19 março 2010
Os Estados Unidos estão pressionando o Brasil a cortar relações com o Irã. Afinal, eles são inimigos mortais, certo? Como sempre, não é bem assim. Os dois países são parceiros numa guerra: contra as drogas.
E acabam de fechar um acordo em quem se tornam colaboradores bilaterais no sangrento combate ao tráfico e consumo de substâncias ilícitas. Nisso eles se entendem.
O negócio dos dois é dar porrada. A prioridade? Fortalecer a indústria bélica. O Irã, por convicção. Os EUA, por dinheiro mesmo.
Eles enfrentam o narcotráfico com armas. Militarizam o assunto. Como se resolvesse. Mas é só pretexto para expandir seu poderio. Os norte-americanos constroem bases militares fora do seu território com essa desculpa.
As drogas são mais um problema de saúde pública do que uma questão militar. O mundo se recusa a legalizar o consumo. E assim retroalimenta o crime organizado.
Mesmo os que são contra a legalização hão de convir que essa guerra não tem fim. Nem terá. Há décadas são gastas fortunas nessa política, sem que os traficantes recuem um centímetro sequer.
O Reagan esbravejava que a luta contra as drogas ocorreria dentro e fora do território norte-americano. Mas o que ele queria mesmo era combater o comunismo. Era truque.
Pretexto. Sempre foi. Os norte-americanos, todo mundo sabe, são campeões mundiais no consumo de substâncias proibidas. Não por acaso.
O Irã pune o tráfico, em qualquer quantidade, com a pena de morte. Em praça pública, enforcam o condenado e o deixam pendurado em hastes de guindastes por horas.
Cerca de 60% das execuções ocorridas no Irã envolvem a venda de drogas proibidas, incluído o álcool. Por lá, todo ano, são executadas cerca de 350 pessoas. Credo. E mesmo assim o tráfico continua florescendo.
Esses dois países fracassam vergonhosamente no combate às drogas. Mas querem mais guerra. São viciados nisso.
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