30 janeiro 2012

ritafamíliarestart A Rita Lee não tem mais idade para ovelha negra

Rita Lee quis se aposentar em grande estilo, mas pagou de tia caduca. Ao xingar os PMs durante seu show em Sergipe, ela imaginava ser consagrada como a última roqueira do pacotinho. O máximo que conseguiu foi a solidariedade inútil de twitteiros insones.

Teria dado mais certo se ele fosse fazer um show gratuito para os desalojados do Pinheirinho. Muito mais gente aplaudiria seus palavrões, e talvez suas ofensas à polícia até fizessem algum sentido.

O rock morreu, bebê. E com ele, a rebeldia. Faz tempo. A idade pesa. E a galera está mais a fim de começar a dançar na balada de sábado. Nossa, nossa.

Usar um palco e um microfone como embaixada ou território livre exige muita responsabilidade. E um discurso minimamente relevante. É um ato de coragem. O que a tia Rita fez foi covardia. Chilique.

Imagina se aquela plateia não fosse composta de garotos anestesiados por substâncias soníferas? Se levassem a sério o rompante da ex-roqueira e decidissem enfrentar a sétima cavalaria? Era isso que a dona Rita almejava? Ou foi só síndrome de pânico de quem não consegue mais enfrentar multidões?

Nunca saberemos. Mas era uma grande oportunidade para a cantora se retirar em grande estilo. Deixar saudades de suas cantigas que jamais foram subversivas e, quem sabe, se  despedir na boa. Ela não tem mais idade para ser a ovelha negra da família.

Que o bom senso prevaleça e o governo arquive as acusações de desacato e apologia ao crime. Rita Lee não é uma marginal. Se for, está inimputável. Sempre pertenceu à nata da música brasileira. Não tem herdeiros. Deixem o rock brasileiro descansar em paz.

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3 novembro 2011

A juventude é a esfuziante fase da vida reservada para os mais dignos arroubos de rebeldia e subversão. Graças aos jovens inconformados, a roda da história não para de girar. Digo isso inspirado nos estudantes que invadiram a USP em protesto contra a presença da PM no campus. Eles desmoralizam completamente essa tese. (Leia mais aqui)

É isso que acontece quando não há motivo nenhum para reclamar. Os hormônios ficam saltitando no corpo desses meninos privilegiados e aí eles precisam extravasar. Daqui a pouco eles se formam e não vão ter nenhuma história heróica pra lembrar. Pronto, bate o desespero e desandam para a arruaça.

Ver esses rapazes e garotas escondendo o rosto como terroristas afegãos me emociona. Eles pertencem a alguma facção criminosa? Os atos de vandalismo, o discurso vazio mas raivoso, seus slogans e gritos de guerra anacrônicos e desengonçados, tudo isso é muito comovente.

post provocador Protesto na USP é comovente
Essas pobres crianças precisam de apoio. Talvez, eventualmente, uma bomba de gás e um cassetete civilizatório, só pra dispersar e impedir que viaturas policiais sejam incendiadas por causa de um baseado. Coisa leve, pedagógica, só para contar com orgulho para os netinhos.

Ser juventude transviada não é para qualquer geração. Nem todos têm a cara limpa, muito menos a cara pintada com as cores da bandeira. Já a babaquice é atemporal, não precisa de preparo, basta rastejar e colher. Numa universidade pública, então, na melhor do país, é preciso um certo esforço para ser cretino. Parabéns a todos os envolvidos.

Vamos abraçar esses jovens inquietos e beligerantes. São a elite em formação. Nossos futuros líderes. Não é caso de polícia. Eles só precisam de uma causa, mesmo que perdida. Ainda estão procurando.

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1 junho 2011

Quando vemos um carro da PM atravessar sinal vermelho, correr em velocidade proibida ou fazer barbeiragens no trânsito, sabemos que nada vai acontecer com seu tripulante. A não ser que seja um policial honesto atrás de algum bandido. Porque aí o bicho pega, e ele será severamente punido. O policial, é claro.

É o que está acontecendo com o soldado Rogério Weiers. Ele corre o risco de perder o terreno onde mora com a mulher e dois filhos, em Embu (São Paulo). Isso porque, em 1999, durante uma patrulha, trocou tiros e perseguiu um veículo suspeito na contramão da rodovia Régis Bittencourt.

Na perseguição, o carro da polícia bateu em outro, que sofreu perda total. Os marginais fugiram. E aí começou o pesadelo de Weiers: a Procuradoria Geral do Estado quer que o soldado pague pelo prejuízo material. Essa dívida, na época de R$ 9.716, hoje está em torno dos R$ 50 mil.

É que o Estado é muito rigoroso, todos sabemos. Os caras são durões, não é mesmo? Como não deram moleza nem fizeram acordo sobre a forma de pagamento, a solução que acharam foi a de tomar a única propriedade do PM. Um terreno modesto, onde fica uma residência humilde, em parte ainda sem reboco. Casa de trabalhador.

E assim seria feito, se o soldado, no mais legítimo desespero, não postasse um vídeo na internet contando sua história. Em cinco dias, foram mais de 11 mil exibições. Os paisanos compraram a briga do policial. E vários colegas também se dispuseram a ajudar.

Desabafo,o Governo do Estado de São Paulo penhorou minha casa. por thevideos no Videolog.tv.

Fosse ele um servidor público corrupto, um meliante fardado, jamais estaria passando por isso. Primeiro, teria arrumado testemunhas falsas. No máximo, pagaria a despesa com o dinheiro do tráfico de drogas ou da bandidagem pura e simples.

Mas como é um homem humilde, mesmo usando com distinção o uniforme da Polícia Militar, teve que atingir a mídia para ser ouvido em seus direitos. Ele quer pagar. Assume o erro. Acha justa a sua punição. Mas quer ser tratado com respeito.

Para a procuradoria, aí já é pedir demais. Quem mandou não ter grandes advogados, amigos poderosos ou dinheiro para propinas? Está pensando que o Estado é duro com todo mundo? Não. Todos sabemos. Milhões são desviados dos cofres públicos, sem que retorne um único centavo.

Nada a ver com as mansões dos grandes traficantes, aquelas que nunca são confiscadas, nem mesmo localizadas. O Estado está preocupado em botar seus homens na rua. Literalmente.

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24 março 2011

Cada povo tem  a polícia que merece. E a nossa, em linhas gerais, é violenta, assassina e corrupta. As imagens dos sete policiais militares atirando em um jovem de 14 anos, no Amazonas, são chocantes, vergonhosas e assustadoras. Mas, sobretudo, exemplares.


Qualquer brasileiro que não seja cínico sabe o quanto é sensato temer a PM. No caso de Manaus, a maioria dos envolvidos já tinha antecedentes criminais.

A impunidade que cerca a Polícia tem diversas origens. O corporativismo é uma delas. Mas o núcleo desse comportamento psicopata vem da própria população. As pessoas "de bem" querem mais é que os meganhas desçam a lenha nos "elementos".

Bandido bom é bandido morto. Essa pérola da barbárie já foi lembrada aqui neste blog. Só existe polícia violenta porque tem gente que gosta.  Bom proveito.

Que cada um de nós saiba distinguir até que ponto é conveniente ou inadmissível manter essa máquina de matar em que se transformou a PM em todo o país.

O que não é possível, lamento informar, é ter a garantia de que pessoas "inocentes" não serão vítimas. Esse raciocínio é torto de nascença, porque presume que pessoas "culpadas" podem ser massacradas sem perdão.

Não podem. É essa a questão. Mesmo um bandido não pode ser executado a sangue frio, longe dos tribunais e das prisões para onde devem ser vigorosamente encaminhados.

Abrir esse precedente, mesmo que mental, é delegar a soldados despreparados e mal pagos o poder de julgar quem merece viver ou morrer.

Isso não é conversinha do "pessoal dos direitos humanos". É apenas medo de ser confundido e fuzilado.

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14 janeiro 2010

anamara arquivopessoal PM no BBB é falta de QI ou o quê?

Uma das participantes desta edição do Big Brother Brasil chama-se Anamara e é da Polícia Militar da Bahia. Claro que a corporação não aprovou a participação da moça no programa. Nem sabiam da história. Ela vai dançar bonito.

É o que se espera, pelo menos. Tá pensando o quê? Que vai posar nua na Playboy de coturno e, hum, pistola e cassetete? Expulsem essa mulher já! Tirem o uniforme dela antes que ela mesma faça isso em rede nacional. Falta de decoro.

Só de ter feito inscrição para o programa já é motivo para sindicância. Até que enfim um Tribunal Militar vai ter a oportunidade de fazer justiça de verdade.

Que o sonho dos 15 minutos de fama virou febre epidêmica, ok. Quem não tem talento para ser artista fica se humilhando em frente a qualquer câmera, pagando mico, dançando como siri. Problema deles.

O futuro costuma reservar para a maioria desses irmãos o castigo do mais absoluto esquecimento. Viram pó em meses. Ficam deprimidos, vão catar coquinhos em Itacaré.

O que não dá é um servidor público da mais alta responsabilidade se prestar a um vexame desses. Nem de moralismo se trata, e olha que nesse caso até cabia. É questão de respeito à farda. Senso de ridículo.

Ela não é dançarina, stripper, DJ, estudante de teatro. Ela fez concurso público para lutar contra o crime, defender a sociedade. Mas, no fundo da sua alma, ela quer mesmo é ser famosa, dar entrevista pro Faustão.

Queria ver essa donzela subindo o Morro do Dendê, arriscando a vida como seus colegas. Ela participaria de um reality, só que realmente. Ia ter traficante pedindo autógrafo e posando pra foto de celular. Só depois a mandariam pro paredão.

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