30 janeiro 2012

ritafamíliarestart A Rita Lee não tem mais idade para ovelha negra

Rita Lee quis se aposentar em grande estilo, mas pagou de tia caduca. Ao xingar os PMs durante seu show em Sergipe, ela imaginava ser consagrada como a última roqueira do pacotinho. O máximo que conseguiu foi a solidariedade inútil de twitteiros insones.

Teria dado mais certo se ele fosse fazer um show gratuito para os desalojados do Pinheirinho. Muito mais gente aplaudiria seus palavrões, e talvez suas ofensas à polícia até fizessem algum sentido.

O rock morreu, bebê. E com ele, a rebeldia. Faz tempo. A idade pesa. E a galera está mais a fim de começar a dançar na balada de sábado. Nossa, nossa.

Usar um palco e um microfone como embaixada ou território livre exige muita responsabilidade. E um discurso minimamente relevante. É um ato de coragem. O que a tia Rita fez foi covardia. Chilique.

Imagina se aquela plateia não fosse composta de garotos anestesiados por substâncias soníferas? Se levassem a sério o rompante da ex-roqueira e decidissem enfrentar a sétima cavalaria? Era isso que a dona Rita almejava? Ou foi só síndrome de pânico de quem não consegue mais enfrentar multidões?

Nunca saberemos. Mas era uma grande oportunidade para a cantora se retirar em grande estilo. Deixar saudades de suas cantigas que jamais foram subversivas e, quem sabe, se  despedir na boa. Ela não tem mais idade para ser a ovelha negra da família.

Que o bom senso prevaleça e o governo arquive as acusações de desacato e apologia ao crime. Rita Lee não é uma marginal. Se for, está inimputável. Sempre pertenceu à nata da música brasileira. Não tem herdeiros. Deixem o rock brasileiro descansar em paz.

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16 janeiro 2012

Monique e Daniel <i>BBB</i>: a realidade deu um show

Que barraco, hein? O BBB virou caso de polícia, exatamente por tentar camuflar a realidade. Reality show? Pegou mal.

Vai ser uma vergonha daquelas. Beco sem saída. A tal Monique, bêbada e inconsciente, foi ou não abusada pelo tal Daniel? Tanto faz. O fato é que a produção do programa retirou os vídeos do ar, numa tentativa desastrosa de impedir que o público tirasse suas próprias conclusões.

Pior. Tentou ludibriar a audiência passando a versão de que houve um romance entre os dois bebuns. Aquilo pode não ter sido estupro ou sevícia, mas namoro é que não foi. Desde quando uma pessoa desacordada troca carícias consensuais?

Papelão maior que uma das participantes ser submetida a exame de corpo de delito? Difícil imaginar. Eles vão televisionar o interrogatório? E a arrogância da Globo em querer “negociar” com a polícia como isso será feito? Enlouqueceram?

O que mais chama a atenção é a burrice do Boninho, diretor geral do BBB. Ele estava com uma baita história na mão, mas preferiu trocá-la por um embuste de quinta categoria. Fraquinho, o cara. Suspeita de abuso sexual não se resolve editando ou apagando imagens.

Acuado, o Danoninho acabou expulsando o garotão resfolegante, mas só depois de fazer a Monique dizer que foi tudo numa boa... Então o chefão coagiu a pobre e indefesa mocinha? Isso não seria crime também? São milhões de testemunhas.

Não há como essa falcatrua acabar bem. Perdeu, playboy. Realidade não é espetáculo para qualquer um. Olha só a vida ensinando como se faz uma boa ficção.

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8 abril 2011

u2 U2 e o rock do bem, para reciclagem

A banda da Pastoral da Juventude desembarca novamente no Brasil.  Legítimo representante do rock do bem, politicamente correto e paladino dos fracos e oprimidos, o U2 está de volta.

Tem gosto pra tudo. Músicas de antigamente ainda fazem sucesso com a gurizada que não consegue decorar as letras de Restart e Justin Bieber. OK.  Saudosismo não tem idade.

Mas o grupo do tio Bono Vox já deveria estar tocando no Bar Brahma ou em um boteco da Vila Madalena. Com renda revertida para algum asilo, claro.

Numa época materialista e egocêntrica como a nossa, é impressionante que algum músico enriqueça caminhando e cantando e seguindo a canção. Braços dados ou não. O U2 consegue.

Mas assim como Belchior, Rita Lee e Engenheiros do Havaí, os irlandeses não conseguem compor uma música boa há séculos.O show deles é pura nostalgia. Flashback, antologia, coisa de museu.

Viraram cover de si mesmo. Até por que, estivessem realmente em atividade, a apresentação seria em Londres, e não no Morumbi. Não por acaso, o Brasil é um país muito preocupado com reciclagem.

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26 novembro 2010

Agora que Sir Paul McCartney se foi, e não corro o risco de ser linchado, é o momento de perguntar: o que foi aquele surto coletivo de bregueira?

A Vigilância Sanitária devia ter aproveitado e trancado por fora os portões do Morumbi. Colocava uma placa de sanatório na fachada e deixava a turma lá, cantando. O índice de caretice cairia a zero na cidade.

Todos sabemos que os astros do show bizz só vêm ao Brasil depois de se aposentar. Somos uma espécie de casa de repouso para roqueiros decadentes. Justin Bieber deve se apresentar por aqui por volta de 2060.

Porque, convenhamos, Beatles é música de velho. Não por acaso os componentes da banda eram todos uns tiozinhos. Muito adequados os suspensórios do Paul, inclusive. Já aquela guitarrinha de criança achei meio estranha. Embora minha avó também tenha umas manias parecidas.

E não me surpreendeu o tratamento histérico e servil que toda a mídia dispensou ao visitante. É sempre assim, uma vergonha. Tudo capacho. São capazes de qualquer humilhação para assistir a um show de graça.

Por isso ninguém comentou que o Paul perdeu a voz, desafina, toca mal. E tropeça, como todo idoso. Ele só não esquece as letras porque canta as mesmas músicas há 50 anos. E, qualquer problema, a plateia estava lá para cantar por ele.

E ficar levantando os bracinhos, naquela coreografia ridícula de programa de auditório. E teve gente que gastou 700 contos para pagar esse mico. Help me.

Como somos hospitaleiros, e Paul é de fato um lorde, todo mundo combinou de dizer que foi um espetáculo antológico, histórico e inesquecível. Coisa pro contar pros netos. Historinhas de vovô.

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9 julho 2010

DJ Whoo Kid blog2 Vamos retribuir a gentileza do rapper preconceituoso?

Foto: Jim Cooper/AFP

Já que brasileiro adora um saguão de aeroporto, que tal recepcionar o DJ Whoo Kid, que trabalha com o rapper 50 Cent? Levem vuvuzelas. E camisinhas. E antibióticos. Já explico.

O ilustre artista desconhecido desembarca aqui esta semana para uma série de shows. Deve embolsar uma grana legal. E, se for esperto, o malandro vai pedir desculpas de joelhos.

"Isso é terrível, a única porcaria pelo que o Brasil é conhecido é por sexo, mulheres e Aids. Ah, sim, e futebol". Essas frases são dele. Coisa fina. Pura elegância. Precisamos retribuir.

Graças ao Twitter, ficamos sabendo dessas demonstrações de admiração e carinho. Arrumando as malas para nos visitar, o cara postou: “Todo mundo está dizendo para eu levar camisinhas - Jesus!".

Seus seguidores também recomendaram trazer muitos antibióticos na bagagem. Que legal. Alguém lembrou de dizer: traga um pouco de respeito. Mas é pedir demais.

O interessante é que o cara é haitiano. Sabe do que está falando, portanto. E o seu chefe, o tal que vale cinquenta centavos, aproveitou a farra para declarar que ama as brasileiras:

"Elas são muito lindas! Espero trazer uma delas para casa quando eu voltar". Não é meigo? Alguém se candidata?

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