29 julho 2011

Que a bola estava quicando na área até eu já havia percebido. A Globo e a Fifa querem mamar nas tetas do governo até sangrar. A novidade é o desespero com que estão indo ao pote.

Novidade pode não ser a palavra exata: a fúria com que arrancaram os R$ 30 milhões para a festa do sorteio das eliminatórias já dava uma ideia do tamanho da sede e do pote.

Então, vamos chamar de fato novo a Folha de S.Paulo denunciar que representantes de prefeituras e governos estaduais estão sendo pressionados a contratar a Geo Eventos, empresa da Globo, para realizar as Fan Fests, festas para torcedores, durante a Copa do Mundo no Brasil.

O método é típico de gângsteres, como diria o presidente do Corinthians e amigo de assaltantes de cofres públicos, Andrés Sanchez. Sempre agiram assim, mas desta vez estão sendo mais descuidados que arrogantes.

Será um longo caminho até 2014. E a hora de ficarmos preocupados é agora mesmo. O descaramento como Globo e Fifa estão agindo justifica a vigilância redobrada, bem como bater panelas e fazer tuittaços diários.

Sem pressão popular, o assalto vai continuar. O planeta está sendo alertado de como agem esses senhores de cartola e gazuas. A ganância ultrapassou os limites. O castelo de cartas marcadas está prestes a ruir.

Pelo clamor que se ouve nas ruas, a turma da pesada vai se dar mal, pela primeira vez. O constrangimento por que estão passando os dirigentes esportivos responsáveis pela Copa é só o primeiro sinal.

Vamos acuá-los, então. Eles são uma matilha que fareja onde está cada centavo do povo brasileiro. E cão bravo tem de ser tratado na paulada.

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25 julho 2011

O que está ruim sempre pode piorar. Depois de sabermos que A Globo e a Fifa vão fazer a festa do sorteio das eliminatórias com dinheiro público, descobrimos que a mamata deve se repetir em cada uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014.

Trata-se da tal Fan Fest, aqueles telões e arquibancadas construídos para torcedores assistirem aos jogos nas cidades em que ocorrem as competições. Pois a empresa que vai cuidar disso também é a Geo Eventos, criada pela Globo e pelo Grupo RBS. Quanta surpresa.

Todos os nossos governantes juraram que não seria usado um único centavo de verbas oficiais na Copa. Estamos vendo exatamente o contrário.  A festinha do sorteio das eliminatórias nos custará R$ 30 milhões, pagos pelo Governo do Estado e prefeitura do Rio de Janeiro.

Prepare seu bolso, cidadão brasileiro. Imagine isso multiplicado por 12. Essa conta vai ficar salgada. E pode apostar: não virá um único centavo da iniciativa privada, como tem sido a praxe em tudo que envolve a Copa.

É espantoso. Um país com tantas prioridades em saúde, educação e transportes está se dando ao luxo criminoso de bancar essa farra milionária que só beneficia as figurinhas carimbadas de sempre.

Infelizmente, muita bolada vai rolar nesses próximos três anos. Da forma como tudo vem sendo encaminhado, vamos comemorar se não falirmos até ser dado o pontapé inicial. Não está havendo a menor resistência nesse assalto aos cofres públicos.

Fica aqui uma sugestão para a mascote da Copa: um palhaço verde-amarelo, de calças arriadas e uma batata quente na mão. A batata pode ter o formato de um globo; no centro, o logotipo da Fifa. Tudo a ver.

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24 fevereiro 2011

O Cosme Rímoli já disse quase tudo, mas como ele é um cara educado, e eu sou cascudo, posso acrescentar alguns detalhes. Essa África do Norte do futebol brasileiro é feita por mercenários a serviço dos tiranos encastelados.

A implosão do Clube dos 13 não carrega nenhum ato revolucionário. É um retrocesso, na verdade. Quando o pessoal da arquibancada perceber como seus clubes estão sendo usados, quem sabe o povão sai às ruas para pedir seu ingresso de volta.

A maneira como o Corinthians se coloca é a mais vergonhosa de todas. Bucha de canhão, mas com todo o prazer. E o principal argumento, se não fosse mentiroso, seria apenas canalha: negociar em separado para ganhar mais.

Alô! Quando alguém prefere queimar dinheiro, deixa de ser maluco e passa a ser burro. Como não existem inocentes no mundo da cartolagem, as opções que restam para descrever o caráter do incendiário se tornam impublicáveis.

No máximo, seria como um empregado pelego ir sozinho pedir aumento ao patrão, mandando o sindicato às favas. O desertor pode até tirar um troco, mas levaria uma surra da peãozada.

É fácil resumir o núcleo da questão: a Globo não quer pagar a mais pelo direito de transmissão do futebol brasileiro. Eles gostam é de monopólio! Touché! Que descoberta sensacional, não?

Se vai pagar menos que a concorrência, como os clubes poderão receber mais se negociarem isoladamente? Acorda, galera! Nessa história não cabe dúvida. É golpe.

Quando o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) acabou com a cláusula de exclusividade da Globo, parecia que as coisas poderiam se tornar mais lícitas e transparentes. O futebol não poderia continuar sendo pior que o restante da sociedade.

Melhor que isso só o modelo argentino. O governo foi lá e pagou uma fortuna para deter os direitos de televisionar o campeonato nacional. E revendeu o direito para quem quisesse. Simples, honesto e lucrativo para todos.

O estrago dessa patota que só quer trabalhar nos bastidores pode ser bem grande. Uma vergonha planetária. Nada com que já não estejamos acostumados. Mas não precisa ser assim para sempre. Nem ditaduras africanas duram tanto tempo.

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18 novembro 2010

O assassinato de mais um diretor do Sindicato dos Motoristas de ônibus de São Paulo é uma nova cena de um roteiro cada vez mais parecido com filme B sobre a máfia. O pessoal é da pesada. (Leia mais aqui).

José Carlos da Silva é o segundo sindicalista da turma morto em 18 dias. E o quinto na administração do atual presidente, Isao Hosogi. Em 18 anos, foram 14 casos de morte, sem solução pela polícia.

Pode ser que isso não seja uma briga de quadrilha ou queima de arquivo. Mas parece.

Os bons companheiros mortos pertenciam a um dos grupos sindicais mais poderosos do país. Um deles, o Serjão, assassinado em 25 de outubro, já havia procurado a Justiça para denunciar um suposto esquema de corrupção no sindicato.

Chegou a gravar um vídeo responsabilizando Hosogi por qualquer violência que viesse a sofrer. Isso não lembra fala de cinema ruim?

As concessões de ônibus em São Paulo movimentam quantias assombrosas. Muitas das greves da categoria sofreram suspeita de lockout, quando a paralisação é patrocinada por patrões. Difícil saber se há mocinhos entre tantos vilões.

Outros sindicatos no Brasil estão envolvidos em maracutaias e favorecimentos ilegais. Foi-se o tempo em que heroicos grevistas enfrentavam a polícia entoando o hino nacional e gritando "abaixo a ditadura".

O sindicalismo americano (olha a influência de novo) é um ninho de cobras há décadas. Lá não tem ideologia; é porrada mesmo. Ficam brigando por poder e dinheiro, como bons capitalistas que são.

A diferença é que, nos EUA, a polícia funciona quando quer. E eles têm um judiciário ágil e rigoroso. Por aqui, nem uma coisa nem outra. Só os bandidos estão se profissionalizando.

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1 março 2010

Esta semana, o Santos deve pagar o primeiro salário do Robinho. Um milhão de reais. Cada centavo dessa dinheirama vai sair dos cofres do time. Não apareceu nenhum patrocinador para bancar essa loucura.

Talvez apareça. Tem doido pra tudo. Há mais de um mês, o presidente do Santos, Luís Álvaro Ribeiro, jura que existe um pool de quatro empresas dispostas a bancar o salário do ex-craque. Até agora, não passou de blefe. Parece o Belluzzo.

Quando chegar o fim do contrato, em agosto, serão R$ 7 milhões. Mais do que todo o patrocínio do time da Vila Belmiro em 2009. Fala sério. Essa conta não vai fechar nunca.

Robinho O Robinho não se paga. Nem aqui, nem na Inglaterra.

O Robinho não se paga. Ele é caro demais. Aqui ou na Inglaterra (onde ele embolsava quase o dobro), o que ele ganha é uma insanidade.

Para quem não sabe, o futebol inglês está falido. Segundo a Uefa, os times de lá devem quase R$ 10 bilhões. Só a dívida do Manchester United beira R$ 2 bilhões. Caramba!

Em toda a Europa, os clubes devem R$ 15 bilhões. Nesse cálculo, não entram os empréstimos. Eles vão quebrar. Tomara que explodam. Foram eles que inflacionaram o futebol a esse nível criminoso.

Por isso, estamos vendo o retorno de alguns dos nossos craques. Que voltam trazendo seus salários escandalosos. Sem dó nem piedade, querem que nossos clubes paguem na mesma moeda.

Deviam fundar o Mercenários Sport Club. Ou a Legião Estrangeira de Futebol, financiada pela máfia russa e pelo cartel de Medelín.

Neste domingo, 29, torcedores do Santos portavam uma faixa em protesto contra o aumento do preço dos ingressos para o clássico com o Corinthians: “No circo do futebol, o torcedor é o palhaço”.

É isso aí. A arquibancada mais que dobrou, para R$ 80. Queriam que o povão pagasse a conta. Adivinha? Nem metade do estádio estava lotado. Bem feito.

Só um trouxa para bancar o Robinho indo jogar amistoso na seleção do amigo Dunga. Ironia dos deuses do futebol, onde será o jogo contra a poderosa Irlanda? Em Londres, capital da Inglaterra. Bingo.

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