22 dezembro 2010

Quer ganhar um reality show? Seja absolutamente insignificante. Quanto mais morto você conseguir parecer, mais vivo você será.

Quem ganha A Fazenda ou Big Brother é sempre uma pessoa a ser esquecida na próxima estação. Como um guarda-chuva. Ou um mala. O que importa é ser dispensável.

Isso é apenas a sabedoria popular se manifestando da forma mais cruel. Quer faturar R$ 2 milhões? Pois então faça tudo para não merecer. Não seja inteligente, carismático, corajoso ou especial.

Seja apenas um nada. De preferência, sem nenhum futuro pela frente. Pegue sua fortuna e suma de nossas vidas. Não nos incomode nunca mais. Se for possível, daqui a alguns anos, seja um perfeito fracassado.

Você tem talento? Simples, seja talentoso: um grande ator ou atriz, uma personalidade marcante e inesquecível, um campeão de votos como o Tiririca. Só não queira ser um vencedor de prêmios milionários.

Dinheiro é para quem necessita. Milhões de brasileiros acreditam nisso. Com razão. Quem preferimos que ganhe a mega-sena, um empresário ou um miserável? Óbvio.

Nem precisa ser pobre, mas limpinho. Basta merecer nossa piedade. É disso que se trata. Nos convença que sem o prêmio você não será ninguém. Negócio fechado.

De realidade, esses shows não têm nada. E que assim permaneçam. Apenas shows. De realidade, basta a nossa. E nela não há grandes prêmios. Por que haveríamos de dá-los a quem não se parece conosco?

Veja mais:

+ Veja os destaques do dia
+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

3 fevereiro 2010

O Brasil acordou com um problemão. Não tem mais a quem odiar. Tessália foi expulsa de forma humilhante do BBB 10. Mataram a Odete Roitman no início da novela. E agora?

A vilã. A megera. A vadia. O talento da menina para fazer inimigos é espetacular. Um misto de leveza, sensualidade, arrogância e maquiavelismo realmente intrigante. Um personagem raro.

O brasileiro, pelo visto, prefere vilões óbvios. Não gosta de mocinhas doces que quebram as regras olhando no olho do telespectador. A turma prefere bandidos com cara de mau. Se não confunde, né?

O próximo movimento é o povão sentir alguma pena dessa moça. Ela foi duramente castigada. Está sendo esquartejada em praça pública. Jogaram pedra na Geni. Só nos restará o perdão.

Lembram do tórrido vídeo da Cicarelli com o namorado, nas praias de Cádiz? Ela foi dada como morta para a TV. Morreu mesmo, mas ainda recebe cachê. Brasileiro é bonzinho.

Mas tem surtos inquisitoriais de moralismo. Vejam a profusão de corpos nus cometendo adultérios na trama das oito. O pessoal está bravo. Porque uma mulher chifrada decidiu botar galhos no marido cafajeste. Isso não pode.

Também não é permitido se esconder debaixo do edredom para carícias colegiais. É indesculpável. A Sabrina e a Grazi também ficaram com homens comprometidos no BBB. Mas elas são fofas. E burrinhas. Então, pode.

A truculência é privilégio dos marmanjos. A sexualidade também é atributo masculino. Ficam charmosos, os safados. O Dado Dolabella, por exemplo. Um galã.

A Tessália deveria namorar o Igor Cotrim, da Fazenda. Este rapaz representou um vilão de comédia divertidíssimo. Inteligente, debochado, inquieto.

igor tessalia A Tessália deveria ter um caso com o Igor Cotrim

Eles fariam um par antológico. Como o Igor é bem casado, teríamos um começo eletrizante. Ele cuidaria dos diálogos sarcásticos. Ela planejaria cada uma das artimanhas. Trariam audiência. Mas seriam eliminados antes da decisão.

Façam uma pesquisa: a maioria dos que vencem realities shows é fuinha. Sem graça. Pastel. Tonto. É a vingança dos fracos e oprimidos.

Mas é só um jogo. Na vida real, o vilão se dá bem. Foge com o dinheiro roubado para o Caribe. Manda bananas para o povo brasileiro. Como nas novelas de hoje em dia.

Ai, que saudades da Odete Roitman, a vilã que pagou por todos os seus erros. No final. Que falta que ela faz.

Veja mais:

+ Brothers discutem a estratégia de Tessália
+ Vote em quem deixa a Fazenda no último "Tá na Roça"
+ Confira as últimas notícias do BBB 10 no blog especial do R7
+ Todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

2 fevereiro 2010

Perdi meu tempo vendo alguns minutos do reality show do SBT, Solitários. É degradante. Passou do No Limite.

O que mais me intriga nessas porcarias nem é que tenha gente disposta a dar audiência para algo de tão mau gosto. Nem o absoluto amadorismo da produção. As apresentadoras, cruz credo. Quanta cafonice.

Rigorosamente patológicos são os motivos que levam supostos seres humanos a participar de um troço desses. Uma das moças disse que entendeu o sentido da vida após ficar trancafiada num cubículo, sendo massacrada. Vida besta, a dela, hein?

Não consigo entender. A taxa de desemprego vem caindo, não há o que justifique tamanho desespero. Mais digno morrer de fome do que de vergonha.

Mas esse programa representa só o cúmulo de uma tendência da TV, no mundo. De uma videocassetada para cenas de humilhação explícitas é menos que um toque no controle remoto.

Uma rede de TV da Grã-Bretanha, a Fulcrum, busca doentes terminais que topem ser embalsamados em frente às câmeras. Que nem os faraós e sacerdotes do antigo Egito. Juro. Doença terminal é ter uma ideia dessas!

Até um programa bucólico como o A Fazenda escorrega em cenas de constrangimento público. Testes de resistência física e psicológica cada vez mais se aproximam daqueles treinamentos da Tropa de Elite.

Parece que isso agrada às emissoras, ao público e, principalmente, aos que se inscrevem nessas gincanas sadomasoquistas. Ninguém mais quer estudar, ter um trabalho decente, tomar banho em paz?

Então, tá. Já que o Estado decide por nós que devemos usar cintos de segurança, dirigir sóbrios e não fumar em recintos fechados, passemos ao que interessa.

Ninguém pode ser humilhado, seviciado, constrangido ou explorado em público. Nem por livre e espontânea vontade. Isso é lei. Está na Constituição. Nem precisa inventar.

Quer fazer isso em casa, com a patroa ou o maridão? No cafofo do seu lar? Tudo bem. Divirtam-se. Mas de jeito nenhum isso pode ser feito para deleite ou despeito de milhões de pessoas, seja na TV aberta, no cabo, na internet ou na telinha do celular.

Chega de propagar essas aberrações. Pânico na TV, Sonia Abrão, CQC, Datena, Faustão, BBB, A Fazenda, o que for. Virem-se. Divirtam e entretenham o público com atrações que não sejam escatológicas e bestiais.

A dignidade humana não está à venda. Muito menos por 50 mil reais, como no SBT. Ou por um milhão e meio, uma capa de Playboy, uma entrevista para a Luciana Gimenez.

Gosta de se divertir com a desgraça alheia? Se case e fique olhando para o infeliz ou a cretina que aceitou viver ao seu lado.

Veja mais:

+ Para internautas, Tessália pode ser eliminada hoje.
+ De acordo com enquete do R7, Tessália sai com 77%
+ Conheça todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A