27 abril 2012
Uma das bases do pensamento de esquerda, o de viés humanista, proclama que a violência social tem como principal motivo a desigualdade econômica. Em uma sociedade justa, a criminalidade seria residual.
Pois o Brasil está se esforçando para desmoralizar essa tese mais do que razoável. Taxa de desemprego baixa, distribuição de renda inédita, classe média ascendente, respeito internacional. Nada disso adianta.
Quanto mais evoluímos na cadeia alimentar capitalista, mais selvagens ficamos. Ou é impressão minha que nosso País nunca foi tão violento?
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São Paulo eu garanto que contribui muito para essa sensação de barbárie. Que os cariocas nao fiquem com ciúmes, mas a coisa aqui está feia, e vai de mal a pior, com a desvantagem de não termos morros onde instalar UPPs.
O que mais tem chamado a atenção é a brutalidade gratuita com que os bandidos tratam suas vítimas. Pode parecer ingenuidade esperar gentileza de ladrões, mas daí a agirem como sádicos vai uma distância. Já tivemos criminosos mais elegantes, garanto.
Arrastões em prédios, sequestros relâmpagos ou o mais singelo dos assaltos são cometidos com uma truculência desmesurada, quase exibicionista. Nossos criminosos fazem questão de ser cruéis. Depois reclamam da polícia, os meliantes.
E nada indica que esse quadro vá mudar. Que o digam os números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública paulista. As estatísticas são brutais. A quantidade de homicídios dolosos, quando há a intençao de matar, cresceu inacreditáveis 80% na capital, comparados março deste ano com o mesmo mês de 2011. O Estado nao fica para trás e voltou a ultrapassar a linha epidêmica de 10 mortos para cada 100 mil habitantes. Foram 1.073 assassinatos apenas no primeiro trimestre de 2012. Uma calamidade.
Claro que o governador Geraldo Alckmin deve ter alguma boa desculpa para esse recrudescimento. O PSDB aprendeu a engabelar a população, tanto que, mesmo com uma política de segurança fracassada, se mantém há quase duas décadas no poder.
O chefão da Polícia Civil foi logo dizendo que março foi "um ponto fora da curva". Ah, tá. Aumentaram também os casos de estupro, lesão corporal e tentativas de homicídio. Mas caiu o número de latrocínios, roubo seguido de morte, vejam só: 2,4% a menos de cidadãos foram trucidados! Um alívio, né?
Outro dia podemos falar da tragédia no campo, em que centenas de trabalhadores rurais, índios e ribeirinhos são mortos por ano, nos rincões desta nação que não para de crescer. Dá até medo.











