11 agosto 2011
A presidente Dilma ficou irritada com o uso de algemas durante as prisões feitas pela Polícia Federal. Dou razão a ela. A lei deixa bem claro que um suspeito só pode ser algemado se oferecer resistência à prisão ou riscos aos policiais.
Não foi nada disso que vimos durante a Operação Voucher, que investiga desvio de dinheiro no Ministério do Turismo. É o chamado abuso de autoridade. Não queira saber o que é isso de perto.
Um exemplo clássico é ver policiais puxando cabelo de preto e pobre, normalmente vestido de bermuda vagabunda, para que mostre o rosto para câmeras de TV e fotógrafos. Ninguém reclama. Mas devia.
O direito de imagem, ainda mais numa situação terrível como essa, raramente é respeitado. Mas alguns se dão bem. Enquanto Celso Pitta foi levado em cana de pijamas, Paulo Maluf foi tratado com dignidade. Um morreu pobre, sem dinheiro para pagar o próprio caixão. Do outro, é de amplo conhecimento o número de suas contas em paraísos fiscais.
Como vivemos num país injusto, a população tende a achar bacana ver supostos meliantes serem humilhados. Se dependesse da opinião pública, prisioneiros seriam levados debaixo de chicotadas ou arrastados por cavalos.
No caso de corruptos, são todos covardes, inofensivos quando longe de suas canetas e sacolas de propina. É só dar um grito que ficam miudinhos. Não carecem de algemas. Passa o cadeado na cela e tudo bem, missão cumprida. O resto é com o Judiciário e sua indústria de habeas corpus.
O fato é que há muitos inocentes na cadeia. E muito mais gente culpada fora dela. OK. Mas sempre que vir alguém sendo maltratrado por meganhas, lembre: esculacho é invenção de bandido.
Veja mais:
+ Curta o R7 no Facebook
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7














