11 janeiro 2011

chuva ae provocador ok Prendam a chuva

Em uma investigação rigorosa, após revistar todos os suspeitos, cheguei ao verdadeiro responsável pelas últimas tragédias em São Paulo. E exijo: prendam a chuva!

Com uma agravante: trata-se de crimes premeditados. Milhares de testemunhas garantem que as inundações e mortes já eram esperadas. Ninguém foi pego de surpresa. Há anos é sempre a mesma coisa.

E requintes de crueldade: famílias em desespero, a vida levada por esgotos e córregos, nada é capaz de comover essa chuva que desaba impiedosamente. É desumano.

Nossas autoridades, o prefeito, o governador, assistem a tudo como se nada pudesse ser feito. Estão imobilizados, não reagem a mais nada. Provavelmente, se tornaram reféns! Mais uma acusação gravíssima.

Temos que colocar chuvas e trovoadas atrás das grades, que é o lugar em que merecem estar os que matam trabalhadores inocentes. Que as chuvas apodreçam como águas paradas e vejam o sol nascer quadrado.

Conforme pudemos averiguar, não há nada mais a fazer. A não ser prender a chuva. O esforço de toda a sociedade deve ser unicamente esse.

Mas não esperem ajuda dos governantes. Eles também são vítimas da situação e estão afogados em desculpas.

Essa justiça só pode ser feita por nós, cidadãos. Olhai para os céus. Todos juntos, agora: vamos prender as chuvas com nossas próprias mãos.

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1 julho 2010

 Em país pobre, a fila não anda
Congestionamento é coisa de pobre. É o que demonstra pesquisa publicada nos EUA, envolvendo motoristas de 20 cidades de todo o mundo. Nas piores colocações, adivinhe, ficam países distantes do Primeiro Mundo.

São Paulo comparece com um honroso quinto lugar, com 75 pontos de uma escala de transtorno que vai até 100. Para nosso consolo, existem lugares mais insuportáveis.

Quem duvidar, nas próximas férias dirija-se a Cidade do México e Pequim, líderes absolutas no caos de trânsito, com 99 pontos (ninguém é perfeito mesmo).

Na fila da pobreza urbanística, seguem-se Johanesburgo (97), Moscou (84) e Nova Délhi (81).  Esta última, capital da Índia, compensa o quarto lugar sendo a líder mundial de acidentes em estradas.

Foram 118 mil indianos mortos em 2008, último ano para o qual existem números disponíveis sobre genocídio rodoviário. Como se vê, carro e pobreza se misturam como poças de sangue e asfalto.

O paraíso da fluidez de trânsito é Estocolmo, na Suécia, com míseros 15 pontos. Lá e na australiana Melbourne (17), pelo menos 25% dos entrevistados disseram que nunca ficaram parados em um engarrafamento nos últimos três anos.

Los hermanos de Buenos Aires também juram não viver entalados, mas os 50 pontos deles entregam o manjado complexo de europeu.

Porque não adianta querer ultrapassar a realidade. Carro é sinônimo de progresso. Mas quando países insistem em distribuir placas em vez de renda, a fila não anda.

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16 dezembro 2009

Isso sim é provocação. Os funcionários das empresas aéreas ameaçam entrar em greve durante o período de festas de fim de ano. É! Estão oferecendo o caos de presente de Natal.

Lembra quando grevistas heróicos enfrentavam a polícia, desafiavam governos e corriam riscos para defender os direitos da classe trabalhadora? Pois então esqueça.

Hoje em dia, greves são feitas de forma covarde e com a certeza de que dias parados não vão ser descontados. Como? Usando a população de escudo. De refém. De vítima.

Os grevistas mandam o povo ajoelhar e encostam seus holerites nas nossas cabeças. E fazem pose de Che Guevara para os patrões.

Proletários do mundo, uni-vos! Contra os funcionários públicos que deixam os pobres nas calçadas dos hospitais e das escolas! Contra a classe média de carteira assinada que usa trabalhadores como entulhos em saguões de aeroportos!

Querem ganhar mais, dignamente? Apoiado. As empresas estão nadando em dinheiro e exploram seus empregados? Denunciem. Não há mais como negociar, o patrão é intransigente? Conquistem a opinião pública. Põe no pau.

Só não venham pra cima da gente antes. Cancelar vôos quando está todo mundo com a milhagem na mão, cartão de crédito estourado pra poder visitar a mamãe? Se liga, mané.

Quer ser revolucionário? Não me transforme em um conservador. Vá puxar carroça pra ver o que é bom.

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