22 março 2011
O futebol brasileiro continua sendo motivo de vergonha nacional. Parece não haver jeito de a nossa cartolagem tomar vergonha na cara.
E olha que nem estou falando da conduta mercenária e vergonhosa dos grandes clubes na negociação dos direitos de transmissão do campeonato brasileiro. Isso ainda vai virar caso de polícia.
O assunto é outro. Já escrevi aqui, e me arrependo: nenhum técnico merece ganhar salário de R$ 500 mil. Vou ter que me retratar, e o faço com humildade: nenhum técnico merece ganhar R$ 700 mil!
Pelo visto, o hospício continua com seus portões abertos. Primeiro, o Palmeiras fez o favor de inflacionar o mercado a esse nível obsceno, quando contratou Luiz Felipe Scolari.
Fosse uma empresa privada, com patrão e responsabilidades, quem fez essa extravagância estaria no olho da rua e respondendo processo.
Ainda mais depois de o time acumular dívidas e derrotas homéricas com Luxemburgo, Muricy Ramalho e seus astronômicos vencimentos (palavra mais imprópria, não?).
É indecente, uma imoralidade. Para um profissional valer essa fortuna, teria de ser imbatível. Estão aí os currículos dessas estrelas para provar que todos acumulam vitórias e fracassos. Como qualquer ser humano.
Que Muricy Ramalho peça 700 mil ao Santos, é um direito dele. Afinal, se o Felipão ganha essa fortuna para ficar em décimo lugar (!) no Brasileiro, por que o treinador que comandou o time campeão não ganharia?
O que causa espanto e indignação é que o presidente santista, Luis Álvaro Ribeiro, aceite pagar essa quantia ignorante. Logo ele, que chegou falando de gestão moderna, governança administrativa e tetos salariais para tirar o time do buraco financeiro em que se encontra.
Assim caminha a louca caravana dos aflitos. Pobre futebol brasileiro. Já é essa gastança. Imagina quando chegar o dinheirão da TV.
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