6 setembro 2011

Um pai de uma garota de 12 anos está processando o Facebook. Segundo ele, a rede social é responsável por a garota ter publicado fotos pessoais consideradas “sexualmente explícitas”. (Leia aqui).

Isso é que é querer tirar um troco fácil em cima da própria incapacidade de dar educação aos filhos. É grosseira a sucessão de omissões que os pais cometeram até que a menina pudesse publicar seus encantos na internet.

A pirralha se veste dentro de casa como uma bailarina de cabaré. Usa como câmera o celular que provavelmente ganhou de aniversário da avó. Posta as imagens usando o computador que a família comprou. E a responsabilidade é do site no qual ela se inscreveu mentindo sua idade?

O caso aconteceu na Irlanda do Norte. Imagine se fosse no Brasil. O Judiciário sofreria um colapso se todos os pais bananas entrassem com ações desse tipo. A turma iria viver de indenizações.

É muita cara de pau desse senhor irlandês. Transferir responsabilidades é a lição que está ensinando à filhinha sirigaita. Detalhe: a pivete abriu uma outra conta no Face, sem as tais fotos. Continuou mentindo a idade mínima permitida, de 13 anos. Sabe o que está fazendo, não?

Vamos parar de hipocrisia. Quem pariu que embale.  Pornográfico é ser um pai ausente.

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25 maio 2011

SP Prisão Pimenta Neves g 20110525 A prisão de Pimenta Neves é motivo de vergonha

A prisão de Pimenta Neves não é motivo de comemoração, mas de vergonha. Nossa Justiça é um escárnio. Quase onze anos para encarcerar um réu confesso — e poderoso.

Conhecemos bem como funciona o Código Penal para quem tem dinheiro. É um labirinto interminável de recursos protelatórios. Só a primeira das vinte manobras da defesa do jornalista demorou seis anos para tramitar.

Dá para ter certeza de que Pimenta Neves não cumprirá integralmente sua pena de 15 anos. E não será por sua idade avançada, 74 anos. Ele vai ficar no máximo 24 meses preso.  Depois disso poderá entrar em regime semiaberto.

Além de ser difícil colocar criminosos ricos na cadeia, é muito fácil tirá-los de lá. Prisão no Brasil é para pobre. Sempre foi assim. Nada indica que vai mudar.

Talvez porque as leis neste país sejam feitas por uma turma em boa parte formada por criminosos em atividade ou em potencial. Legislam em causa própria, portanto. Sabem o que estão fazendo.

Toda tentativa de acelerar o sistema judiciário esbarra em loobies muito fortes, financiados pelo crime organizado e articulada por sua tropa de elite parlamentar.

O direito de defesa no Brasil se tornou uma aberração. Um ataque aos cidadãos honestos. Uma arma na mão de criminosos. Uma vergonha.

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24 março 2011

Cada povo tem  a polícia que merece. E a nossa, em linhas gerais, é violenta, assassina e corrupta. As imagens dos sete policiais militares atirando em um jovem de 14 anos, no Amazonas, são chocantes, vergonhosas e assustadoras. Mas, sobretudo, exemplares.


Qualquer brasileiro que não seja cínico sabe o quanto é sensato temer a PM. No caso de Manaus, a maioria dos envolvidos já tinha antecedentes criminais.

A impunidade que cerca a Polícia tem diversas origens. O corporativismo é uma delas. Mas o núcleo desse comportamento psicopata vem da própria população. As pessoas "de bem" querem mais é que os meganhas desçam a lenha nos "elementos".

Bandido bom é bandido morto. Essa pérola da barbárie já foi lembrada aqui neste blog. Só existe polícia violenta porque tem gente que gosta.  Bom proveito.

Que cada um de nós saiba distinguir até que ponto é conveniente ou inadmissível manter essa máquina de matar em que se transformou a PM em todo o país.

O que não é possível, lamento informar, é ter a garantia de que pessoas "inocentes" não serão vítimas. Esse raciocínio é torto de nascença, porque presume que pessoas "culpadas" podem ser massacradas sem perdão.

Não podem. É essa a questão. Mesmo um bandido não pode ser executado a sangue frio, longe dos tribunais e das prisões para onde devem ser vigorosamente encaminhados.

Abrir esse precedente, mesmo que mental, é delegar a soldados despreparados e mal pagos o poder de julgar quem merece viver ou morrer.

Isso não é conversinha do "pessoal dos direitos humanos". É apenas medo de ser confundido e fuzilado.

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10 fevereiro 2011

Basta alguém dar uma boa ideia que lá vem porrada. Ô, gentinha.  É claro que vigias particulares deveriam ser mais ativos no combate ao crime. Depender do Estado é que não dá.

A sugestão óbvia veio do chefe da Polícia Civil paulista,  Marcos Carneiro Lima, imediatamente desautorizado pelo secretário da Segurança Pública de SP, Antonio Ferreira Pinto, que ainda não teve sua casa roubada, como a do seu antecessor Saulo de Castro Abreu Filho.

Parece confuso, mas não é. Quando um secretário de Segurança, em sua própria residência, fica durante 3 horas como refém de bandidos, a gente do lado de cá coça a cabeça e sussurra algum palavrão bem vagabundo.

Já os homens públicos responsáveis por prender marginais são obrigados a dizer algo que faça sentido. Nunca conseguem. Não somos tão bobos assim para acreditar que a situação está sob controle.

Aí vem o chefão, coloca o colete à prova de balas e abre seu coração. Poxa vida, pessoal, já que não conseguimos proteger nem os mais poderosos, vamos ser humildes e jogar a toalha. É uma sinceridade comovente demais para ser desvalorizada.

Por que não cobrar que vigias trabalhem com mais espírito cívico? Não queremos atrapalhar a soneca que eles tiram nas guaritas. Ninguém é de ferro. Mas se estiverem acordados, que mal há em dar uma mãozinha para a polícia?

Ninguém tem direito a fugir de suas responsabilidades como cidadão. Os garis, por exemplo, percorrem as madrugadas trabalhando. Pois que aproveitem qualquer segundo ocioso para identificar bandidos em atitude suspeita.

Catadores de papel, também. Chega de moleza, pessoal! Que se unam aos flanelinhas, porteiros, frentistas, entregadores de pizza, boêmios e consumidores de crack.

Imaginem esse exército noturno trabalhando junto com a polícia! Uma rede de informantes nada desprezível. Mãos na massa!

Não perguntem o que o Estado pode fazer por nós! Perguntem o que foi que fizemos para merecer um Estado desses. Aí sim.

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19 novembro 2010

A Justiça no Brasil é injusta. Feita pra ricos, redigida por bandidos e aplicada por representantes de uma elite arrogante e muito bem remunerada. Pronto, falei.

O resto é bobagem. Não temos direito de defesa ou presunção da inocência, a não ser para quem tem dinheiro para comprar advogados e seus escritórios repletos de tapetes importados e couro legítimo. Cafonas.

A mais recente indecência jurídica esfregada na cara de todos nós foi a libertação dos cinco mauricinhos que agrediram covardemente três pessoas em plena avenida Paulista. Fossem pobres, ainda estariam numa cela imunda ou num reformatório, após terem sido torturados por policiais sádicos.

Mas não. Segundo o juiz que os libertou, eles são de boa família, estudam em escolas bacanas, tiram boas notas e não oferecem perigo à sociedade.

Os playboys selvagens foram soltos porque a Justiça, apesar de todas as testemunhas e evidências, considerou que o que houve foi uma briga, e não um massacre covarde.

Quero ver o que vai dizer o nobre causídico ao ver as imagens absolutas gravadas por câmeras de um edifício. Duvido que peça desculpas. Nossos juízes, sim, têm imunidade para tudo. Inclusive para serem injustos. (Leia mais aqui).

E que dizer do argumento do advogado de defesa, ao afirmar que os riquinhos bem nascidos receberam uma "cantada" de um dos agredidos? Por esse motivo reagiram, coitados. E isso não é homofobia, de jeito nenhum. Deve ser coisa de machinhos, na cabeça doente desse cidadão contratado para mentir.

Tenho certeza que esses jovens cantam as meninas de seus colégios com tacapes e pensamentos imundos. Mas batem em homens, pelas costas, com lâmpadas fluorescentes. Hum. Bem boiola isso.

Eles sabem que não têm nada a temer. A Justiça vai protegê-los. São meninos puros e ingênuos. Pagam uma cesta básica ou prestam serviços numa ONG, fica por isso mesmo. Um futuro brilhante os aguarda. Vão se tornar advogados, juízes, pessoas de bem.

Vou parar por aqui. Tenho medo da Justiça.

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24 março 2010

 

caso isabella nardoni Júri popular não passa de um paredão

O júri popular foi a maneira que a civilização encontrou para substituir o linchamento. Muito mais higiênico, bem menos cruel. Mas igualmente humano. Portanto, falível.

O que muitos querem é fazer justiça com as próprias mãos. O que mais justificaria a horda que se amontoa em frente aos tribunais em julgamentos como o do casal Nardoni?

Fica todo mundo lá posando de bonzinho e indignado. Falso. Dizem que foram prestar solidariedade. Mentira. Eles querem alimentar seus instintos mais primitivos.

No fundo, querem ver sangue. Vingança. No íntimo, gostariam que algo fugisse ao controle e pudessem esquartejar, trucidar e linchar os supostos assassinos.

Não vem ao caso se são inocentes ou culpados. O fato é que ninguém fora dos tribunais teve acesso ao inquérito, aos laudos, testemunhos, tudo isso que leva trabalhosos meses para ser colocado definidamente.

Baseado em convicções mais próximas de palpites do que certezas, as pessoas já se decidiram sobre a inocência ou culpa das vidas em jogo. Como num paredão de BBB, muitos foram eliminados assim, sob o grito das multidões. Em fogueiras medievais ou em modernas cadeiras elétricas.

A Justiça falha, em qualquer lugar do planeta. Aqui no Brasil, então, é o fim do mundo. Estamos longe de ser um país justo. Inclusive na hora de absolver (para que não venham os que ladram contra os direitos humanos).

Doca Street, assassino confesso, foi absolvido num primeiro julgamento. Os cidadãos do júri chegaram à conclusão que a vítima do crime, Angela Diniz, era uma vagabunda e merecia morrer. Meigo.

Recentemente, um júri popular inocentou os três acusados de matar o bombeiro João Adalberto da Costa, em 2006, durante os ataques daquela famigerada facção que controla o crime em São Paulo. Provas não faltaram. E nem ameaças de retaliação, provavelmente. Jurado também tem medo.

Mesmo sendo falha, e lenta, e favorável aos ricos, a justiça feita apenas por togados é em tese fria, técnica, profissional. E erram, como erram. Imaginem a decisão tomada por pessoas comuns, anônimas, despreparadas. Sujeitas ao clamor popular. Ou ao tédio de sessões que se estendem por dias e dias.

Já existem muitos especialistas que condenam à morte a instituição do júri popular. Daqui, a distância, contem com meu voto. Silencioso.

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