20 dezembro 2011

arvore natal g 20111205 O Natal do Apocalipse em Sampa

O último que sair de São Paulo, por gentileza, apague as lâmpadas dessas malditas árvores de Natal que entupiram as ruas da cidade.

A capital paulista sempre foi feia, mas se tornou um espetáculo de breguice piscante a céu aberto. Socorro.

Não há um metro quadrado sem badulaque chinês grudado em árvores. Agora entupiram prédios, praças a agências bancárias com o que há de pior na estética da muvuca.

Com apoio e incentivo da própria prefeitura, transformaram em evento turístico a visitação aos enfeites de rua instalados principalmente na Avenida Paulista e no Parque do Ibirapuera.

É um pesadelo de mau-gosto, uma passeata de gente desocupada escancarando o vazio de suas vidas. E transformando uma metrópole já problemática em um caos natalino.

Foi como se importassem o Círio de Nazaré e entulhassem os milhões de fiéis nas calçadas.

Peregrinos de deslocam de todos os lugares para ver presépios europeus, com suas alegorias kitschies e uma pirotecnia de luzes capaz de gerar ataques epiléticos nos mais deslumbrados.

O resultado dessa histeria coletiva é um congestionamento que se estende por todas as noites e madrugadas.

As principais vias do Centro Expandido ficam entupidas de segunda a domingo, ainda mais depois que o prefeito mandou fechar a Paulista a partir das 20h. Gênio.

Uma demagogia irresponsável, um circo sem pão, para deleite de uma romaria de carentes.

A CIA ou o Talebã devem estar por trás disso. Ou Papai Noel é um agente russo. Querem acabar com o Natal, torná-lo sinônimo de apocalipse. A barbárie.

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24 dezembro 2009

Sou ateu. Essa palavra dói, eu sei. É como se a minha descrença agredisse os que acreditam em Deus. Ou, pior, despertasse a piedade dos que enxergam nisso um desamparo profundo e inconsolável.

Admito que é uma opção solitária, desagregadora, fria. Não é fácil viver sem devoção. Mais difícil deve ser morrer desse jeito. Sem desespero não há esperança.

Ao que tudo indica, ao nascer, somos todos ateus, por pura ignorância. Mas, ainda na infância, nenhum de nós escapa de olhar para o firmamento e nele enxergar alguma caridade igualmente infinita.

É muito acolhedor pensar que a compaixão nos está reservada, que jamais seremos órfãos, que alguém zela por nós. Quando criança, acreditava em Deus. Não sei exatamente em que momento meus sentidos não suportaram a lógica divina.

Foram muitas as razões que me fizeram duvidar da fé. Foi emocionante saber que não daria conta de algo tão grandioso, que meu tempo é curto, que minha insignificância é o bastante.

Cada homem, cada mulher, passou a ser importante, consistente, irreversível. Somos todos iguais perante nós mesmos, concluí.

O ateísmo só é digno se praticado com prudência e tolerância. Nada mais sinistro do que um ateu arrogante. Ainda vão descobrir que a Inquisição foi perpetrada por hereges infiltrados.

Aquilo deve ter sido obra de homens iníquos, sádicos e tomados de soberba. Também desconfio que um ataque terrorista só é possível pelas mãos de pessoas dispostas a tudo, assim na terra como no céu.

São muitos os caminhos que nos levam. A ninguém é dado o poder da verdade sobre o outro, assim como não existe carrasco sem vítima, bondade sem esforço, humildade sem humilhação.

Pelo que pude perceber, estamos aqui para aprender e ensinar, errar e perdoar, amar e ser amado, crescer e multiplicar. Não tenho forças para me sentir um escolhido, mas tento ser forte ao fazer minhas escolhas.

Nenhum paraíso me espera. Torço para que não haja inferno. Dos dez mandamentos, deixei de cumprir uns quatro ou cinco, mas, confesso, não me arrependo.

Respeito muito o segundo: não levantar o nome de Deus em vão. Gosto de ler a Bíblia. Nosso corpo é um templo.

Nossas vidas, uma dádiva. Ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria. Espero que todos tenham um feliz Natal.

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16 dezembro 2009

Isso sim é provocação. Os funcionários das empresas aéreas ameaçam entrar em greve durante o período de festas de fim de ano. É! Estão oferecendo o caos de presente de Natal.

Lembra quando grevistas heróicos enfrentavam a polícia, desafiavam governos e corriam riscos para defender os direitos da classe trabalhadora? Pois então esqueça.

Hoje em dia, greves são feitas de forma covarde e com a certeza de que dias parados não vão ser descontados. Como? Usando a população de escudo. De refém. De vítima.

Os grevistas mandam o povo ajoelhar e encostam seus holerites nas nossas cabeças. E fazem pose de Che Guevara para os patrões.

Proletários do mundo, uni-vos! Contra os funcionários públicos que deixam os pobres nas calçadas dos hospitais e das escolas! Contra a classe média de carteira assinada que usa trabalhadores como entulhos em saguões de aeroportos!

Querem ganhar mais, dignamente? Apoiado. As empresas estão nadando em dinheiro e exploram seus empregados? Denunciem. Não há mais como negociar, o patrão é intransigente? Conquistem a opinião pública. Põe no pau.

Só não venham pra cima da gente antes. Cancelar vôos quando está todo mundo com a milhagem na mão, cartão de crédito estourado pra poder visitar a mamãe? Se liga, mané.

Quer ser revolucionário? Não me transforme em um conservador. Vá puxar carroça pra ver o que é bom.

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