1 novembro 2010

Globo: o altar do sacrifício perdeu

As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República.

Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista.

O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice.

Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

Com a vitória de Dilma, vai ser constrangedor o olhar de William Bonner e Fátima Bernardes. Cúmplices que são, nem vão tocar no assunto de como espremeram e destrataram a presidente eleita.

E tanta gentileza e profissionalismo com o candidato da família Marinho. Em vão.

São pagos pra isso, têm filhos para sustentar. Ok. Podem levar essa derrota pra casa. E convidar Arnaldo Jabor e Merval Pereira para jantar. Haja estômago. Mas amigos são fundamentais na hora da derrota.

Daqui a pouco, às 16 horas, volto com o raio-x dos outros derrotados da eleição.

Temos muito a passar a limpo.

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1 setembro 2010

Como o candidato José Serra sai por aí acusando o PT de ter quebrado o sigilo fiscal da turma do PSDB?  Qual prova ele usa para fazer afirmação tão caluniosa? Isso é misto de desespero e má-fé.

Antes, um alerta fundamental: não estou aqui dizendo que não foram petistas aloprados os responsáveis pelo crime. Estou dizendo que não há nenhuma prova. Nenhuma. Nenhuma.

Se existem evidências, todos apontam para uma horda de pés de chinelo. Não esbarrou, ainda, em nenhum emissário do Planalto. Ainda, portanto, devemos ter um mínimo de cautela.

No plano das meras especulações, posso delirar e, num surto conspiratório, dizer que foi gente do Aécio Neves. Afinal , à época, o tucanato mineiro estava de olho na indicação à candidatura presidencial pelo PSDB.

Não vou fazer isso porque seria uma leviandade atroz. Coisa de quem não tem caráter.

serra Acusar sem prova é pior que quebrar sigilo

Foto: Divulgação/Agência Brasil

O próprio Serra já foi acusado de espionar adversários. Nunca comprovaram nada contra ele. E olha que ele se meteu com a família Sarney. Briga de cachorro grande.

Essa história de acusar sem prova e dar como certo o que é duvidoso causa estrago maior que qualquer quebra de sigilo.

Todo mundo fica torcendo para que o bagulho exploda nas mãos de algum petista de carteirinha. Também vou achar divertido ver algum cacique ser desmascarado em público.

Se for comprovado que a campanha da Dilma está envolvida em algo tão escandaloso, a candidatura dela vai ser impugnada. Mesmo que tudo se esclareça depois de outubro.

E não tem como esconder o desfecho das apurações. Os cães farejadores da Polícia Federal já foram atiçados. Nomes já se tornaram públicos.

Viram o despachante mequetrefe que foi colocado como falso procurador da filha do Serra? Aquele não engana ninguém, é 171 desde criancinha. E a falsificação dos documentos? Amadorismo de quinta.

Seja quem for o picareta que resolveu espionar a tucanagem, é gentinha burra e incompetente. Vão ser pegos, os larápios. E dá até para apostar que antes das eleições.

Portanto, calma, candidato! Não suje sua biografia com um ato covarde e irresponsável. Se forem petistas os envolvidos, o povão vai saber dar uma surra neles. Nas urnas.

Mas e se as acusações forem falsas? Além da derrota iminente, o senhor vai ter que carregar uma vergonha, uma indignidade. Deixe esse serviço sujo para seus assessores. Pelo menos se preserve!

Alguém que quer comandar este país não pode agir como um leviano. Já tivemos um presidente assim. Não precisamos de outro Collor. Não mesmo.

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23 junho 2010

Nessa história do suposto dossiê sobre o Serra, é fácil saber quem está mentindo. Todo mundo, é claro. A verdade é uma intrusa nessas horas. E, quando descoberta, é enterrada viva.

Toda campanha é feita de dossiês. Conhecer os pontos fracos do adversário é questão estratégica. Carta na manga e bala na agulha é a diferença entre vencer e trincar os dentes de raiva.

O Serra já foi acusado de espionar seus inimigos muito antes de ser candidato, ainda no governo FHC. Fez uma legião de inimigos por isso. Contra ele pesa também a suspeita de fritar a candidatura de Roseana Sarney em 2002. Ninguém é completamente imperfeito.

Todo partido tem seus aloprados. Arapongagem faz parte de qualquer organograma de campanha. E a imprensa sabe disso. Mas posa de vestal. Faz cara de surpresa quando vê uma armação. E publica, a depender de que lado está.

Dossiê bom é aquele que vaza na hora certa. Ou seja, quando não há mais tempo de ser desmentido. Porque todos são. E fica por isso mesmo.

Não entendo essa implicância contra denúncias em época de eleição. É a única hora em que os políticos se preocupam em prestar e cobrar contas. Acaba tendo um efeito higiênico.

Quero mais é que todos os candidatos se engalfinhem até sangrar. Fora isso só resta os chatíssimos e inúteis programas de governo. Aqueles calhamaços que nunca serão cumpridos. Lenga-lenga, blá-blá-blá.

Vou parafrasear o jornalista americano Murray Kempton. No meio dessa guerra suja chamada política, os candidatos esperam o fim dos combates, descem ao campo de batalha e matam os feridos.

Quem vence uma eleição são os que sobrevivem a ela.

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20 abril 2010

Juro que não ia falar de eleições.

Aí eu vi a foto do Serra na capa da Veja desta semana e fiquei comovido.

Como ele é fofo! Um ursinho de pelúcia! Nem tinha reparado.

capa veja serra ok Aí eu é que sou provocador...

Aí, li que o DataFolha alterou o critério de amostragem na pesquisa eleitoral para presidente da República. Na pesquisa de fevereiro, fez entrevistas em 18 bairros paulistanos. Já em março, os caras foram a 71 (não, não foi 171, calma) bairros na cidade de São Paulo.

Não aumentaram no Rio nem em Belo Horizonte. Bico calado, tá?  Fraude? O pessoal da Folha de S.Paulo nega. Imagina! Eu nem tinha reparado que o Serra desse jeito fica bem melhor na fita.

Aí eu vejo na TV Globo a chamada em comemoração ao aniversário da emissora. Uns 90 artistas e jornalistas aparecem na vinheta sob o slogan “Todos queremos mais”. No final, um número: 45.

Observe:

Sabe que eu nem reparei que 45 é o número do PSDB? E nem que o slogan do Serra é “O Brasil pode mais”?

Aí a Globo vem e, após a gritaria, tira a chamada do ar.

Aí ou eu ando distraído ou Veja, Folha e Globo têm algo em comum.

Aí tem.

Tudo na mesma semana. Santa coincidência. Ai.

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17 dezembro 2009

O Aécio é café com leite. Na disputa tucana entre São Paulo e Minas, ele fez biquinho e não é mais candidato a candidato à Presidência da República. Levou a bolinha dele pra casa. Não brinca mais.

Ele retirou sua pré-candidatura como quem enfia uma faca no PSDB.  Isso não vai ficar assim. Mineiro não renuncia. Só muda de assunto. Magoou.

aecio serra g 20091217 E agora, José?

Deixou o Serra sozinho na disputa porque sabia que ia ficar sozinho. Lembram do Geraldo Alckmin abandonado num aeroporto durante a campanha de 2006? Não foi ninguém do partido pra receber o infeliz.

É uma pena. O Aécio é simpático, tem cara de bom moço, gosta das coisas boas da vida. Seria um perfil inédito. Mas o partido dele preferiu não trocar o chato pelo duvidoso.

Agora, a sucessão tem tudo para ser uma das mais carrancudas da história.

Não deixem o Ciro Gomes retirar a candidatura dele! Imagina só que sofrimento aguentar o mau humor do Serra durante toda a disputa eleitoral. A democracia não suportaria um golpe desses.

O governador de São Paulo conseguiu o queria. O motosserra.Vai adiar o quanto puder o anúncio oficial de sua candidatura. Não tem mais adversários internos. Declarados. Também não tem mais desculpas.

Se ele ganhar, a tucanada toda leva. Se ele perder, vai ficar com cara de pão de queijo. E agora, José?

Veja mais:

+ A carta em que Aécio Neves afirma que desiste de ser candidato à Presidência em 2010

+ Justiça mineira reabre processo contra Aécio por abuso de poder econômico

+ Serra não comenta a desistência de seu principal rival

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6 dezembro 2009

bortolotto Kassab também atirou no dramaturgo

Para quem não sabe, há um projeto de revitalização da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, que está parado há 3 anos na mesa do prefeito Kassab. Foi desenvolvido pela Emurb, empresa municipal de urbanização. Já houve empenho de verbas. Mas várias vezes o processo de licitação das obras foi interrompido, por absoluta incompetência do afilhado do Serra.

Se tudo tivesse corrido nos conformes e desde o início o prefeito fizesse sua parte e cuidasse da cidade, provavelmente o dramaturgo Mario Bortolotto não estaria na UTI da Santa Casa de Misericórdia. Ele e um colega de teatro foram baleados durante um assalto no Espaço dos Parlapatões.

O projeto é uma beleza. Faz com que aquela aberração de cimento seja colocada abaixo e no lugar surja algo minimamente parecido com uma praça de verdade, habitável. Essa obra tem um custo baixo, R$ 40 milhões. E 85% serão financiados pelo BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a juros subsidiados e longuíssimo prazo. Faz parte da verba destinada aos vários projetos voltados para a retomada urbana do centro da capital paulista.

Moleza. Causaria um impacto extremamente positivo na região central e no chamado Baixo Augusta. É uma obra estratégica para a cidade, que diminuiria de imediato a insegurança que ronda a área. E daria alguma dignidade para a atual gestão.

A praça hoje é um lixo. Foi sendo degradada ao longo de anos de descaso e abandono. Já começou mal. Só uma mente doentia poderia criar um jardim de concreto, frio e desumano. Fica bem no início do famigerado Minhocão. Adivinha obra de quem é mais essa aberração urbanística? Bingo. Maluf.

É feia, suja, perigosa. Foi invadida por drogados, bandidos e moradores de rua. É uma minicracolândia. Desafio o prefeito a passar à noite por ela, sem seus seguranças. Seu destino seria o mesmo do dramaturgo.

Em seu entorno, de forma heróica, um grupo de artistas foi lá se instalando e, numa guerra de guerrilha, levantou teatros e bares repletos de gente jovem, inteligente e feliz. A companhia teatral Os Satyros, dos valentes Ivam Cabral e Rodolfo Vazquez, foi a pioneira desse movimento de resistência desarmada.

Ano que vem, em um edifício abandonado da praça, será implantada a SP Escola de Teatro, que funciona atualmente no Brás, na Zona Leste. É uma iniciativa dos Satyros patrocinada pelo governo do Estado. Sim, do Serra. O pai político do Kassab, o prefeito que nada fez. Nessa, ele vai ficar sozinho, sem álibi nem comparsas.

Um homem público se mede por suas obras. E por suas omissões. Muitas vezes, o que se deixou de fazer é mais determinante para se saber a grandeza de um homem. Ou sua pequenez. O Papa que se calou diante do nazismo. O presidente que nada fez para impedir a tortura nos porões do Estado. O prefeito que não revitalizou uma praça. E deixou um corpo lá, estendido no chão.

Leia mais

+ Parlapatões fazem ato pela recuperação de Mário Bortolotto na praça Roosevelt neste domingo

+ Quadro de saúde do dramaturgo Mário Bortolotto é estável, mas ainda grave

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4 dezembro 2009

Uma maneira de medir o grau de civilidade e progresso de um povo é ver como ele trata seus rios. Os parisienses namoram, tomam vinho e fazem piquenique às margens do Sena. É uma festa.

O Danúbio corta dez países europeus, e em todas as grandes cidades por onde passa está incorporado à vida de seus habitantes. Em Berlim, bares e ciclistas se espraiam por toda a extensão do Spree. De primeira, esse mundo.

Os ingleses despoluíram o Tâmisa e hoje têm até peixinho lá. E Seul, olha só como era (o rio estava embaixo da avenida!) e como ficou, que beleza.

seul 2 Ampliação da Marginal Tietê é o Minhocão do Serra

seul 1 Ampliação da Marginal Tietê é o Minhocão do Serra

No Brasil, os rios das metrópoles são emparedados, poluídos, desgraçados. Não há uma única cidade importante em que seus moradores possam ao menos caminhar ao lado desses esgotos a céu aberto.

O rio Tietê é caso mais grave. É motivo de vergonha para todos os paulistanos. Há anos, em toda campanha eleitoral, uma enchente de promessas inundam os palanques. Podiam se afogar nelas, os mentirosos.

Todos têm um grande projeto para o Tietê. O Geraldo Alckmin ficava todo pimpão quando descrevia “o maior jardim do mundo” e o plantio de 100 mil árvores e 2 milhões de mudas nos 50 km de extensão das margens do rio.  Teve gente que acreditou.

A marginal, para quem não sabe, é obra de Maluf. Lembra dele? O gênio que enfiou o Minhocão no meio da cidade, sem pedir licença? Num campeonato de aberrações urbanísticas, ele ocupa todos os lugares do pódio.

Mas aí chegou o Serra. E o que aquela mente brilhante fez? O minhocão dele. Invejoso, bolou um jeito de piorar o que já era horrível. E condenar de vez o Tietê a ser um rio morto e emparedado.

Qualquer um de nós sabe que aquilo não tem jeito. Colocar mais duas pistas com três faixas cada é apenas e somente uma saída fácil, onerosa e burra. É uma obra indefensável, que só adia e disfarça. É boa pra os tecnicistas. E para os automóveis que entopem nossas ruas e avenidas.

Fosse ele um estadista, um político daqueles que queremos ver governando nosso país, ele comunicaria à nação: “Vamos devolver o rio Tietê para a cidade!”. Nem que fosse num projeto de 10, 20, 50 anos. Mas que começasse agora. E que arrancasse essa estupidez de cimento de uma vez por todas. E que não fosse uma mentira.

Que cavem um túnel para que os carros passem por baixo das marginais! Que afastem as vias a um quilometro de distância! Que construam 47 rodoanéis!

Qualquer delírio, qualquer sonho, qualquer utopia estava de bom tamanho.

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24 novembro 2009

A propaganda do governo Serra diz que a lei antifumo conta com o apoio de 94% da população. O número de pessoas que acreditam em Deus é 91% (levando em conta que os ateus, estatisticamente, se mantém em torno de 9% dos seres vivos e mortais).

Quer dizer que a lei contra o cigarro tem mais apoio do que Deus?! Tenha dó!

Meu ponto de vista é simples: assim como a lei seca, já desmoralizada pelos seus excessos, a campanha contra os fumantes serve para tornar nossa sociedade mais conservadora, careta e depressiva.

A diferença é que a guerra contra o tabaco tem fiscais mais eficientes que os do poder público. O não-fumante pode agora exercer sua notória intolerância com o apoio de normas de higiene que desconsideram conquistas seculares da democracia e das minorias.

Uma das questões é essa: o cigarro é uma substância legal e seu usuário não pode ser constrangido ou discriminado, não pode ser jogado numa calçada, ao relento, exposto a uma condição humilhante.

Nenhuma regra pode impedir o convívio social de qualquer que seja o grupo, a origem ou a preferência.

É evidente que a lei antifumo fere o artigo 5º da Constituição, que diz sermos todos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e que garante o direto de ir e vir e de exercer em paz atividades profissionais ou de lazer.

As liminares contra a lei que foram acatadas se baseiam em um detalhe jurídico secundário, a de que seria privilégio do Congresso legislar sobre questões de saúde pública. Portanto, como existe uma lei federal que admite a existência dos fumódromos, uma lei estadual não poderia se sobrepor a isso. A conversa é outra.

O comportamento dos fumantes mudou muito nos últimos anos. Eles chegavam a ser grosseiros. Mas não se via mais viciados que se atrevessem a acender cigarros em hospitais, filas de banco, supermercados ou elevadores lotados. Nesse ponto, já tinha havido uma ação civilizatória que retirou os fumantes dos devidos lugares. Afinal, são ambientes públicos em que não se escolhe estar.

Só que essa lógica não se aplica a um bar, um restaurante, uma casa noturna. Vamos a esses lugares, e os escolhemos entre milhares de opções, à procura de diversão, bate-papo, relaxamento.

Por que um empresário não pode pagar seus impostos e abrir um boteco em que o fumo seja tolerado? Entra quem quer, pô!

Muitos restaurantes e pizzarias já haviam proibido o cigarro em suas dependências e se deram muito bem. Um não-fumante simplesmente não é obrigado a frequentar uma boate em que o cigarro seja aceito. Ele que freqüente outro cabaré. E a liberdade de mercado, a livre concorrência? Ora, bolas.

O problema são os garçons que não fumam? Que se pague insalubridade ou se contrate funcionários fumantes. Trabalhar numa mina de carvão pode? Limpar esgoto, tudo bem? Convenhamos, isso é conversinha.

Mesmo pessoas completamente saudáveis gostam de freqüentar ambientes criados por aqueles que cantam, dançam, brindam e aspiram à raça humana.

Mas, na falta de um inimigo comum, nada melhor que chicotear os rebeldes subversivos que insistem em dar baforadas alegres e suicidas. Depois que venham os obesos, os poetas e os devassos.

Existe um conceito da psicanálise que diz: a imagem do vizinho que goza demais é intolerável.

As autoridades são muito caras de pau quando dizem ser esta uma questão inadiável de saúde pública. É literalmente uma cortina de fumaça, uma ação demagógica a custo zero, enquanto problemas mais graves são empurrados até a próxima eleição.

Não dá para ignorar como são maléficos os gases cancerígenos e a fumaça terrível emitidos pelos milhões de veículos que circulam em nossas ruas. Estes não mereciam uma ação mais urgente dos nossos governantes?

Como automóveis não são seres humanos, fica mais difícil combatê-los. Só pode ser isso.

PS: Para quem acha que essa lei realmente combate o vício do cigarro,
basta ler o título de reportagem da Folha de S.Paulo desta terça, 24:
Lei antifumo não afeta venda de cigarro”, que mostra como
a  legislação contra o tabaco e o aumento de imposto
não reduziram a comercialização.


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