5 maio 2011

Não há nada mais boiola do que a expressão “união homoafetiva”. Casamento gay não é um termo claro o suficiente? Precisava dar esse enfrescalhada no vernáculo? Cansei.

Pelo menos, é um assunto a menos a ocupar nossa agenda fashion. O Supremo Tribunal Federal está dando por encerrado o assunto: homossexuais têm o direito legal de estabelecer uniões civis estáveis com seus parceiros.

A rigor, não houve debate. Os adversários da proposta, salvo exceções raríssimas, esgrimiram argumentos toscos, vociferantes, preconceituosos e truculentos como uma conversa de bofes bêbados após o futebol de domingo. Afe.

Não dá pra entender que o mundo pode ser mais alegre e saltitante, cada um cuidando do que é seu? Tenho vontade de dar uma lampadada na cabeça de gente assim, que implica com a sexualidade alheia. Eu que os veja andando na Avenida Paulista!

O que ninguém pergunta é por que os gays insistiram tanto nesse assunto. Séculos de opressão e o que eles reivindicam é serem tão infelizes como os heterossexuais? Bom proveito.

Casamentos injustificáveis eu vejo por aos montes. Famílias indecorosas compostas de homens e suas respectivas mulheres. Não posso fazer nada por eles.

O comediante americano Henry Youngman definiu bem esse conflito humano: “O homem não sabe o que é a verdadeira felicidade até que se casa. Mas aí já é tarde demais”.

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20 agosto 2010

pimenta neves Pimenta Neves, uma década de impunidade

Hoje, 20 de agosto de 2010, faz dez anos que Sandra Gomide foi morta de forma covarde e traiçoeira. O assassino confesso da jornalista permanece em liberdade.

Antônio Marcos Pimenta Neves aguarda que dois recursos extraordinários impetrados por seus advogados sejam julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

Não se trata de direito de defesa. É unicamente a demonstração de como não existe justiça neste país. É um escárnio. Um insulto.

Completamos hoje uma década de vergonha e revolta para todos nós brasileiros. Não há desculpa ou argumento que justifique essa indecência.

Neste país, os poderosos não cumprem pena. Cadeia aqui é coisa de pobre e otário. Nossas leis foram feitas para proteger facínoras endinheirados.

Pimenta Neves não é o único criminoso que está confortavelmente em casa esperando a morte chegar como se fosse uma absolvição.

E mesmo que seja condenado, dos 15 anos de prisão que lhe cabem, ele cumprirá no máximo 1 ano e 8 meses. Depois disso poderá entrar em regime semiaberto. É assim que funciona.

Em resumo, não será feita justiça. Só nos resta praguejar e ruminar a desesperança? Não. Isso é pouco. É uma derrota.

Vamos todos aprisionar assassinos como Pimenta Neves. Trancafiá-los para sempre em nosso desprezo. Sentenciá-los.

Mas sobretudo condenar os legisladores a reescreverem nossas leis. É justo.

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30 março 2010

A horda enfurecida em frente ao Fórum de Santana deveria se reunir novamente. Na porta do Supremo Tribunal Federal. Para perguntar por que o casal Nardoni saiu do julgamento e foi posto novamente na prisão. Que injustiça é essa?

Eles nem réus confessos são. E o Pimenta Neves, que nunca negou ter assassinado a também jornalista Sandra Gomide? Sim, ele deu dois tiros na ex-namorada, um pelas costas e outro no ouvido. Pois o animal ainda está solto, apesar de condenado desde 2006, quatro anos após o crime.

pimenta neves agliberto lima AE Por que os Nardoni não estão soltos como o Pimenta Neves?

Depois de julgado em primeira e segunda instâncias, o ex-diretor de redação de O Estado de S. Paulo até agora só pagou um ano e onze meses das quase duas décadas de prisão que deveria ser obrigado a cumprir.

Graças ao Supremo, que lhe deu o direito de aguardar em liberdade até que se esgotem todas as falcatruas jurídicas que a Corte lhe assegura. Não é assim que funciona a Justiça deste país?

Esse é o chamado princípio da presunção da inocência, segundo o qual ninguém pode ser considerado culpado antes que todos os recursos da defesa sejam julgados à exaustão.

Ou isso só vale para quem tem dinheiro para pagar bons advogados? Os mesmos doutores que tripudiam dos que acreditam que um assassino confesso precisa ir para a cadeia.

Temos o direito de saber. O Pimenta Neves aguarda a apreciação de seus infinitos recursos muito bem instalado no seu casarão na Chácara Santo Antônio, bairro nobre de São Paulo. Vive de duas boas aposentadorias privadas. É de cortar o coração. A facadas.

Recursos jurídicos servem para evitar que o acusado seja vítima de alguma injustiça. Mas, no Brasil, são usados para um único fim: o de garantir a impunidade dos endinheirados.

Sabe aquelas pessoas que não precisam trabalhar e ficam cuidando da vida alheia? As caricaturas de paladinos da Justiça? Os heróis anônimos que covardemente hostilizam familiares de réus e agridem fisicamente advogados de defesa?

Pois então. Chamem a Gloria Perez e façam algo realmente útil. Deem mais uma mãozinha para que o bem triunfe sobre o mal. Que armem o circo romano da vingança para exigir que os monstros sejam castigados.  Toda fúria é pouca nessas horas.

Se os desocupados que saíram de suas casas para fazer algazarra têm alguma vergonha na cara, faço um pedido. Se realmente estão preocupados com a Justiça, que peguem um busão até Brasília. E armem seus barracos na frente de quem tem algo a dizer. O Supremo Tribunal Federal merece dormir com um barulho desses.

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5 março 2010

O Supremo Tribunal Federal vai julgar este ano a constitucionalidade da política de cotas raciais que foi implantada em algumas universidades públicas.

O tema é polêmico pra caramba. Mas aposto que vai prevalecer a visão de que o Brasil precisa encontrar mecanismos para compensar os séculos de opressão a negros e índios.

Que somos um país injusto, grande novidade. E bota injustiça nessa história. Somos perversos, isso sim. Nossa concentração de renda é uma ofensa à humanidade. Dizem que melhorou um pouquinho. Não é o que vemos nas ruas. Enfim.

Igualdade é tratar de forma desigual as coisas desiguais. Touché. Esse mandamento marxista é irrepreensível. Não dá para discordar. Todos deviam se guiar por ele.

estudos A cor da pele não torna um miserável melhor que o outro

Mas temos tantas desigualdades que praticar esse lema é um desafio para toda a nação. Por onde começar? E onde isso vai parar? Some-se o fato de sermos um país miscigenado. Um samba do crioulo doido.

Só tenho a convicção que os desiguais no Brasil têm algo em comum: são pobres. Negros, brancos, mulatos, mamelucos são em sua maioria marginalizados pela pobreza.

Esse deveria ser o ponto. Se devemos ter uma política de cotas, que ela seja por critérios socioeconômicos. Existem (poucos) negros ricos. Eles não precisam de ajuda. Existem milhões de brancos pobres. A cor da pele não pode tornar um miserável melhor que o outro.

Como também sabemos que a maioria dos negros é discriminada economicamente, ela também seria a maioria dos assistidos por essas políticas afirmativas. Simples, não?

Mas falo isso tudo bem baixinho. Tem um monte de racista por aí. Nem adianta argumentar com eles. Já começam a chamar todo mundo de vagabundo e preguiçoso. Duro é quando um pobre pensa assim. Esse que se dane.

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