2 novembro 2010

Otávio Frias Filho e sua Folha se esforçaram de forma comovente. Trabalho árduo ser uma usina de denúncias inúteis.

Nos 30 dias que antecederam o primeiro turno, em 23 deles a Folha estampou em sua primeira página manchetes garrafais sobre escândalos envolvendo a candidata Dilma. Uma verdadeira obsessão patológica.

Ela foi acusada até de ter causado prejuízo de R$ 1 BILHÃO a consumidores de luz. Factoide patético. Em nenhum único dia apareceu algo negativo sobre José Serra. Nem unzinho sequer.

Até a ombudsman do jornal acusou a Folha de ser parcial na cobertura da campanha.

ombudman sobre dilma folha papel 300x253 Derrotados da eleição – parte 3(clique na imagem para ampliar)

Tivesse Dilma Rousseff ligado para um ministro do Supremo Tribunal Federal para solicitar favores, assim como fez José Serra, seria o fim do estado democrático de direito. Mas, para a Folha, não passou de marolinha tucana.

Amaury Ribeiro Jr., repórter que serviu ao O Estado de Minas investigando Serra, pode espernear e uivar em protesto, mas será um espião petista até o fim dos dias. A verdade que vá às favas.

Quando viram a casa caindo, avisados pelas pesquisas que a eleição já estava decidida, a redação da Folha correu e noticiou a fraude na concorrência do Metrô em São Paulo. Afinal, para alguma coisa o DataFolha tem de servir (além de aos próprios interesses).

Não é fácil posar de apartidário, independente e ruralista. Ou algo parecido. Principalmente quando não se é. O fracasso lhes subiu à cabeça.

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1 novembro 2010

Veja não forma mais opinião

Das 42 capas da revista em 2010, até as vésperas do segundo turno, dezoito continham ataques a Lula, Dilma e o PT. Quase metade da existência da Veja é dedicada a montar palanque contra o governo federal e espalhar pânico e ódio.

Ainda reclamam que não há liberdade de imprensa neste país. Terrorismo jornalístico: é isso que faz a semanal da família Civita. A edição de 10 de julho ilustra perfeitamente essa demonização:

veja 10 07 10 227x300 Derrotados da eleição   parte 2

É uma publicação que poderia ter a honestidade de se assumir como oráculo do que há de mais reacionário e perverso na direita deste país.

Mas tem essa mania feia de se travestir de revista de informação. Só se for distorcida, tendenciosa. Não fazem reportagens; fazem editoriais. Por isso é que não forma mais opinião; causa tédio. E desprezo.

E há os soldados da Editora Abril. Ou capangas, a ver. Os rancorosos Diogo Mainardi, Lauro Jardim, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Escribas a soldo que insinuam termos um presidente alcoólatra, menos interessante que um “vaso sanitário”.

E que chamam distribuição de renda de Esmola-Família. Logo eles, que devem fechar o vidro do carro quando veem um pobre.

Bem feito. Foram derrotados por essa gentinha que não assina Veja.

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1 novembro 2010

Globo: o altar do sacrifício perdeu

As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República.

Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista.

O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice.

Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

Com a vitória de Dilma, vai ser constrangedor o olhar de William Bonner e Fátima Bernardes. Cúmplices que são, nem vão tocar no assunto de como espremeram e destrataram a presidente eleita.

E tanta gentileza e profissionalismo com o candidato da família Marinho. Em vão.

São pagos pra isso, têm filhos para sustentar. Ok. Podem levar essa derrota pra casa. E convidar Arnaldo Jabor e Merval Pereira para jantar. Haja estômago. Mas amigos são fundamentais na hora da derrota.

Daqui a pouco, às 16 horas, volto com o raio-x dos outros derrotados da eleição.

Temos muito a passar a limpo.

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14 outubro 2010

Quando a religião começa a se meter na política, estimula-se uma perigosa hipótese: a de a política se meter na religião. Que os deuses nos livrem disso.

Mas nesse debate sobre aborto e eleições, a democracia é imperativa. Portanto, é absolutamente legítimo que padres, pastores, monges ou faquires manifestem seus votos.

E podem inclusive conclamar seguidores a fazerem exatamente o que deles se espera: seguirem. O voto de fundo religioso é um fato. Os candidatos sabem onde se meteram: ajoelhou, tem que rezar.

A Dilma declarou ser a favor da descriminalização do aborto. Ponto. Depois recuou, por motivos estritamente eleitorais. Outro ponto. Ninguém mandou.

Assim como José Serra deu a mesma pirueta, de ministro da Saúde a candidato. E o motivo é nobre, dos dois: eles serão presidentes de um país inteiro, e não de suas próprias convicções.

O Estado laico é uma conquista da civilização. Onde isso não foi atingido, imperam a intolerância e o medo. Oremos por eles.

Cada um que defenda seu ponto de vista. E respeite o que pensa diferente. Onde há fumaça, há fogo. E fogueiras. Lembra? Melhor não esquecer.

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29 setembro 2010

Esta semana entrou para a história do jornalismo botocudo. No domingo, 26, os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, cada qual no seu quadrado, caíram do muro e tascaram porrada no Lula. Assim que é bom.

Cara a cara. Na bucha. Sem rodeios. Não gostam dele e pronto. O Estadão foi mais atrevido e manifestou apoio ao Serra. Não que não soubéssemos. Mas é melhor quando o óbvio fica evidente.

Pena que o editorial de declaração de voto do Estadão seja tão mal redigido. A ocasião merecia mais solenidade. Não deviam deixar o dono escrever nessas horas. Pagam redator pra quê?

O editorial da Folha, na primeira página, todo pimpão, é mais limpinho, mas nem por isso deixa de ser meio doidão, esquizofrênico. Fica enrolando meia hora naquela conversinha de ser apartidário, independente e ruralista. Algo assim.

Só diz a que veio no último parágrafo. A chefia mandou pegar pesado. Sem nenhum constrangimento, dão um pito no atual presidente. E na futura. Ato falho: acreditam que tudo se resolve no primeiro turno.

Com um tom bem mal-educado, descascam essa: "Fiquem ambos advertidos, porém, de que tais bravatas somente redobram a confiança na utilidade pública do jornalismo livre".

Depois, dão chilique de novo: "Fiquem advertidos de que tentativas de controle da imprensa serão repudiadas". Ui.

Se falam com o dirigente máximo da nação assim, imaginem como tratam os funcionários. E ainda vêm com esse papinho de bravatas. Olha quem diz. Fanfarrões.

Teve gente que ouviu na sala mais imponente da Folha que o jornal dará a manchete que seria o tiro de misericórdia na campanha da Dilma. A bala de prata. Seria bem divertido ver isso.

Nada como a liberdade de imprensa. Só em um país democrático, no pleno estado de direito, jornais podem enfiar o dedo na cara do presidente da República. "Numa nice", como diria o Serra. Como tem que ser.

Declarar voto a favor e voto contra é positivo e transparente. Agora só faltam O Globo, a Globo e a Veja. Cada qual no seu quadrado, bem apertadinho.

Fiquem os leitores advertidos: imprensa livre é bom e eu gosto! Pena que estejam todos de um lado só. Para que ser livre, então?

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21 setembro 2010

É evidente que o caos no metrô paulista foi sabotagem da turma do PT. Como bem observou a ex-vereadora Soninha, isso faz parte de um plano para garantir o segundo turno em São Paulo. E eleger a Dilma, claro.

Um usuário do Twitter reforçou a tese: há anos, o partido manda milhares de militantes lotarem o metrô da zona leste todos os dias para desestabilizar o transporte público paulista.

A Folha de S.Paulo vem cobrindo muito bem esse tipo de assunto. O Globo também dá sua contribuição diária. Até dia 3 de outubro, haja criatividade. Azar deles, são pagos pra isso.

O jornalismo investigativo contra a candidata do Lula vem recebendo ampla aceitação popular. Até se formou uma brigada de voluntários para garimpar manchetes conspiratórias.

Graças a esses repórteres brincalhões, ficamos sabendo que Dilma causou a Guerra do Iraque e a convulsão de Ronaldo na Copa de 1998. E, sim, foi ela quem matou Salomão Ayala e Odete Roitman.

Felizmente, ainda temos gente engraçada neste país. Porque, para enfrentar a troca de acusações em período eleitoral, é preciso ser profissional do bom humor.

Depois reclamam do Tiririca. Preconceito das elites. Ele vai receber uma votação expressiva por simbolizar a profissionalização do Legislativo. "Chega de amadorismo" será o recado das urnas.

O povo quer se sentir representado em Brasília. Na hora do escracho, não podemos depender exclusivamente da imprensa nativa. Já basta a vida difícil que a gente leva. Temos o direito de criar nossas próprias piadas.

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14 setembro 2010

Não é por acaso que o senso comum diz que político é tudo igual. Só muda o partido. Até os privilégios e falcatruas são os mesmos.

O PSDB, por exemplo, adora dizer que o PT aparelhou o Estado, loteou cargos entre apadrinhados e empesteou o governo com seus militantes. Uma vergonha.

Verdade. Pena que os tucanos façam exatamente a mesma coisa quando o Diário Oficial é escrito por eles. Igualzinho. Uma vergonha.

Os exemplos são tamanhos que causa espanto a desfaçatez com que eles esfregam o dedo acusador no focinho do inimigo.

Em uma única manhã de trabalho, pela internet, deu para levantar uma dezena de nomes de tucaninhos que são amparados pelos tucanões do governo de São Paulo.

Quando cheguei ao 15º nome, em meia hora de Google, fiquei entediado e parei.

Nada pessoal, nem questão de competência, mas vejam só a turma de carteirinha que praticamente só vive de cargos nomeados há anos, sempre em gestões do PSDB:

Carlos Eduardo Sampaio Doria, por exemplo, é advogado. Foi deputado federal. Perdido o mandato, como ele não se aperta, virou diretor da Agência de Transportes do Estado desde 2003. E presidiu a Telesp de 1993 a 1998. Entendi.

Raul Christiano é jornalista, mas topa qualquer parada, desde que comissionado. Fundador do PSDB, tem, literalmente, uma folha de serviços prestados ao partido. Até na Sabesp ele militou.

Antonio Carlos da Silva foi prefeito de Caraguatatuba e deputado estadual. Com essa bagagem toda, virou diretor técnico da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo).

Na mesma linha, pesquei os nomes de Gesner de Oliveira, Felipe Soutello , Geraldo Biasoto Jr., Otávio Azevedo Mercadante , Roger Ferreira, Thomaz de Aquino Nogueira Neto e Manuelito Pereira Magalhães Júnior.

Não falei que era chato? Agora vamos aos nomes de alguns secretários do governo que são políticos profissionais: Guilherme Afif Domingos, Bruno Caetano, Paulo Renato Souza e José Benedito Pereira Fernandes.

Até o Geraldo Alckmin, quando ficou desempregado, foi bater na porta do governo do Estado. Abriram. E o mandaram sentar na cadeira de secretário do Desenvolvimento. Para que servem os amigos?

Deve ter mais gente, com certeza. Fiquei com preguiça, juro. Se alguém quiser continuar a pesquisa, bom proveito. Imagina nos segundo e terceiro escalões quantas surpresas nos aguardam.

Para mim está de bom tamanho e dá para afirmar que política é feita por políticos. Que cargo nomeado serve para botar a patota na boiada. Que a farinha vem do mesmo saco.

Por isso, quando um candidato faz discurso acusando adversário e pregando moral e bons costumes ninguém presta atenção. É mentira mesmo - conversinha.

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+ Proibir ou obrigar, é só o que eles sabem fazer
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1 abril 2010

A Dilma não vai contar com meu voto. Talvez nem precise dele. Mas ela pode dispor da minha solidariedade contra as grosserias dessa oposição que embrulha peixe.

E literalmente fede, como a primeira página de O Globo desta terça-feira, 30. Vejam a reprodução:

Dilma em O Globo1 O Globo fede

Foto: Reprodução

A foto carrega uma ofensa gratuita. É brincadeira de mau gosto, sem graça nenhuma. Um estilo jornalístico que já conhecemos bem. Fez história neste país.

Percebam como o fotógrafo (ou o editor) enquadrou a foto de forma que a placa atrás da dona Dilma fosse cortada. De propósito, a palavra “federal” ficou sem a última sílaba. E o “fede” se tornou uma legenda para a candidata do Lula. A Dilma fede? Que gente mais mal-educada!

O jornal se desincompatibilizou, afinal. Entrou em campanha. O palanque está montado. É apenas o começo. De uma história que virá em capítulos diários, como eles bem sabem fazer. Essa novela já tem a vilã.

E o herói vai ser construído aos poucos. O biótipo não ajuda, não tem pinta (nem cabeleira) de galã. Mas ele vai sair bem na foto. Nada que um bom enquadramento não resolva.

E eles são bons nisso. Bem melhores do que dessa vez. Coisa de amador isso aí. Não estou desmerecendo, nem pensar. Eles devem estar apenas calibrando as lentes, ajustando o foco.

Em breve, o clique da máquina vai se confundir com o barulho de um gatilho.

Preparar. Apontar. Fogo.

Veja mais:

+ Em despedida do governo, Serra nega ser centralizador
+ Dilma não diz adeus no último discurso, mas "até breve"
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30 novembro 2009

prancheta Como confiar no Ibope nas próximas eleições?

Com a palavra, o Congresso.

Segundo o Aurélio, além de índice de audiência, ibope é sinônimo de prestígio. Então, o ibope do Ibope não é lá grande coisa.

Faça uma pesquisa com seus amigos e pergunte se algum deles acredita nesse instituto. Não manipule. Provavelmente, todos vão se lembrar de alguma derrapada séria envolvendo os caras.

Qualquer cidadão minimamente esclarecido sabe de alguma fraude em que o Ibope esteve envolvido nos últimos anos.

Em 2000, o maior animador de comícios que já vi, Leonel Brizola, falou com aquela delicadeza peculiar: “O Ibope está a soldo dos grandes grupos”.

De lá pra cá nada mudou. Um jornalista com conhecimento de causa escreveu em seu blog um artigo com título auto-explicativo, “O dia em que a Globo protegeu o Ibope”.

Foi o Marco Aurélio Mello, que trabalhou na emissora durante anos, inclusive como editor de economia do Jornal Nacional. Ele descreve como a velha senhora blindou o instituto (e seus erros cabeludos) durante as eleições de 2006.

Exemplos não faltam. Nem estou falando da manipulação dos índices de audiência da TV. É questão de tempo até esse esquema ser desmascarado. Desta vez eles deram bandeira:

Não dá é para fazer de conta que está tudo bem e nada está acontecendo de muito grave.

Em 2010, daqui a pouquinho, vamos novamente às urnas para eleger presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Muita coisa, não?

E vamos deixar assim, de boa? O Ibope vai fazer suas pesquisas suspeitas no ano que vem, sem que nada aconteça, nem mesmo uma satisfação à sociedade?

Essa empresa é séria? Merece continuar influenciando no processo eleitoral, formando opiniões distorcidas, esticando a corda da democracia?

Nossos nobres congressistas bem que podiam fazer algo útil. Enquanto há tempo.

Que tal uma CPI sobre esse instituto de pesquisa e seus critérios, financiadores e metodologias?

Ia dar ibope.

Veja mais:

+ Ibope mede a audiência da TV em ’sociedade secreta’

+ Operadoras desmentem Ibope sobre falha em medição

+ Ibope volta a apresentar pane

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