18 outubro 2011

série <i>Beavis and Butthead</i> estão de volta, imbecil!

A ideologia do politicamente incorreto deve muito a uma dupla de adolescentes imbecis que se prepara para voltar à telinha. A MTV americana vai exibir 12 novos episódios da série Beavis and Butthead.

Junto com Os Simpsons, esses jovens agressivos, descerebrados e cruéis enterraram definitivamente o pudor e ingenuidade que marcavam o humor que entediava a programação dos canais abertos na década de 90. Século passado, meninos. Eu vi.

Para os que achavam que piadas infames e desalmadas surgiram com Pânico e CQC, essa informação é relevante por um simples aspecto: eles, diferentemente de Rafinha Bastos & cia, conseguiam ser engraçados.

A importância de Beavis and Butthead é historicamente indiscutível. Praticavam uma espécie de bullyng democrático, porque indiscriminado. Prepararam o terreno para que South Park se tornasse um fenômeno de audiência nos EUA.

Um país que teve Ronald Reagan e os Georges Bush como presidentes precisa de alguma válvula de escape para suas psicoses. Melhor do que metralhar alunos em pátios de colégio, com certeza.

Cumpriram uma espécie de missão civilizatória ao contrário. Mostraram como o ser humano pode ser desprezível e infinitamente cretino. Implantaram a barbárie que tão bem ilustra nosso novo milênio. E só.

O balanço que podemos fazer desse tipo de humor é lamentável. Se abriu portas de entrada, por outro lado, nos deixou sem saída. Que herança restou, além da estupidez e grosseria?

Ninguém quer a volta de tortas na cara e piadas de salão. Mas seria demais esperar que esses bandoleiros saiam das trincheiras que cavaram com ousadia e coragem? Venceram a batalha para quê? Para se acomodarem? Apenas pelo direito de humilhar minorias, coçar o saco e cuspir no chão?

Iconoclastas e subversivos movem o mundo. Para frente e para trás. Quando ressuscitam rebeldes, é o caso de ficar preocupado. Antigamente, as pessoas eram mais modernas.

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2 junho 2011

cqc blo provocador Humor custe o que custar sai caro e não é nem um pouco engraçado

Eu me encontrei por acaso com Marcelo Tas semanas após a badalada estreia do CQC, há uns três anos. Na despedida, brinquei: diante do sucesso, cuidado para não entrar em pânico. Ele não gostou da piada.

Talvez porque ele fosse o alvo da brincadeira, talvez por não gostar da ironia alheia. Tanto faz, é a mesma coisa. O fato é que o trocadilho era bom. E se mostrou muito pertinente.

Logo de cara, não me deixei levar pelo entusiasmo dos que viam no programa da Band um exemplo de juventude e inteligência a serviço do humor e do jornalismo.

Primeiro, porque nem as duas primeiras nem os dois últimos costumam se misturar. Segundo, porque nada disso prospera na TV. Foi questão de tempo para que a máscara caísse.

Não a máscara de palhaço, porque esse nobre papel a notória vaidade dos integrantes do programa jamais permitiria assumir. Eles não estão lá para divertir ninguém, mas para se divertirem. Custe o que custar.

Parafraseando Ferreira Gullar, o humorismo não foi feito para humilhar ninguém. Eu, particularmente, não vejo graça em pessoas serem expostas ao ridículo. Fico indignado, apenas.

E o CQC repete esse truque à exaustão. É sempre a mesma piada, com os mesmos personagens, semana após semana. Um porre, portanto. Há quem viva bêbado, e os que gostem de se sentir assim, bem sei. Ainda mais se as vítimas dessa embriaguez forem pessoas poderosas. Já que políticos nos ferram tanto, eles que se ferrem também. Poderia até ser, mas não é o caso.

Seria, se esses paladinos do humor brasileiro realmente enfrentassem os corruptos, os demagogos e os canalhas. Mas não. Tirando raríssimas exceções, quem vai para o cadafalso são insignificantes figuras do terceiro escalão das mazelas deste país.

Funcionários públicos de carreira, prefeitos de cidadezinhas, assessores e aspones, sub-celebridades que merecem mais piedade que desprezo. É essa a fauna que alimenta o apetite do programa em parecer inovador e corajoso.

Lamento, mas acho que o humorismo que eles fazem é covarde. E o jornalismo é de tocaia. Induções a erro, armadilhas. Caçadores de cabeça, quase mercenários.

Sintomática é a profusão de merchandisings. Todos muito bem feitos, criativos, dinâmicos. Diria até que é o que há de mais ousado. Talvez saibam fazer dinheiro mais do que provocar risadas.

Ok, normal. Hoje em dia, todo mundo quer ganhar uns trocados. Milhões de trocados, de preferência. Ainda mais tirando uma da cara dos outros.

A edição, não há dúvidas, é o que dá sustentação ao programa. Moderna, ágil, esperta. Aqueles narizes de Pinóquio, as bochechas vermelhas, as marteladas na cabeça, quase sempre são esses efeitos gráficos que nos levam a esboçar algum sorriso.

Mas esses recursos de pastelão são também essencialmente desonestos. O entrevistado não tem como se defender. Pode estar falando algo digno, mas que sucumbirá a uma torta na cara. E as piadas, convenhamos, são tristes. Alguns exemplos:

“Será que o Lula, como pai solteiro do PAC, vai molhar a chupetinha numa pinga pra relaxar a criança?”

“É aqui a reunião da máfia? “, perguntam a um parlamentar, na porta da festa de aniversário de José Dirceu, que “deu o primeiro pedaço de seu bolo de aniversário a Belzebu.”

“Cid Moreira é um dinossauro vivo da TV brasileira.”

“Ronaldo Ésper incendeia a rosca”.

Ao vivo, o jogador santista Paulo Henrique Ganso não confirma sua ida ao Corinthians antes da transferência para a Europa. Um dos moços da bancada diz, soberano:

“É como se falassem para o príncipe William: Tudo bem, você pode casar com a gostosa da Kate, mas primeiro tem que dormir seis meses com a Regina Casé”. Não é hilariante chamar uma mulher de feia?

Numa festa, o “repórter” fica esculachando anônimos alcoolizados. Quando chega a Andrea Beltrão, lambe a atriz como se fosse um fã. Diante do ator Paulo Cesar Pereio, fica miudinho. Quanta rebeldia, né?

Não é justo esquecer as pérolas que Danilo Gentili e Rafinha Bastos desovaram em seus respectivos twitteres. São perversidades antológicas:

"Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que chegaram perto de um metrô, foram parar em Auschwitz".

“Aê, órfãos! Dia triste hoje, heim?”, em pleno Dia das Mães.

Sem comentários. Eu não consigo rir de nenhuma dessas maldades. Para mim, isso tudo simplesmente não é engraçado. É mau gosto, grosseria, apelação ou deselegância. Apenas.

Não é o caso de fazer patrulha contra esse anedotário chinfrim. Se alguém quer sintonizar na deles, bom proveito. Deve haver quem goste, com certeza.

Mas já deu tempo de colocar algumas coisas em seus devidos lugares. O CQC é um programa reacionário, despolitizante, preconceituoso, repleto de piadinhas infantis.

Não por acaso, deu voz ao extremismo de Jair Bolsonaro, quando foi distorcida uma de suas respostas. Conseguiu insultar até Renan Calheiros (ao compará-lo canhestramente a Fernandinho Beira-Mar). Aposta na incivilidade. Criou monstrinhos que saem por aí fazendo molecagens.

Não é verdade que se pode fazer humor a qualquer preço, custe o que custar. O próprio lema já é de dar calafrios. E não é nem um pouco engraçado.

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24 fevereiro 2011

O Cosme Rímoli já disse quase tudo, mas como ele é um cara educado, e eu sou cascudo, posso acrescentar alguns detalhes. Essa África do Norte do futebol brasileiro é feita por mercenários a serviço dos tiranos encastelados.

A implosão do Clube dos 13 não carrega nenhum ato revolucionário. É um retrocesso, na verdade. Quando o pessoal da arquibancada perceber como seus clubes estão sendo usados, quem sabe o povão sai às ruas para pedir seu ingresso de volta.

A maneira como o Corinthians se coloca é a mais vergonhosa de todas. Bucha de canhão, mas com todo o prazer. E o principal argumento, se não fosse mentiroso, seria apenas canalha: negociar em separado para ganhar mais.

Alô! Quando alguém prefere queimar dinheiro, deixa de ser maluco e passa a ser burro. Como não existem inocentes no mundo da cartolagem, as opções que restam para descrever o caráter do incendiário se tornam impublicáveis.

No máximo, seria como um empregado pelego ir sozinho pedir aumento ao patrão, mandando o sindicato às favas. O desertor pode até tirar um troco, mas levaria uma surra da peãozada.

É fácil resumir o núcleo da questão: a Globo não quer pagar a mais pelo direito de transmissão do futebol brasileiro. Eles gostam é de monopólio! Touché! Que descoberta sensacional, não?

Se vai pagar menos que a concorrência, como os clubes poderão receber mais se negociarem isoladamente? Acorda, galera! Nessa história não cabe dúvida. É golpe.

Quando o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) acabou com a cláusula de exclusividade da Globo, parecia que as coisas poderiam se tornar mais lícitas e transparentes. O futebol não poderia continuar sendo pior que o restante da sociedade.

Melhor que isso só o modelo argentino. O governo foi lá e pagou uma fortuna para deter os direitos de televisionar o campeonato nacional. E revendeu o direito para quem quisesse. Simples, honesto e lucrativo para todos.

O estrago dessa patota que só quer trabalhar nos bastidores pode ser bem grande. Uma vergonha planetária. Nada com que já não estejamos acostumados. Mas não precisa ser assim para sempre. Nem ditaduras africanas duram tanto tempo.

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28 setembro 2010

hipertensao blog1 Compra se TV que sintonize a Globo. Favor entregar na Editora Abril

Participante pega, com a boca, olho de boi dentro de aquário cheio de larvas em Hipertensão

Que a revista Veja é uma pobreza, sempre soube. Mas não a ponto de precisarmos fazer uma vaquinha para ajudá-la a comprar um televisor que sintonize a Globo.

Semana sim, semana também, a publicação quer ensinar os outros a fazer TV de qualidade, já que jornalismo impresso eles não conseguem. Na edição desta semana, a revista da marginal subiu no palanque para criticar o que considera “apelativo”, “humilhante” e “impiedoso” na programação da Record e do SBT. Nenhuma linha sobre a Globo.

Deve ser mania de oligopólios. Eles que se acham grandões e intocáveis devem se entender muito bem. Até combinam. Devem se ver por aí.

Falta de sintonia com a emissora que não é. O que falta é eles sintonizarem o canal da Velha Senhora para aprender o que é sensacionalismo de qualidade.

Até o Faustão já pediu desculpas por fazer seu serviço, quando expôs seus anões e seu circo de domingo. E Hipertensão? A nova "sensação" de Boninho e sua trupe já bastava para demonstrar o quanto a reportagem foi parcial.

Esse programa é o requinte da crueldade. Outro dia, vi uma pizza de larvas com olho de boi sendo engolida em meio a vômitos dos participantes ao lado. Sem cortes. Quanta elegância! O site do programa descreve uma prova da seguinte maneira, bem acadêmica: "Na Prova de Eliminação desta quinta-feira, os temidos olhos de boi vieram acompanhados de miolos. Os quatro participantes na berlinda tiveram que se ‘deliciar’ no tempo máximo de dois minutos. Quem demorou mais para estourar os olhos e em seguida comer o cérebro foi o perdedor".

Estourar os olhos e o cérebro do telespectador parece ter virado especialidade da atração.

A diferença é que eles escolhem garotões sarados e mocinhas bem nascidas para o papel de cretinos. Se o elenco tiver a cara da elite branca, então pode?

TV aberta é entretenimento. Quando dá, presta serviço e informa. É um mundo difícil, para estômagos e mentes fortes. O povo quer se divertir, e tem esse direito.

Nessa hora, aparece uma revista iluminada e diz o que é bom e o que é ruim. Acusam o Lula de agir como messias, mas não perdem a chance de abrir o Mar Vermelho. Para a Globo passar.

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24 agosto 2010

Nada desmoraliza mais a classe política do que o horário eleitoral gratuito. É o ultimo degrau. O porão. Esgoto a céu aberto. Vergonha nacional.

Tirem as crianças da sala! Devia passar só de madrugada, para maiores de 28 anos, em canal fechado. É pornográfico. O Ministério da Justiça não vai tomar nenhuma providência?

Se é esse o preço que devemos pagar pela democracia, melhor dar um calote. Veja se nos Estados Unidos existe algo assim. Lá, se Mr. Tiririca quiser desfilar suas piadas ignorantes tem que pagar. E bem. Político compra espaço na TV como qualquer anunciante, afinal, são todos produtos. A maioria, com prazo de validade vencido.

São 20 mil candidatos em todo o país.  É muito picareta para cavar o fundo do poço. Duas vezes por dia, 50 minutos cada? Seria uma lavagem cerebral, se alguém assistisse. Com muito esforço, conseguimos dar uma olhada. Até a Voz do Brasil é menos insuportável.

Se existisse algum político realmente sério, estaria propondo o fim desse suplício. Alô digníssimos senhores e senhoras que tomarão posse em 2011: acabem com isso pelo bem da própria categoria. Porque horário eleitoral gratuito só pode ter sido obra de sabotagem. Coisa da CIA ou do Talibã.

Ficar vendo a escória que quer entrar para a política é um desserviço. Impor esse caríssimo desfile de horrores é pedir para ninguém ter vontade de votar. E aumentar as vendas de Dramin, Engov, Sal de Fruta e Sonrisal. Porque não dá para levar a sério.

Os bons, se é que existem, afundam na mesma lama. Não há debate nem esclarecimento. No máximo, o ilusionismo dos marqueteiros, esses parasitas ordinários.

Quando as urnas forem computadas em outubro, não haverá surpresas. Continuaremos reféns dessa gentinha oportunista e patética. Por enquanto, ao menos eles são engraçados. A tragédia vem depois.

Mas eles que arrumem outros patrocinadores. Os grandes empresários que corrompem nossa República não gostam de aparecer no rádio e na TV. São profissionais.

Não precisamos ficar vendo seus intermediários blasfemando na nossa cara. Se desligamos os aparelhos quando eles surgem, para que tanto desperdício? Vão fazer programa na rua, pô!

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16 agosto 2010

O momento mais esperado chegou. Começa nesta terça (17) o horário eleitoral gratuito. Agora nossas vidas voltam a ter sentido. Viva a democracia brasileira.

É um privilégio poder sentar com toda a família reunida em frente à TV para exercer acidadania em sua plenitude. O ápice. Não é?

Melhor que assistir aos programas, só mesmo encontrar-se depois com os amigos e discutir ponto por ponto as propostas dos candidatos. Como são ricas, originais, inteligentes, brilhantes.

Esse modelo de propaganda eleitoral é um requinte. Assim como toda a legislação sobre o assunto. Só falta proibir a eleição propriamente dita. É uma ideia...

voto Horário eleitoral, um campeão de audiência

Foto: Getty Images

Criaram um modelo em que o poder econômico prevalece. Afinal, quem quer pobreza? Basta a do povo brasileiro.

O voto obrigatório é a coluna vertebral dessa patacoada toda. É nossa maior reserva de mercado. Sem isso, a turma do palanque ia ter que se virar bonitinho.

Porque tem gente que se importa com o debate político. Sério. Assim como há os que não ligam a mínima para futebol. Juro. Matam no pleito e entram na cabine com voto e tudo.

A consciência ideológica do nosso povo vem amadurecendo. É um fato. E poderíamos avançar ainda mais. Os 20 mil candidatos que entram no ar amanhã bem que podiam ajudar.

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