29 novembro 2011

Ah, o tempo é senhor da razão. Se ainda havia alguma dúvida, acabou: A TV Globo conspirou contra a democracia, atentou contra os ideais republicanos, traiu sua audiência, manipulou imagens e ajudou a eleger o pior presidente da história deste País, Fernando Collor de Mello.

Fossemos uma nação honrada, com leis a serem respeitadas, tivéssemos uma Justiça para todos, a emissora da família Marinho deveria perder a concessão pública que a autoriza a manter uma emissora de TV.

E a confissão de culpa foi veiculada na Globo News. Com desfaçatez que beira o insulto, o então todo poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o famigerado Boni, admitiu, em entrevista a Geneton Moraes Neto, que, sim, a Globo ajudou a praticar a maior fraude eleitoral da história do Brasil.

Boni, sempre na primeira pessoa do plural, confessa que, durante o escabroso debate eleitoral com Lula, em 1989, agiu como assessor político de Collor, compondo seu visual e tendo a brilhante ideia de colocar as famosas pastas empilhadas que fizeram a todos crer que ali havia volumosas denúncias contra o candidato do PT. Detalhe sórdido: as pastas estavam vazias.

Boni não tocou no assunto da criminosa edição do debate que iria ao ar no dia seguinte, no Jornal Nacional. Nem precisava. Chegamos a essa conclusão por mero raciocínio lógico. Todos sabem como aquelas imagens distorcidas foram determinantes para a vitória do presidente que viria a sofrer o primeiro processo de impeachment das democracias ocidentais. Agiram como sabotadores, terroristas das comunicações, para colocar no Palácio do Planalto o homem corrupto de que de lá seria expulso pelo povo, a pontapés.

Também não precisava falar mais do que isso, o bonachão cínico. Talvez no futuro seja obrigado a dizer, nas barras de algum improvável tribunal. Sugiro que lhe deem o privilégio da delação premiada, para que a verdade também atinja os poucos homens que estavam acima de Boni, entre eles Roberto Marinho.

Collor nega que recebeu ajuda. Também, pudera. Só faltava ele ser sincero uma vez na vida. Mas percebam o ato falho, em entrevista à Folha de S. Paulo: “Nunca pedi a ninguém para falar com o Boni, meu contato era direto com o doutor Roberto". Ah, tá. Foi o chefão mesmo que o ajudou?

Já o atual diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, diz que toda essa sujeria "foi uma iniciativa do Boni, como cidadão, mesmo que com o consentimento de Roberto Marinho". Hum? Se houve consentimento, como separar pessoa física de pessoa jurídica? Esse Kamel, é só apertar que entrega tudo...

Se alguém não julga sérias e estarrecedoras as declarações do ex-capo da rede Globo, merecia perder a cidadania brasileira e ser deportado para algum país árabe que ainda viva sob o jugo de uma ditadura moribunda. Ignorar a gravidade dessas confissões é abdicar da própria cidadania.

Com a palavra, o Ministério Público, o Congresso Nacional, o Ministério das Comunicações, o Supremo Tribunal Federal e todos os brasileiros que foram vítimas desse crime que quase destruiu nossa República.

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14 agosto 2011

E não é que o Jornal Nacional deste sábado (13) levou ao ar uma reportagem denunciando uma das falcatruas de Ricardo Teixeira?

Aleluia?

Os astros estão mandando algum recado e devemos acreditar que finalmente a Rede Globo se rendeu?

Será?

Mesmo com mais de dois anos de atraso em relação à ação movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e após inúmeras denúncias da Record, Folha de S Paulo, revista Piauí, enfim a Velha Senhora informa que o presidente da CBF está envolvido em um escândalo: o desvio de R$ 9 milhões para que uma empresa de fachada organizasse um amistoso entre a seleção brasileira e a de Portugal.

O jogo foi realizado em 2008, em Brasília. O então governador, o famigerado José Roberto Arruda, transferiu esse dinheirão do governo para uma tal de Ailanto Marketing, firma “laranja” (destacada pela CBF) criada um mês antes do jogo e que nem sequer tinha telefone fixo. Em uma reportagem de três minutos, o JN conta essa história antiga, mas com ares de novidade. Antes tarde do que nunca. OK. É sempre bom repetir que Ricardo Teixeira é um dirigente notoriamente conhecido por usar o futebol brasileiro em benefício próprio.

Surpreendente é vermos a Globo cumprindo seu dever de informar com alguma honestidade seus telespectadores. Em termos, vale ressaltar: essa história não é contada em detalhes e, para alguém mais desatento, não fica claro o quanto a CBF agiu de má-fé. Sobrou mais para a empresa fantasma e o “cachorro morto” do Arruda.

Mesmo assim, registro o espanto: a Rede Globo está rompendo seu pacto de silêncio com um dos seus principais comparsas? Será delação premiada? A presidente Dilma telefonou para a família Marinho pedindo alguma decência? Ou a Velha Senhora percebeu que a casa vai cair e agora corre atrás do prejuízo, como nas Diretas Já e no impeachment de Collor?Aguardemos os próximos capítulos. Se for a novela de sempre, é só uma cena para despistar. Nos folhetins da Globo, os vilões quase sempre acabam se dando bem. Se for para valer, em breve conheceremos o desfecho. Será?

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11 agosto 2011

“Há pessoas que retiram com prazer aquilo que acabaram de dizer, como quem retira uma espada do ventre do adversário”. Essa foi a forma brilhante que o escritor francês Pierre-Jules Renard encontrou para definir um pedido de desculpas. Essa frase deveria fazer parte do novo código de ética do Jornal Nacional, da Rede Globo.

Durante uma chamada para o JN desta quarta-feira, 10, às 17h, foi anunciado que a ex-vice-presidente de TI da Caixa Clarice Copetti estava presa por envolvimento nas fraudes do ministério do Turismo. Só foi “libertada” por volta das nove da noite, quando Willam Bonner fez uma constrangida retratação no ar. Era tudo mentira. Ou, em palavras mais arrogantes, um “erro de informação”.

Já nas palavras mais precisas da “prisioneira”: “Um veículo de comunicação me colocou como ré, me julgou, fazendo o papel do Judiciário, e me prendeu, fazendo o papel do Executivo. Ou seja, assumiu as funções do Estado brasileiro sem sequer procurar se informar sobre quem eu era”. É, foi bem mais que um erro.

Consta que em conversas de Clarice com editores do JN, nem eles souberam explicar como haviam anunciado a falsa prisão. Por que não entraram em contato com ela, o “outro lado”?  Essa é uma das poucas leis universais do bom jornalismo. Custava telefonar? Uma empresa daquele tamanho? A vítima foi avisada pelos seus familiares, em pânico!

Mas basta pedir desculpas? O mínimo seria explicar como se construiu um erro gravíssimo desses. Em detalhes. Porque o que fica é a impressão de que isso já aconteceu antes. E voltará a acontecer novamente. Medo.

Se fosse comigo, abriria mão das desculpas e preferiria minha parte em dinheiro. É um estrago e tanto na vida de qualquer um. Milhões de pessoas que ouviram a chamada da prisão não estavam assistindo TV quando foi feita a retratação. Já era.

Na verdade, um erro desses não tem perdão. Deve doer muito quando retiram uma espada de dentro de nós.

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1 novembro 2010

Globo: o altar do sacrifício perdeu

As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República.

Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista.

O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice.

Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

Com a vitória de Dilma, vai ser constrangedor o olhar de William Bonner e Fátima Bernardes. Cúmplices que são, nem vão tocar no assunto de como espremeram e destrataram a presidente eleita.

E tanta gentileza e profissionalismo com o candidato da família Marinho. Em vão.

São pagos pra isso, têm filhos para sustentar. Ok. Podem levar essa derrota pra casa. E convidar Arnaldo Jabor e Merval Pereira para jantar. Haja estômago. Mas amigos são fundamentais na hora da derrota.

Daqui a pouco, às 16 horas, volto com o raio-x dos outros derrotados da eleição.

Temos muito a passar a limpo.

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21 outubro 2010

Ridículo. Patético. A bolinha de papel que jogaram na careca do Serra virou um atentado terrorista, um crime contra a República. Há tempos não víamos uma edição tão forjada e vergonhosa.

Veja só como o Jornal Nacional cobriu o episódio:

Estamos diante de um ato abominável, violento e criminoso! Perceberam a foto do coitado com a mão na cabeça? Ele é um mártir da democracia, o nosso Kennedy! Isso só pode ser coisa do Zé Dirceu!

Agora, veja esta vergonhosa sequência.

O candidato do PSDB foi vítima, no máximo, de bullying de jardim da infância. Eu também era muito cruel aos quatro anos de idade. Assim como o atirador de elite que acertou a cachola do Zezinho. Merece punição exemplar. Já pra diretoria!

E o tal médico que recomendou repouso de 24 horas ao Serra? É um oncologista! Jacob Kligerman foi secretário municipal de saúde do Rio de Janeiro. Adivinha em que gestão? Do Cesar Maia! Nada como ser atendido por um aliado, não é mesmo?

Mas o que merece destaque, sem nenhuma brincadeira, é a edição mentirosa, manipulada  e claramente partidária da TV Globo. Pensam que somos estúpidos? Se o Serra quer enganar alguém, se fazer de vítima, que o faça sozinho. E pague o mico que bem entender.

Mas uma emissora de televisão não pode se prestar a esse serviço. É uma concessão pública. Existe para servir ao país, e não a interesses políticos. Se liga na Globo! Prestem bem atenção.

Eles não aprenderam que o povo não é bobo? Não vão aprender nunca? Ah, eu  e meu controle remoto...

Para passar minha ira, vou me divertir um pouco com toda essa balela. Entre aqui você também. É imperdível!

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