3 novembro 2011

A juventude é a esfuziante fase da vida reservada para os mais dignos arroubos de rebeldia e subversão. Graças aos jovens inconformados, a roda da história não para de girar. Digo isso inspirado nos estudantes que invadiram a USP em protesto contra a presença da PM no campus. Eles desmoralizam completamente essa tese. (Leia mais aqui)

É isso que acontece quando não há motivo nenhum para reclamar. Os hormônios ficam saltitando no corpo desses meninos privilegiados e aí eles precisam extravasar. Daqui a pouco eles se formam e não vão ter nenhuma história heróica pra lembrar. Pronto, bate o desespero e desandam para a arruaça.

Ver esses rapazes e garotas escondendo o rosto como terroristas afegãos me emociona. Eles pertencem a alguma facção criminosa? Os atos de vandalismo, o discurso vazio mas raivoso, seus slogans e gritos de guerra anacrônicos e desengonçados, tudo isso é muito comovente.

post provocador Protesto na USP é comovente
Essas pobres crianças precisam de apoio. Talvez, eventualmente, uma bomba de gás e um cassetete civilizatório, só pra dispersar e impedir que viaturas policiais sejam incendiadas por causa de um baseado. Coisa leve, pedagógica, só para contar com orgulho para os netinhos.

Ser juventude transviada não é para qualquer geração. Nem todos têm a cara limpa, muito menos a cara pintada com as cores da bandeira. Já a babaquice é atemporal, não precisa de preparo, basta rastejar e colher. Numa universidade pública, então, na melhor do país, é preciso um certo esforço para ser cretino. Parabéns a todos os envolvidos.

Vamos abraçar esses jovens inquietos e beligerantes. São a elite em formação. Nossos futuros líderes. Não é caso de polícia. Eles só precisam de uma causa, mesmo que perdida. Ainda estão procurando.

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20 outubro 2011

A reportagem do R7 sobre venda de bebida alcoólica a menores de idade em bares de São Paulo serve como aperitivo para o que se anuncia como mais uma iniciativa estúpida e demagógica.

Essa Lei Antiálcool é daquelas ações de forte apelo popular que vai ficar cambaleando por aí, sem nenhum efeito prático. Se algo ocorrer, o mais provável é que seja alguma injustiça.

Essa matinê da Lei Seca tem tudo para se tornar mais um show de mídia para o governo de São Paulo. Não vai mudar um dígito sequer nos índices de alcoolismo entre jovens.

Mas talvez convença os desavisado de que alguma providência foi tomada por nossas autoridades. Balela. Novamente, Legislativo e Executivo cometem a proeza de implantar uma lei que já existe. Esse tipo de engodo não tem mais fim?

Qualquer cidadão sabe que a venda de bebidas a menores não faz parte de um complô de donos de bares, padarias e supermercados para arruinar o caráter da juventude brasileira.

Conheço poucos lugares que permitem deliberadamente o consumo de álcool por menores. Quando existem, estão na periferia, em meio a tráfico de drogas, evasão escolar, omissão da família e ausência do Estado.

A maioria dos meninos e meninas que consomem bebidas o faz na rua, território pelo qual o maior responsável é o governo. Raramente ficam sentados nos bares arrumadinhos para onde os valorosos fiscais vão se dirigir, atrás dos holofotes e câmeras de TV.

Fico imaginando um dono de posto de gasolina, desses que vivem abarrotados de jovens que não têm outra opção de lazer, escalando funcionários para exigir que a garotada mostre seus documentos. Inclusive, obrigar alguém a se identificar não é poder exclusivo da polícia?

Com certeza, esse desleixo será rapidamente corrigido e redobrado o olhar para eventuais menores que aparentam mais idade. E depois desse evento fabuloso, o que restará?

Desconfio que as multas seriam eficientes se aplicadas aos pais que permitem a seus filhos vadiar pela cidade  e chegar em casa visivelmente bêbados.  Também poderiam fiscalizar os churrascos de domingo e as festinhas de família, onde a birita corre solta até na mão de crianças.

Muito mais confortável para todos é transferir responsabilidades. Cuidar dos próprios filhos é um porre.

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3 agosto 2011

Dia do Orgulho Hétero. Mas que veadagem é essa? Sempre achei essa ideia engraçada e jamais acreditei que alguém pudesse pagar o mico de levar isso a sério. Que patético.

Quando sai do campo da brincadeira, esse tipo de iniciativa, de tão esdrúxula, desperta piedade e compaixão. São pessoas que se sentem oprimidas as que chegam a esse ponto de desespero.

Que os gays manifestem seu orgulho, é compreensível. Sofreram milênios de opressão, obrigados a ocultar seu desejo numa vida miserável e repleta de medo. Foram perseguidos, humilhados e mortos apenas por serem o que são.

Que heterossexual pode se julgar assim, massacrado e oprimido? Em que armário essa turma se escondeu esse tempo todo? O que lhes tem sido negado? Hum, aí tem coisa.

O pessoal que agasalhou essa parada precisa vir a público se explicar melhor. Do jeito que está, a vizinhança vai começar a tirar conclusões apressadas, com alguma razão. Quer dizer que o povo da cidade de São Paulo está se sentindo sufocado?

Me incluam fora dessa. Às vezes até que eu sinto um calorzinho, nada que um chope não resolva. Passou disso, ligo para uma amiga e boto a conversa em dia. Nessas horas, é bom evitar aglomerações ou passeatas.

De qualquer forma, sou incondicionalmente a favor da liberdade de expressão. É um direito constitucional. Quer sair na rua, de terno e gravata, gritando que é homem? Ui. Vai em frente e se joga, bró.

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5 julho 2011

O prefeito Gilberto Kassab é um fenômeno político. Criou um modelo de gestão que consiste em não fazer absolutamente nada sério pela cidade de São Paulo, a não ser destruí-la. Conseguiu se reeleger assim.

Em um requinte de nulidade, criou um partido assumidamente sem ideologia: “Não é de direita, nem de centro, muito menos de esquerda”. Tamanha sinceridade poderia até merecer elogios, se ignorássemos o que isso quer dizer. Sabiamente, o tal PDB já foi apelidado em Brasília de Partido da Boquinha.

Enquanto isso, Kassab avança em seu projeto de tornar a vida do paulistano ainda mais insuportável. Enquanto as enchentes não voltam, ele se ocupa em bancar o Estádio do Corinthians com dinheiro público, numa das maracutaias mais indecentes da história da República.

Não bastasse São Paulo ser uma metrópole árida e feia, a prefeitura decidiu doar uma área verde de 20 mil metros quadrados, com diversos equipamentos sociais e de lazer num bairro nobre da cidade.  A empresa que assumir o terreno, provavelmente para erguer espigões e impermeabilizar o solo, terá que construir 200 creches em contrapartida.

Aí fica clara a dupla incompetência da gestão Kassab. Além de ser incapaz de manter um terreno que empresta alguma dignidade urbanística à capital, assume de público ser incompetente para construir creches. É um atestado de inépcia, arrogância e burrice que vai entrar para a história da falência do poder público neste país.

Como só está para brincadeira, Kassab, o boneco Chucky da administração municipal, na mesma semana, conseguiu que a Câmara reajustasse o salário do próprio prefeito e de seus secretários. O cara é um Highlander, um Freddy Krueger, um Coringa!

Nada mal, para quem veio do nada, chegar assim a lugar nenhum. Ainda bem que ele não pode mais se reeleger. Era até capaz. O paulistano, quando vai às urnas, é um pesadelo. Só elege vilões.

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15 junho 2011

O estádio do Corinthians deveria mudar o nome de Itaquerão para Itaquerendo. Porque, ih!,  tá querendo é mamar nas tetas de todos os paulistanos. Quem vai pagar o pato é o povo de São Paulo.

O prefeito Gilberto Kassab enviou para a Câmara um projeto que prevê um pacote de R$ 420 milhões em incentivos para o time construir sua “arena”. De leões. É simplesmente o maior abono fiscal já concedido pela prefeitura. Um assalto.

Itaquerendo que não só a Fiel, mas são-paulinos, palmeirenses, santistas e até os contribuintes que não gostam de futebol ajudem nessa vaquinha imoral para levantar um estádio que vai nascer inútil e infame.

Se o Corinthians quer ter um palco para suas exibições, que o construa com o dinheiro do clube e de seus patrocinadores. A cidade de São Paulo não pode, não deve e não tem de colocar um único centavo nessa obscenidade.

Qualquer cidadão esclarecido sabe que é dinheiro jogado no lixo. Tudo porque o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não aceita que a abertura da Copa seja no Morumbi. Pela única e exclusiva razão de estar brigado politicamente com o São Paulo.

Por conta dessa guerra de cartolas, a capital paulista já perdeu o direito de sediar a Copa das Confederações. O prazo para dar garantias de que o estádio será construído se esgota dia 28 de julho. Por isso a correria aos cofres públicos.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, já declarou que é amigo de gângsteres. Problema dele e da polícia. O nosso é impedir que sejamos tratados como um bando de trouxas.

O futebol brasileiro está caindo de podre com tanta roubalheira. Está passando da hora de botar essa gente pra correr. Vamos colocá-los para fora de todos os estádios. A começar pelo Itaquerendo.

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31 maio 2011

“O mundo é redondo, mas está ficando muito chato”. O Barão de Itararé sabia das coisas, tanto que escreveu essa frase décadas antes de Gilberto Kassab entrar para a vida pública. Um visionário.

Mas o prefeito de São Paulo não está sozinho em sua cruzada por uma vida completamente ordinária. Milhões de insetos o acompanham na missão de criar proibições e regras sobre picuinhas e detalhes da vida animal.

Uma dessas ingerências tem se propagado pelos formigueiros: condomínios que multam aqueles que se atrevem a dizer palavrões durante jogos de futebol.

Alguns estádios também adotaram essa norma que promete acabar com a violência nos gramados, arquibancadas e churrascos na laje. Agora vai.

Realmente, atingimos um grau de civilização que nos permite legislar sobre essa questão vital. Alguns síndicos punem casais que ousam se amar em decibéis acima do que os mal-amados julgam aceitável.

A maioria sempre será medíocre. Inclusive aquela que profere “palavras de baixo calão” na vida privada, mas não as admitem na sacada do vizinho. É a ditadura da gentinha.

A palavra “hipocrisia” está gasta pelo uso. Nem vale a pena repeti-la. Melhor adotar o termo “doença social” mesmo. Essa epidemia de vigilância e cerceamento é irreversível.

E por aí segue a caravana. Nada mais se cria, tudo se proíbe. Como não conseguimos erradicar a miséria, logo será vetada a existência de pobres. Bem que já tentaram antes, sem sucesso. Mas agora os tempos são mais favoráveis. Medo.

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13 janeiro 2011

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, diz que não se resolve o problema das enchentes em 24 horas. Esquece que seu partido está no poder há 16 anos. Ficará mais quatro.

A Sabesp abre as comportas da represa Paiva Castro e inunda Franco da Rocha e outras cidades. Porém, esquece de criar um plano de emergência e avisar a população a tempo de uma evacuação segura.

O governo federal libera R$ 780 milhões para ajuda aos desabrigados. No entanto, esquece que deixou de usar R$ 1 bilhão da verba prevista em 2010 para prevenção de enchentes.

A população paga com vidas pelo descaso e falta de planejamento das autoridades. Mas nunca se lembra de jogar lixo no lixo e evitar construir em áreas de risco.

Daí, a conclusão de que chuvas em excesso causam problemas de memória. E quem mais sofre são os esquecidos de sempre. Uma vergonha.

Chega de hipocrisia. Chega. Basta. Dizer que a tragédia absurda a que assistimos é decorrência de "causas naturais" é uma ofensa à nossa inteligência. É uma indignidade. Cinismo assassino.

Entra ano, sai inundação, nada muda. As águas das chuvas molham as mãos dos corruptos. Precisamos lavar nossas almas nelas também. Chega. Basta.

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23 julho 2010

Gente esforçada me comove. Por isso estou emocionado com a iniciativa de construírem um estádio para 50 mil pessoas em Itaquera (leia mais). Seria do Corinthians, claro. Mas também para a Copa de 2014.

Não é genial, gente? Depois de Pirituba, Itaquera! Todos juntos pela redenção da sofrida periferia de São Paulo. A Unesco e o Teleton deveriam ser chamados para patrocinar esse negócio.

O povo humilde de São Paulo merece esse mimo. O de receber turistas vindos de toda parte do mundo. Daquela forma acolhedora que é a marca dessas regiões desassistidas.

Imaginem que enriquecedor seria para um grupo de turistas alemães poder atravessar a Radial Leste em horário de pico? Ou se dirigir a pé ao estádio vindo sabe-se lá de onde? A não ser que esteja desfrutando da imensa rede hoteleira da Zona Leste da cidade.

provocador São Paulo fora da Copa seria uma pobreza?

E as opções de lazer na saída do espetáculo? Todos sabemos como é imensa a oferta de teatros, cinemas, restaurantes e casas noturnas no pedaço. Tanto que os moradores de lá nem reclamam disso.

Tudo pela bagatela de R$ 600 milhões, se quiser receber a abertura dentro dos padrões FIFA de qualidade. Mixaria muito bem aplicada.

Mas só para complicar, tem outro grupo pleiteando que o estádio seja construído em Guarulhos. Claro, mais uma excelente opção, pela facilidade de acesso. É só pegar a Dutra e pronto. Pápum. Descendo em Cumbica, normal.

Fica faltando apenas a candidatura de Osasco. Porque o que não dá é para São Paulo ficar fora dessa festa. Seria uma pobreza.

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17 maio 2010

O Kassab não tem mais jeito. Esse homem precisa casar! Quem sabe assim para de fazer bobagem. Ele tem que dar uma dentro, pelo menos. Agora cismou de fechar as boates da Praça Roosevelt. O homem realmente implica com a coisa.

Não bastasse o quanto ele atormentou o proxeneta careca do Bahamas, lembra, o Oscar Maroni? Ficou tão em cima do cara que até na cadeia o infeliz foi parar, acusado de explorar a prostituição. Inocente, disse depois a Justiça.

Sabe aquela lorota de defensor dos bons costumes? Ah, cansei. Jânio Quadros, pelo menos, era bem-humorado e só fazia essas cretinices quando estava sóbrio.

Kassab Vamos esperar que o próximo prefeito assuma

Mas sempre tem a turma que gosta de proibir a felicidade alheia. E que acha possível uma metrópole como São Paulo ser administrada como uma diocese do interior.

O projeto de revitalização da Praça Roosevelt é usado como justificativa para a desapropriação das boates Kilt e My Love. Puro xaveco de moralista.

A prefeitura tem sido tão incompetente nessa reforma que o Banco Interamericano de Desenvolvimento, financiador do projeto, cortou parte do dinheiro reservado. Fora os R$ 2,7 milhões desviados. Isso sim, uma imoralidade.

Essa obra simplesmente vai ficar no papel. Está trancada em algum armário, e de lá não sai.

Mas o prefeito não perde a oportunidade de fazer demagogia. Como não tem o que mostrar, vive de factóides. Esse é mais um, com uma agravante.

A prefeitura nunca fez nada pela praça, que sofre um terrível processo de degradação. Quem segura as pontas e impede que o local seja dominado por nóias e bandidos, é exatamente o pessoal das boates.

Junto com os bares e teatros vizinhos, dão vida e segurança ao pedaço. Pois são eles sempre os que recebem multas, autuações e pressão do poder público omisso e irresponsável. Que beleza.

A contagem regressiva para que Kassab saia do cargo é o que resta para a cidade. Uma hora acaba essa frescura toda. Já que o Kassab não faz nada, vamos esperar que pelo menos o próximo prefeito assuma. Ui.

 

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10 maio 2010

Temos uma das polícias mais assassinas do mundo. E ainda tem gente que gosta. Enquanto cidadãos ignorantes apoiarem a violência do Estado, seremos um país de bandidos fardados.

O Brasil conhece a violência da PM há muito tempo. Qualquer pessoa sabe que a polícia humilha, achaca, tortura e mata. Provas e testemunhos existem aos borbotões. Recentemente, inclusive.

Quantos inocentes ainda terão de morrer nas mãos de psicopatas (mal) remunerados por dinheiro público? Não há Justiça que dê conta do que sabemos ser um crime que se repete diariamente, e sempre contra pobres.

Se essa corporação agressiva, descontrolada, ao menos diminuísse os índices de criminalidade, o discurso dos justiceiros faria algum sentido. Mas não. Continuamos uma nação em guerra civil.

Apoiar a matança, mesmo que de marginais, é apenas estupidez e sadismo. No entanto, é o que se vê nas TVs, nas ruas, nas pesquisas. Um estímulo a que os policiais ajam como carniceiros.

Quando ficamos sabendo da morte de um inocente, assistimos a uma apoteose de cinismo. Até os vingadores mais implacáveis entram para o coro da indignação. Hipócritas.

A maioria dos brasileiros apóia o policial rambo, truculento e mortal. Bandido bom é bandido morto. Se algum infeliz morre nesse campo de batalha, azar dele. Ninguém mandou ser trouxa de estar no lugar errado, não é mesmo?

Um minuto de silêncio é o bastante para aliviar a consciência. Depois, podem voltar a descer porrada. Atirem primeiro, perguntem depois. Continuem a ensaguentar os quartéis. Tem gente que gosta.

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