8 abril 2011

u2 U2 e o rock do bem, para reciclagem

A banda da Pastoral da Juventude desembarca novamente no Brasil.  Legítimo representante do rock do bem, politicamente correto e paladino dos fracos e oprimidos, o U2 está de volta.

Tem gosto pra tudo. Músicas de antigamente ainda fazem sucesso com a gurizada que não consegue decorar as letras de Restart e Justin Bieber. OK.  Saudosismo não tem idade.

Mas o grupo do tio Bono Vox já deveria estar tocando no Bar Brahma ou em um boteco da Vila Madalena. Com renda revertida para algum asilo, claro.

Numa época materialista e egocêntrica como a nossa, é impressionante que algum músico enriqueça caminhando e cantando e seguindo a canção. Braços dados ou não. O U2 consegue.

Mas assim como Belchior, Rita Lee e Engenheiros do Havaí, os irlandeses não conseguem compor uma música boa há séculos.O show deles é pura nostalgia. Flashback, antologia, coisa de museu.

Viraram cover de si mesmo. Até por que, estivessem realmente em atividade, a apresentação seria em Londres, e não no Morumbi. Não por acaso, o Brasil é um país muito preocupado com reciclagem.

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22 março 2011

O futebol brasileiro continua sendo motivo de vergonha nacional. Parece não haver jeito de a nossa cartolagem tomar vergonha na cara.

E olha que nem estou falando da conduta mercenária e vergonhosa dos grandes clubes na negociação dos direitos de transmissão do campeonato brasileiro. Isso ainda vai virar caso de polícia.

O assunto é outro. Já escrevi aqui, e me arrependo: nenhum técnico merece ganhar salário de R$ 500 mil. Vou ter que me retratar, e o faço com humildade: nenhum técnico merece ganhar R$ 700 mil!

Pelo visto, o hospício continua com seus portões abertos. Primeiro, o Palmeiras fez o favor de inflacionar o mercado a esse nível obsceno, quando contratou Luiz Felipe Scolari.

Fosse uma empresa privada, com patrão e responsabilidades, quem fez essa extravagância estaria no olho da rua e respondendo processo.

futebol ok2 O futebol brasileiro e a gastança sem fim

Ainda mais depois de o time acumular dívidas e derrotas homéricas com Luxemburgo, Muricy Ramalho e seus astronômicos vencimentos (palavra mais imprópria, não?).

É indecente, uma imoralidade. Para um profissional valer essa fortuna, teria de ser imbatível. Estão aí os currículos dessas estrelas para provar que todos acumulam vitórias e fracassos. Como qualquer ser humano.

Que Muricy Ramalho peça 700 mil ao Santos, é um direito dele. Afinal, se o Felipão ganha essa fortuna para ficar em décimo lugar (!) no Brasileiro, por que o treinador que comandou o time campeão não ganharia?

O que causa espanto e indignação é que o presidente santista, Luis Álvaro Ribeiro, aceite pagar essa quantia ignorante. Logo ele, que chegou falando de gestão moderna, governança administrativa e tetos salariais para tirar o time do buraco financeiro em que se encontra.

Assim caminha a louca caravana dos aflitos. Pobre futebol brasileiro. Já é essa gastança. Imagina quando chegar o dinheirão da TV.

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31 janeiro 2011

Acompanho o noticiário sobre o Egito diariamente, para ter a certeza de que é impossível entender o que acontece por lá. Não por acaso, é um país do Oriente Médio, onde nada faz sentido.

Fiquei aliviado quando pelo menos percebi que a bagunça toda tinha a ver com o que aconteceu na Tunísia, semana atrás. Na verdade, confesso, demorei para me tocar que se tratava de países diferentes.

O esforço da imprensa é comovente. Nossos correspondentes tentam traduzir o enigma, com afinco e profissionalismo. Pena que estejam sediados em Londres e Nova Iorque, ou se baseiem exclusivamente no noticiário da Reuters.

E os analistas de internacional? Em poucas linhas ou segundos conseguem o feito de nos deixar na mesma. Problema nosso se não somos cultos como eles.

O conflito entre árabes e judeus, por exemplo. Década após década, lá estão eles se matando, e eu aqui, morrendo de tédio com minha ignorância sobre o assunto.

Para complicar, vieram os muçulmanos, xiitas, sunitas e outras coisas esquisitas. Complicou geral. Era tudo tão didático quando existiam apenas capitalistas e comunistas.

Como uma partida de futebol, um time de cada lado, sem a complicação do impedimento. Mas a História está sempre em movimento, para azar nosso que vivemos na simplicidade da América Latina.

Vou continuar de olho no noticiário. Já sei que não vou com a cara desse tal de Mubarak, assim como não gostava do Obama. Mubarak Obama... Ih, deu um nó na cabeça, de novo...

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13 dezembro 2010

Sou a favor da CPMF. Contribuição para Prostituição, Malandragem e Falcatruas. Baseada no modelo alemão da cidade de Dortmund. Fez sacanagem? Paga imposto.

Lá, as prostitutas passaram a recolher o equivalente a R$ 13 por dia de taxa para poder exercer a profissão. Isso que é ser capitalista e civilizado.

Não por acaso a Alemanha é uma potência histórica. Carrega a União Europeia nas costas. E faz a lição de casa como poucos. Só temos a aprender com eles.

Imagina algo do tipo no Brasil? Além das moças alegres, estenderíamos o tributo a todos que vivem de deitar e rolar com o povo brasileiro.

Todos que quisessem ferrar com o próximo poderiam optar pela mais absoluta legalidade.

Teriam que usar alguma identificação, obviamente. A medida só daria certo se acabássemos com a clandestinidade. Precisamos melhorar a auto-estima dessa gente.

Isso serviria também para impulsionar a indústria de fabricantes de crachás. Teríamos que importar mão-de-obra chinesa para atender a demanda.

No caso de corrupção, o profissional da área recolheria o equivalente a 10% do dinheiro desviado, livres de outros impostos. Uma espécie de comissão de propina, entendeu?

O único problema seria criar de antemão uma polícia para impedir desvios e ilegalidades. Porque, evidentemente, aparecia algum espertalhão para tirar proveito disso.

É. Deixa pra lá. Esquece.

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31 outubro 2010

info derrotados3 Os derrotados da eleição

A guerra acabou. Dilma Rousseff é presidente do Brasil. Para chegar até aqui, teve que enfrentar uma das batalhas mais violentas da história da República. E venceu.

Derrotou não só seu adversário, José Serra, mas também um exército implacável, cruel e muito poderoso: os principais grupos de comunicação do país. Estes são os grandes derrotados nesse dia de glória para a democracia.

Os milhões de votos recebidos pela candidata petista são a prova gigantesca de que os brasileiros nunca mais se deixarão ser manipulados. Nem permitirão ser tratados como gente ignorante. O povo, definitivamente, não é bobo.

Durante meses, houve um bombardeio incessante de manchetes, chamadas, apelos, boatos e factoides. Um massacre impiedoso, orquestrado. Em fiapos de verdade, urdiram uma rede de mentiras e preconceitos.

Não bastou ser atacada durante o horário eleitoral gratuito. Isso faz parte do jogo. Infame foi ser fustigada diariamente pela propaganda política voluntária dos barões da mídia.

Dilma Rousseff e milhões de brasileiros enfrentaram o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo. E a maior emissora de TV, a Globo. A revista de maior tiragem, a Veja. Nessa tropa de choque incansável também perfilam os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Turma da pesada.

Nos próximos dias, sempre às 10h e às 16h, vamos usar este espaço para detalhar a forma como esses derrotados agiram do alto de seus palanques. Como pisotearam a liberdade de imprensa.

Cada um com seus soldados. Ou capangas. Tanto poder para quê? Tanta arrogância, fulminada pela força das urnas. Os que escrevem e entrevistam e ditam editoriais ficaram mudos. Quem manda, senhores do universo, é quem lê, quem ouve, quem vê. Os vitoriosos. Deste Brasil.

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2 julho 2010

dunga provocador ok Cubra se de vergonha, Dunga

Dunga tem 70% de aprovação, segundo pesquisas. É quase tão popular quanto o presidente da República. Como nunca antes na história deste país, a mediocridade chegou ao ápice. E foi posta em seu devido lugar. Os píncaros da humilhação. Os derrotistas venceram, dirá o chefe supremo da nação de chuteiras. O homem ficou só, no meio da multidão.

Não foi por falta de aviso. Mas de nada adiantou, diante da genialidade fanfarrona do arrogante general e de seus soldados. Em vez de jogadores, os guerreiros da batalha perdida. Uma pátria de joelhos, torcendo pelo homem enfurecido. A derrota anunciada. O Brasil foi eliminado.

Dunga é do tamanho de sua teimosia. Um anão em cima da montanha. Esbravejando contra o vento. Tivemos que engoli-lo. Será cuspido pela história. Que nunca mais este país se apequene. Que o medo seja enterrado junto com a covardia. Que os gritos no futuro sejam apenas os da multidão comemorando o gol bonito, o drible desconcertante, a jogada triunfal.

O Brasil é o país do futebol. Pentacampeão mundial. A seleção que foi para a África do Sul é a do Dunga. Ele fez questão de dizer. O triunfo seria dele, apenas. Pois que ele se cubra de vergonha. E fique só. Como sempre quis. 

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29 junho 2010

Errar é humano. Mas alguns erros são animais. A Folha de S. Paulo eliminou a seleção brasileira em um anúncio do grupo Pão do Açúcar! (leia mais)

Não queria estar na pele do infeliz estagiário que pisou na bola. É o tipo de burrada inesquecível. Mas é educativo saber do que são feitos salsichas, anúncios e jornais.

Pelo visto, propaganda é que nem necrológio: fica na gaveta, e o que vier eles traçam. Está vivo, ganhou? Morreu, já era? Tanto faz, o recado será dado.

Portanto, no dia seguinte à eleição para presidente, não se iluda: seja Serra, seja Dilma, os parabéns da turma do PIB serão dados da mesma forma. Só não precisamos acreditar na sinceridade deles.

Para piorar, na mesma edição, a Folha publica outro anúncio, da Transamérica, dizendo que vão transmitir hoje, dia 29, o jogo de ontem entre Brasil e Chile. Aí é covardia: já sabendo o resultado, fica fácil tripudiar do adversário.

Dois erros troncudos no mesmo dia é sinal de alerta. A Folha que preste mais atenção.  Recentemente, o UOL difamou o Kaká, dando a entender que o craque é ejaculador precoce.

Ninguém se abalou. Faz parte. Mantiveram a calma. Não adianta ter pressa. Mas uma prece, no caso, ia bem.

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13 maio 2010

Em Londres, esta semana, dois garotos, de 10 e 11 anos, estão sendo julgados pelo estupro de uma menina de 8 anos. Precoces, não? Aqui no Brasil, eles jamais responderiam por esse crime. Ou qualquer outro.

São pequeninos e não seriam nem ao menos recolhidos a instituições “socioeducativas”. Para uma dessas foi o rapaz de 14 anos que se entregou à polícia, nesta quarta-feira (12), pelo assassinato de um jovem de 15 anos, em Porto Alegre.

Nossas crianças são melhores do que as do resto do mundo. E os adolescentes, então? Tão meigos, carentes, indefesos. Precisam de muito amor e afeto. Não devemos brigar com eles. Nem gritar. Traumatiza, deixa marcas na personalidade. Entende?

Pois é. A redução da maioridade penal virou tabu, cláusula pétrea. Até nosso presidente já declarou ser contra criminalizar jovens menores de 18 anos. Coitadinhos. Tem que reeducar. No máximo, devolvê-los ao convívio social ao completarem 18 anos.

Por trás de tamanha benevolência, generosidade e crença no ser humano, esconde-se um equívoco atroz. Fruto de desinformação, ou ignorância mesmo, se preferirem. O mundo mudou. E com ele, o que imaginávamos ser a infância e a adolescência.

Uma criança pode matar, roubar e cometer atrocidades. Um jovem, então, pode ser traficante, assassino de aluguel, líder de quadrilha. Um sociopata normalmente já nasce assim, sociopata. Depois vem o Ministério Público dizer que criança não pode nem ser vilã de novela. Leia aqui.

E ninguém se torna pistoleiro porque não ganhou bicicleta no Natal ou porque papai lhe deu palmadas. Há todo um discurso dominante para que os adultos se sintam culpados quando os filhos falham.

A sociedade está doente. A nossa ainda mais. Porque se recusa a punir aquele que merece punição. Por tentar salvar o que já está perdido. Por tratar demônios como anjos. Este país precisa crescer.

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12 abril 2010

O juiz que libertou o assassino Admar de Jesus precisa vir a publico pedir perdão à sociedade. E, voluntariamente, deveria ir para a cadeia junto com o psicopata.

Com certeza, esse magistrado teve acesso ao laudo psiquiátrico feito em agosto do ano passado. O documento apontava que o então detento (por pedofilia) possui grave distúrbio mental e deveria ser mantido “isolado do convívio social”.

Mesmo assim, ele foi posto em liberdade, dentro do que a lei chama de progressão de pena por bom comportamento. Voltou às ruas em 23 de dezembro de 2009.

Uma semana depois, fez a primeira de suas seis vítimas, todas abusadas sexualmente e mortas a pauladas. Tinham entre 13 a 19 anos.Os crimes foram cometidos no curto e exato espaço de um único mês.

A tragédia que vitimou esses jovens poderia ter sido evitada. Se tivéssemos um Judiciário justo, se o Estado não fosse omisso, se a polícia fosse eficiente. Se.

O direito à redução de pena está na Constituição, no Código Penal e na Lei de Execuções Penais. E precisa ser revisto, com urgência. Não faltam exemplos de como servem para beneficiar criminosos de alta periculosidade.

Segundo o próprio Ministério da Justiça, oito em cada dez agraciados pela progressão de regime voltam a cometer crimes. É um absurdo, portanto.

Que o Congresso se apresse. Já é tarde para que algo seja feito. Que o digam as famílias dos garotos assassinados.

E que perguntem ao juiz que libertou o serial killer: quando Vossa Excelência virá pedir perdão em público?

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19 março 2010

Os Estados Unidos estão pressionando o Brasil a cortar relações com o Irã. Afinal, eles são inimigos mortais, certo? Como sempre, não é bem assim. Os dois países são parceiros numa guerra: contra as drogas.

E acabam de fechar um acordo em quem se tornam colaboradores bilaterais no sangrento combate ao tráfico e consumo de substâncias ilícitas. Nisso eles se entendem.

O negócio dos dois é dar porrada. A prioridade? Fortalecer a indústria bélica. O Irã, por convicção. Os EUA, por dinheiro mesmo.

Eles enfrentam o narcotráfico com armas. Militarizam o assunto. Como se resolvesse. Mas é só pretexto para expandir seu poderio. Os norte-americanos constroem bases militares fora do seu território com essa desculpa.

As drogas são mais um problema de saúde pública do que uma questão militar. O mundo se recusa a legalizar o consumo. E assim retroalimenta o crime organizado.

Mesmo os que são contra a legalização hão de convir que essa guerra não tem fim. Nem terá. Há décadas são gastas fortunas nessa política, sem que os traficantes recuem um centímetro sequer.

O Reagan esbravejava que a luta contra as drogas ocorreria dentro e fora do território norte-americano. Mas o que ele queria mesmo era combater o comunismo. Era truque.

Pretexto. Sempre foi. Os norte-americanos, todo mundo sabe, são campeões mundiais no consumo de substâncias proibidas. Não por acaso.

O Irã pune o tráfico, em qualquer quantidade, com a pena de morte. Em praça pública, enforcam o condenado e o deixam pendurado em hastes de guindastes por horas.

Cerca de 60% das execuções ocorridas no Irã envolvem a venda de drogas proibidas, incluído o álcool. Por lá, todo ano, são executadas cerca de 350 pessoas. Credo. E mesmo assim o tráfico continua florescendo.

Esses dois países fracassam vergonhosamente no combate às drogas. Mas querem mais guerra.  São viciados nisso.

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