Bikes versus Carros: ainda falta respeito

Desrespeito Bikes versus Carros: ainda falta respeito

Enfrentar o trânsito sobre duas rodas: tarefa amarga.

A cada dia tenho me tornado cada vez mais ciclista. Por enquanto é apenas para a prática do esporte como forma de manter uma vida mais saudável. Pedalo diariamente cerca de 15 quilometros pela região onde moro e, com essa frequência, posso afirmar que os ciclistas, sejam eles trabalhadores ou meros esportistas, ainda não recebem o devido respeito dos motoristas.

Outro dia eu estava trafegando por uma rotatória, cuja preferencial era minha, e quase fui atropelado por um motorista que não respeitou meu sinal de conversão (dado com a mão). E muito menos a placa de PARE estampada na cara dele. Reclamei, pedi mais atenção e ainda assim ganhei um dedo médio erguido no ar como quem diz "FODA-SE!". Segui em frente porque, pela reação do camarada, discutir com uma anta (o animal mesmo) com a qual eu tinha cruzado momento antes, teria sido mais produtivo e eficiente.

Canso de ler relatos de ciclistas em todo o tipo de mídia, especializada ou não, sobre esse tipo de "autoritarismo" dos
motoristas nas vias. É claro que não são todos, mas uma grande maioria ignorante que não está nem aí para a lei que diz que as ruas são espaços para serem divididos entre carros, motos, bicicletas,utilitários, ônibus e pedestres. Provavelmente um indivíduo que tem uma atitude como essa, digna de um imbecil, nunca usou um bicicleta. Talvez nem na sua insignificante infância.

Atitudes assim me revoltam num momento em que a sociedade grita por mais gentileza. Gentileza em qualquer lugar e situação. Gentileza nas ruas, no supermercado, com seu vizinho, com pessoas desconhecidas no ônibus. Gentileza que gera uma sensação de bem estar que está acima de interesses pessoais. Gentileza que não tenho visto, principalmente no trânsito, seja quando estou de bike, ou quando estou de carro.

Mas no caso dos ciclistas essa falta de gentileza pode ser, muitas vezes, fatal. E não culpo apenas a falta de educação de certos motoristas. Culpo também a falta de uma vontade política que dê mais importância a presença das bicicletas nas vias. Não há ciclovias suficientes, sinalização suficiente, não há segurança apropriada para que nós ciclistas possamos circular com tranquilidade, a não ser num parque, num feriado, num domingo de ciclofaixa.

A crescente presença de ciclistas nas ruas de todo o país é evidente. Basta você começar a observar a quantidade de pessoas pedalandodiariamente por aí. Indo e voltando do trabalho, da escola, da faculdade, da academia ou de um simples passeio. Na europa, em 2013, as bicicletas foram mais vendidas do que carros novos pela a primeira vez, em praticamente todos o países, e a comemoração foi geral. No Brasil, a venda de bikes já supera a de carros novos há pelo menos quatro anos e ninguém vê isso com euforia. Claro, elas não consomem combustível (que gera renda), rende pouco em impostos (menos de 1/3 da alíquota dos carros), não geram financiamentos e não tem qualquer influência na indústria da multa e na da emissão de CNH (que rende um absurdo para o Detran e as auto-escolas). Comemorar pra que, então?

Infelizmente, ainda vejo distante a aposta em ciclovias como solução da mobilidade urbana, principalmente numa cidade como São Paulo. E estender um pedacinho da que já existe na Marginal Pinheiros, não vai resolver o problema. A solução passa por um projeto muito mais abrangente que envolve redirecionamento do trânsito de ruas e avenidas, alargamento de pistas e outras obras custosas ao estado. E por isso mesmo é que as autoridades não estão nem aí para a questão.

Mas já seria de bom tamanho a adoção de mais medidas protetivas aos ciclistas, como multas mais altas a motoristas que os desrespeitarem, criação de mais ciclofaixas, mesmo que seja nos fins de semana e feriados e, o mais importante, SEGURANÇA CONTRA ASSALTOS para quem pedala por aí. Ah, e seria muito bom uma REEDUCAÇÃO dos motoristas, para que imbecis como aquele que citei no inicio, aprendam a entender que a rua é para todos!

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Pedaladas diárias com atenção redobrada.

O efeito Copa!

Olá amigos e leitores. Finalmente, depois de 34 dias de merecidas férias, estou de volta. Perdoem-me a ausência, mas era necessário renovar as idéias, buscar inspirações e motivações para continuar escrevendo. Energias renovadas, vamos lá!

keep calm and imagine na copa O efeito Copa!

"Imagina na Copa!"

Essa frase tem se tornado uma constante para ressaltar coisas que não tem dado muito certo ultimamente. Se está ruim agora, imagina quando a coisa acontecer pra valer - é isso que ela quer dizer. E depois de perambular por aí nestas férias, percebi que não precisaremos esperar pelo evento futebolístico para constatar algumas atrocidades. Vou dar exemplos.

Logo no início das minhas férias fui a Natal, uma das cidades turísticas do nordeste para a qual eu ainda não tinha ido. Gosto do nordeste por causa do sol intenso, das poucas chuvas, da hospitalidade do seu povo e da beleza de suas praias. Mas deste vez me decepcionei. Nas três saídas que dei do resort para conhecer as praias, senti na pela a exploração que o turista, seja de onde for, já está sofrendo em razão de sediarmos um dos mais importantes eventos do mundo. Passeios caríssimos e sem nenhuma qualidade ou estrutura, guias que mal falam o português, que dirá outra língua, e extorsão de barracas e restaurantes de praia. Até mesmo no hotel em que eu estava.

A comida no nordeste já não é mais tão barata como a gente sabia que era. Num dos meus passeios à Praia de Genipabu fui literalmente feito de idiota por não ter perguntado antes o preço de uma porção de isca de peixe. Quando pedi o cardápio na Barraca da Evanilda (guardem bem este nome), o "gentil" garçom apenas me trouxe uma caixa de peixe fresco para que eu escolhesse um exemplar e disse "Esse aqui doutô é o nosso cardápio ao vivo". Escolhi e pedi que dele fossem feitas as tais iscas. Não perguntei o preço pois imaginava que, comparando com outros restaurantes que eu já tinha ido, não passaria de 35, 40 reais. Ledo engano! Quando a conta veio apontando consumo de uma água de coco, um suco, uma cerveja e outros petiscos para mim, minha mulher e minha filha, somava 178 reais! Isso mesmo 178 reais! O preço que eu gastaria no jantar de um casal num restaurante médio em São Paulo. Só pela isca de peixe, "me roubaram" CEM REAIS!! UM ABSURDO! Xinguei, ponderei, discuti e acabei tendo de pagar a conta salgada por não ter tido a esperteza de perguntar o preço antes e nem de ter olhado o cardápio. A alegação do garçom era de que o peixe era fresco, tinha acabado de ser pescado. Mas, oras, o dia em que eu não comer peixe fresco numa barraca de praia, o apocalipse chegou. E outra: eles me cobraram CEM REAIS por um peixe que pegaram DE GRAÇA ali no mar??

Quem mandou eu ter cara e cor de turista americano!!

IMG 18341 300x225 O efeito Copa!

Barraca da Evanilda, Praia de Genipabu - Natal/RN: extorsão através de preços abusivos.

Mas este foi apenas um dos exemplos. No centrinho comercial que vende artesanatos e lembranças de Natal, preços de shopping de zona sul para produtos manufaturados e que servem apenas para você se lembrar que esteve em Natal. 200 reais por uma rede (que pago 30 em qualquer semáforo de São Paulo - e que veio de lá mesmo), 60 por um jogo de suporte de pratos, e aí vai. É claro que sai de lá quase de mãos vazias. Aproveitei para conversar com um dos comerciantes e perguntei o porque dos preços tão altos. Sem nenhuma vergonha ele me disse: "A gente vai aumentando aos poucos pra quando chegar na Copa a gente faturar um pouquinho mais. Depois a gente abaixa!". Disse isso com a maior cara de pau e a "inocência" clássica dos nordestinos.

Então meus amigos, "imaginem na copa", principalmente nas cidades que sediarão jogos, como Natal.

Também senti esse tipo de "reajuste escalonado" em Florianópolis, pra onde fui logo depois de Natal. Aluguéis, restaurantes, locação de carros... tudo bem mais caro que no ano passado quando estive por lá, também de férias. E pergunto onde vamos parar assim? Já não bastasse a conta que estamos pagando por conta das obras milionárias dos estádios, nós que moramos aqui no Brasil, ainda temos de suportar essa "malandragem" tupiniquim como se fôssemos de fora.

Se me perguntarem o que eu espero da Copa do Mundo eu respondo: "Espero que termine logo" e quase sem sequelas para o nosso sofrido povo que já paga conta altas demais. Não posso sequer reclamar pelo que senti na pele pois graças a Deus tenho condições de suportar esse tipo de extorsão. Mas não gosto de ser feito de trouxa. E não gosto de saber que um povo tão batalhador poderá estar comemorando o hexa enquanto na surdina o governo arquiteta planos para enfiar ainda mais a mão nos nossos bolsos.

Minha cara Seleção Brasileira, meus admirados jogadores, me desculpem mas, desta vez não vou torcer por vocês!

Até logo mais!

ferias Até logo mais!

Redes sociais: um perigo para crianças!

crianca computador Redes sociais: um perigo para crianças!

Perigos se escondem nas redes sociais.

Nessa terça-feira, fechei para o Jornal da Record uma matéria sobre a prisão de um pedófilo. Ele fez contato com uma menina de 11 anos de idade e com o decorrer das conversas, acabou convidando a menina para um passeio num shopping, um banho de hidromassagem, um champagne e até uma ida ao motel. O pai da criança desconfiou no início e passou a monitorar as conversas. Em dado momento, se passou pela filha, marcou o encontro e avisou a polícia. O pedófilo foi preso em flagrante na praça de alimentação de um shopping em São Bernardo do Campo quando foi em direção à menina, usada como isca. Alguns detalhes assombram nessa história: o acusado tem 45 anos de idade, é casado, pai de duas adolescentes e de boa situação financeira. Um perfil, talvez, acima de qualquer suspeita. E, pior que isso, o aliciamento foi feito através do Facebook.

Não sou careta, mas defendo algumas coisas que podem parecer conservadoras demais. Me perdoem os pais que permitem isso, mas rede social não é lugar para crianças. Quem apoia minha tese é a psicóloga Débora Pissarra que entrevistei para a matéria. Concordo com ela quando diz que crianças até catorze anos de idade ainda não tem maturidade emocional suficiente para transitar num ambiente, de certa forma, livre de censura. Não é um site que você pode impedir o acesso. Estando ali, a criança poderá clicar em qualquer link publicado por seus amigos, amigos de amigos e até desconhecidos, e acessar páginas de conteúdo inadequado e até proibido. Também não tem critério de seleção para adicionar as pessoas e podem deixar as portas abertas para criminosos (como pedófilos) entrarem e vasculharem sua vida, tirando proveito de sua ingenuidade.

No caso que acompanhei, graças a Deus e à perspicácia do pai que passou a monitorar a conversa, um mal maior foi evitado. Mas o que teria acontecido se ele, como a maioria dos pais que conheço, imersos em trabalho e problemas cotidianos, não tivesse tido essa idéia? O pior, com certeza!

Eu mesmo procuro não adicionar adolescentes menores de 15 anos no meu perfil, mesmo que sejam sobrinhos, filhos de parentes ou de amigos. Evito porque, muitas vezes, publico ou comento assuntos que considero um pouco pesados para essa faixa etária. Sem contar no que meus amigos publicam e, mesmo com toda a filtragem, eles poderiam ter acesso. Em vários casos até já aconselhei os pais a proibirem o perfil dos filhos. Mas infelizmente isso é uma coisa que não agrada a muita gente.

Depois de mais de 25 anos me tornei pai novamente e a "nova era" em que isso aconteceu me tornou um pouco mais precavido. É claro que minha filha, aos dois anos de idade, ainda não tem noção do que é uma rede social mas sei que um dia (e muito em breve) isso será inevitável. Mas, sabe-se lá o que virá no futuro, tentarei ao máximo protegê-la desse tipo de coisa. Hoje vejo as redes sociais como a mais pura necessidade da maioria das pessoas de ter atenção - sempre publicam algo e medem sua popularidade pelo número de "curtidas". A frustração vem com o desprezo ao assunto. É como falar sozinho no meio da multidão. Também vejo publicações apelativas demais, pesadas para determinadas idades. E não venham me dizer que dá pra monitorar o que seu filho vê na rede social porque isso é impossível. A não ser as conversas que ficam, de certa forma, gravadas ali. Mas os links que eles visitam, os comentários que eles leem, as fotos que veem, passam rapidamente pela sua tela. Minutos depois é tecnicamente impossível detectar o que foi lido.

Acho a internet uma excelente ferramenta de aprendizado, desde que usada corretamente. Agora, se por minha excessiva preocupação com as crianças em relação às redes sociais posso ser taxado de antiquado e careta, não me importa. Minha filha terá regras severas quanto a isso. E  você, pai ou mãe, que acha que não corre nenhum risco, cuidado para um dia também não se tornar manchete no noticiário.

Violência sem rumo e direção

Nessa sexta-feira que passou, mais um caso deixou os paulistanos estarrecidos com a violência nas ruas. Mais uma pessoa morreu como consequência de uma briga de trânsito. É a segunda morte pelo mesmo motivo em uma semana. E a enésima em vários anos na capital. Dessa vez, um homem foi esfaqueado por ocupantes de um caminhão que o teria fechado. Irritado, ele desceu do carro com um porrete nas mãos e levou várias facadas de dois homens que estavam com o motorista do utilitário. A mulher e a filha assistiram a tudo de dentro do veículo sem poder fazer nada. Se não tivesse aparecido um policial à paisana, que passava pelo local e deu voz de prisão aos assassinos, talvez teria sido mais um caso de violência de autor desconhecido.

briga morte 1 Violência sem rumo e direção

Motorista morto por caminhoneiros

No último dia 23, um enfermeiro  de 25 anos foi baleado na cabeça por um motoqueiro, também por causa de um discussão no trânsito. Rafael Francesco Coccita não resistiu ao ferimento e acabou morrendo quatro dias depois. Mais sorte - se é que se pode dizer assim - teve a publicitária Jéssica Otte, 24. No ano passado ela foi agredida brutalmente, com um soco na cara, por um homem que dirigia uma camionete de luxo. Isso aconteceu porque ela demorou para sair com o carro num cruzamento com farol. Irritado, o motorista acabou batendo no carro dela e, quando ela desceu para ver o estrago, foi agredida covardemente.

Se eu for relatar os inúmeros casos de violência gratuita, consequência de brigas de trânsito, vamos levar um dia todo no relato. É uma violência descabida, cotidiana e que assusta não só pela gravidade dos casos mas também pela gratuidade. Me faz pensar que vivemos, cada vez mais, numa selva incontrolável em que seres-humanos se transformam em animais irracionais e sanguinários quando assumem o volante de seus carros. E tudo por um motivo o mais banal possível: a luta por alguns metros a mais de espaço nas tumultuadas ruas paulistanas.

Hoje mesmo, antes de escrever este artigo, me deparei com o motorista da camionete à minha frente gesticulando agressivamente na direção de uma van de serviços parada ao seu lado. Na hora percebi que se tratava de uma discussão, com xingamentos e gestos obscenos, por causa de alguma imprudência do motorista da van. A intensidade de ira em ambos era tamanha, que pensei que fosse presenciar um MMA ali, na rua.

Enfermeiro Violência sem rumo e direção

Enfermeiro morto por motoqueiro na marginal

Me pergunto: o que justifica tamanha violência e ignorância? O que leva pessoas tranquilas e serenas durante o trabalho se transformarem em bestas raivosas quando dirigem? Será que a disputa que envolve espaço e tempo (alguns segundo a menos pra chegar ao destino) é motivo suficiente para essa carnificina que estamos vendo nas ruas? É uma onda de intolerância e impaciência que me assusta, transforma motoristas em verdadeiros monstros e deveria exigir um pouco mais de atenção de estudiosos e das autoridades.

É certo que vivemos num mundo estressante. Problemas financeiros, insatisfação no trabalho, maus relacionamentos pessoais e outros infortúnios, acabam nos tirando do sério sempre. As vezes temos vontade de estrangular alguém! Mas será que tudo isso é suficiente para acender esse estopim, para justificar o descontrole? Não consigo entender e acreditar que sim!

Mas a violência e agressividade gratuita não está apenas nas ruas, no trânsito. Outro dia mesmo me contavam sobre um passageiro que "estapeou" uma atendente de companhia aérea, no aeroporto, porque seu assento não estava reservado no voo. Pesquisem no Youtube sobre "briga no aeroporto" e vocês verão inúmeros vídeos mostrando situações semelhantes e degradantes. Se pesquisarem por "briga no trânsito" então, o resultado é ainda mais assustador.

O que estamos fazendo com a nossa humanidade? É difícil acreditar que motivos de estresse corriqueiros sejam capazes de detonar essa animalidade nas pessoas. As vezes sinto como se estivesse rodeados por "zumbis", prestes a me devorar a qualquer movimento brusco. E é o que vejo acontecer, principalmente no trânsito. Falta consciência, falta gentileza, falta cooperação. A horda de ignorantes prestes a explodir é tamanha que as vezes dá medo de sair de carro. Conheço gente que adquiriu síndrome do pânico depois de uma discussão por uma vaga de estacionamento num supermercado, onde quase foi agredida.

Jessica Violência sem rumo e direção

Publicitária levou soco de motorista

Não quero parecer exagerado, meus queridos leitores, mas estamos vivendo tempos difíceis. E não falo de economia nem de política. Falo de coisas mais graves, que não podem ser consertadas. Vivemos tempos em que ficaram distantes a educação, a solidariedade, a colaboração e tolerância. Tempos em que o "individual" é mais importante que o "coletivo". Parece que as pessoas foram convocadas para uma guerra onde sobrevive quem é mais violento e forte. Vejo irmãos brigando na justiça contra irmãos por besteiras de um inventário, vejo filhos brigando com pais (e vice-versa) por motivos absolutamente banais, vejo chefes desrespeitando subordinados (a exemplo do que certas novelas dá como exemplo), idosos mal-tratados, crianças violentadas. Assisto pela TV e leio pelos jornais e internet que maridos assassinaram ex-esposas, pais mataram filhos e bandidos tatuando o número de mortes que causaram no braço.

E fico assustado, lembrando que no passado não era assim e que no futuro tudo pode ser ainda pior. E a solução não depende de um governo, de uma nação. Depende apenas de nós, do que pretendemos ser. E o que muitos pretendem, ou demonstram em suas atitudes, não me traz conforto algum.

Vício com endereço certo

cracolandia Vício com endereço certo

Cracolândia: fim dos barracos, mas não do vício.

Essa semana que passou a prefeitura de São Paulo lançou mão de mais uma tentativa de livrar as ruas do centro, mais propriamente a chamada "Cracolândia", dos usuários de drogas. Mas desta vez, a tentativa difere do que fez a administração de Gilberto Kassab que numa tentativa estapafúrdia revestida de "internação compulsória", acabou esparramando os viciados por vários pontos da cidade, até mesmo no Jardins, bairro nobre da capital. O que se fez agora foi cadastrar os moradores de rua viciados daquela região, acomodá-los em hotéis baratos (de graça, claro) e dar-lhes café da manhã, almoço e jantar. Também sem custo nenhum para eles. Quem topou fazer parte do programa, além de receber estes benefícios vai ter de trabalhar seis horas por dia na manutenção e limpeza de parques e praças ganhando 15 reais por dia trabalhado. Ao final de um mês, serão 450 reais se não houver faltas ao serviço. O programa, que já está sendo chamado de "Bolsa Crack", parece uma boa idéia. Mas só parece!

Em primeiro lugar, a ver o estado psicológico e de saúde da maioria dos viciados, se percebe de cara que o que eles mais precisam é de tratamento médico e internação. E isso o programa não prevê. Também não está sendo considerada uma boa idéia te-los colocado em hotéis na mesma região por onde perambulavam. Alguns darão menos de 30 passos do quarto onde estão para a calçada onde estavam. Apesar de muitos com quem conversei terem a intenção de se afastar das drogas, eles vão continuar sob a tentação e sentindo até o cheiro da fumaça dos cachimbos de crack que vão continuar sendo usados por ali, já que muitos rejeitaram a mudança. E outra: a intenção do programa não é fazer com que eles parem de fumar a droga imediatamente, portanto, não há nada que vá trabalhá-los nesse sentido agora. Em resumo, eles vão poder continuar fumando tranquilamente seus cachimbos, mas agora sob a proteção de um quarto de hotel. E só vão trabalhar nos dias que quiserem porque não serão obrigado a isso. Só não vão receber pelas faltas.

O que os programas de Kassab e Haddad tem em comum? O objetivo! Na verdade, às vésperas da Copa do Mundo o que se tenta mais uma vez é varrer a sujeira para debaixo do tapete, deixar a cidade "aparentemente" limpa da cracolândia. Só que desta vez ao invés de esparramar os viciados, esconderam boa parte deles dentro dos hotéis, livres dos olhos dos turistas.

"Mantê-los aqui, na mesma rua onde moravam não foi nada inteligente. É um passo para a recaída" reclama um dos usuários que se negou a ir para o hotel. Outro problema que se prevê é que muitos poderão morrer de overdose dentro dos quartos, coisa que não acontecia na rua porque sempre tinha um monte de gente em volta que ajudava e chamava o Samu. "Agora, se o camarada entrar, trancar a porta e fumar além do limite, sabe-se lá o que pode acontecer", profetiza o usuário. Dar a eles um espaço discreto como um quarto de hotel também vai permitir que eles recebam os traficantes com tranquilidade.

No dia em que acompanhei a "Operação Braços Abertos" para o Jornal da Record, conversei também com gente esperançosa. Mas eram, principalmente, casais. A possibilidade deles terem sua intimidade longe das ruas num quarto que não precisem dividir com outros viciados deu-lhes a esperança de sair dessa vida, de construir uma família de verdade, se livrar do vício. Por esse lado e se não houver recaída, o programa até que pode ajudar alguns a se salvarem.

Esperemos até o fim da Copa e das eleições para ver no que isso vai dar. Como já se tem noticiado que muitos dos inscritos no Braços Abertos passam o dia fumando a droga em seus quartos, muitos acreditam no fracasso do programa e que ele seja mais uma jogada eleitoreira do que uma ação humanitária.

Invasão na praia dos paulistanos

rolezinho Invasão na praia dos paulistanos

Rolezaum no Shopping Itaquera: susto e correria.

A nova onda nos shoppings de São Paulo e outras capitais brasileiras tem assustado seus frequentadores contumazes e lojistas. Afinal não nos traz tranquilidade nenhuma a invasão repentina de mil, duas, três mil pessoas, a maioria adolescentes da periferia na casa dos 16 anos, correndo e gritando pelos corredores. O chamado Rolezaum (assim mesmo como eles escrevem) não tem objetivo violento, ideologia e nem bandeira a ser levantada, mas assusta pelo volume e pela algazarra.

E não é para menos. Já considerada uma espécie de manifestação, esse tipo de reunião tem soado para muitos como as manifestações do meio do ano passado que causaram terror e quebradeira em várias capitais. Imagine isso acontecendo dentro de shoppings onde famílias inteiras costumam passear nos fins de semana como um dos poucos meios de diversão que possuem.

O grande problema dessa nova onda, erroneamente chamada de arrastão por alguns pseudo-analistas, é o que ela pode acobertar. Quando se há um volume muito grande de pessoas é praticamente impossível se ter controle sobre essa massa e, como aconteceu nas manifestações, é muito fácil que vândalos, com objetivos muito mais funestos, se infiltrem ali e promovam a barbárie. Basta uma meia dúzia deles se escondendo covardemente entre os "rolezeiros" para causar terror e fazer com que a depredação se espalhe e tome dimensões incontroláveis. E, tenho certeza, não é isso que os próprios organizadores desejam.

O "rolezinho" tem, no fundo, um motivo: é uma espécie de protesto pacífico ao fim dos bailes funk de rua, proibidos por lei em São Paulo e várias outras cidades brasileiras. Os Pancadões, como são chamados, eram a única diversão dos jovens mais pobres das metrópoles que não exigiam gastos. Bastava encostar um carro com som alto na rua ou num posto de combustíveis e a festa atravessava a noite. Sem isso, esses jovens não viram outra alternativa a não ser invadir a "praia do paulistano", os shoppings.

Sou contra qualquer aglomeração ou tumulto em locais fechados, sejam eles shoppings ou estádios de futebol. Então é preciso por uma ordem nessas "invasões" para que não venham prejudicar pais e crianças que estão ali, simplesmente, para ter algum momento único de lazer e paz. É preciso frear qualquer tipo de movimento que incite ou acoberte a violência e o vandalismo. Mas ao mesmo é preciso impedir que se instale no país uma espécie de Apartheid, proibindo os jovens das classes mais baixas de frequentar locais públicos considerados "mais requintados", como certos shoppings. Todos tem o direito de ir e vir e a seleção deve ser natural, como já acontece hoje em relação aos locais mais caros.

Agora, os próprios organizadores dos rolezinhos devem ficar atentos pois estão criando uma modalidade de mobilização que pode - e vai, com certeza - dar cobertura a bandidos, vândalos e outros criminosos que tem apenas o intuito covarde de se esconder entre os ingênuos para promover baderna. E em ano de Copa do Mundo e Eleições, isso viria a calhar para quem pretende jogar a culpa em alguém.

Promessas fora de hora

Relogio ano novo Promessas fora de hora

Todo começo de um novo ano as histórias se repetem. Vejo - na TV, nos jornais, nas ruas, entre os amigos e até no meu trabalho - uma enxurrada de promessas, novas resoluções e decisões que as pessoas pretendem colocar em prática no ano que se inicia. E a pergunta que me faço todas as vezes é: PRA QUE ESPERAR A VIRADA DE UM ANO NOVO PARA FAZER PLANOS?

Eu sinceramente não consigo entender essa coisa de aguardar uma data específica para "começar do zero". Me soa como comodismo. É como dizer que só vai iniciar o regime na segunda-feira. Ou a academia! Sei que o brasileiro é bastante supersticioso, mas não vejo por onde, a virada do ano muda alguma coisa nas decisões. Inclusive, o que mais vejo é que essas resoluções de ano novo quase nunca se concretizam para a maioria das pessoas. E porque elas, na verdade, nunca foram colocadas em prática.

E o que acontece? Vejo muita frustração por não se ter conseguido isso ou aquilo. Aí espera-se o ano inteiro ir embora, pra tentar de novo.

Acredito que o que falta nas pessoas é um pouco mais de iniciativa e menos devaneio.

Para mudar algo em nossas vidas, não há a necessidade de aguardar "um novo tempo". Basta você decidir em que momento isso deve acontecer. Por exemplo: porque esperou janeiro de 2014 chegar para entrar para a academia? Porque não fez isso no dia 20 de dezembro? Ah tá, lá vem a enxurrada de desculpas: férias, viagens, a correria das compras, a chegada dos parentes, blá, blá blá. Você já parou para pensar que esse seria o momento ideal para retomar os exercícios físicos devido a quantidade de calorias que ingerimos nessa época do ano? Não pensou, né?

É claro que existem coisas que não dependem da nossa vontade. Voltar para as aulas de inglês é outro exemplo. Nesse caso, a gente depende das escolas de línguas estarem funcionando. E nessa época é realmente difícil. Mas percebo que as promessas dependem muito mais de uma atitude do que de disponibilidade. Muito mais de vontade própria do que de "funcionamento" das coisas.

Muita gente espera o ano virar para perdoar alguém, para fazer um ato de caridade, para retomar aquela amizade desfeita por uma briguinha qualquer ou para tomar decisões que podem mudar suas vidas. Aí, ao queimar dos fogos do Reveillon, ajoelha e reza, cai no mar, acende velas, coloca sementes de Romã na carteira, come lentilha, pula sete ondas, veste branco ou compra uma batelada de badulaques místicos que vão "ajudar" nas promessas. E o que acontece? Nada! E o que acontece depois? Frustração!

Sempre segui o ditado "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje" e acredito que seja bem apropriado para essa tradição da virada. O que se deseja tem de ser imediato, sem delongas, sem adiamentos. Muitas vezes o resultado pode ser bem mais satisfatório. Fazer as pazes com alguém, por exemplo, não seria muito melhor antes do ano novo do que depois? Pelo menos você teria mais um(a) amigo(a) para festejar.

Como eu disse num artigo anterior, a gente se preocupa muito com o futuro mas se esquece de viver o presente. E ao adiar certas coisas podemos perder a chance de resolvê-la depois. Principalmente porque não podemos estar mais por aqui.

Então, se você espera passar o Carnaval (quando o ano realmente começa) para adotar um novo comportamento, saiba que pode ser tarde demais. E lembre-se que há apenas dois dias das nossas vidas com os quais não devemos nos preocupar: o ontem e o amanhã! O ontem passou, já foi. O amanhã será sempre um novo dia. Agora o que mudará seu futuro e te ajudará a construir um passado é o que você faz hoje!

Votos para a vida toda

2014 Votos para a vida todaNeste final de ano não quero desejar a todos um Feliz Natal, mas de forma alguma desejarei um "Triste Natal". Também não quero desejar votos de felicidade, ou que você alcance todas os seus desejos e tenha muitas realizações. Mas também não quero o contrário, claro. E vou evitar emanar votos de paz e de felicidade pra você e toda a sua família, apesar de estar entre os meus desejos. Vou desejar a todos algo muito maior que tudo isso!

Desejo a todos vocês, que leram meus artigos o ano todo, muita CONSCIÊNCIA! Consciência de que existem mais pessoas precisando de paz, harmonia e felicidade do que nós. Que precisam muito mais de nós do que nós dos outros.

Desejo também que vocês sejam mais ALTRUÍSTAS, que pensem um pouco mais nos necessitados, em quem não terá uma boa ceia neste fim de ano e naqueles para os quais uma boa ceia representa o alimento de um ano todo de fome.

Meus votos para você neste ano que termina, são de SOLIDARIEDADE e COMPAIXÃO com os mais idosos, com as crianças especiais, com os cegos, os cadeirantes e aqueles que tem deficiência mental.

Em 2014, desejo que todos tenham mais LUCIDEZ para escolher nossos novos governantes. Que tenham INTELIGÊNCIA para não cair na lábia de larápios de colarinho branco, de políticos corruptos, de gente que caga em nossas cabeças um mandato inteiro. Desejo CORAGEM para mandar esses políticos pro inferno e para a obscuridade e esquecimento e ILUMINAÇÃO para escolhermos quem realmente merece.

Quero que o novo ano seja de FIDELIDADE a todos. Fidelidade ao seu coração, aos seus princípios, à pessoa que você ama de verdade e que esteve ao seu lado o ano que passou. Fidelidade aos seus ideais e objetivos. Desejo ainda HONESTIDADE com sua consciência, com seus familiares, com seus amigos e colegas de trabalho.

Torço para que em 2014 os corações estejam repletos de HUMILDADE, que as pessoas aprendam a perdoar mais, a pedir mais desculpas e a admitir mais seus erros ao invés de tentar errar menos. Rezo para que a GENTILEZA seja a palavra de ordem. Gentileza no trânsito, no trabalho, em casa, nas ruas, no seu dia-a-dia.

Clamo para que tenhamos mais AMOR, seja ao próximo, ao desconhecido, a aquele que nos magoaram um dia mas já foram perdoados, aos nossos familiares distantes e ausentes e ao nossos filhos e esposas que as vezes negligenciamos por causa do trabalho.

Meus votos de SABEDORIA, DISCERNIMENTO e COERÊNCIA!

Por fim, entre tantos outros sentimentos, desejo que todos tenham mais ! Fé para crer na mudança, na melhora, no crescimento. Fé para acreditar que tudo tem solução, tem um caminho melhor, tem um destino pré definido. Fé para não desistir nunca e admitir que existe algo maior que nos guia, nos ilumina e nos protege.

Uma FELIZ VIDA PARA TODOS!

Ano novo, novos reajustes. Algo novo?

airbags frontais Ano novo, novos reajustes. Algo novo?

Airbags frontais e freio ABS: segurança obrigatória a partir de Janeiro

O ano de 2014 começa com algumas surpresas - nem tão agradáveis - para determinado grupo de pessoas. Todas relacionadas a quem tem automóvel ou pretende ter um. E essas surpresas refletem, principalmente, naquilo que o brasileiro mais detesta, mas, ao mesmo tempo, já está tão acostumado: o aumento de preços!

Um desses reajustes vem no preço da Carteira Nacional de Habilitação, a famosa CNH. Quem for tirar a carteira pela primeira vez vai pagar, a partir do dia primeiro, cerca de 100 a 150 reais a mais, fora o reajuste anual de praxe. Isso por causa da obrigatoriedade do uso de simuladores de direção nas aulas práticas. De acordo com a resolução do Denatran (de 2010), todos os candidatos a motoristas serão obrigados a passar pelo simulador, equipamento que muitos centros de formação de condutores e autoescolas terão de adquirir. O investimento é de trinta mil reais por equipamento, custo que será repassado aos alunos.

simulador Ano novo, novos reajustes. Algo novo?

Simulador de direção: motoristas mais preparados nas ruas

Outro reajuste que o brasileiro vai enfrentar é no preço dos carros. Os modelos populares deverão custar de mil a mil e quinhentos reais mais caro por causa da instalação de airbags frontais e sistema de freios ABS, que a partir de janeiro serão itens obrigatórios de série em 100% dos veículos fabricados no país.

Então, meu amigo ou amiga, se você pretende comprar um carro a partir do mês que vem e ainda não tem habilitação, saiba que vai gastar uma boa graninha a mais do que neste mês. Mas vamos ao lado bom dessas obrigatoriedades.

No caso dos simuladores de direção, o equipamento permitirá aos candidatos a motorista enfrentar situações que dificilmente encontrará nas ruas e estradas durante as aulas práticas, ao mesmo tempo: neblina, chuva forte, escuridão, trânsito pesado e outras situações adversas. Também aprenderá, antes de ir pras ruas de verdade, o funcionamento de vários itens de segurança dos veículos. Isso permitirá uma formação melhor dos motoristas, invocando uma possível redução no número de acidentes e, consequentemente, de vítimas. Há aqueles que dizem o contrário, os que não apostam na eficiência dos simuladores, mas é melhor que nada. Conversando com uma aluna que nunca dirigiu um carro antes, ela me disse que passar pelo simulador vai deixá-la mais tranquila e consciente na hora de assumir um volante de verdade. Já é um avanço!

Quanto à obrigatoriedade dos air bags e ABS em todos os veículos, estamos fazendo isso com pelo menos 20 anos de atraso. Nos Estados Unidos e Europa, esses itens fazem parte dos veículos há bem mais tempo. Para os americanos, por obrigatoriedade imposta por lei. Para os Europeus, por uma decisão espontânea das montadoras e por exigência dos consumidores. São dois equipamentos que, comprovadamente, ajudam a minimizar os riscos de acidentes e mortes. Nos EUA, por exemplo, desde 1987 quando se tornou obrigatório, air bag e ABS juntos ajudaram a evitar mais de 25 mil mortes. Um número extremamente significativo diante das 50 mil mortes por ano registradas no Brasil, em acidentes de trânsito.

É claro que quem vai pagar mais caro por essas implementações somos nós, consumidores. E mais uma vez a história se repete. O governo, na verdade, bem que poderia conceder um incentivo às montadoras de veículos e autoescolas, baixando impostos para que esses investimentos fossem feitos sem que houvesse a necessidade de repassar pro nosso bolso. Mas não é isso que acontece. Como sempre, o governo mete a mão no nosso bolso pra pagar por suas decisões.

Não sou contra nenhuma dessas medidas. Pelo contrário, sou mais que favorável. O indigesto é ter que "entubar" mais esses reajustes, afora aqueles que normalmente chegam com o início de um novo ano (IPTU, IPVA, escola etc.). Mas essa é a política desse governo que está aí: quer melhora em alguma coisa, pague por ela. E CARO!! Só que estamos pagando caro pela saúde e não temos saúde. Estamos pagando caro pelo IPVA e não temos estradas ou ruas em condições de trafegabilidade. Estamos pagando caro pela segurança e não temos segurança. Estamos pagando caro pela educação e nem em sonho temos educação.

Pelos menos nos casos da habilitação, air bags e ABS, pagaremos mais caro, mas pelo menos teremos alguma coisa em troca.

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