23 julho 2010

Gente esforçada me comove. Por isso estou emocionado com a iniciativa de construírem um estádio para 50 mil pessoas em Itaquera (leia mais). Seria do Corinthians, claro. Mas também para a Copa de 2014.

Não é genial, gente? Depois de Pirituba, Itaquera! Todos juntos pela redenção da sofrida periferia de São Paulo. A Unesco e o Teleton deveriam ser chamados para patrocinar esse negócio.

O povo humilde de São Paulo merece esse mimo. O de receber turistas vindos de toda parte do mundo. Daquela forma acolhedora que é a marca dessas regiões desassistidas.

Imaginem que enriquecedor seria para um grupo de turistas alemães poder atravessar a Radial Leste em horário de pico? Ou se dirigir a pé ao estádio vindo sabe-se lá de onde? A não ser que esteja desfrutando da imensa rede hoteleira da Zona Leste da cidade.

provocador São Paulo fora da Copa seria uma pobreza?

E as opções de lazer na saída do espetáculo? Todos sabemos como é imensa a oferta de teatros, cinemas, restaurantes e casas noturnas no pedaço. Tanto que os moradores de lá nem reclamam disso.

Tudo pela bagatela de R$ 600 milhões, se quiser receber a abertura dentro dos padrões FIFA de qualidade. Mixaria muito bem aplicada.

Mas só para complicar, tem outro grupo pleiteando que o estádio seja construído em Guarulhos. Claro, mais uma excelente opção, pela facilidade de acesso. É só pegar a Dutra e pronto. Pápum. Descendo em Cumbica, normal.

Fica faltando apenas a candidatura de Osasco. Porque o que não dá é para São Paulo ficar fora dessa festa. Seria uma pobreza.

Veja mais:

+ Leia mais sobre futebol no R7
+ Leia os principais destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

17 maio 2010

O Kassab não tem mais jeito. Esse homem precisa casar! Quem sabe assim para de fazer bobagem. Ele tem que dar uma dentro, pelo menos. Agora cismou de fechar as boates da Praça Roosevelt. O homem realmente implica com a coisa.

Não bastasse o quanto ele atormentou o proxeneta careca do Bahamas, lembra, o Oscar Maroni? Ficou tão em cima do cara que até na cadeia o infeliz foi parar, acusado de explorar a prostituição. Inocente, disse depois a Justiça.

Sabe aquela lorota de defensor dos bons costumes? Ah, cansei. Jânio Quadros, pelo menos, era bem-humorado e só fazia essas cretinices quando estava sóbrio.

Kassab Vamos esperar que o próximo prefeito assuma

Mas sempre tem a turma que gosta de proibir a felicidade alheia. E que acha possível uma metrópole como São Paulo ser administrada como uma diocese do interior.

O projeto de revitalização da Praça Roosevelt é usado como justificativa para a desapropriação das boates Kilt e My Love. Puro xaveco de moralista.

A prefeitura tem sido tão incompetente nessa reforma que o Banco Interamericano de Desenvolvimento, financiador do projeto, cortou parte do dinheiro reservado. Fora os R$ 2,7 milhões desviados. Isso sim, uma imoralidade.

Essa obra simplesmente vai ficar no papel. Está trancada em algum armário, e de lá não sai.

Mas o prefeito não perde a oportunidade de fazer demagogia. Como não tem o que mostrar, vive de factóides. Esse é mais um, com uma agravante.

A prefeitura nunca fez nada pela praça, que sofre um terrível processo de degradação. Quem segura as pontas e impede que o local seja dominado por nóias e bandidos, é exatamente o pessoal das boates.

Junto com os bares e teatros vizinhos, dão vida e segurança ao pedaço. Pois são eles sempre os que recebem multas, autuações e pressão do poder público omisso e irresponsável. Que beleza.

A contagem regressiva para que Kassab saia do cargo é o que resta para a cidade. Uma hora acaba essa frescura toda. Já que o Kassab não faz nada, vamos esperar que pelo menos o próximo prefeito assuma. Ui.

 

Veja mais:

+ Kassab doa terreno para Faculdade Zumbi dos Palmares
+ Kassab defende demolição do Minhocão
+ As notícias da cidade de São Paulo no R7
+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

10 maio 2010

Temos uma das polícias mais assassinas do mundo. E ainda tem gente que gosta. Enquanto cidadãos ignorantes apoiarem a violência do Estado, seremos um país de bandidos fardados.

O Brasil conhece a violência da PM há muito tempo. Qualquer pessoa sabe que a polícia humilha, achaca, tortura e mata. Provas e testemunhos existem aos borbotões. Recentemente, inclusive.

Quantos inocentes ainda terão de morrer nas mãos de psicopatas (mal) remunerados por dinheiro público? Não há Justiça que dê conta do que sabemos ser um crime que se repete diariamente, e sempre contra pobres.

Se essa corporação agressiva, descontrolada, ao menos diminuísse os índices de criminalidade, o discurso dos justiceiros faria algum sentido. Mas não. Continuamos uma nação em guerra civil.

Apoiar a matança, mesmo que de marginais, é apenas estupidez e sadismo. No entanto, é o que se vê nas TVs, nas ruas, nas pesquisas. Um estímulo a que os policiais ajam como carniceiros.

Quando ficamos sabendo da morte de um inocente, assistimos a uma apoteose de cinismo. Até os vingadores mais implacáveis entram para o coro da indignação. Hipócritas.

A maioria dos brasileiros apóia o policial rambo, truculento e mortal. Bandido bom é bandido morto. Se algum infeliz morre nesse campo de batalha, azar dele. Ninguém mandou ser trouxa de estar no lugar errado, não é mesmo?

Um minuto de silêncio é o bastante para aliviar a consciência. Depois, podem voltar a descer porrada. Atirem primeiro, perguntem depois. Continuem a ensaguentar os quartéis. Tem gente que gosta.

Veja mais:

+ Secretaria afasta comandantes após morte do motoboy
+ Mãe acusa PMs de matarem seu filho na Zona Sul
+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

7 maio 2010

O prefeito Aquassab é um enrolão. E acha que o povo é burro. Essa conversinha de demolir o Minhocão é pra boi dormir.

Nem original essa ideia é. Volta e meia, na falta do que apresentar para a cidade, vem um picareta com esse tipo de artifício. Só que, de tanto usar, esgarçou. Está ficando irritante. Já deu. Chega.

Reurbanização do centro, fim da cracolândia, revitalização da região da Paulista, da Praça Roosevelt, o escambau. Tudo papel que vai pro lixo. É até antiecológica essa demagogia.

É o chamado factóide. Embuste. Para dar a falsa impressão de que estão trabalhando. A imprensa não tem saída e vai lá, acender holofotes para os falastrões.

Ninguém acredita que um governante deste país seja capaz de promover uma ação que só vá se concretizar daqui a 15, 20 anos. Lorota. Vejam as marginais. Em vez de retirar aquela aberração, ampliaram.

Claro, resolver demoraria décadas. Isso seria tarefa para estadistas, não para síndicos de espeluncas. Essa gente não é séria. Estamos lascados.

O prefeito de São Paulo é incapaz de implantar um único quilômetro de corredor de ônibus. Nem unzinho. E aparece posando de administrador visionário? Tenha dó.

Minhocão Minhocão do Kassab é de mentirinha

Foto: Rosana Hermann

Não temos nem sequer um Plano Diretor de verdade. Não há gestor público que ouse planejar ações que efetivamente nos tirem desses infernos chamados metrópoles.

São Paulo é a mais triste representante dessa falência administrativa. Somos o pesadelo do urbanismo. O caos da arquitetura. O armagedon da civilização.

Ok. Ok.  Estou sendo bairrista, confesso. O Rio de Janeiro está bem pior.

Veja mais:

+ Demolição do Minhocão pode levar caos ao trânsito
+ Veja imagens da obra, inaugurada em 1971

+ Todas as notícias de São Paulo no R7
+ Conheça todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

12 fevereiro 2010

É bom passar o carnaval em São Paulo. A cidade fica sem os paulistanos. E é a única forma de fugir das estradas entupidas e saguões de aeroportos lotados.

Os congestionamentos e filas, os estressados e endinheirados, os tipinhos mais grosseiros, são todos transportados para lugares até então paradisíacos. Não há destino – do sítio do sogro ao mais extorsivo resort – que escape da horda em fuga.

E são muitas as opções ficando por aqui. Promover uma festa de arromba em casa sem que os vizinhos possam reclamar. Praticar o ócio sagrado. Ficar vendo na TV o quanto descendemos dos macacos. Evoé.

Não consigo entrar no clima de histeria consentida dos sambas-enredo, axés, trios elétricos, tambores e danças tribais. Morro de tédio vendo aquele monte de gente explodindo de alegria.

Carnaval é um surto coletivo muito estranho. As pessoas ficam pulando e suando no meio da rua. Argh. Ou correndo em círculos num salão lotado. Afe.

Isso sempre me pareceu uma catarse mais apropriada a povos nórdicos ou de libido refreada por séculos de civilização. Nada a ver com um país como o nosso, que exala safadeza o ano todo e não precisa de efemérides para soltar a franga.

Carnaval foi feito pra mulherada. Elas ficam ainda mais nuas e podem se contorcer freneticamente ao som dos atabaques. É a dança do acasalamento em sua plenitude. Que bonito é.

O resto são homens babando e exercendo ao extremo a capacidade de ser ridículo. Ai, que falta faz o Clóvis Bornay. Aquele sim sabia do que se tratava.

Veja mais:

+ Todas as notícias do Carnaval no especial do R7
+ Motoristas devem viajar durante a madrugada
+ Rei Momo carioca recebe a chave da cidade
+ Todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

11 fevereiro 2010

Metropolis93 Querem transformar São Paulo numa cidade dormitório

A região da rua Augusta, no centro de São Paulo, há uns sete anos, era uma área degradada, reduto de skinheads, assaltantes e drogados. Um movimento espontâneo foi levando para lá bares e casas noturnas. As ruas se encheram de jovens em busca de alegria e descontração. A violência e a insegurança diminuíram sensivelmente.

Quando o clima de festa se consolidou, apareceu o poder público. A prefeitura, que não fez absolutamente nada pela recuperação daquele espaço, começou a promover dezenas de blitze, multando e fechando as baladas. Que beleza.

Na praça Roosevelt, um único morador, incomodado com a “bagunça”, conseguiu retirar as mesinhas que enfeitavam as calçadas. Parabéns. Com a rua deserta, voltaram os nóias e ladrõezinhos violentos. O tal morador agora pode dormir em paz, enquanto pessoas são baleadas por lá, de madrugada.

Já a famosa região dos Jardins chegou a ter uma das vidas noturnas mais animadas da cidade. Abrigava mais de 30 boates só nas imediações da rua da Consolação. Era um espetáculo.

Nos últimos dez anos, paulatinamente, cada um desses espaços foi fechado. Mesmo os que tinham alvará. Todos os órgãos de fiscalização baixavam por lá de uma só vez. Um massacre. Não sobrou ninguém para animar a festa.

Os abastados moradores do pedaço comemoram essa vitória. Conquistada com a inestimável ajuda da prefeitura. A mesma cuja lei de zoneamento define como misto o uso daquela região. Lá não é uma zona estritamente residencial. Mas ficou sendo. E aí está o xis da questão.

Diferentemente de uma zona restrita a moradias, nessas áreas mistas, não só pode como é desejável que se abram pontos comerciais. É isso que dá vida, riqueza e dinâmica a uma metrópole. A diversidade.

Isso não é um problema só de Sampa. O jornal francês Le Monde recentemente apelidou Paris de “Capital Europeia do Tédio”. Pelo mesmo motivo, as leis que sufocam a vida noturna.

Semana passada, um grupo de empresários entregou ao prefeito de lá uma petição com 14 mil assinaturas. Eles querem uma regulamentação mais branda e horários de funcionamento flexíveis para bares e boates.

Em Amsterdam, na Holanda, botecos são multados se seus clientes beberem em pé na varanda. Só pode sentado! Um manifesto de moradores angustiados questiona o excesso de regras: “O que está acontecendo?! Quem pediu isso?!”. Boa pergunta.

Como já disse, se você não é um careta amargo e sombrio, deveria estar seriamente preocupado. E começar a combater essa fúria fiscalizatória.

O executivo e o legislativo municipal precisam discutir e entender qual a vocação de uma cidade como São Paulo. Estimular uma vida heterogênea, vibrante, moderna. Criar regras rígidas para o uso misto e estimular zonas boêmias, que fiquem no meio do caminho entre a casa e o trabalho.

Por algum motivo melancólico, a maioria das pessoas não sai à noite para se divertir. Ficam em casa, mofando. É um direito delas. Digamos que, para 70% da população, a cidade poderia apagar todas as luzes depois das dez da noite. Isso é de dar calafrios. Credo.

Veja mais:

+ São Paulo dá recado em seu aniversário
+ Mudança na Lei Rouanet pode irritar a patotinha
+ Todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

25 janeiro 2010

Em seu aniversário, São Paulo está dando um recado muito claro. Basta. Parem. Assim não dá. Após 456 anos, a metrópole está exausta. Vai sofrer um colapso. Nervoso.

A cidade está debaixo d'água. Encharcada, ilhada, paralisada. Centenas de famílias desabrigadas não têm por que parabenizar essa cidade tão desumana.

E tão acolhedora. Que recebe outras centenas de imigrantes e migrantes diariamente. E lhes dá trabalho e perspectiva. Tão rica, tão grandiosa.

E desigual. Que ostenta palácios e barracos, helicópteros e carroças, o lixo e o luxo. Sob a violência urbana mais cruel. Uma cidade que mata.

E onde floresce a cada momento um país melhor, mais rico. A locomotiva da nação avança, ganha volume, não para de enriquecer. Mas cobra seu preço.

Chega de desmandos. De ser mal administrada, não ter planejamento, ser explorada em cada centímetro. Chega de poluição, enchentes, lixo, congestionamentos, sequestros, incompetência.

São Paulo não suporta mais ser tão maltratada. Por políticos reacionários, cidadãos irresponsáveis, visitantes oportunistas. Chega.

Parem com os arranha-céus, a especulação imobiliária, as novas faixas nas marginais, os rios emparedados, os miseráveis nas ruas. Parem de sufocar a maior cidade do país.

Basta dessa história de que nela convivem os extremos, os opostos, as contradições. São Paulo tem uma vocação, e só uma. Ser uma metrópole do mundo, cosmopolita, universal.

E ser a capital da gastronomia, dos bares com mesas nas calçadas, das casas noturnas, de todas as artes, das universidades, das tribos, da tolerância, dos bairros arborizados, dos parques públicos, do futebol. Da modernidade.

São Paulo já perdeu muito tempo sendo destruída. E se vendo obrigada a reagir com a força da natureza. O recado está dado. Ai de quem não ouvir.

Veja mais:

+ São Paulo comemora 456 anos com várias atrações; veja a programação
+ Os prefeitos que se afoguem
+ Todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A