1 novembro 2011

Peralá. Em meus mais recentes posts sobre a cobertura da imprensa nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara eu tenho sido acusado de bater demais na Globo, de ser parcial, disso e daquilo também. Ok, entendido.

Mas ao ver a imagem abaixo, como não denunciar a parcialidade daqueles que têm como objeto de seu trabalho criticar a mídia e o que ela mostra.

reproducao E se fosse na Record?

Sim, caro internauta. São eles mesmos. O apresentador e editor-chefe do Globo Esporte, Tiago Leifert, e o comentarista e ex-jogador de futebol Caio Ribeiro... VESTIDOS DE MONSTROS! Um como vampiro e outro de Frankenstein.

Agora, a pergunta que está no título deste post: e se fosse na Record?

Fui buscar alguns predicados que a chamada imprensa especializada usou para se referir aos narradores e comentaristas da Record durante o Pan.

Vou de uma vez só: exagerados, afetados, ufanistas ao extremo, desproporcionais, sem-conteúdo, sem-noção, cheios de gracinhas de mau gosto, inconvenientes etc. Isso na Record.

Quando o assunto é Globo, o cidadão se veste de vampiro, coloca o outro de Frankenstein sob o pretexto de Dia das Bruxas e... a crítica diz que são engraçadinhos, bem-humorados e muito criativos!

Calma, aí! Fátima Bernardes sambando com os jogadores na Copa do Mundo é bacana, Galvão Bueno se esgoelando na final de 94 é supimpa e agora Leifert e Caio de monstrinhos são simpáticos porque tudo é na Globo?

Nenhum deles é exagerado? Ninguém aí é afetado? Galvão e Fátima não são ufanistas? Isso aí em cima não é gracinha de mau gosto?

O que os jornais e portais estariam dizendo se na foto acima estivessem dois integrantes da Record? Será que eu preciso responder?

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10 maio 2011

recordXglobo blog Mais um pouco e a Globo vira Record

Em entrevista a Mauricio Stycer, crítico de TV do UOL, o diretor-geral da Globo, Octavio Florisbal, assume, com aquele jeitão autossuficiente, que a emissora vai ter que correr atrás do prejuízo. E da Record, quem diria!

Até que enfim o governo Lula começou para a Rede Globo. Como sempre, com décadas de atraso, a Velha Senhora percebe que o Brasil mudou. Mais um pouco e vai ter que aceitar que vivemos em uma democracia.

Observem o que diz o texto, logo no início:

“No embalo do crescimento econômico recente do país e das projeções otimistas para os próximos anos, a Rede Globo aprofundou um processo de modificações em sua programação para atender a uma nova clientela: a emergente classe C. As mudanças afetam as áreas de novelas, os programas de humor e o jornalismo. E objetivam deixar a programação mais popular. A nova classe C, na visão da emissora, quer se ver retratada nas telas.”

Eureka!

Então, quer dizer, finalmente, que a “popularização” que a Record pratica há anos, sempre sob o olhar arrogante e presunçoso dos oráculos globais, estava certa? Mais um pouco e a Globo renegará as elites deste país, a quem tão bem serviu.

Jornalismo popular a Record sempre fez, com a clara intenção de se comunicar com as classes C, D e E, que, para o executivo (vejam só), “têm uma vida própria, com características próprias. Nós precisamos atendê-los”. Incrível. Visionário, não é mesmo?

Telejornais conversados, reportagens com plano sequência, inteligíveis para todos, e com temas pertinentes à vida de qualquer cidadão comum fazem parte do noticiário da Record há anos. Por algum milagre, deixarão de ser apelidados de “sensacionalistas” e “apelativos”.

Percebam o quanto um homem pode se regenerar, nas sábias palavras de Florisbal: “Eles têm que ver a sua realidade retratada nos telejornais. Eles querem ter uma linguagem mais simples, para entender melhor.” Eles quem? A classe média “emergente”.

Mais um pouco e a Globo admitirá que existem pobres neste país! E é capaz até de colocá-los em sua programação, sempre tão elitista, repleta de milionários em seus jatinhos, nas novelas em que os ricos e canalhas sempre se dão bem.

Na Record, favela é cenário desde Vidas Opostas, novela de 2006. Repito: 2006. Pela entrevista, somos advertidos que a próxima novela de Aguinaldo Silva vai se passar na “periferia”. Uau. Que revolução.

Capaz de vermos gente humilde vestida com roupas humildes na tela da Globo. Como farão com os merchandisings? Fiquei curiosíssimo.

Florisbal, mediúnico como ele só, percebeu que houve em nosso país uma forte “mobilidade social ocorrida em função do crescimento da renda e do emprego”.

Talvez isso explique a crise por que passam o PSDB e o DEM (não, não mudei de assunto). Mais um pouco, uma década talvez, e a Globo vai perceber que o governo Lula acabou. Entrou uma mulher no lugar. É o que dizem por aí.

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22 fevereiro 2010

vancouver abre O que mais a Globo esconde?

Inúmeros colegas da imprensa já deram o recado: a audiência dos Jogos Olímpicos de Inverno foi surpreendente. Quem achava que a Record ia entrar numa fria se deu mal.

O povo não é bobo. É capaz de ligar seu televisor para conhecer e se encantar com novidades. O brasileiro é curioso e tem bom gosto. Não é o estúpido que alguns barões da mídia acham.

O que me interessa discutir aqui não são as estranhas regras do curling ou do skeleton, mas as entranhas de outro jogo. O de esconde-esconde. Não aquele da infância de todos nós. Mas a brincadeira que a Globo faz com seus telespectadores.

A Velha Senhora detinha os direitos de transmissão dos Jogos de Inverno há anos. Mas o escondeu de todos nós. Pagou para não exibir. Nem deixar que outros exibissem. Encastelada no Jardim Botânico, decidiu o que uma nação gostaria ou não de acompanhar. Talvez porque nos julgue estúpidos demais.

Mas tão estúpidos que a Globo resolveu simplesmente ignorar os Jogos de Vancouver. Não deram um segundo sequer sobre esse fenômeno que tomou conta das nossas telinhas. Esconderam de novo! Em resposta ao Estadão, que no último dia 19 publicou a pergunta óbvia (por que vocês não falaram dos Jogos de Inverno?), veio a arrogância.

Descreve o jornal: "a emissora alega que não falou sobre o evento porque não viu fato 'relevante' (um competidor morreu em uma prova), não possui os direitos de transmissão - que foram da Globo até 2006 e agora são da Record - e porque não possui ninguém de sua equipe lá cobrindo. Opa: e a turma do Sportv?", conclui a colunista Keila Gimenez.

Traduzindo: em 2006 foram realizados os Jogos de Inverno de Turim, na Itália. Lembra? Não, ninguém pode lembrar, só os executivos mestres globais.

A morte do atleta georgiano, no luge, foi tão irrelevante que a imprensa mundial noticiou. Sobre a turma do Sportv, eles são da Globo, estão lá, dividem a cobertura de inúmeros outros eventos, vivem usando microfone com o logotipo das duas emissoras, mas neste caso... e agências de notícias? Coitada, a Globo não deve assinar nenhuma delas.

Esse esconderijo platinado é bem amplo, nele cabe um montão de coisas. Nesse esconde-esconde, ficamos sem ver as Diretas Já. Esconderam mais de um milhão de pessoas no comício do Anhangabaú. O Lula só apareceu quando virou presidente da República. Aí não dava mais pra esconder.

Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes não tiveram a mesma sorte. Sumiram.

Precisaram morrer para aparecer. Aí já era tarde. Só de uma coisa eu não reclamo. A Glória Maria pode continuar escondida.

A Globo, pensando bem, escondeu o quanto pode a história do Brasil. Quem estudar nosso país pelos arquivos do Jornal Nacional nem vai saber que houve uma ditadura militar.

Por isso, temos que torcer para que a concorrência aumente. Para que não haja líder absoluto, concentração de poder, esconderijos.

Aí, sim, a Velha Senhora vai ter que se esconder. De vergonha.

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22 novembro 2009

Acabo de chegar, ainda nem deram crachá e já me vejo em meio a um tiroteio.

Até a Sabrina Sato sabe que a Record tem inimigos declarados. A Folha de S.Paulo e a Globo fazem questão de deixar isso bem claro. OK, legítimo. Ninguém é obrigado a ir com a cara do outro.

Mas sair por aí falando pelas costas e espalhando mentiras, que coisa feia.

Ainda essa semana passada, ocorreu mais um round dessa briga que ninguém vai apartar. Dá uma olhadinha.

Que papelão, né? Um jornal tão conceituado, tem até Manual de Redação e rabo preso com o leitor. Era de se esperar que o ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, tocasse no assunto e puxasse a orelha da turma em sua coluna desse domingo, 22. Nada. Ignorou.

Conheço o Carlos Eduardo. É um cara sério, bem sisudo, com uma carreira bacana. Foi um dos mentores do Projeto Folha, que de fato modernizou o jornalismo brasileiro.

Mas parece que nessa briga ele não quer ou não pode se meter. Seria enriquecedor para todos ouvir suas ponderações sobre técnicas de apuração, manipulação e direito de resposta.

A matéria é tecnicamente uma farsa. Um texto daqueles não é publicado sem passar por uma boa dúzia de manés e uns dois ou três cabeçudos que passam as férias na Europa. Redator-chefe, editor, subeditor e repórteres que sabem o que estão fazendo. São pagos pra isso.

O ombudsman comeu bola. Ou ele também sabe o que está fazendo? Será que o representante dos leitores da Folha concorda com essa orquestração? Porque ele, que já foi maestro, ficou só no pianinho.

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