardo Teixeira, em que o tardio periódico paulista acusa o presidente da CBF de superfaturar um jogo da seleção brasileira realizado em 2009, em Brasília.

A Folha ainda se vangloria de obter documentos que comprovam as ligações suspeitas entre Teixeirão e a empresa Ailanto que, uma semana antes da partida, foi fundada especificamente para cuidar da organização do evento, mediante contrato de R$ 9 milhões assinado com o governo do Distrito Federal, à época sob o comando do famigerado José Roberto Arruda. Sim, aquele mesmo, preso e depois afastado do cargo por corrupção.

Mas quanta agilidade! Que faro jornalístico! Que furo de reportagem! Não fosse um detalhe singelo: a Record já havia denunciado essa fraude seis meses atrás, com as mesmíssimas informações que a lenta redação da Folha ignorou solenemente até hoje. Ignorou. Por seis meses. Duvida? Então veja esta reportagem e vídeo aqui.

cbf teixeira hg 20110512 Um jornal a serviço de chutar cachorro morto

O esforço investigativo do jornal da família Frias surge no exato momento em que, tudo indica, o Teixeirinha vai pedir demissão do cargo, após ser abandonado em praça pública até pelos seus comparsas da Fifa, por conta de dezenas de outras acusações de fraude e roubalheira. O cara já era. Acabou. Está com seus dias contados.

Além de se tornar semestral, a Folha poderia adotar um novo slogan: “Um jornal a serviço de chutar cachorro morto”. Em julho próximo, é capaz de informar seus leitores que 2012 começou.

Nem dá pra dizer que essas denúncias contra a CBF foram feitas por oportunismo. É pouco. Isso tem outro nome. É safadeza mesmo. A Folha acaba de instituir o jornalismo covarde.

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15 fevereiro 2012

O governo deveria criar o Vale-Bandido ou o Bolsa Roubada. Todo trabalhador honesto teria direito a um cupom mensal para entregar a um ladrão quando fosse abordado pelo meliante.

Sei lá, seriam tíquetes de R$ 50 ou R$ 80, tanto faz. Discutir valores agora é mesquinharia. O que importa é o conceito de reengenharia social por trás dessa ideia que pode diminuir e, com o tempo, talvez zerar o alto índice de roubos e assaltos a que estamos acostumados.

Sempre haverá aqueles que dirão que isso é estimular a vagabundagem. Basta lembrar como o Bolsa-Família foi criticado no começo. Os anos provaram que essa ação do Estado poupou milhões de pessoas da miséria. Pois chegou o momento histórico de tirarmos os criminosos da ilegalidade.

Eles não podem mais viver como marginais. Todos vamos ganhar com isso. É preciso colocá-los na formalidade, fazer com que recolham impostos e assumam seu papel na sociedade.

Alguns cuidados seriam necessários, óbvio, senão ia virar uma roubalheira. A gente sabe como o brasileiro sempre arruma um jeitinho de tirar proveito da situação. Por isso, é fundamental garantir que todos ajam de forma honesta com o dinheiro público.

Para adquirir o direito de roubar o benefício do trabalhador, o assaltante teria que ter ficha na polícia. É o mínimo que se pode exigir de um ladrão: que tenha antecedentes. O que transformou nossas vidas num pesadelo é essa história de qualquer um, sem o menor preparo, chegar enfiando um revólver em nossas caras. Chega de amadorismo.

Para os pés de chinelo, os iniciantes, os que ainda não têm experiência, os governos estaduais e municipais criariam cursos técnicos e oficinas que inserissem os jovens no mundo do crime, de uma forma segura e responsável. Educação é tudo. E, nessa empreitada, nossos governantes teriam muito a ensinar.

De posse de uma mínima bagagem criminal, o salafrário iria até uma delegacia para se entregar, ou melhor, entregar os documentos que comprovem sua atividade ilícita. Pagaria uma fiança condizente com as posses até então surrupiadas e estaria livre para praticar roubos literalmente qualificados.

O cidadão-vítima ficaria com um comprovante de que já foi assaltado naquele mês. Caso aparecesse outro bandido, bastaria apresentar a segunda via da pilhagem, devidamente assinada. Quanto menos burocracia, melhor. Ainda mais numa hora dessas.

Os ladrões que resistissem a cooperar com esse moderno projeto de distribuição de renda, teriam como única opção assaltar bancos, joalherias ou demais empresas com forte esquema de segurança. Sempre haverá os que não abrem mão do glamour da profissão.

Paciência. No primeiro momento, a prioridade deve ser cuidar dos mais necessitados. Seria muita ingenuidade achar que vamos melhorar esse país da noite pro dia. Só depois de muito esforço teríamos condições de implantar o Vale-Traficante ou o Auxílio-Corrupção. Além do Bolsa Político, claro.

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13 fevereiro 2012

O patriotismo é o último refúgio dos canalhas. Essa frase, famosa, é do escritor inglês Samuel Johnson. E se aplica bem às leis estaduais e municipais que obrigam a execução do hino nacional em quaisquer eventos esportivos, principalmente jogos de futebol.

Antes que algum gênio venha obrigar que também seja hasteado nosso lindo pendão da esperança e se toque o hino da Independência antes de shows de rock ou desfiles de escola de samba, prestem atenção: esse tipo de iniciativa tem o efeito contrário ao desejado pelos patriotas.

Se a ideia de quem criou essa canalhice era despertar espírito cívico entre nossos cidadãos, muito obrigado, valeu, mas o brasileiro não precisa desse tipo de estímulo: somos um povo suficientemente orgulhoso do país em que vivemos, não precisamos de alguém nos empurrando atos inúteis de amor à pátria.

A banalização, a repetição exaustiva do hino, só gera cenas constrangedoras, como a de estádios lotados com uma multidão ignorando o que deveria ser um ato solene. Mas o que há de pomposo para a nação numa pelada entre Guarani e Ituano?

Em alguns vilarejos, também são executados (palavra adequadíssima) os cânticos do município e do estado. É muita avacalhação. Estão ensinando para nossas crianças como é chato ser um cidadão.

Estaria de ótimo tamanho entoar a labiríntica e inescrutável letra de Joaquim Osório Duque Estrada em eventos internacionais ou de grandeza compatível como nosso amor pelo Brasil.

A música é belíssima, mas nunca devemos perder a oportunidade de exigir um plebiscito para mudar aquele amontoado de versos barrocos. Que tal pedir pro Chico Buarque compor uma letra nova? Não sendo do Caetano Veloso ou do Michel Teló, pior não fica.

Sugiro manter as passagens bonitas, que todos entendem: “Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!”; “Dos filhos deste solo és mãe gentil”, em homenagem às mulheres; e o “Verás que um filho teu não foge à luta,” que é coisa de macho.

A partir dessa mudança urgente, inclusive, deveria ser obrigatório que todo jogador de futebol soubesse a música inteira. Porque é uma vergonha o descaso, os chicletes, eventuais cusparadas e o olhar perdido de nossos atletas enquanto ouvem a música que deveria ser cantada com orgulho verdadeiro. E não é todo dia que temos motivos para isso.

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10 fevereiro 2012

6 g 20120130 e1328867177678 Depois de Wando, qual o próximo velório?

Divulgação/Site Oficial

É compreensível tanta homenagem ao Wando. Ele merece todas e mais. Só não entendo onde foram parar os intelectuais, a juventude esclarecida e os formadores de opinião que durante décadas o massacraram, o fizeram motivo de piada, o humilharam e, principalmente, o ignoraram.

Eu considero o brega a alma deste país: a dor de cotovelo, o amor perdido, a mulher abandonada, o corno arrasado. Os brasileiros, nós somos tristes e melodramáticos. Nada a ver com sexo fácil ou amor de balada. Não sei em que momento nos tornamos vulgares, siliconados, enviagrados e disponíveis.

Excetuando os fãs verdadeiros, gente pobre e bem ou mal amada, Wando sempre foi citado de forma arrogante pelos que agora o tratam com o devido respeito.  Essa turma me enoja. Ele só foi primeira página no dia de sua morte.

Praticamente todos os jornais, revistas e programas de TV jamais dedicaram a ele um minuto ou centímetro de atenção verdadeira. Suas músicas eram trilha sonora de humorísticos, auditórios decadentes ou pegadinhas infames.

De repente, ao morrer, o cara virou um gênio, o fim de uma época. Ele era luz, raio, estrela e luar. Iaiá e ioiô. Li crônicas e artigos botando o defunto no lugar onde nunca jamais esteve quando vivo. É muito oportunismo, muita safadeza.

Restam poucos como ele. A maioria dos artistas respira com ajuda de aparelhos. Vou me repetir, mas repito: nossa cultura está morrendo, não temos mais aquela que foi uma das músicas mais lindas do mundo, seja Chico Buarque ou Odair José.

Os sobreviventes, eu incluído, palco ou plateia, temos pouquíssimo tempo a perder. Onde estão nossos menestréis, nossos compositores, nossos artistas? Vamos fazer em nossas mentes um show com todos eles? Ou cada um terá um rápido e espetacular velório? Eu quero aplaudir agora.

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9 fevereiro 2012

Se a greve dos policiais militares se alastrar (algo que pode passar de possível a provável em poucos dias), o Estado brasileiro vai pagar caro por um de seus maiores erros.

Não é só pelo descaso com que trata seus soldados, remunerando-os de forma vergonhosa. De fato, não há dinheiro. Nem por permitir que a PM seja uma corporação vista como corrupta, violenta e ineficiente. Tampouco por ter perdido o controle sobre um contingente de milhares de soldados, como o de São Paulo, maior do que muitos exércitos de países desenvolvidos. Se nessa questão há Estado, ele é de sítio.

Especialistas dizem que a partir de 15 mil integrantes, qualquer corporação armada se torna inadministrável. Só a Bahia, possui 30 mil. Não há comando que dê conta de uma horda dessas.

Vamos falar a verdade, crua: o maior dos equívocos é permitir a existência da Polícia Militar. Ela é uma herança, a mais maldita de todas, da ditadura que se abateu sobre o país em 1964. Para os paulistas, é bom saber, a ROTA foi criada em 1970, exclusivamente para matar comunistas, nada mais. E hoje, os vermelhos estão todos mortos, física ou moralmente. Por que não fecham essa sucursal do inferno?

Fechar, não. Unificar. A fusão das polícias civil e militar só não foi feita ainda porque todos os governos pós-democráticos, sem exceção, não tiveram a coragem e a decência  de acabar com essa divisão que apenas dobra, ou multiplica, a insegurança em que fomos aquartelados vivos.

Esse modelo de separar prevenção ao crime e investigação policial científica simplesmente jamais funcionou, a não ser para que jagunços uniformizados fizessem o serviço sujo da ditadura que destruiu um projeto de nação justa, segura e soberana.

Policiais aprenderam táticas de greve com os companheiros sindicalistas. Assim como os traficantes cariocas aprenderam a se tornar crime organizado durante o convívio com a nata dos aprisionados comunistas, durante os anos 70, nas masmorras em que foram confinados por generais pouco instruídos na guerra ideológica. Eles se acasalaram em cativeiro.

Ninguém mais toca no assunto. Simplesmente porque nossos governantes perderam o controle sobre essa legião armada que, como estamos assistindo, atônitos, é capaz de tornar toda a sociedade refém de suas demandas justas e desmandos inaceitáveis.

Obvio que eles têm de ser bem remuneradas. Um funcionário público não pode ocupar um território de bandidos ganhando menos que um assassino de aluguel. Assim como é evidente a truclência de seus métodos de reivindicação. Nossos meganhas estão se tornando guerrilheiros? Mais um pouco, vão adotar métodos terroristas? Chantagistas, já são.

O mais irônico, talvez trágico, é que o PT subiu a rampa do Palácio da Alvorada pisoteando quase todas as bandeiras que, aos berros, conclamavam por uma sociedade mais justa e digna. Foram os militantes de esquerda as maiores vítimas de uma policia sádica, pistoleira, esquizofrênica e que sempre tratou com desprezo os ideais republicanos.

Por covardia, por absoluta falta de coragem em enfrentar um dos seus maiores algozes, deixaram que o ovo da serpente gerasse, na encubadeira da omissão, essa monstruosidade que ameaça entregar o país à barbárie, à guerra civil em que todos são vilões e ninguém fala em cidadania.

Não por acaso, em vez de otimizar prevenção e inteligência, bolaram mais uma corporação bélica, a Guarda Nacional, pensada por FHC e implantada por Lula. Eles sabiam o que estava por vir. Botaram mais óleo na fervura de um caldeirão prestes a explodir. Repito: eles sabiam o que estava por vir. O caos está apenas se anunciando. Temos todo motivo para ficar preocupados.

O carnaval? Se ele cai acontecer? Por gentileza, não sejamos ridículos, isso não tem a menor importância. Terrível é a quaresma sangrenta que nos aguarda.

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7 fevereiro 2012

A Organização das Nações Unidas nunca serviu pra nada. Mas a daí a se tornar abrigo para massacres e ditaduras é caso de sepultamento. Deviam entregar a sede aos sem-teto nova-iorquinos ou alugar para a Al-Qaeda, evitando intermediários.

De que adianta um Conselho de Segurança que praticamente endossa a chacina em curso na Síria? E não é o caso de atribuir exclusivamente a China e Rússia a responsabilidade pelo veto à resolução que condenava o governo genocida de Bashar Assad.

O chamado direito ao "voto negativo" dos membros permanentes do Conselho (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) já foi usado por todos em em diversos moentos vergonhosos. E não vamos esquecer que o Brasil se absteve de votar quando de iniciativa semelhante em outubro de 2011.

Esse episódio é apenas mais uma das atrocidades chanceladas durante os piqueniques que os infames líderes mundiais promovem a cada novo encontro de desocupados.

A ONU sempre foi uma organização inútil para mediar conflitos internacionais. Quando não serviu simplesmente de base de apoio aos interesses norte-americanos, foi ridicularizada por moções recebidas com desprezo pelos países atingidos. Basta lembrar a arrogância com que Israel ignora as seguidas moções contra seus abusos contra palestinos.

Não passa de um circo inofensivo, ridículo até. Os Médicos Sem Fronteiras ou a Apae fazem mais pela humanidade do que esses embaixadores da nulidade.

A Vigilância Sanitária não vai tomar uma providência? Fechem aquela espelunca.

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1 fevereiro 2012

Desde Castro Alves que a cultura baiana anda em crise. Mas o fundo do poço chegou, para alegria dos que querem escavar a sepultura com as próprias mãos.

Sem a menor preocupação em parecer careta, digo que o pancadão soteropolitano atingiu o nível mais baixo da barbárie moral. As coreografias ginecológicas já eram suficientes para ofender até o mais desavisado pornógrafo. Não satisfeita, a baianidade quer colocar em moda a interação sexual com a plateia.

A vanguarda desse movimento pode ser vista no show da banda New Hit, em um evento semanal chamado de “A Noite da Apertadinha”. Sutileza não é com eles, dá para perceber logo de cara.

A determinada altura do encontro orgiástico, o vocalista Dudu, conhecido como o “Justin Bieber do Pagode”, rebola na frente do palco e deixa que uma fã simule ou execute sexo oral com ele. É uma cena dantesca, e não só pela feiura dos envolvidos (tem gosto pra tudo).

Não sejamos preconceituosos. Podemos estar diante do registro histórico de uma nova era das artes brasileiras. Eparrei! E ainda tem gente que se escandaliza com Michel Teló.

Esses rituais primitivos estão na alma do povo. Pena que abriram mão dos tambores e dos altares de sacrifício. Quem sabe não seja esse o Renascimento que nos cabe?

Diversidade é fundamental para o avanço da civilização. Tanto que, sintomaticamente, o líder do Restart, Pê Lanza, declarou, talvez abrindo novas perspectivas para o debate sobre o papel dos fãs no show business: “Não gosto que mexam nas minhas coisas”. Eu, hein! Isso sim que é exagero.

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31 janeiro 2012

campus party m 20110121 Vem aí mais um encontro de solitários no Campus Party

Esse tal de Campus Party é uma das maiores provas de que a internet está transformando a humanidade num amontoado de nerds. Qual o sentido de percorrer quilômetros para se encafofar numa barraquinha apertada com a cara enfiada na tela de um lap top?

Até um acampamento de escoteiros é mais animado que esse encontro de gente estranha. Não basta o quanto já ficamos conectados (de forma doentia e preocupante, diga-se de passagem), ainda tem 7 mil indivíduos (ou “usuários”?) dispostos a ficar uma semana entocados num pavilhão? Para quê?

Bom, pelo menos assim essa turma sai de casa, né? E talvez seja a única oportunidade do ano para o acasalamento. Por esse ângulo eu posso entender tamanho entusiasmo por um programa tão chato.

E, claro, tem os viciados em games. Tarados mesmo. Eu internava todos num laboratório, para fins científicos. Ou transplante de órgãos, talvez. Eles nem dariam falta, já que só usam os dedos.

O evento entrou para o calendário oficial da cidade de São Paulo. Depois os paulistas reclamam da fama de caretas. Duvido que o Rio receberia tanto forasteiro branquelo e raquítico ao mesmo tempo.

A prefeitura poderia ao menos promover excursões da garotada por algumas das cracolândias agora espalhadas pela cidade. Teria um fundo terapêutico olhar de frente para aquilo com que se parecem.

Não é implicância minha, não. Estou preocupado, de verdade. Se pudesse, dava banho e  comprava uma dentadura para cada um. Depois mandava brincar na rua e quem sabe arrumar uns amigos. É muita solidão. Dói.

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