A corrupção que nos cerca

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Que a corrupção existe no futebol faz tempo, não é nenhuma novidade. Algumas das provas estão no livro "O lado sujo do futebol" de autoria dos meus colegas de profissão Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha, Amauri Ribeiro Junior e Tony Chastinet, publicado recentemente. Ali, documentos e relatos comprovam o envolvimento de dirigentes do esporte, brasileiros e estrangeiros, em corrupção, compra de campeonatos, criação de empresas de fachada e outras falcatruas que denigrem a imagem do esporte mais popular do mundo. Agora, as prisões ocorridas na Suíça a mando da justiça americana, corroboram tudo o que vinha sendo dito pela imprensa mas que a justiça brasileira, ironicamente, "não deu bola".

Mas a corrupção, sabe-se, é muito mais ampla que isso. No Brasil já faz parte da nossa história há muitas décadas e independe de partido, filosofia política ou credo. Não só no futebol, mas em todas as áreas que pudermos imaginar. Basta ler um pouquinho só de notícias ao acordar de manhã. E posso dizer sem medo que parece já fazer parte da cultura nacional. Hoje o Brasil ocupa o 69º lugar no ranking da corrupção mundial. Graças a Deus que existem ainda outros 122 mais corruptos que nós. Mas calma que ainda não contaram os escândalos da Petrobrás, Fifa e BNDES.

Podemos dizer que a corrupção aqui começou lá atrás, há mais de 500 anos, quando os portugueses desembarcaram em terras tupiniquins "comprando" os índios com bugigangas para explorar as riquezas naturais da nossa terra, principalmente o ouro. De certa forma, esse pode ser considerado o primeiro tipo de pagamento de propina registrada nos anais da história. Tudo bem que, nesse caso, a ingenuidade dos índios, na época, poderia inocentá-los de fazer parte do esquema que hoje é considerado crime. Mas quem oferecia a propina em forma de espelhinhos, enfeites, pentes e outros objetos do mundo civilizado, sabia bem do objetivo à que os presentes serviam. Infelizmente hoje, até os índios cobram pedágio para permitir a passagem de veículos em terras que foram consideradas propriedades dos seus antepassados.

E assim é desde então. O brasileiro se acostumou com a idéia de dar ou receber um "troquinho" em troca de algum benefício, seja para si ou para terceiros. E olha que isso vai desde os mais simples atos aos mais escusos e milionários negócios.

Quem é que nunca chamou um garçom, numa festa principalmente, e lhe deu uns "20 contos" para que o atendimento fosse mais eficiente? Se você está comprando benefícios de alguém, isso não é corrupção? Nesse caso, num nível que jamais vai te levar à prisão. Mas não deixa de ser um pagamento de propina (Dic: s.f. Suborno; valor em dinheiro oferecido ou pago a alguém para que esta pessoa pratique atos ilegais; quantia em dinheiro oferecida em troca de favores). Alguns vão dizer "Ah, mas isso não é um ato ilegal". Depende do ponto de vista. À luz do código penal, claro que não! Mas aos olhos dos demais presentes à festa, com certeza será - discriminação e favorecimento no atendimento.

É claro que não podemos classificar como corrupção a gorjeta, por exemplo, que aqui no Brasil acaba sendo paga depois e voluntariamente, mais como forma de agradecimento pelos serviços prestados por alguém e não pela obtenção de favores escusos. Mas dar "cinquentinha" prum guarda te liberar da multa ou para um funcionário publico adiantar sua papelada, isso sim pode ser considerado corrupção.

Acontece que só estamos acostumados a enxergar corrupção quando a coisa acontece no poder público, envolve valores mirabolantes, quando algum político ou governante recebe dinheiro de outrem para agilizar algum projeto, aprovar leis ou permitir obras e manobras que a interpretação pura e simples de uma lei não permitiria (lembremos aí do Mensalão, por exemplo). Mas atualmente, com as últimas notícias sobre o mundo do futebol e do petróleo, estamos aprendendo que a corrupção como crime mesmo não envolve apenas agentes públicos ou aqueles que elegemos para estarem no poder. Acontece também dentro de setores privados e de forma tão perniciosa quanto na área pública. E podem ter certeza: as investigações vão sim revelar mais adiante o estreito laço das entidades futebolísticas com quem está no poder dos países envolvidos.

Uma coisa é certa: só existe corrupção por que sempre tem alguém disposto a receber uma graninha a mais por algo que possa beneficiar a quem pode pagar. Agora discordo daqueles que dizem que a corrupção existe por causa de má remuneração. Pelo menos essa foi a desculpa mais esfarrapada que o vereador de Parauapebas, no Pará, Odilon Rocha, tentou dar semana que passou. O "digníssimo" parlamentar do SDD (Partido Solidariedade), acusado de envolvimento em fraudes que passam de 1 milhão de reais, em discurso na câmara municipal disse o seguinte: "O valor que o vereador ganha aqui, se ele não for corrupto, ele mal se sustenta durante o mês". Realmente deve ser difícil para um brasileiro, ainda mais no interior do Pará, sobreviver com um salário de TREZE MIL REAIS por mês! Quer dizer que todo mundo que ganha um mísero salário tem direito a ser corrupto então?

No meio político corromper e ser corrompido já é moeda de troca há décadas. Além de ganhar vultuosos salários, vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e, com salários nem tão vultuosos assim, secretários, diretores e funcionários de empresas públicas, foram ao longo dos anos construindo a história do país com negociatas criminosas que desviaram bilhões de reais dos cofres públicos. Dinheiro que seria suficiente para colocar em ordem a saúde, a segurança a educação e as obras essenciais. Quando alguém do poder público rouba ele está nos roubando hospitais, postos de saúde, escolas, viaturas e tudo o mais que nos falta hoje. A corrupção corrói a dignidade de um país e dilacera o desenvolvimento.

A corrupção é cultural em nosso país e se pratica com a cara mais lavada do mundo. É o crime que nasceu com o conhecido "Jeitinho Brasileiro", classificado apenas como uma malandragem, uma "gaiatagem" dos que se achavam mais espertos, é o ganho do dinheiro fácil em troca de um favor que não lhe custa muito. E o pior de tudo é que ainda tem gente que se vangloria de ter obtido vantagens pagando algo - seja uma carteira de motorista sem precisar fazer aulas ou uma vaga pro filho numa escola concorrida.

Acham que é possível acabar com a corrupção? A não ser que se torne um crime hediondo sem direito à fiança e com as mais altas penas, acredito que jamais. Genoíno e José Dirceu, só pra citar os mais famosos, são responsáveis pelo maior escândalo de corrupção, além do Petrolão, já registrado até hoje e, mesmo condenados, curtem suas vidas fora da cadeia. Até quando vai se permitir esse tipo de coisa? É igual ao menor que comete um crime atrás do outro porque sabe que a punição é branda.

A corrupção está no sangue do brasileiro e pode estar onde nem imaginamos que ela esteja, seja passível de punição ou não! E atire a primeira pedra quem nunca cometeu um ato de corrupção sequer. Ou você nunca deu um trocado pro flanelinha tomar conta do seu carro?

“Deveria ter ido de Taxi” é piada de mau gosto!

 Deveria ter ido de Taxi é piada de mau gosto!

Angélica e Luciano Huck: piadas de mau gosto na internet

Deixemos de lado que são dois astros Globais. Deixemos de lado que, por isso, receberam atendimento de primeiro mundo onde mal atendem gente sem um bom plano de saúde. Deixemos de lado que ambos já protagonizaram cenas ou fizeram comentários, repercutidos nas redes sociais, que não seriam "politicamente corretos". Deixemos de lado que formam uma das famílias mais famosas e invejadas do Brasil. Acima disso tudo, são seres humanos que acabaram de viver um drama. Um susto que não deveria ser alvo de nenhum tipo de brincadeira. Uma situação que poderá ser lembrada com trauma pela família pro resto da vida.

Por isso mesmo me causou demasiado desconforto os comentários e brincadeiras que vi nas redes sociais a respeito do acidente de Luciano Huck, Angélica e filhos. Essa coisa de "Ela deveria ter ido de Taxi", uma alusão à música que a lançou ao estrelato, é no mínimo escárnio pesado e menosprezo, pra não dizer algo mais grotesco.

Aliás essa é uma característica do brasileiro — usar de humor de baixo nível para tentar colocar graça naquilo em que o sentimento deveria ser de compaixão e solidariedade. É claro que virá alguém dizer que "são burgueses, que tem dinheiro de sobra, que não precisam desse tipo de sentimento". Mas devemos nos lembrar que assim como eu ou você que lê este artigo, eles também são filhos de Deus, pessoas de carne e osso que tem suas emoções e fraquezas. Independente da sua condição social ou status, não devem virar alvo de piadas de mal gosto pelo que passaram.

Ao ver a entrevista do casal numa emissora concorrente, pude perceber o pavor em seus olhos e na voz, o medo que, provavelmente, ainda vai assombrá-los por muito tempo. E não foi encenação! Afinal eles não estavam num palco. Só mesmo quem viveu algo semelhante, que passou perto da morte, que percebeu em algum momento que a vida poderia cessar naquele instante, sabe do que estou falando. E digo isso, principalmente, porque eles estavam com os filhos. E a presença de crianças, em qualquer situação complicada e de risco, sempre torna o momento mais traumático, mais temeroso.

Felizmente, as consequencias não foram graves. Mas isso não ameniza a situação. Fazer graça com a possibilidade de uma tragédia, mesmo que ela não tenha se consumado, não deveria ser coisa de gente civilizada. Angélica sim pode, se tiver condições emocionais, brincar com a situação, como fez no final da entrevista, mas esse é um direito apenas dela e de Luciano que sentiram o medo à flor da pele e vão ter de lidar com as consequências do trauma. Mas tenho certeza que a brincadeira não vai amenizar essa dor.

Você aí que fez ou compartilhou piadas sobre o acidente, pense na possibilidade real do avião ter caído mais brutalmente e da família, babás, piloto e co-piloto terem morrido na queda. Imagine uma família inteira cessar sua missão na terra tão abruptamente e tente fazer piada com isso. Será que a morte deles seria suficiente para não despertar nas pessoas essa ironia tão amarga e desnecessária? Acho que mesmo assim alguém ainda iria dizer: "Ah, deveriam ter ido de taxi!". Tentar colocar humor para tentar "descontrair" e não dar um ar tão pesado a certas situações é como encher o jiló de açúcar pra deixá-lo menos amargo. O resultado é pior do que deixar como está.

Difamação na internet: compartilhamentos perigosos!

Boataria Difamação na internet: compartilhamentos perigosos!

Um caso que cobri semana que passou me chamou a atenção em especial. Não porque tenha sido alguma coisa inédita - o que não foi. Mas pela repercussão que teve nas redes sociais e Whattsapp. A história, ou melhor, a "falsa história", era sobre uma van de uma empresa de fotografias que estaria sequestrando crianças para a retirada de órgãos em várias cidades brasileiras. Na postagem, a bizarra foto do corpo mutilado de uma criança montada ao lado de uma foto da van. O texto era uma espécie de "alerta" para que os pais tomassem cuidado com essa empresa e chamasse a polícia quando a visse nas ruas. A foto da criança, descobriu a polícia depois, foi retirada de um site estrangeiro de magia negra. E suspeita-se que a calúnia tenha sido obra de algum ex-funcionário ou até mesmo de concorrentes.

O boato teria surgido em Feira de Santana, na Bahia e se espalhou pelo Brasil. Como tudo que é besteira, bizarro ou engraçado, a postagem teve milhares de compartilhamentos no Facebook. E cada um com um texto diferente, narrando atrocidades cada vez maiores que a empresa estaria cometendo com as crianças. Tudo mentira, é claro, como a própria polícia comprovou depois.

Mas mesmo que a inverdade tenha sido comprovada, o estrago já estava feito. A empresa teve um prejuízo de quase um milhão de reais em dois meses, perdeu clientes, trabalhos foram cancelados e os funcionários das vans, que ainda continuam em circulação por algumas cidades, estão sendo ameaçados de morte e expulsos delas, como me contou um deles. E, como era de se esperar, quase ninguém compartilhou o desmentido. Até mesmo quem jogou na lama a idoneidade de uma empresa que tem mais de dez anos no mercado e já fotografou cerca de 4 milhões de crianças por todo o Brasil sem qualquer problema.

Mas não é de se estranhar tantos compartilhamentos - foram mais de nove mil. Já percebi que as pessoas, em sua maioria, não tem a mínima preocupação de checar se o que está compartilhando é verdadeiro ou não. Como foi a postagem que afirmava que Suzane Richthofen (a que matou os pais) seria "nomeada Presidente da Comissão de Seguridade Social e Família". Ou a que diz que a "Souza Cruz vai lançar o cigarro de maconha", além da que confirmava que o "governo acabaria com décimo terceiro salário", e por aí vai. Ah, tem também a de que o traficante Marcos Archer, condenado à morte na Indonésia, ganharia "uma estátua no Rio de Janeiro, por homenagem do governo". Milhares de pessoas contribuindo para que essas baboseiras sejam espalhadas pela internet como se fosse verdades puras. Até mesmo no meu grupo de amigos mesmo, vi gente de certo nível de cultura e intelecto (será?) compartilhando e comentando certos factoides sem ao menos ter pesquisado sobre eles.

E sabe onde esse tipo de coisa pode dar? No prejuízo que a empresa de fotografias citadas acima está tendo e, pior que isso, nas ameaças à vida dos funcionários que estão sendo tratados como sequestradores e violentadores de crianças. Ou, pior ainda, pode resultar na morte de uma pessoa. Alguém se lembra da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos que foi espancada por moradores do Guarujá e morreu dias depois? Pois é! Alguém, por vingança ou maldade mesmo, postou na internet que ela sequestrava crianças para usar em rituais de magia negra. Fabiane acabou amarrada e foi linchada seriamente por um grupo de pessoas que ainda gravou a barbaridade e jogou na internet como se tivesse feito justiça com as próprias mãos. Cometeram sim um assassinato! E tudo causado por um falso testemunho, uma mentira, uma difamação compartilhada irresponsavelmente nas redes sociais.

Voltando ao caso do estúdio de fotografias, por enquanto, só houve danos materiais. Mas quem garante que os funcionários não possam sofrer algo mais grave? E como a empresa irá recuperar sua imagem a partir de agora, construída em mais de dez anos de trabalho? Só queria saber como está a consciência das pessoas que contribuíram com a calúnia. E aquelas que compartilharam a história da dona de casa espancada no Guarujá, será que dormem bem? Pense nessas histórias antes de compartilhar algo que pareça grave. E mesmo que não seja pra não pagar mico depois!

Vítimas de acidentes de moto diminuem. Mas são as mais graves!

Que o trânsito de São Paulo é um caos, todo mundo sabe! Que é um dos mais perigosos do mundo, idem! E que os motociclistas (motoboys, principalmente) são os que mais aterrorizam a todos, isso também não é nenhuma novidade. Mas esse terror todo que eles causam no trânsito do dia-a-dia tem um preço alto a pagar: apesar dos acidentes de carro ainda fazerem mais vítimas (54%), são eles, os motoqueiros, que se estrepam mais.

acidente moto Vítimas de acidentes de moto diminuem. Mas são as mais graves!

Sete em cada dez motoqueiros que se acidentam vão parar no hospital.

O estudo é do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo e aponta que de cada dez motociclistas que vão ao chão, sete (71,3%), obrigatoriamente, vão parar nas internações dos hospitais com sérias fraturas. Ou seja, eles não escapam de passar meses, até mais de um ano em alguns casos, com os membros inferiores engessados, parafusados, pinados e submetidos a várias cirurgias. Isso quando não é necessária alguma imputação.

E não é para menos, ao contrário do carro que sofre o primeiro impacto na carroceria, na moto o parachoques é o corpo humano.

Estive hoje com o Edinaldo, motoboy há mais de cinco anos, acostumado com o trânsito de São Paulo. Ele sofreu um acidente no último dia 20 de abril. Foi "atropelado" por um ônibus porque teve de invadir a faixa exclusiva para escapar de bater em outra moto. O saldo? A perna direita quebrou em tres partes, duas delas com fratura externa. Edinaldo vai ter de ficar, pelo menos, 6 meses sem poder andar de moto novamente. E já não pensa mais em voltar. Ficou traumatizado!

Apesar deste cenário alarmante para os motociclistas, o número de vítimas de acidentes de moto vem caindo nos ultimos quatro anos e já é quase a metade do que foi registrado em 2011. O motivo pode sex explicado pela redução dos limites de velocidade em várias vias de São Paulo, a colocação de novos radares e alguma outra coisa mais que não foi explicada.

Agora, independente das estatísticas, o que percebemos é que a causa de tudo isso está fundamentada em duas coisas, na minha opinião: imprudência e falta de educação. Todos nós sabemos, e eles próprios admitem, que há abusos de quem pilota uma moto no trânsito paulistano. Limite de velocidade e faixa definida, pra eles, não existem. Mas os motoristas também não cooperam, cruzando faixas sem olhar pelo retrovisor, desrespeitando quem está sobre duas rodas e brigando por um espaço nas ruas como se fosse de sua propriedade. Não é possível uma convivência como essa dar certo, por isso estatísticas desse tipo.

Mas há outro fator que considero da mais alta importância nesse cenário: a maioria das pessoas que compram motocicletas e tiram habilitação (quando tiram), não está preparada para pilotá-las. Elas estão preocupadas apenas em sair do sufoco que é enfrentar o transporte público diariamente - este sim ineficiente e superlotado. Com motociclos que custam a partir de 2.500 reais, pagando-se uma prestação de pouco mais de 200 reais por mês é possível ter uma moto gastando menos do que se gasta com o transporte. E assim chegar mais rápido ao destino.

É uma questão muito mais cultural. Enquanto não aprendermos a simplificar nossas vidas, usando os meios de mobilidade que temos à nossa disposição de maneira racional, muitos Edinaldos ainda vão se estrepar no trânsito, perder a moto e continuar pagando as prestações até acabar o financiamento.

O tempo de reaprender

aprendizado O tempo de reaprenderEstou em fase de reaprendizado. Aos 50 anos de idade, senti a necessidade de me reciclar, jogar fora velhos conceitos e adotar novos. Faço isso porque, com o passar do tempo, a gente vai ficando mais implicante e intolerante com algumas coisas. E apesar de estar longe de ser chamado de velho, não há nada pior que se tornar um velho chato e ranzinza que azucrina a paciência dos outros. Não quero ficar assim.

E não há nada melhor para começar essa reciclagem do que adotar determinadas atitudes. A paciência é uma delas, aprender a esperar por certas coisas e entender que elas vem no seu próprio ritmo e tempo. Compreender que a maioria das pessoas não age com o imediatismo e da forma que você deseja é essencial.

Junto a paciência é importante ter tolerância, que nos dá a facilidade de aceitar que nada é perfeito e tudo está sujeito a contratempos. Precisamos enxergar que nem todos tem o mesmo conhecimento e sabedoria que gostaríamos que tivessem e devemos aceitá-los como eles são - isso é tolerância.

A humildade também compõe o pacote - admitir e reconhecer os próprios erros, pedir desculpas por eles e aprender como consertá-los é essencial à vida. Aí vem o altruísmo, a solidadriedade, atos de amar e ajudar ao próximo sem esperar nada em troca. Não posso esquecer também do agradecimento, da gratidão por tudo aquilo que somos, temos e vivemos. Mesmo que algum momento tenha sido ruim, pois é na dor e no sofrimento que aprendemos mais.

E, entre outros sentimentos, é necessário e imprescindível adotar a fé, a crença em Deus, pois é isso que faz com que, imbuídos das demais atitudes, consigamos obter paz e harmonia na vida, no trabalho, em casa, no casamento e nas nossas relações pessoais e familiares.

As vezes, nem imaginamos o quanto é simples adotar estas atitudes: basta querer! É simples, mas não é fácil. Estamos à toda hora sendo cercados por situações que nos tiram do sério e colocam abaixo tudo o que tentamos adotar. Um fechada no trânsito, um elevador que demora no momento em que você mais precisa, uma discussão com um colega de trabalho, um negócio mal feito, uma relação amorosa ou de amizade que se rompe, um problema financeiro, uma doença, um desacerto na família. Enfim, há inúmeras questões que surgem cotidianamente para nos testar e nos colocar à prova. Como superar essas provações é que vai dizer se estamos no caminho certo.

Precisamos aprender que a nossa vida é um eterno aprendizado, que sempre há algo ou alguém que nos ensina alguma coisa, por mais maduros e experientes que pensamos ser. Recentemente um amigo me alertou sobre uma postagem que fiz no Facebook, talvez um tanto inadequada para a posição que ocupo. Na mesma hora, fiz um "mea-culpa" mental, reconhecendo meu erro e excluí tal postagem. Aí veio a auto-avaliação e, claro, a vontade de parar em frente ao espelho e dizer: "Ogg Ibrahim, como você é um idiota!". Muitas vezes não é fácil levar um puxão de orelha, baixar a cabeça e admitir nossas fraquezas e deslizes. Mas é desta forma que aprenderemos a pensar mais antes de qualquer atitude. Hoje, agradeço a todos que, de uma certa forma, puderam contribuir para esse aprendizado que, com certeza, me levará a um crescimento maior como ser-humano.

Hoje estou aprendendo a agradecer mais, a reclamar menos, a ajudar mais, a me preocupar menos, a ter mais humildade de atos e sentimentos e a tornar mais simples tudo aquilo que me cerca. Estou aprendendo a enxergar os problemas com olhos mais tranquilos, certo de que há solução para tudo. Estou aprendendo que ser feliz é a tônica da vida, não importa o quanto temos e onde pretendemos chegar. O que importa é o que somos e no que nos queremos nos tornar. Importa é desfrutar das amizades sem interesse, curtir os momentos bonitos com a alma aberta e tirar o máximo de aprendizado daquilo que nos fez mal. Aprender a perdoar mais é o combustível mais eficiente dessa alavancada de mudanças, Começa por isso!

E se a gente conseguir adotar 50% de um novo comportamento, lembre-se que podemos viver 50% mais felizes, 50% com menos problemas, 50% com mais amor e 50% com mais intensidade. Aí voce já terá consertado metade da sua vida. A outra metade vem como bônus. Pense nisso!

SINAIS: acasos ou avisos?

Andei sumido daqui, eu admito. Tantos assuntos para comentar, notícias para analisar, situações que eu poderia expor aqui para trocar idéia com meus leitores e eu nada fiz. Muitas vezes nós jornalistas - eu principalmente - somos tomados por uma letargia criativa, uma apatia intelectual que faz com que nada do que pensamos em escrever seja interessante a nossos leitores. Talvez até pudesse ser, mas no meu caso eu não me senti motivado a por nada no blog.

Junto a esse buraco temporal de criatividade e lucidez, eu estava voltado a problemas pessoais que me fizeram focar as forças, exclusivamente, neles, o que acabou minando minha vontade de escrever ou debater sobre qualquer outra coisa. E quero aproveitar o que enfrentei para tratar de uma outra questão: os sinais!

Ao chegar à chamada meia idade (hoje aos 50 anos), acabei amadurecendo para os "toques" que Deus nos dá sempre que alguma coisa está para dar errado ou certo. Me perdoe você que não acredita em Deus, mas eu acredito que há uma força maior que ordena essa coisa chamada de universo - uma energia que rege nossas vidas fazendo com que as coisas não aconteçam por acaso. Chamo também de fé, de religiosidade ou simplesmente "Deus", assim como milhares de pessoas.

Esses toques aos quais me refiro, que prefiro chamar de sinais, são avisos que prenunciam algo, ou de bom ou de ruim. Recentemente vivi uma situação bem clara sobre isso e acabei tendo uma tremenda dor de cabeça por não ter prestado atenção a esses sinais. E o mais engraçado é que eles vieram em escala crescente de consequências. Eu explico melhor: o primeiro foi mais brando, como se quisesse me dizer "cuidado, não vá por ai". O segundo soou como uma pancada maior tipo "estou te avisando, vá com calma". O terceiro foi mais profundo, com perdas maiores, até que o quarto sinal me disse "Eu não te avisei pra não se meter com isso? Agora toma!".

Antes que muitos de vocês imaginem o pior, foi um negócio mal-sucedido. Algo em que eu não deveria ter investido e me fez perder um bom dinheiro. Graças a Deus, nada relacionado à minha saúde, família ou profissão, que estão muito bem.Foi algo também do qual será fácil me recuperar. Mas divido esta experiência com vocês, por mais insignificante que seja para muitos, porque esses tipos de sinais podem vir em qualquer momento das nossas vidas, a respeito de qualquer assunto em que estamos nos metendo e que, se não percebidos, podem causar estragos bem maiores.

queda cop SINAIS: acasos ou avisos?

Queda helicóptero: um simples "sinal" pode ter salvado a vida de um mecânico.

Já acompanhei casos em que bastou apenas um sinal para que alguém escapasse de uma tragédia, por exemplo. Posso citar aqui o que aconteceu recentemente na queda do helicóptero que vitimou o filho do governador de São Paulo Geraldo Alckmin e outras quatro pessoas. Quase ninguém sabe disso pois não foi noticiado. Mas fontes do hangar de onde partiu o helicóptero afirmam que, antes dele levantar voo, havia um quarto mecânico que iria estar na aeronave na hora da queda. Mas pouco antes de levantar voo, ele recebeu uma ligação (comenta-se que da escola da filha) e teve de ficar no hangar. Foi quando o piloto chamou o filho do governador para embarcar. Aquela ligação, pra mim, foi um sinal de que não era para o mecânico estar no helicóptero.

O que dizer então do brasileiro que, de última hora, trocou a passagem do voo que caiu nos alpes franceses semanas atrás?

Eu não brinco com sinais e aprendi a entendê-los e respeitá-los. E lhes confesso que ser um pouco supersticioso já me tirou de algumas enrascadas. Pura sorte? Casualidade? Ou será que alguns eventos mandam recado antes de acontecerem? Eu é que não vou pagar pra ver!

 

E São Pedro não tem nada com isso!

Torneira E São Pedro não tem nada com isso!

Desde que a crise de água se agravou em São Paulo, principalmente na Capital, estórias e teorias da conspiração tem surgido a respeito dos culpados por essa escassez. O primeiro, apontado como o principal responsável por essa situação, é o Governo. Claro, faltou planejamento, agiu com negligência por muitos e muitos anos, deixando de preparar as cidades para uma emergência como a que estamos vivendo agora e, principalmente, negou por quase um ano que estivéssemos em situação delicada em relação ao abastecimento de água, adiando assim as medidas necessárias e emergenciais.

Aí culparam São Pedro (coitado) por não ter mandado chuvas suficientes no ano passado. Também tenho lido absurdos ignorantes de que não está faltando água apenas por causa da seca e sim porque "estão desviando o líquido para a agricultura, para industrias importantes e outros setores protegidos pelo governo, blá, blá blá...". E até vídeos tem surgido mostrando represas cheias para afirmar de a falta d'água é mentira das autoridades. Bom, não preciso postar aqui imagens aterrorizantes do cenário na Cantareira, Atibainha, Alto Cotia e outros sistemas. Eu pessoalmente estive em boa parte desses locais e pude ver de perto a situação.

Na minha opinião, deixando São Pedro de lado, todos tem sua responsabilidade. E se existe alguém, também, a quem devemos culpar, grandemente, pelo que está acontecendo, somos nós mesmos, os consumidores. O governo tem sua parcela de culpa pela falta de projetos que pudessem remediar essa escassez ao longo do tempo e não deixar pra correr atrás agora, quando as represas estão secando. Mas quem gastou água, exageradamente, sem limites ou consciência, fomos nós os consumidores. Exageros que foram para o ralo sem sequer produzirmos absolutamente nada em troca! Foi desperdício puro! E quando digo isso, não falo apenas pelo que usamos no banho, para escovar os dentes, lavar louça e roupa ou para beber. Isso seria o básico necessário! Mas me refiro aos exageros de deixar torneiras abertas durante esses processos. Além disso, sempre lavamos carros na frente de casa, "varremos" a sujeira com o jato forte da mangueira por pura preguiça de usar a vassoura, passamos horas debaixo do chuveiro no inverno para esquentar um pouco mais o corpo, ou no verão para refrescá-lo. Cansamos de mal-fechar as torneiras, permitindo que aqueles pingos "insignificantes" se tornassem um turbilhão de consumo ao final de um ano e usamos máquinas de lavar-roupa e louça, desenfreadamente, para nos livrarmos da árdua tarefa de fazer isso com as mãos, como se fez durante seculos e séculos até que elas surgissem. E gastamos milhões e milhões de litros para manter piscinas com água sempre cristalina e livre de micro-organismos. E não se culpe menos se você não tem piscina em casa mas usa a do clube.

E é preciso analisar, também, não só o consumo humano como os que citei, mas o que se gasta de água também para saciar nossa sede de consumo comercial. Me refiro a água que é utilizada nas indústrias e na agricultura, em centenas de processos, para produzir bens e alimentos que consumimos com uma voracidade inacreditável. Veja exemplo abaixo:

Consumo Àgua2 E São Pedro não tem nada com isso!

(Fonte: UNESCO/ONU)

É ou não um consumo absurdo? Mas e ai? O que fazer? Proibir o uso da água na produção industrial para que, ao contrário da água, nos falte alimentos, nos falte o que vestir, nos falte combustíveis ou aço para nossas construções e transportes? Alguns radicais irão dizer "Que parem tudo, precisamos matar a sede!". Mas será que é assim que vamos resolver o problema? Não me parece o mais sensato.

O setor industrial, assim como a agricultura, os maiores consumidores de água do planeta (cerca de 70%), podem sim assumir a sua parcela de culpa e, como nós, adotar medidas de contenção de consumo. E isso já está acontecendo. Mas, em grande escala, isso poderia ter um efeito ainda danoso à nossa produção em geral. Até podemos ficar sem comprar roupas e acessórios de couro ou calças jeans. Mas quando se trata de alimentos, a sua escassez pode ser tão dolorosa quanto a da água. E outra: quem garante que estes setores vão diminuir seu consumo? Quem garante que o governo vai impor a eles qualquer sanção pelo consumo exagerado como tem feito a nós? Seria assinar uma sentença de morte dos setores produtivos em geral.

Então, amigos, cabe a nós mesmos arcar com a responsabilidade de cuidar da água que nos resta para que ela dure por muito mais tempo. É difícil ouvir isso, mas é a realidade que já estamos enfrentando.

E nosso papel não é tão complicado assim. Outro dia peguei uma conta de água de fevereiro de 2014 e comparei meu consumo com o atual, depois das medidas que adotei em casa (veja artigo a respeito aqui). Fiquei pasmo com a minha economia. Na época, eu e minha família chegávamos a consumir cerca de 48 metros cúbicos de água por mês. Hoje o meu consumo é de 14 m³. Ou seja, menos de 30% do que eu gastava antes. E minha vida não mudou absolutamente nada com essa redução. Só assim percebi que eu, assim como a maioria dos brasileiros, teríamos condições de fazer isso há muito mais tempo, de adotar medidas para reduzir o consumo  e não agir mais como se a água fosse uma fonte inesgotável. Precisamos desse chacoalhão para nos tornarmos mais conscientes. A iminência de um racionamento radical que está ai batendo às nossas portas é que nos acordou para essa nova realidade. E não vai doer nada fazer a nossa parte.

Agora, também precisamos cobrar quando virmos algo errado: chamar a atenção do seu vizinho pelo uso da mangueira, não deve ser um constrangimento. Assim como alertar à empresa de abastecimento e saneamento quando virmos algum vazamento pelas ruas. E o principal: mesmo que os níveis das represas voltem ao normal (o que está sendo tratado como praticamente impossível), devemos manter essa postura. Relaxar no consumo de água, mesmo que ela esteja sobrando novamente, vai apenas ratificar nossa ignorância à respeito dos problemas que nosso planeta enfrenta!

Então pare de reclamar e ficar apontando culpados, não dê bolas para as conspirações que surgem a todo momento na internet e faça algo de útil para contribuir de verdade!

 

Pra fazer o bem, não precisa esperar

Bondade 250x300 Pra fazer o bem, não precisa esperarMais um ano termina, outro começa e continuo ouvindo as mesmas ladainhas. São promessas de todo o tipo: vou emagrecer, parar de fumar, voltar pra academia, ser mais solidário, ser menos egoísta, trabalhar menos, trabalhar mais, me dedicar mais a isso ou aquilo, blá, blá blá. Jamais questiono o que as pessoas desejam para si próprias mas me indigna sempre que elas esperem uma "mudança de era" pra fazer isso. Parece que basta o badalar da meia noite no dia 31 de dezembro para que suas vidas se transformem. Existe sempre a falsa impressão de que "tudo vai mudar", "um novo tempo chegou". Tudo muito bonito mas para mim não passa de mística barata.

Vejam só: na época do Natal parece que todo mundo se reveste do mais alto altruísmo e sai por ai distribuindo cestas com produtos natalinos a quem encontrar na rua em situação de necessidade. E se sente bem com isso. Ótimo! Os mais necessitados realmente precisam dessa ajuda e esse tipo de ação, de uma certa forma, alivia a alma de quem a pratica. Mas porque fazer isso apenas agora? O problema é que muita gente acredita que basta uma simples atitude solidária para compensar um ano inteiro de boa vida. É a forma de "gratidão passageira" que adota-se quando a época exige mais compaixão, mais amor ao próximo. E não deveria ser assim!

Sempre vejo a passagem de ano como um dia qualquer. Tanto que não busco participar de grandes comemorações, festas de arromba ou eventos inesquecíveis. Para mim é um dia comum, como dormir hoje, dia 05 de janeiro e acordar amanhã, dia 6. Nada muda, a vida segue seu ritmo e não preciso elaborar listas do que fazer a partir de agora. Por isso atitudes de solidariedade, de altruísmo, de amor ao próximo ou a si mesmo não devem exigir uma época específica para serem colocadas em prática. Porque não fazer as mudanças desejadas no dia 20 de janeiro, 05 de fevereiro, 12 de julho ou 03 de setembro? Esses dias são tão comuns como qualquer outro - não são feriados ou dias santificados. Será que esperar uma data apropriada para essa prática as torna mais verdadeiras em termos de sentimento? É óbvio que não!

O que preenche o ser humano é a cordialidade do dia-a-dia, não a sazonal, sermos gentis e gratos todos os dias e não apenas em uma data certa, não esperar a Páscoa para refletir sobre nossa religiosidade ou o dia 07 de setembro para exercer civilidade e cidadania. Não há a necessidade de esperar pelo Dia da Árvore (21 de setembro) para plantar uma semente ou o Dia da Criança para presentear um órfão. Dispensável também é celebrar o amor apenas no Dia dos Namorados, ou abraçar nossos pais e mães na data reservada para eles. Muita gente não percebe mas muitas dessas datas foram criadas apenas para fazer o comércio vender mais presentes, panetones, flores, ovos de chocolate, jóias e, principalmente, ilusões! O real sentimento que elas traduzem, na verdade, se perde em meio a euforia capitalista que as cerca.

Por isso tudo que disse acima, acredito que o exercício de humanidade deva ser diário, permanente e atemporal. Essa sim é a melhor forma de agradecimento por tudo aquilo que recebemos durante o ano todo. De outra forma - da mais usual,  como vemos hoje - a satisfação é efêmera, dura muito pouco e aí acabamos na círculo vicioso da vida que é fazer o bem toda vez que as coisas vão mal. E só nesses momentos!

Os atos de bondade não devem ser como as idas ao médico em que só o fazemos quando é extremamente necessário. Devem ser perenes. Não devemos esperar uma simples virada de data ou o suposto recomeço de um novo tempo para fazermos aquilo que deveríamos ter feito todos os dias da nossa existência. É desnecessário esperar uma medida cronológica para tomar decisões e fazermos aquilo que deve ser feito e, muito menos, esperar sentado que essas supostas transformações aconteçam. As mudanças só ocorrem em nossas vidas quando as buscamos, elas não partem de nenhum lugar que não seja de dentro de nós mesmos.

Assim, quero aproveitar essa reflexão para desejar a todos uma "Feliz Vida Longa!", porque desejar "Feliz Ano Novo" ou "Feliz 2015" é querer que um ano apenas seja bom pra vocês! E eu desejo mais que isso. Desejo que vocês meçam o passar do tempo em sorrisos registrados, em abraços conseguidos, em olhares apaixonados... Que o relógio de cada um não marque horas, minutos e segundos, mas sim batimentos cardíacos que significam vida quando normais e felicidade quando acelerados. Que o calendário passe a contar os dias através do número de vezes que ouvimos um "eu te amo" e quando o despertador tocar, uma voz suave nos diga "parabéns, você tem mais um dia feliz pela frente!".

Doe aquilo que acredita que não pode e receberá o que nem imagina que mereça!

Como chegar bem aos 50!

Ogg1 225x300 Como chegar bem aos 50!

Óculos: amigo inseparável aos 50.

Acabo de completar 50 anos de idade. Pensei que fosse demorar pra chegar, mas chegou. Também, quando pensava nisso estava lá com os meus 18 anos. E mesmo assim, não demorou muito. Não demorou porque vivi intensamente a partir do momento em que ganhei asas. E isso foi aos 19 anos, depois de perder minha mãe, que se foi três anos depois do meu pai (quando eu tinha 16). É... fiquei órfão de pai e mãe muito cedo. E com dois irmãos menores. Vivendo uma fase difícil depois da falência do meu pai, eu tinha tudo pra ser errado na vida. Sem pais, sem dinheiro e convivendo diariamente com colegas de trabalho que não eram exemplo de boa conduta.

Naquela época eu trabalhava no IPESP (Instituto de Previdência do Estado de São Paulo) junto com estagiários de um programa que empregava ex-internos da FEBEM (hoje Fundação Casa que abriga menores infratores). Digamos que a índole daquela moçada não era nada tranquila e as tentativas de me arrastar para umas "paradas cabulosas" foram incansáveis. Mas resisti. Eu era um (desculpem) "cagão". Tinha medo até de guarda de trânsito. E graças a esse meu medo acabei seguindo meus instintos para o lado do bem. Os valores que aprendi dos meus pais falaram mais alto e isso me ajudou a me tornar o que sou hoje.

Mas eu sempre tive pavor de chegar aos 50, até chegar aos 40. Para mim foi a melhor virada. Quando entrei nos "enta" apertei o botão do "fo...-se". Me senti maduro o suficiente para ser mais autêntico, mais sincero, mais transparente, falava o que dava na telha, perdi o pudor com alguns assuntos, me livrei daquela coisa de me preocupar com o que os outros pensam de mim. E para minha surpresa, ao contrário do que imaginava, ganhei mais amigos sinceros, conquistei uma posição mais sólida na minha carreira de jornalista e passei a dar mais importância às relações matrimoniais e à constituição da família. Isso porque nessa fase eu acabara de encerrar meu segundo casamento por, até então, não acreditar na fidelidade.

E depois de tudo isso, começar a caminhar para os 50 só me trouxe uma expectativa: chegar com muita saúde a essa, praticamente, metade da vida. Aí comecei a trabalhar nisso: me dediquei mais às atividades físicas, as baladas que antes tomavam a madrugada ficaram em terceiro plano, o sono passou a ser uma das coisas mais importantes e a dedicação ao trabalho, apesar de sempre intensa, tinha sua compensação em bons momentos de lazer e desestresse. Acho que deu resultado: cheguei aqui com fôlego de garoto (tá, um garoto de uns 35 anos) e o espírito de quem sempre sorri para a vida.

Acabei descobrindo que ter 50 anos é uma das melhores coisas do mundo. Apesar de alguns jovens de vinte e poucos anos te chamarem de tio ou dizer "pô, meu pai é mais novo que você", ou vê-los sempre te chamando de "senhor", a gente se sente mais respeitado. Não pelos cabelo brancos, pois eles me acompanham desde os 20 e poucos. Mas pela postura, pelas idéias, pelo jeito maduro de lidar com as coisas que a gente aprende nas porradas que leva. E levei algumas boas. Ganhei dinheiro, perdi dinheiro, casei e descasei, construí e reconstruí minha vida umas duas vezes, apanhei de maus investimentos mas descobri que nunca é tarde para recomeçar. E fiz isso quando cheguei aos 40. E do "ZERO"!

Também aprendi outra coisa: que esse negócio de não se arrepender de nada que fizemos na vida é tudo balela. Pura filosofia. A gente se arrepende sim e gostaria de não ter feito muita coisa errada. A vantagem de ter feito é que a gente aprende a não fazer de novo.

Aos 50 ainda me acho moleque. Brinco com a minha filha como se tivesse 5 anos de idade e amo minha mulher como se tivesse 17. Pedalo, quase que diariamente, como se tivesse 30. E trabalho com a sabedoria de quem, ao meio século de vida, ainda tem muito a aprender. Mais do que a ensinar. Com o passar do tempo a gente vê que idade se resume apenas à quantidade de velinhas que são colocadas em cima do bolo. Por isso nem quis bolo este ano, comemorei sem festa. E com as pessoas que mais amo neste mundo: minha mulher e minha pequena Mariah. Afinal elas serão as únicas que estarão comigo até o fim da minha empreitada terrena.

Antes, pensava que para chegar aos 50 eu tinha de ter status, patrimônio e dinheiro guardado. Hoje não tenho nada disso: ganho o necessário pra viver bem mas menos do que mereço, ainda não tenho casa própria e no trabalho acho que, as vezes, não me dão o devido valor. Mas quer saber? Sou feliz pra cacete com o que tenho e o que faço! Aprendi ao longo da vida a viver com pouco pois entendi que assim a gente não sente falta de coisas que poderia, ou gostaria de ter, mas não pode. Mas também não serei hipócrita de dizer que não penso numa "Megasena" (risos)!

Chegar aos 50 é ter a certeza de que não nos magoamos nem nos decepcionamos mais com facilidade. É saber que levamos 5 décadas para aprender algumas coisas. É descobrir que os óculos de grau são mais importantes que o celular. É vibrar com a paquera daquela "quarentona" sem ser questionado pelos amigos. É não precisar mais murchar a barriga na praia e ser chamado de tiozão sem recalques. Fazer 50 é imaginar que se tem apenas 10 anos porque "a vida começa aos 40" e nem se preocupar se a camiseta combina com a bermuda e o dockside. Estar nos 50 é chutar o balde e o pau da barraca com o cuidado de não machucar o pé e falar palavrões sem que alguém lhe chame a atenção. Estar com 50 é não ter mais 40 e ainda estar longe dos 60.

Cheguei aos 50 e não sei se vou viver mais 50. E nem quero ser um velho que, assim como um sofá, fica sendo mudado de um lado para o outro. Mas a vantagem disso é saber que o melhor da vida vivi até agora. O que vier daqui pra frente é lucro. E lucro com correção monetária!

Poupando o que temos de mais precioso

FALTA DE GUA Poupando o que temos de mais precioso

O homem consumiu em apenas 10 meses o que agora levará, no mínimo, com muito otimismo, de 3 a 4 anos para ser recuperado. Se for recuperado algum dia. Estou falando das águas do Sistema Cantareira que abastece boa parte da região metropolitana de São Paulo. A previsão é de meteorologistas, fazendo um cálculo do que choveu nos últimos dias. Nos sete primeiros dias de novembro a precipitação foi de 54,7 mm, segundo a Sabesp - mais do que choveu em todo o mês de outubro. Mas isso não fez a mínima diferença no nível do Cantareira, que continua caindo. O problema é que o solo está muito seco e rachado e a água que cai é absorvida mais rapidamente por essa imensa esponja gigante de terra. Calcula-se que, para chegar a 80% da sua capacidade, o sistema precisa receber água de chuva constante e homogênea pelos próximos 3 anos, no mínimo. Mas como a chuva nunca é homogênea e nem constante, esse prazo pode se estender ainda mais.

São necessários mais de um trilhão de litros de água para se chegar a esse nível. Isso corresponde a 406 mil piscinas olímpicas. Preocupa ou não?

De certa forma, toda essa crise hídrica que estamos vivendo veio nos mostrar a irresponsabilidade com que sempre consumimos e desperdiçamos água. E, infelizmente, a gente só aprende na porrada. Agora estamos correndo atrás do prejuízo, tentando remediar uma situação que não se sabe se poderá ser remediada. Entendam que trazer água de qualquer outro lugar, com obras custosas e demoradas, apenas vai desvestir um santo para vestir outro.

O governo errou, como sempre, em não ter um planejamento adequado que previsse essa tragédia. E nós também, admitamos, nunca colaboramos com o consumo racional lavando carros e calçadas regularmente com a água a escorrer fartamente pelas torneiras, com banhos demorados, vazamentos e desperdício desenfreado. Hoje, tendo adotado as medidas de economia que muitos estão adotando, podemos perceber o quanto jogamos fora um líquido tão precioso. E que somente agora estamos tendo consciência da sua importância.

Na minha casa adotei medidas nas quais nunca pensei: a água que sai da máquina de lavar agora é acumulada em latões que adquiri. Depois é reaproveitada na lavagem do quinta e garagem. Fiz adaptações na lage da garagem para coletar a água da chuva que, filtrada, pode ser usada até para lavar louça, na máquina de lavar e para a limpeza do carro. No banheiro, a água que escorre da ducha até a temperatura ficar ideal para o banho, é coletada em baldes e depois despejada na caixa acoplada do vaso sanitário para descarga. Além disso reduzi a pressão dos registros que distribuem água pela casa para diminuir a vazão das torneiras. Resultado: uma economia de mais de 60% no consumo. Agora me pergunto: porque nunca fizemos isso antes? Porque nunca nos preocupamos que um dia a água poderia nos faltar como agora? A resposta é simples: porque tínhamos água em abundância e sequer pensamos que um dia ela poderia acabar ou chegar a níveis de racionamento como vivemos hoje.

Fiz questão de editar o vídeo abaixo para ilustrar as medidas que adotei. Alternativas que não me custaram mais que 200 reais - pode ser muito para a maioria das pessoas, mas é um valor que consegui compensar em apenas dois meses de economia na conta.

Sem gasto nenhum, apenas com adoção de novas rotinas, também é possível alcançar uma boa economia. Veja:

- diminuir os banhos de 15 para cinco minutos: 90 litros de água economizados;
- escovar os dentes ou fazer a barba com a torneira fechada, abrindo-a apenas para a lavagem da escova ou do aparelho: economia de 5 litros;
-  aproveitar o banho para fazer xixi no ralo do box: 5 litros da descarga poupados;
- molhar a louça, fechar a torneira, passar a esponja em tudo e só depois enxaguar: 8 litros;
- aproveitar a chuva para lavar o carro: pelo menos, economia de 100 litros;
- coloque 1 garrafa PET de 2 litros (ou duas pequenas de 500 ml cada, se não couber), cheia de pedras, dentro da caixa de descarga acoplada. Elas vão ocupar o espaço que seria preenchido com água: economia de 1 a 2 litros a cada descarga;
- reaproveite a água da chuva na máquina para lavar tapetes e panos de chão: pelo menos 40 litros a cada lavada. E depois reaproveite a água dos enxagues para lavar o quintal;
- para quem tem, use mais a máquina de lavar louça. Ela trabalha com muito menos água do que uma torneira aberta: 8 litros;
- máquinas de pressão (tipo Vap) também economizam muito mais água do que uma mangueira, se o uso for imprescindível: 50 litros a cada 15 minutos.

É claro que alguma dicas dão um pouco mais trabalho que outras. Mas o sacrifício valerá quando você ver na conta a economia que fez e o tanto que poupou. Afinal não estamos num momento de se brincar com o consumo de água.

Aproveito também para mostrar-lhes um vídeo que me comoveu muito e me fez pensar a respeito de economia. Ele narra um texto escrito em 2002 sobre falta d'água no futuro. E lhes digo uma coisa: é arrepiante pensar que um dia isso pode realmente acontecer.

Mãos à obra!

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