31 outubro 2010

info derrotados3 Os derrotados da eleição

A guerra acabou. Dilma Rousseff é presidente do Brasil. Para chegar até aqui, teve que enfrentar uma das batalhas mais violentas da história da República. E venceu.

Derrotou não só seu adversário, José Serra, mas também um exército implacável, cruel e muito poderoso: os principais grupos de comunicação do país. Estes são os grandes derrotados nesse dia de glória para a democracia.

Os milhões de votos recebidos pela candidata petista são a prova gigantesca de que os brasileiros nunca mais se deixarão ser manipulados. Nem permitirão ser tratados como gente ignorante. O povo, definitivamente, não é bobo.

Durante meses, houve um bombardeio incessante de manchetes, chamadas, apelos, boatos e factoides. Um massacre impiedoso, orquestrado. Em fiapos de verdade, urdiram uma rede de mentiras e preconceitos.

Não bastou ser atacada durante o horário eleitoral gratuito. Isso faz parte do jogo. Infame foi ser fustigada diariamente pela propaganda política voluntária dos barões da mídia.

Dilma Rousseff e milhões de brasileiros enfrentaram o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo. E a maior emissora de TV, a Globo. A revista de maior tiragem, a Veja. Nessa tropa de choque incansável também perfilam os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Turma da pesada.

Nos próximos dias, sempre às 10h e às 16h, vamos usar este espaço para detalhar a forma como esses derrotados agiram do alto de seus palanques. Como pisotearam a liberdade de imprensa.

Cada um com seus soldados. Ou capangas. Tanto poder para quê? Tanta arrogância, fulminada pela força das urnas. Os que escrevem e entrevistam e ditam editoriais ficaram mudos. Quem manda, senhores do universo, é quem lê, quem ouve, quem vê. Os vitoriosos. Deste Brasil.

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5 janeiro 2010

Por que um pai e uma mãe decidem expor publicamente, em uma emissora de TV, para milhões de pessoas, o que deveria ser a privacidade de uma dor irreparável? Por que os pais da garota Yumi aceitaram participar do circo mórbido da mídia?

Nem é o caso de insistir no quanto os veículos de comunicação são capazes de ultrapassar os limites da dignidade humana. Por audiência, são capazes de exibir qualquer tragédia à exaustão.  Esse canibalismo todos conhecemos.

Mas esse espetáculo muitas vezes repugnante não se faz sem voluntários. Por algum motivo insondável, existem pessoas que desfilam espontaneamente nessa passarela de horrores.

Que o repórter Tino Marcos fez seu trabalho não se discute. Perguntou, concordaram, ok. Disseram na abertura da entrevista que são amigos há anos.

Não é coisa que se peça, entrar de luto no horário nobre. Se fosse amigo mesmo, teria deixado os dois em paz. Seria esperar demais de um jornalista?

Mas ele é pago pra isso, não usou câmera oculta, não manipulou ninguém. Os pais da Yumi foram parar no Jornal Nacional porque quiseram.

Para que? Alguém me ajude a entender. Se ao menos fossem verter lágrimas para saciar os melodramáticos. Se tivessem alguma súplica a fazer, pedissem solidariedade, orações, prantos. Mas não. Contentaram-se com um discurso piegas e surpreendentemente frio.

Quando até mesmo o luto se torna um espetáculo inútil é porque a sociedade está seriamente doente. Uma avalanche, uma epidemia se aproxima. Essa miséria ainda vai desabar sobre nós.


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8 dezembro 2009

Todo mundo conhece a história dos 15 minutos de fama. A Geisy está tendo os dela, após suas duas horas de difamação. Mas que tempos esses nossos, cada vez mais midiáticos.

A moça foi do inferno ao paraíso num intervalo mais curto que o seu vestido. Saiu de um pesadelo para entrar num conto de fada madrinha de escola de samba.

Geisy Original A Geisy já deu o que tinha pra dar

Torço para que ela aproveite bem seu momento de glória. Que seu sucesso queime as almas penadas daquela horda da Unitaleban. Que ardam no inferno da inveja e do rancor, aqueles tarados.

Nem Nelson Rodrigues pensaria em um castigo desses. Eles vão pensar duas vezes antes de promoverem o próximo linchamento.

Mas vamos parar por aqui. Está boa demais a justiça divina. Nem Maria Madalena saiu tão bem na fita. A ex-estudante de turismo ganhou na loteria. Já recebeu convite para ser garota propaganda de lingerie.

Passou por todos os programas estúpidos da TV. Vai desfilar no sambódromo, pela Porto da Pedra, no muito adequado enredo “Com que roupa que eu vou?”.

Ela ia usar na passarela o mesmo vestido que a fez famosa, mas de tanto que o esticou para posar para as fotos de jornal, o vermelhinho está imprestável, lasseou.

Vai fazer, de graça, uma recauchutagem completa. Já deram um tapa naquele cabelo. Vai turbinar os seios com silicone, aumentar o bumbum, fazer lipoescultura e ainda dar um jeito de diminuir a bochecha.

Pediu para ficar igual a Carla Perez. Hum. Nessa ela deu bandeira, né?

Para quem foi ameaçada de curra, xingada de vagabunda, humilhada em público, ok, vá lá. Ela está fazendo o que qualquer uma faria na situação dela. Aproveitando a oportunidade.

Alguns dirão que está sendo aproveitadora e oportunista.  Não vou cometer esse erro. Só espero que ela ganhe bastante dinheiro. E que sobre algum para comprar umas roupas mais bonitinhas.

Joga pedra na Geni. Joga.

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