11 agosto 2011

A presidente Dilma ficou irritada com o uso de algemas durante as prisões feitas pela Polícia Federal. Dou razão a ela. A lei deixa bem claro que um suspeito só pode ser algemado se oferecer resistência à prisão ou riscos aos policiais.

Não foi nada disso que vimos durante a Operação Voucher, que investiga desvio de dinheiro no Ministério do Turismo. É o chamado abuso de autoridade. Não queira saber o que é isso de perto.

Um exemplo clássico é ver policiais puxando cabelo de preto e pobre, normalmente vestido de bermuda vagabunda, para que mostre o rosto para câmeras de TV e fotógrafos. Ninguém reclama. Mas devia.

O direito de imagem, ainda mais numa situação terrível como essa, raramente é respeitado. Mas alguns se dão bem. Enquanto Celso Pitta foi levado em cana de pijamas, Paulo Maluf foi tratado com dignidade. Um morreu pobre, sem dinheiro para pagar o próprio caixão. Do outro, é de amplo conhecimento o número de suas contas em paraísos fiscais.

Como vivemos num país injusto, a população tende a achar bacana ver supostos meliantes serem humilhados. Se dependesse da opinião pública, prisioneiros seriam levados debaixo de chicotadas ou arrastados por cavalos.

No caso de corruptos, são todos covardes, inofensivos quando longe de suas canetas e sacolas de propina. É só dar um grito que ficam miudinhos. Não carecem de algemas. Passa o cadeado na cela e tudo bem, missão cumprida. O resto é com o Judiciário e sua indústria de habeas corpus.

O fato é que há muitos inocentes na cadeia. E muito mais gente culpada fora dela. OK. Mas sempre que vir alguém sendo maltratrado por meganhas, lembre: esculacho é invenção de bandido.

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1 julho 2011

Só mesmo o PT para transformar Fernando Henrique Cardoso no astro pop do momento.  Se dependesse do PSDB, o ex-presidente comemoraria seus 80 anos em alguma padaria de Higienópolis, em pé no balcão.

Mas diante do entusiasmo com que a presidente Dilma e petistas notórios como Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, proferiram elogios a FHC, até os tucanos foram constrangidos a reconhecer algum valor no ilustre filiado.

Como não existe ingenuidade na política, a cortesia de um adversário só pode ser alguma armação. O tempo dirá que maldade está por trás de tanta homenagem. Vai ver o PT está com planos de privatizar o Banco Central e já começou a buscar aliados.

Claro que FHC merece uma festinha de aniversário. Bolo, velinhas, parabéns pra você. Mas daí a ser redimido pela História, ainda em vida, pode soar como provocação a José Sarney e Fernando Collor de Mello. Vai que a moda pega.

Sou a favor de que inimigos se tratem como tal. Sem intolerância, já está de bom tamanho. Guardemos elogios retumbantes para batizados e funerais. Mais do que isso, confunde, não é bom para a democracia.

Depois não venham reclamar das pessoas de bem que acham os políticos todos iguais.

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13 junho 2011

A presidente Dilma quer mudar o novo projeto de lei sobre o acesso a informações públicas. Na prática, quer manter a possibilidade de sigilo eterno para documentos oficiais. Tem coisa aí.

É de causar arrepios imaginar os motivos que levam um político a querer que determinado segredo de Estado jamais seja revelado. Nem mesmo 50 ou 100 anos depois, quando os envolvidos, em tese, já não estarão mais vivos. Deve ser algo capaz de matar defunto de vergonha.

Que nossos governantes fazem maldades inconfessáveis, todos sabemos. Mas por que seus sucessores os protegem e negam à sociedade o direito de saber como e quando foi sacaneada?

Eu só vejo duas motivações possíveis. Também poder cometer atrocidades sem ser descoberto nem mesmo pela posteridade. Ou atender a alguma súplica em troca de favores.

Sim, porque os maiores interessados nesse sigilo eterno são dois ex-presidentes, José Sarney e Fernando Collor de Mello. Medo.

Que a presidente mude de opinião, para o bem dela mesma. Em seis meses de governo, não é razoável que ela faça uma concessão desse tamanho. Dilma Roussef ainda não teve tempo de fazer algo de que se envergonhe para sempre. Eu acho.

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21 fevereiro 2011

O que mais a presidente Dilma vai esperar para declarar repúdio e romper relações com o governo de Muammar Gaddafi?  Se não for por convicção, que o faça por inteligência. Só precisa ser bem rápido.

Esse brucutu líbio está com os dias contados. Vai sair pela porta dos fundos, foragido como criminoso de guerra, acusado de genocídio. Daqui  a pouco, nem o Hugo Chaves dará asilo paro o ditador.

O maluco mandou bombardear praças com manifestantes. Mercenários foram pagos para metralhar cidadãos na rua. O exército também participou do massacre. Gaddafi endoideceu, pirou. Isso é coisa de psicopata, doente mental.

Said Gaddafi, filho e herdeiro político do ditador, ameaçou seu povo com "rios de sangue" caso insistam com as manifestações. Loucura hereditária, pelo visto.

Embaixadores líbios em diversos países renunciaram a seus postos e exigem a queda de Gaddafi. Pilotos que se recusaram a atacar compatriotas fugiram com seus aviões para países vizinhos. A casa caiu. O cachorro morreu.

Chega. Esse movimento aparentemente espontâneos por liberdade em países muçulmanos e do Norte da África podem até acabar na mesmice ou em novos governos conservadores e fundamentalistas. Revoluções nunca geram santos.

Mas que não se perde uma oportunidade dessas, com certeza, não. O tempo corre e, por enquanto, ainda dá para saber quem são os heróis e os vilões. Depois, fica bem mais difícil. Acorda, Dilma!

O que interessa é o Brasil se colocar, enfim, como um país que não tolera abusos, injustiças e violência contra gente pobre. Pelo menos, em países estrangeiros...

Aqui, até que ia bem um pouco de povo na rua. Que bom que o Carnaval está chegando.

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2 fevereiro 2011

Política é um troço chato pra caramba. E os políticos se esforçam para que continue assim, tedioso. É só ver a eleição do petista gaúcho Marco Maia para a presidência da Câmara dos Deputados. Um porre de chimarrão.

O meu xará ganhou com larga margem de votos, 375 dos 513 possíveis. Massacre. Os adversários tiveram constrangedores 106 para Sandro Mabel (PR-GO), ridículos 16 para Chico Alencar (PSOL-RJ) e humilhantes nove para Jair Bolsonaro (PP-RJ). Eu teria vergonha na cara.

Foi uma votação mais previsível do que a para a presidência do São Paulo FC. Ou de um eventual paredão entre Sabrina Sato e Suzana Vieira. Lavada da base governista.

Aí, o Arnaldo Jabor vai dizer que a democracia sai perdendo, que não é bom ter um Legislativo atrelado ao Executivo, que a Dilma precisa se vestir melhor, aquela papagaiada insuportável de sempre.

Pura bobagem. Nossas vidas exuberantes não vão sofrer um mísero arranhão com essa bagaça. Se ao menos o Tiririca tivesse vencido, ok, a conversa no almoço de domingo na casa da sogra seria mais animada.

Que nada. Nem sabemos quem é Marco Maia. E olha que o cidadão com direito a prisão e aposentadorias especiais está no comando da espelunca desde meados do semestre passado. Lembra dele? Nem eu.

Também não lembramos do nome da ministra do Meio Ambiente. E daí? Daí, nada. Izabella Teixeira também continua no comando da "pasta", desde 1º de abril de 2010. Nem vou me dar ao trabalho de piadas ou trocadilhos.

O fato é que essas pessoas deviam ser determinantes nas nossas vidas. Mas não são. São estranhos. Desconhecidos. E hostis. Anônimos revestidos de benefícios e nenhuma importância.

Para compensar essa frustração toda, José Sarney continua presidente do Senado. Um alívio para nossa memória. Desse lembramos muito bem. Foi ele quem prometeu abandonar a vida pública em 1989 (22 anos atrás).

Não é emocionante?

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2 novembro 2010

O fracasso do 'ecumenismo'

Essa turma toda que saiu derrotada da eleição pode buscar algum refúgio espiritual em Silas Malafaia, o pastor que usou seu programa de TV para, ilegalmente, conclamar seus fiéis a votarem em Serra.

Ou pedir a benção do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que mandou imprimir 2 milhões de cópias do panfleto anti-Dilma “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”. Aquilo, sim, foi apelação!

Na calada da Band, Malafaia bradou argumentos homofóbicos contra Dilma. E julgou Serra "mais preparado". Foi apressado demais e, no dia seguinte, o tucano deu seu apoio à união civil entre homossexuais. Vergonha alheia.

Malafaia apoiou Marina Silva até onde deu. Os dois são integrantes do mesmo grupo evangélico. Só que, passado um tempo, foi seduzido por sua santidade, o Serra. E aí caiu em tentação de vez: se uniu com orgulho aos padres e cardeais católicos contra Dilma. Foi para a campanha de Serra de corpo e alma.

malafaia  Derrotados da eleição   parte final

Quando surgiram as boatarias criminosas na internet contra Dilma, Malafaia fez cara de santo. Uma delas espalhava que a candidata do PT havia dito que nem Deus tiraria sua vitória. Depois, a imprensa denunciou uma central para comprar pastores no centro de São Paulo. O pastor entrega os votos do seu rebanho e, em troca, leva um trocado. Malafaia mais uma vez posou de santo. Imaculado Malafaia.

O bispo católico Bergonzini também jogou pesado. A Polícia Federal apreendeu mais de 1 milhão de panfletos ilegais em uma gráfica de tucanos. Era uma encomenda da Diocese de Guarulhos. Crime eleitoral. Isso é exemplo que se dê ao rebanho?

A História está cheia de exemplos macabros de onde isso vai parar. Não por acaso, enquanto Malafaia e Bergonzini excomungavam Dilma, dos olhos deles saiam labaredas de ódio. Lembravam fogueiras.

O fato é que esse discurso da intolerância foi derrotado nas urnas. O país amadureceu, e a liberdade de culto saiu fortalecida. Os falsos profetas se deram mal.

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15 outubro 2010

Nesse show de horror que se tornou nossa campanha eleitoral, descobri um oportunista no altar. O nome do cidadão é Silas Malafaia e comanda o horário eleitoral, ops, religioso das madrugadas da Band.

Nesta semana, com sua camisa emprestada do Britto Jr., o pastor conclamou seus fiéis a votarem em José Serra porque o candidato do PSDB seria contra a união dos homossexuais, ao contrário do PT.

Acompanhe um trecho editado da pregação, vale a pena:

Sob o manto da Band, na calada da noite, o homem aparece esbravejando ignorância e preconceito. Desculpe, mas se tivesse um pouco de juízo, ele deveria maneirar.

E se vivêssemos em um país com Justiça Eleitoral, alguém mandaria o tal cristão calar a boca. Ele faz propaganda com uma cara mais dura do que badalo de catedral.

Declarou voto em José Serra, esgrimindo os argumentos mais toscos e tenebrosos.

Jogou na fogueira Dilma e o PT, para das cinzas desses pecadores ungir o motivo celestial de sua opção partidária: repito, a candidata de Lula apoiaria os direitos dos homossexuais e o Serra, não.

Depois de abençoar a todos nós com o que bem entendeu, deixou claro em seu obscuro raciocínio que Serra é "o mais preparado" para dirigir este país. Amém.

E ontem, dia 14, o que é que vimos em todos os jornais? O candidato do PSDB reiterando seu apoio incondicional à união estável entre homossexuais.manchete serra2 blog1 E agora, Malafaia?

E agora, Malafaia? Vai exorcizar a democracia? Vai condenar às trevas o rebanho que te sobrou?

Deus é Pai!

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21 setembro 2010

É evidente que o caos no metrô paulista foi sabotagem da turma do PT. Como bem observou a ex-vereadora Soninha, isso faz parte de um plano para garantir o segundo turno em São Paulo. E eleger a Dilma, claro.

Um usuário do Twitter reforçou a tese: há anos, o partido manda milhares de militantes lotarem o metrô da zona leste todos os dias para desestabilizar o transporte público paulista.

A Folha de S.Paulo vem cobrindo muito bem esse tipo de assunto. O Globo também dá sua contribuição diária. Até dia 3 de outubro, haja criatividade. Azar deles, são pagos pra isso.

O jornalismo investigativo contra a candidata do Lula vem recebendo ampla aceitação popular. Até se formou uma brigada de voluntários para garimpar manchetes conspiratórias.

Graças a esses repórteres brincalhões, ficamos sabendo que Dilma causou a Guerra do Iraque e a convulsão de Ronaldo na Copa de 1998. E, sim, foi ela quem matou Salomão Ayala e Odete Roitman.

Felizmente, ainda temos gente engraçada neste país. Porque, para enfrentar a troca de acusações em período eleitoral, é preciso ser profissional do bom humor.

Depois reclamam do Tiririca. Preconceito das elites. Ele vai receber uma votação expressiva por simbolizar a profissionalização do Legislativo. "Chega de amadorismo" será o recado das urnas.

O povo quer se sentir representado em Brasília. Na hora do escracho, não podemos depender exclusivamente da imprensa nativa. Já basta a vida difícil que a gente leva. Temos o direito de criar nossas próprias piadas.

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1 abril 2010

A Dilma não vai contar com meu voto. Talvez nem precise dele. Mas ela pode dispor da minha solidariedade contra as grosserias dessa oposição que embrulha peixe.

E literalmente fede, como a primeira página de O Globo desta terça-feira, 30. Vejam a reprodução:

Dilma em O Globo1 O Globo fede

Foto: Reprodução

A foto carrega uma ofensa gratuita. É brincadeira de mau gosto, sem graça nenhuma. Um estilo jornalístico que já conhecemos bem. Fez história neste país.

Percebam como o fotógrafo (ou o editor) enquadrou a foto de forma que a placa atrás da dona Dilma fosse cortada. De propósito, a palavra “federal” ficou sem a última sílaba. E o “fede” se tornou uma legenda para a candidata do Lula. A Dilma fede? Que gente mais mal-educada!

O jornal se desincompatibilizou, afinal. Entrou em campanha. O palanque está montado. É apenas o começo. De uma história que virá em capítulos diários, como eles bem sabem fazer. Essa novela já tem a vilã.

E o herói vai ser construído aos poucos. O biótipo não ajuda, não tem pinta (nem cabeleira) de galã. Mas ele vai sair bem na foto. Nada que um bom enquadramento não resolva.

E eles são bons nisso. Bem melhores do que dessa vez. Coisa de amador isso aí. Não estou desmerecendo, nem pensar. Eles devem estar apenas calibrando as lentes, ajustando o foco.

Em breve, o clique da máquina vai se confundir com o barulho de um gatilho.

Preparar. Apontar. Fogo.

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