5 dezembro 2011

dilma1970 Uma foto e a datenização do debate político

A divulgação da histórica foto de Dilma Rousseff durante interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro serve para aprofundar o entendimento do impacto causado pela velocidade e virulência com que as opiniões se espalham nas redes sociais.

A foto deixou de ser inédita por ocasião do lançamento da biografia da presidente escrita pelo jornalista Ricardo Batista Amaral. Mostra a então militante, aos 22 anos, após três semanas de tortura, com semblante altivo, enquanto, ao fundo, os oficiais que a interrogavam escondem o rosto com a mão. Vergonha? Uma imagem poderosa.

A foto foi reproduzida pela revista Época e, em poucas horas, invadiu a internet.  Até aí, tudo bem. Mostra a força que as novas mídias possuem. Incensadas como espaço altamente democrático e difícil de censurar, as redes sociais deram uma didática demonstração do que é poder opinar por trás de um laptop ou smartphone, muitas vezes sob o conforto covarde do anonimato.

As pessoas ficam muito corajosas nessa situação.  Duvido que fossem tão enfáticas e bélicas mesmo que numa mesa de bar. Mas, certamente, dizem o que pensam, o que não é pouco para quem acabara de olhar uma fotografia tirada em 1970, auge da repressão da ditadura militar que estabeleceu uma censura implacável e cerceou todos os direitos básicos da cidadania.

Incrível o baixo nível dos comentários que vi, numa rápida pesquisa. Não vale a pena reproduzi-los aqui, por questão de higiene. Mas garanto: não faltaram piadinhas infantis, sem graça mesmo, claramente preconceituosas e misóginas, frases raivosas, toscas. Uma inversão de valores assustadora e doentia.

Mais que revelar um profundo desconhecimento da história deste país, o bestiário que tomou conta da internet atesta a vitória do humorismo CQC e a datenização do debate político. Simples assim.

Não vou ser estúpido de colocar a culpa por esse lamaçal ideológico nas novas plataformas tecnológicas. Nem me permitirei simplismos sociológicos sobre a origem econômica desses meliantes da opinião. Até porque é impossível identificar o extrato intelectual dessa gente que se esconde atrás de um teclado.

Hoje em dia, como diria o profeta do obscurantismo Luiz Carlos Prates, comentarista da RBS, “qualquer miséravel tem um carro”. Não bastasse a elite branca estar em seus melhores dias, sem ter do que reclamar. Maldito governo Lula. E sua sucessora, essa ex-terrorista que até hoje não perdeu a dignidade.

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31 agosto 2011

jose dirceu blog Revista Veja trabalha para José Dirceu!

José Dirceu/ Foto: Wilson Dias/ABr

Agora entendi tudo. Esses anos todos, a revista Veja era aliada incondicional do ex-deputado José Dirceu. Nos subterrâneos do jornalismo, conspirava por sua absolvição no chamado caso do Mensalão.

Com a edição desta semana, atingiu seu objetivo: transformou o líder petista em vítima! Genial. Golpe de mestre.

Em uma ação suicida, publicou na capa a chamada sangrenta: O Poderoso Chefão: O ex-ministro José Dirceu mantém um “gabinete” num hotel de Brasília, onde despacha com graúdos da República e conspira contra o governo da presidente Dilma.

Para construir essa peça de defesa, que será amplamente usada pelo ex-ministro, a revista se superou. Primeiro, infiltrou ilegalmente um repórter no tal hotel em que o “chefão” se reúne com políticos e empresários.

A partir daí, começaram os crimes (da revista, não do Dirceu, que fique claro!). Além de tentativa de invasão de domicílio, a publicação cometeu falsidade ideológica e invasão de privacidade, não só de José Dirceu e seus interlocutores, mas também de hóspedes e funcionários do hotel.

Cuidadosa, Veja produziu provas contra si mesma e, na prática, confessou todos esses atos ilícitos e trapaças. Admite que instalou câmeras nos corredores e que fez seu repórter trapalhão se passar por outra pessoa e enganar uma camareira para entrar no "gabinete".

Foi um escarcéu, com o claro intuito de chamar a atenção de toda a opinião pública. Conseguiu. Para completar, as tais denúncias de conspiração não têm nenhum fundamento. Era tudo manipulação, sensacionalismo. Só o Reinaldo Azevedo acreditou na reportagem.

Não é fácil atingir uma impressão unânime dessas. A matéria tem de estar mal escrita, mal apurada, mal editada, em um esforço de antijornalismo monstruoso, como nunca antes se viu na história deste país. Tá todo mundo indignado. A Veja realmente se superou. Mas atingiu seu objetivo.

José Dirceu agora pode dizer que é perseguido pela maior revista do país, que teve sua vida pessoal e profissional devassada de forma criminosa, que tudo que já foi publicado antes é fruto de puro patrulhamento político.

Alguém precisa desmascarar toda essa armação. Isso não pode ficar assim!

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1 novembro 2010

Globo: o altar do sacrifício perdeu

As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República.

Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista.

O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice.

Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

Com a vitória de Dilma, vai ser constrangedor o olhar de William Bonner e Fátima Bernardes. Cúmplices que são, nem vão tocar no assunto de como espremeram e destrataram a presidente eleita.

E tanta gentileza e profissionalismo com o candidato da família Marinho. Em vão.

São pagos pra isso, têm filhos para sustentar. Ok. Podem levar essa derrota pra casa. E convidar Arnaldo Jabor e Merval Pereira para jantar. Haja estômago. Mas amigos são fundamentais na hora da derrota.

Daqui a pouco, às 16 horas, volto com o raio-x dos outros derrotados da eleição.

Temos muito a passar a limpo.

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31 outubro 2010

info derrotados3 Os derrotados da eleição

A guerra acabou. Dilma Rousseff é presidente do Brasil. Para chegar até aqui, teve que enfrentar uma das batalhas mais violentas da história da República. E venceu.

Derrotou não só seu adversário, José Serra, mas também um exército implacável, cruel e muito poderoso: os principais grupos de comunicação do país. Estes são os grandes derrotados nesse dia de glória para a democracia.

Os milhões de votos recebidos pela candidata petista são a prova gigantesca de que os brasileiros nunca mais se deixarão ser manipulados. Nem permitirão ser tratados como gente ignorante. O povo, definitivamente, não é bobo.

Durante meses, houve um bombardeio incessante de manchetes, chamadas, apelos, boatos e factoides. Um massacre impiedoso, orquestrado. Em fiapos de verdade, urdiram uma rede de mentiras e preconceitos.

Não bastou ser atacada durante o horário eleitoral gratuito. Isso faz parte do jogo. Infame foi ser fustigada diariamente pela propaganda política voluntária dos barões da mídia.

Dilma Rousseff e milhões de brasileiros enfrentaram o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo. E a maior emissora de TV, a Globo. A revista de maior tiragem, a Veja. Nessa tropa de choque incansável também perfilam os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Turma da pesada.

Nos próximos dias, sempre às 10h e às 16h, vamos usar este espaço para detalhar a forma como esses derrotados agiram do alto de seus palanques. Como pisotearam a liberdade de imprensa.

Cada um com seus soldados. Ou capangas. Tanto poder para quê? Tanta arrogância, fulminada pela força das urnas. Os que escrevem e entrevistam e ditam editoriais ficaram mudos. Quem manda, senhores do universo, é quem lê, quem ouve, quem vê. Os vitoriosos. Deste Brasil.

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29 abril 2010

  Dilma é a dona da bola, mas não sabe jogar
Mesmo que Dilma Rousseff seja eleita presidente da República, ela não vai ganhar a eleição. Vai ficar devendo. A dívida da candidata com Lula é impagável, maior do que a minha no cheque especial. E vai custar caro para todos nós, caso se concretize.

Dilma é uma invenção pessoal do presidente mais popular que este país já teve. Encastelado no Planalto, em uma noite de lua cheia, dr. Lula deu vida à sua criatura. Ela fala, anda, e até consegue sorrir, apertando-se um parafuso ou outro, mas faltou luz na hora de transferir carisma e votos.

Até o mundo mineral sabe que Dilma só é presidenciável porque todos os caciques do PT foram engolidos pelo escândalo do Caixa 2, que a imprensa insiste em chamar de mensalão. Lembra?

Ou alguém duvida que, não fosse a ética do Partido dos Trabalhadores vir morro abaixo, o candidato natural seria José Dirceu? Ou Antonio Palocci? A Dilma é o terceiro goleiro que nas semifinais da Copa teve que levantar do banco.

Analise comigo: ela é ruim de palanque e péssima em entrevistas. Não é um ser político. Falta "malícia",  jogo de cintura, o discurso é sem graça e, pior, grita a inexistência de um claro projeto de governo. É como aquele menino da rua que entra no jogo porque a bola é dele, neste caso, do pai dele. Não sabe jogar, mas berra com todos e exige ser capitão do time.

Nesse começo de campanha, Dilma vai levar uma surra de José Serra e sua vasta experiência como candidato. Ele passa conhecimento de causa. Teve décadas para aprender a camuflar sua antipatia e arrogância.

E ela vai ficar a reboque de marqueteiros, correndo contra o tempo, aprendendo como esse mundo é injusto e cruel. Repetirá à exaustão que é a escolhida de Lula ("a bola é minha"). Ele estará lá, ao lado dela, fazendo aquecimento na arquibancada, tentando entrar em campo.

Mas a regra é clara, como diz o outro: papai pode tocar corneta, jogar amendoim e xingar o juiz. Mas não vale cruzar as quatro linhas.

Dilma Rousseff é o que sobrou para o PT. Isso é muito pouco para o Brasil.

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