Tarifa revogada! Mas pode ser uma armadilha.

ng2413315 Tarifa revogada! Mas pode ser uma armadilha.

Vitória nas ruas: tarifas rebaixadas

Quero fazer um “mea-culpa” hoje em relação a o que eu disse no último artigo. Eu afirmei que o brasileiro não sabia fazer manifestação, um protesto decente. Isso diante da onda de baderna e vandalismo que vimos nos protestos pelo Brasil afora e questionando porque isso só foi feito agora. Ainda continua não sabendo, precisa aprender muito com a história. Mas o volume de pessoas nas ruas e as vitórias conquistadas em torno da tarifa de ônibus nos ensinaram que esse é o caminho, o começo, o despertar. Nunca se viu uma união tão grande em torno de um só grito. Nem mesmo nas Diretas Já ou no impeachment de Collor. Resultado: tarifas de ônibus baixadas em várias capitais e reajustes revogados em quase todo o país. Hoje, quarta-feira, foi a vez de São Paulo e Rio de Janeiro cederem. E assim se pode dizer: É, o povo realmente acordou e tem força!”.

Já sabemos também que a bagunça e o quebra-quebra registrados foram patrocinados por pequenos grupos de vândalos que não comungam com o ideal da maioria e apareceram só para tentar desacreditar o movimento. A grande massa mesmo mostrou maturidade, união e força. Apesar dos xingamentos que nós da mídia sofremos nas ruas, vimos que isso faz parte de um contexto secundário, de uma provocação apenas. Mas o foco foi mantido e vitória conquistada. Só quero lembrar aos mais exaltados que foi exatamente a mídia que revelou ao mundo a força que esse movimento popular teve.

O que me amedronta mais nessa história toda é o discurso político em São Paulo que me leva a crer que essa revogação do reajuste da tarifa pode custar muito mais caro lá na frente. O prefeito Fernando Haddad deixou claro que isso poderia custar investimentos em outras áreas. Então nos preparemos para enfrentarmos reajustes piores no IPTU e em outros serviços públicos como água, gás, luz e telefone. E vamos ficar atentos ao que faltar ainda mais na saúde, educação e segurança. O recado foi claro de que somos nós é que vamos continuar pagando a conta porque eles não vão tirar esse prejuízo do dinheiro gasto com a Copa. Ou alguém acredita que vão?

Mas desta vez, pelo menos o recado maior foi do povo. Nossos governantes sabem o poder que essa massa tem nas mãos e do que ela é capaz. Então, é bom não abusar nem nos fazer de trouxas.

Estive em quase todas as manifestações em São Paulo. Confesso que acompanhei assustado os clamores populares. Mas meu espanto não foi pelo medo do que poderia acontecer com nossa equipe nem das provocações que sofremos. Foi por ver o tamanho e a rapidez da mobilização através das redes sociais. Nem mesmo as lideranças do Movimento Passe Livre, tenho certeza, sabiam no que isso ia dar. E deu no que deu: um imenso despertar de populações insatisfeitas em quase todas as capitais brasileiras. O grito pela redução da tarifa virou o grito pela educação, contra a corrupção, por mais segurança e saúde. Virou o grito do “saco-cheio” de tanta bandalheira desse governo, de tanto desmando. Virou o grito contra o desrespeito.

O governo passa a mão na cabeça agora mas vai nos entubar de outra maneira. Só não podemos deixar que isso nos desanime. As manifestações precisam continuar, o povo precisa sair às ruas cada vez que se sentir lesado. Quem sabe um dia a gente consiga fazer com que parem de nos fazer de palhaços.

Que tarifa nada! O buraco é mais embaixo.

protesto Que tarifa nada! O buraco é mais embaixo.

Brasileiro não sabe protestar, não sabe fazer manifestação, não consegue realizar um levante decente. Falo isso pelo que estamos vivenciando em São Paulo, por causa do aumento na tarifa de ônibus. O que deveria ser um movimento inteligente, sério, responsável e vitorioso acabou descambando para a baderna descontrolada. E não há lado pra se defender nessa batalha.

A polícia - é claro e sabido há muito tempo - é truculenta e despreparada. Age com violência desmedida, sem alvo definido. Por isso fez vítimas que não estavam ali protestando contra nada como, por exemplo, dezenas de jornalistas que cobriam os protestos. Vários foram feridos por balas de borracha, cacetetes, botinadas, bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta. Um fotógrafo atingido corre o risco de perder a visão de um olho.

Já os manifestantes, comandados pelo Movimento Passe Livre, perderam uma grande oportunidade de fazer história ao permitir que os protestos resultassem em vandalismo. Querer gritar, enfrentar a polícia, atirar pedras... ótimo! Mas quebrar vitrines, portas de banco, destruir bancas de jornal e lixeiras públicas e pichar ônibus, lhes tirou a credibilidade. Eles tinham a faca e o queijo na mão para conseguir sucesso, mas jogaram a oportunidade fora. Ainda não aprenderam que nenhum levante terá resultado se não tiver o apoio popular. E agindo assim, parando o trânsito, o transporte público e destruindo bens públicos, jamais terão o apoio da população.

Na verdade, há várias vertentes que se tem de analisar nessa guerra travada nas ruas de São Paulo e do Rio essa semana. O aumento da tarifa de ônibus pode ser considerado pequeno - de apenas 20 centavos. Pouco, considerando-se o tempo em que ela não é reajustada - desde janeiro de 2011, mais de dois anos. Mas excessivo se levarmos em conta a inflação desde 1994, pouco mais de 300%. Fazendo as contas, o passe não deveria custar mais que 2,59 reais. Mas como nada nesse país segue à risca a evolução inflacionária, releva-se. E vinte centavos multiplicados num mês, fazem muita diferença para quem anda de transporte público.

Pelo lado dos protestos, devemos nos perguntar porque tanta ira com isso e quase nenhuma com a corrupção vergonhosa que mata esse país? Cadê o povo nas ruas contra as condenações do julgamento do mensalação que podem cair por terra? Cadê os gritos e bandeiras levantadas contra o imenso gasto que temos visto nos estádios que vão sediar jogos da copa do mundo? Cadê as manifestações pela situação da saúde no país, contra o absurdo salários dos deputados (que aprovam os próprios aumentos) e o peso dos impostos no nosso orçamento? Contra coisas que realmente importam, ninguém tira a bunda do sofá.

Aqui no Brasil, qualquer greve, protesto, manifestação ou paralização, ferra com a vida do brasileiro. Por isso não dá resultado. Greve de trens deixa milhões de pessoas sem transporte. Vai encontrar alguém que apoie esse movimento! Na França, só para citar um exemplo, na greve de funcionários do metrô, as catracas são liberadas e os franceses circulam o dia todo sem pagar nada. Afinal quem tem de ter o prejuízo é o governo, as empresas de transporte, não a população.

Qualquer movimento precisa de controle. E não é o que estamos vendo por parte de quem está organizando tudo. É claro que a maioria não quer violência, não quer enfrentamento. Mas basta meia dúzia de baderneiros infiltrados para que o caos se instale. E com a polícia que temos - inapta, despreparada, autoritária e sedenta por violência - um pedregulho atirado resulta em bombardeio desenfreado.

Não sou contra essa manifestação da tarifa. Sou contra a forma como estão tentando fazê-la, contra o vandalismo e a baderna instalados. Mas posso até tentar entender o que está acontecendo. O problema não é a tarifa. O motivo mesmo é o saco cheio, o desânimo, a indignação do povo brasileiro contra os desmandos desses governos autoritários que temos enfrentado, e tanto faz se nas esferas municipal, estadual ou federal. É o cansaço de engolir sapo, pagar tanto imposto, aturar tanta corrupção sem ter um mínimo de retorno na nossa segurança, na nossa educação, na nossa saúde. É a onda de intolerância, de criminalidade! O povo tá farto de ser subjugado, de ser tratado como ignorante por medidas que são criadas e que só levam vantagem a quem está lá em cima, no comando. O brasileiro cansou de tanta roubalheira, da justiça que tarda, falha e não resolve, das coisas que não funcionam. Por isso eu temo que a briga pela tarifa seja apenas um estopim para algo muito maior.

E temo ainda mais que essa efervescência toda seja abrandada e esquecida com Copa que vem aí. Afinal de pão e circo o brasileiro vive há muito tempo. E o pior: aceita!

Intolerância: caminho para a auto-destruição

intolerancia Intolerância: caminho para a auto destruição

Tenho andado entristecido com a humanidade, chocado com brutalidade das relações e das reações humanas, decepcionado com o que o ser humano está se tornando. Falo isso com a alma contaminada pela tragédia que vimos, agora, num apartamento de Alphaville. O caso não tem nenhuma relação com a criminalidade, com a delinquência, com a violência urbana que estamos acostumados a ver diariamente. Desta vez - o que mais me amedronta - tem relação com a desumanidade das pessoas, com a forma odiosa com que os semelhantes tem se tratado, com a ganância, com a arrogância, com o egoísmo. Um homem de 63 anos estragou a vida de três famílias - a do marido, a da mulher e a dele próprio. Pelo que? ABSOLUTAMENTE, POR NADA! Simplesmente perdeu a compostura e a lucidez porque estava sendo alvo de reclamações. Foi desumano e egoísta. Matou em nome do seu próprio bem estar, matou a mando do próprio ego. E antes de se matar com um tiro na cabeça, ainda responsabilizou a esposa pelo estrago. "Matei e resolvi. Agora é com você", teria dito ele.

Mas não é só isso que me revolta nas relações humanas. Há várias outras formas de assassinato que são tão cruéis quanto tirar a vida de alguém. O assassinato da gentileza, do altruísmo, a morte da solidariedade e da compaixão, a execução sumária da bondade, da lealdade e da honestidade. Um exemplo disso: cruzo o dia todo com pessoas dentro do meu próprio trabalho que, muitas vezes, são incapazes de dizer um "bom-dia", "boa-tarde" ou "boa-noite". Nas ruas vejo o desprezo de muitos com o "obrigado, com licença e me desculpe". Tomo esbarrões em locais lotados e não ouço nada disso.

Ao contrário da gentileza e da educação que deveríamos estar vendo, somos testemunhas diárias da ignorância e, quase sempre, da idiotice, da imbecilidade. Basta buzinar para um motorista para alertá-lo que ele está te fechando e, pronto! Lá vem um dedo médio erguido para o alto naquele tom ameaçador. Isso quando o sujeito não para ao seu lado no semáforo e desfila todo um repertório de palavrões que faria Dercy Gonçalves revirar no túmulo. Já fui ameaçado por  homens e mulheres ao volante, taxistas, motoristas de ônibus e motoboys (esses quase que diariamente) que se sentem donos da via pública e no direito de fazerem as atrocidades que bem entenderem achando que não podem ter a atenção chamada. Bando de trogloditas que, parece, estão enfrentando uma guerra em que o mais forte sobrevive e os mais fracos são pisoteados. Prefiro ser o mais fraco, mas não me uno a essa horda de boçais que, impacientes e truculentos, tornam o cotidiano essa selva toda.

Ah, claro, não podemos esquecer também dos criminosos que ceifam vidas, subtraem sonhos e desejos, ameaçam nosso futuro em troca de um relógio bacana, de um celular moderno ou de uma bolsa, talvez falsificada. Ou dos gatunos que, sorrateiramente invadem nossos lares, nossas almas e nossa dignidade. Hoje você trabalha, você conquista mas a insegurança lhe impõe limites para usufruir daquilo que conquistou. A ineficiência da polícia e a falta de uma política pública de segurança jogaram para nós, mortais, a responsabilidade de cuidar do que temos. Ao invés de dar o recado para os bandidos, o recado vem pra gente mesmo: "Olha, não andem com celulares caros, não exibam relógios valiosos, não dirijam carros luxuosos, blá, blá, blá!"

Mas falando a verdade, são dos bandidos que a gente deve menos ter medo. Pois sabemos o que querem, como agem, mais ou menos quando agem e porque são assim. E até podemos identificá-los por sua maneira sempre suspeita. Medo mesmo devemos ter dos vizinhos que não conhecemos, do motorista de taxi que está à sua frente, do motoboy que vem pelo seu retrovisor, da pessoa com quem você esbarra na rua. Desses sim não sabemos o que esperar, que reação terão a uma afronta qualquer. Por mais banal que seja, a pressão do estresse, dos problemas rotineiros, da falta de dinheiro ou até mesmo um desequilíbrio emocional patológico serão gatilhos para transformar essas pessoas em verdadeiros monstros que matam sem motivo aparente ou justificativa. Os "dias de fúria" estão se tornando comuns e é isso que devemos temer. E o pior: contra essa intolerância não há segurança nem polícia que a impeça. Ela nos ronda, convive com a gente e pode, a qualquer momento, bater à sua porta. Pode estar até mesmo dentro da sua casa.

O que fazer? Na verdade não sei. Mas só vejo solução nas nossas atitudes, na nossa conduta. Pois da mesma forma que elas nos conduzem ao céu, também podem nos levar ao inferno.

Domésticas: sobra exigência e falta eficiência

Domésticas 2 Domésticas: sobra exigência e falta eficiência

A Carteira de Trabalho passou a valer mais que o próprio trabalho

Essa semana que passou minha mulher dispensou mais um empregada doméstica. A quarta em pouco menos de 3 meses. E apesar delas não terem sido registradas por causa do pouco tempo que ficaram (período de experiência), receberam todos os direitos que a lei garante a elas: salário, INSS, décimo terceiro e férias proporcionais e mais um agradozinho a título de FGTS. Sou correto e muito antes da nova lei, sempre fiz questão de pagá-las corretamente. Mas tem havido um problema muito grave aí: as domésticas não estão nem um pouco preocupadas em se profissionalizar para fazer jus aos seus novos direitos.

Todas as secretárias (prefiro chamá-las assim) que passaram pela minha casa nesses últimos meses, sequer conseguiram dar conta de metade das suas obrigações. E olha que aqui moramos numa casa relativamente pequena e somos apenas dois adultos e um bebê, sendo que a pequenininha ainda tem uma babá só pra ela. O que a minha mulher consegue fazer num período, nenhuma delas conseguia completar o dia todo. Sem contar nas tarefas feitas de maneira errada ou mal feitas. Quer exemplos? Um terno que foi parar na máquina de lavar, uma planta morta por excesso de água, coisas guardadas fora de lugar e que agora não se acha, pratos, copos e louças quebradas por desatenção e comida prontinha pra ser levada embora sem a devida autorização são apenas detalhes de uma lista imensa de problemas. Sem contar no consumo exagerado de gás, água e produtos de limpeza e o tempo idem falando ao celular durante o trabalho.

Nunca fomos carrascos, nunca exigimos cumprimento de horários e nunca fomos de passar o dedo por cima dos móveis pra saber se tem poeira. Mas agora, já que temos obrigações de lei a cumprir para com elas, nada mais justo do que exigir que elas sejam mais profissionais e eficientes.

É isso que tenho percebido na maioria dos lares que conheço. A PEC das domésticas garantiu novos direitos e trouxe mais benefícios a elas, mas está mudando em muitos casos a forma de relação entre patrões e empregados. E, digo, pra pior. Antes, até deixávamos passar muita coisa em prol de uma relação amigável, muito mais familiar. Agora tenho visto domésticas em casa de amigos batendo a mão na mesa dizendo que não faz mais isso ou aquilo, não fica mais até tal hora ou quer aumento porque o serviço é pesado. Oras, tudo bem! Mas e a contrapartida disso? Além de não apresentarem a experiência que desejamos, pior que isso é que elas ainda continuam - agora mais que nunca - saindo de casa depois de uma dispensa e batendo na porta da Delegacia do Trabalho para saber o que ainda tem pra receber.

Não éramos exigentes. Mas passamos a ser. E devemos ser! Afinal, uma secretária me custa quase dois mil reais por mês entre o que pago a ela e o que sou obrigado, agora, a pagar pro governo. E assim como qualquer outro funcionário de uma empresa, tenho o direito de cobrar, no mínimo, o cumprimento eficiente dos seus deveres. Não deu conta, a porta é a serventia da casa.

O que estou vendo é que a nova lei, muito além dos benefícios que trouxe, está é criando uma relação mais dura entre patrões e empregados domésticos. E com isso, outros benefícios reais que elas tinham como faltas não descontadas, objetos quebrados que não eram cobrados, dinheiro adiantado, a permissão para trazer os filhos ao trabalho numa emergência, ou presentinhos extras que sempre demos, estão se perdendo na rigidez dessa relação. É claro que há exceções - aqueles casos, por exemplo, em que a Dona Francisca está há mais de dez, vinte anos com a família e não pode ser tratada de maneira formal. Mesmo assim, tenho visto muitas "Franciscas" perdendo o emprego por causa das obrigações patronais.

Sei de história de famílias que acolheram em casa domésticas vindas de outras cidades. Sendo assim elas dormem no emprego, tem casa e comida de graça e ainda não tem despesas de água, luz, telefone, internet, etc. Fazer o que agora? Não permitir mais que elas durmam no emprego para não correr o risco de pagar horas extras e adicionais noturnos? Jogá-las na rua para que elas agora arquem com todas essas despesas de moradia? Ou será uma saída descontar delas a alimentação, parte da água, da luz e, quem sabe, um aluguel pelo quartinho? Analisando tudo isso, leva-se a crer que os trabalhadores domésticos ganham... mas perdem muito mais com a lei.

Não sei onde vamos parar. Usar a estratégia da diarista, com tudo isso, acabou se tornando inviável. Afinal tenho visto domésticas que cobravam 50, 60 reais antes, pedindo 150 pra trabalhar por apenas oito horas.

O governo, mais uma vez, se deu bem. Vai arrecadar mais com FGTS e INSS, e criou uma lei popularesca que vai lhe render mais votos. E nos nos demos mal. Além de pagar mais caro, teremos de nos contentar com esse nível de mão de obra. Afinal é o que tem pra hoje. E as domésticas? Será que se deram bem ou mal com isso? Só o tempo e as estatísticas vão dizer.

Carroça nacional é perigosa!

Sempre foi dito que os carros nacionais são verdadeiras carroças. Isso se intensificou com a abertura do mercado automotivo para os automóveis importados, no Governo Collor - o que nos fez ver, realmente, que é possível ter um bom projeto, completo, eficiente e mais barato. As fábricas nacionais se mexeram, começaram a dar uma melhoradinha aqui, outra ali, e hoje (com anos e anos de atraso) é possível encontrar um pouco mais de sofisticação em nossas carroças. Mas muito pouca. E ainda pagamos muito caro por elas - que continuam (um pouco menos) carroças diante de modelos vindos até da China.

Agora, uma matéria publicada no jornal americano The New York Times, coloca ainda mais lenha nessa fogueira e (tomara!) pode chacoalhar novamente as bundas acomodadas das montadoras nacionais. A reportagem intitulada "Carros feitos no Brasil são mortais" deverá se encarregar disso.

capotamento 300x225 Carroça nacional é perigosa!

Mortes em acidentes: culpa seria de carros nacionais mal feitos

A reportagem afirma que os veículos produzidos no País são feitos com soldas mais fracas, poucos itens de segurança e materiais de qualidade bem inferior aos dos americanos e Europeus. E quando esses veículos vão para as ruas, a situação se transforma numa tragédia nacional. Quem diz isso tem propriedade para tal: a Associated Press é uma das agências de notícias mais antigas do mundo. Fundada em 1846, ela fornece noticiário para mais de 1,7 mil jornais e cinco mil emissoras de rádio e TV. Então, não é qualquer veículo que revela esse terrível raio X.

Segundo ainda a reportagem "a alta taxa de mortalidade no trânsito no Brasil seria quatro vezes superior à americana, resultado da fragilidade dos modelos brasileiros". De cada cinco carros analisados no País, quatro não passariam em testes de colisão feitos por empresas independentes. E outro detalhe ainda mais interessante: enquanto nos Estados Unidos a margem de lucro para as montadoras automotivas é de meros 3%, no Brasil gira em torno de 10%.

Em resumo: as fábricas de veículos brasileiros cobram muito e oferecem pouquíssimo. É lógico que boa parte da culpa disso é dos impostos escorchantes, mas pesa junto a ganância da indústria nacional. Vamos dar um exemplo: um Gol 1.0, basicão, que não tem vidros e travas elétricos nem ar-condicionado, custa hoje em torno de 28 mil reais aqui no Brasil. Engraçado é que o mesmo carro fabricado aqui e exportado para o México, custa cerca de 13 mil reais. Isso incluindo ar, travas, vidros e uma série de outros acessórios obrigatórios. É o modelo "tipo exportação" que nos deixa clara a sensação de ficar com "a rapa" da panela.

Tempos atrás, ameaçados pela invasão dos importados, a indústria nacional jogou sujo. Fez lobby junto ao governo e, BOOM!, o IPI dos estrangeiros subiu descaradamente. Estando mais caros, o jeito foi apelar para as carrocinhas nacionais. E aí, o que houve? Subiram os preços dos automóveis brasileiros. E lançaram a campanha do "IPI reduzido" para enganar trouxas como nós.

Tá passando da hora da gente acordar. Enquanto houver consumidor para os "poisés" brasileiros, as montadoras vão deitar e rolar em cima da gente. Principalmente com a política do "compre e pague em suaves prestações com juros exorbitantes" do governo.

É uma pena, mas tenho certeza de que a reportagem do New York Times não terá o menor efeito sobre a nossa indústria. E a demonstração já veio na resposta: as montadoras declararam que os automóveis brasileiros respeitam normas de segurança vigentes no Brasil (normas que, sabemos, são bem menos exigentes que em qualquer lugar do mundo). Dizem elas ainda que o número de mortes de motoristas e passageiros é atribuído por elas à má conservação de ruas e estradas.

Então quer dizer que elas jogam no governo a culpa por tantos acidentes! Sei!

Ué, mas não foi o governo que facilitou a vida delas baixando o IPI dos nacionais e aumentando o dos importados?

Esse toma-lá-dá-cá não tá funcionando muito bem! E mais uma vez quem está "tomando", somos nós!

Carros versus Bikes – até quando?

bikes Carros versus Bikes   até quando?

Tem gente que precisa aprender a conviver com as bikes

Semana que passou vi pelo Facebook o artigo de um colunista da Folha que causou indignação na maioria dos leitores e a mim também. O teor sugere que o tal jornalista não tem o mínimo conhecimento necessário do trânsito que o cerca. O texto é cheio de preconceitos contra mulheres e velhos ao volante e destila um ódio quase velado pelos ciclistas. É óbvio que, como ele mesmo afirmou, o fato dele não saber andar de bicicleta o leva a rechaçar quem sabe e curte. Mas esse nobre (nobre?) colega de profissão parece que o faz por não ter a mínima noção do que é a ocupação das ruas de qualquer cidade, apesar de sua suposta experiência e vivência.

Não quero aqui levantar a bandeira do transporte ecológico, que não polui, não faz barulho, não consome combustível e traz benefícios à saúde. Apesar de ser um ciclista ativo não gosto de usar a prática para ativismos desacerbados. Mas defendo sim a convivência pacífica entre os que pedalam e os que se acham donos do trânsito.

O jornalista brada em seu artigo que "o ciclista é insidioso, frágil, secreto. Conspira contra o carro: confia no poder das massas –às dezenas, e logo às centenas, conquista a faixa do ônibus, entre os quais se esconde, e conquistará as outras". Deixando de lado a barbaridade que ele diz, temos de observar que o trânsito é organizado para a convivência segura de vários agentes: carros, motocicletas, pedestres, camihões, coletivos e... ciclistas! Isso mesmo, os ciclistas também tem o direito de fazer uso das ruas, assim como qualquer outro meio de transporte. Está no Código Brasileiro de Trânsito. Texto do CBT valoriza essencialmente a vida, não o fluxo de veículos. Na redação de seus artigos, está uma preocupação, acima de tudo, com a integridade física dos diversos atores do tráfego, sejam eles motoristas, motociclistas, ciclistas ou pedestres. Bicicletas, triciclos, handbikes e outras variações são todos considerados veículos, com direito de circulação pelas ruas e prioridade sobre os automotores.

Ainda pergunto: que direito dá aos carros de dominarem as vias, não permitindo que nenhum outro meio mais possa usá-las?

Precisamos dizer a alguns motoristas, principalmente os que comungam da visão desse retrógrado jornalista, que essa soberania do automóvel na briga pelo espaço nas ruas não existe e nunca existiu. Aliás, foram as bicicletas as primeiras a ocuparem as vias de tráfego ao longa da história e aos poucos foram expulsas pela imponência dos carros, esses sim ameaçadores pela sua potência e massa. E não vejo problema algum que elas estejam voltando, cada vez mais, a ocupar o espaço que sempre foi delas. Se as bicicletas e seu benefício de transporte não fossem tão importantes, não se teriam criado leis para punir os motoristas que as desrespeitam.

As ruas são dos carros, mas igualmente das bicicletas, dos pedestres, dos ônibus, dos caminhões e de qualquer veículo de transporte que tenha ou não motor. Mas é preciso haver respeito de todas as partes. Pedestres não podem achar que, pelo fato de terem ganhado mais importância com a lei das faixas, agora são donos das ruas. Assim como os ciclistas não devem se igualar aos motoboys achando que o corredor é seu território. A gentileza e o cuidado com a vida tem de fazer parte dessa convivência. E quem está ao volante de um carro, principalmente os que admitem serem "barbeiros confessos", em vez de se sentirem ameaçados pelos ciclistas, deveriam sim é compreender a importância das bikes para a mobilidade de uma capital como São Paulo e nos fazer o favor de não sair por ai colocando em risco a vida das pessoas. Afinal estes sim são uma verdadeira ameaça ao trânsito.

Maioridade penal: reduzir resolve?

menores no crime Maioridade penal: reduzir resolve?

Tirar a arma das mãos deles não é tarefa fácil.

Esta semana que passou, o assassinato "gratuito" do jovem Victor Hugo Deppman, de dezenove anos,  por causa de um celular, reacendeu as discussões sobre a redução da maioridade penal no Brasil. O criminoso, apreendido no dia seguinte, fez dezoito anos dois dias depois de ter disparado dois tiros na cabeça do estudante, covardemente, mesmo já tendo pego o objeto que queria. De São Paulo, o governador Geraldo Alkmin prometeu levar ao Congresso Nacional uma proposta para uma punição mais severa aos menores infratores, principalmente aqueles que matam sem piedade. Já em Brasília, o governo se manifestou contra. É uma questão delicada, com pesos e medidas diferentes que devem ser analisadas a fundo.

Eu, particularmente, sou a favor da redução da maioridade penal. Afinal, se os adolescentes tem o direito e a responsabilidade de votar, também deveriam ser punidos criminalmente como adultos. Nos Estados Unidos um jovem de 14 anos pode até pegar prisão perpétua, dependendo do crime. Aqui, toma umas palmadas e vai pra lanchonete comemorar a soltura com os amigos. Sou a favor, mas temo pelas consequências do atual sistema penal em que vivemos. Todos sabemos que a recuperação em nossos presídios é muito subjetiva. Jogar um jovem adolescente em meio a bandidos e marginais mais experientes só o tornará mais criminoso ainda. Mas, de alguma forma, o governo precisa adotar medidas mais rígidas para barrar essa violência cometida por garotos de 15, 16 anos, pelas ruas de todo o país. E eles precisam saber que, se aprontarem, também sofrerão as consequências da lei.

Hoje sabemos que as instituições para menores infratores não tem a mínima estrutura para reeducar os jovens que passam por ali. Isso quando eles vão para lá, porque, na maioria das vezes, são liberados poucas horas depois de apreendidos por falta de vagas nessas instituições. Dois domingos atrás um menor foi apreendido na zona sul da cidade com uma moto roubada. Foi liberado no dia seguinte porque o juiz considerou uma infração "leve". Quatro dias depois, ele foi preso novamente depois de comandar um arrastão a um restaurante na mesma região. E logo estará nas ruas de novo (se já não estiver) para cometer outros crimes. Inclusive, muitos menores são aliciados por grandes organizações criminosas para comandar ações ilegais e assumir a responsabilidade pelos crimes porque sabe-se que não serão punidos.

Reduzir a maioridade penal é uma das alternativas mas isso precisa vir acompanhado de várias outras medidas. Entre elas eu citaria a criação de presídios especiais, bem diferente dos atuais abrigos para menores, para não misturar esses menores com criminosos mais experientes. Precisaríamos também de uma justiça máis célere e eficiente - pois com essa que está aí, enfrentaríamos os mesmos problemas que temos hoje para julgar os bandidos comuns. Acrescento ainda mudanças profundas no ECA, hoje muito protecionista e desatualizado. E outra coisa, uma das mais importantes: tornar a polícia preventiva mais eficiente, impedindo que estes menores atuem livremente com a mesma impunidade que os bandidos comuns tem hoje.

O governo precisa adotar medidas sérias rapidamente. Não pode mais ficar apenas assistindo às discussões à distância, como se não tivesse nada a ver com a situação. Se defende a não redução da maioridade penal, que apresente propostas de mudanças imediatamente e aja de maneira objetiva para barrar essa onda de violência juvenil a que estamos assistindo. Chega dessa história de "sou-contra" sem fazer nada a respeito. E também, como sempre faz, não jogue a responsabilidade para nós, cidadãos, de cuidarmos da nossa própria segurança. Isso é um dever do Estado!

Menores na cadeia já, eu apoio. Mas desde que se saiba o que está sendo feito para que a base da nossa sociedade não seja destruída pela ansiedade dos imediatistas que preferem consertar as consequências à eliminar as causas.

Relações domésticas em risco

Acaba de ser aprovada, parcialmente, a lei que rege o trabalho das empregadas domésticas. Com certo trocadilho, arrisco a dizer que o que vem por aí é uma faca de dois "legumes". Acho que, merecidamente, a categoria consegue igualar seus direitos aos dos demais trabalhadores brasileiros com carteira assinada - vai ter direito a horas extras, férias remuneradas, FGTS (que antes era opcional) e outras garantias. Mas a igualdade pode lhes trazer mais prejuízos do que benefícios.

Me apoio no que muitos especialistas tem dito por ai. As domésticas, ao contrário dos trabalhadores registrados pelo regime CLT, não trabalham para o setor produtivo. Nós, pessoas físicas, não produzimos bens, nem receita e não obtemos lucros e, mesmo assim teremos de arcar com mais esse peso no bolso - cerca de 40% do que pagamos às nossas colaboradoras. No caso das empresas, geralmente o que ocorre quando há aumento de encargos, sejam trabalhistas ou governamentais, isso é repassado aos produtos e serviços, dentro de uma planilha de custos. Com as donas de casa essa possibilidade não existe!

A lei é um avanço, admitimos, mas deve ser tratada pelo governo com certa cautela, senão poderá haver demissões de domésticas ou a contratação ilegal de muitas, através de acordos pessoais feitos longe da luz da lei. Já ouvi minha secretária doméstica reclamar que "se tiver desconto no que eu ganho, não quero saber de registro não". Por mais que esse desconto seja mínimo, para elas vai fazer falta. Em muitos casos, a transformação do trabalho diário com pagamento mensal também pode se transformar em periódico, transformando-as em diaristas. Isso deve fazer o valor das diárias disparar gerando uma bola de neve que ainda não se sabe onde pode parar. Enfim, há uma série de possibilidades que se teme que sejam mais maléficas que benéficas.

Até pouco tempo atrás eu tinha uma funcionária que, por exigência própria, optou por não ser registrada. Mas ao pedir para ser dispensada por causa das dificuldades dela em chegar ao nosso novo endereço, ela recebeu todos os seus direitos como uma trabalhadora registrada em outro setor. Ainda fiz questão de lhe dar um valor a título de prêmio pelos serviços prestados. Assim como eu, sei de dezenas de famílias que agem da mesma forma, respeitando seus colaboradores e isso sempre funcionou muito bem assim. É claro que há milhares, ou milhões, que não tem a mesma sorte e é exatamente por isso que nós, os corretos, vamos arcar com o peso da irresponsabilidade dos desrespeitosos. Mais uma vez!

No fundo, desconfio que por trás da aprovação dessa lei, da suposta intenção do governo de elevar mais uma categoria trabalhista, há  uma intenção maquiavélica e desprezível de gerar mais recursos para os cofres públicos. Afinal, haverá, a partir de agora, mais dinheiro entrando no INSS e no FGTS e sabe-se lá qual o real destino desses bilhões de reais. É mais uma leva de impostos que pagamos sem ter retorno, sem ver em que tipo de benefícios serão aplicados. Já sabemos que o governo não dá nada sem nos tirar algo em troca. Só que dessa vez, o tiro pode sair pela culatra. Vamos esperar as estatísticas sobre contratações de domésticas saírem para saber se houve ou não um estrago.

Crise dos sete anos? Que venham mais sete assim!

briga de casais Crise dos sete anos? Que venham mais sete assim!

Brigar é saudável. Mas insistir nas brigas é burrice.

Olá meus queridos leitores!

Andei meio sumido por causa de umas merecidas férias. E ao contrário de muitos colegas jornalistas que tiram férias para escrever um livro, atualizar seus blogs ou digitar crônicas e artigos, eu prefiro é ficar longe de tudo isso. Procuro não exercer minha profissão nesse período, já que ela é desgastante demais no resto do ano. Mas como as férias estão acabando e as atividade extra-profissionais escassearam - não há quadros mais a pendurar na casa nova, cortinas a colocar, torneiras a consertar, etc - resolvi dividir com vocês um assunto que assombra muitos casais. Estou completando em breve sete anos de um maravilhoso segundo casamento. E sempre ouvi falar - e também já passei por isso no primeiro - sobre a famigerada "crise dos sete anos". Como isso não me incomodou na primeira relação matrimonial que durou mais de dez anos, não consegui entender até hoje que crise é essa e porque ela se baseia em "7 anos de matrimônio".

Na verdade, acredito ser isso um mito que permea muitas relações. Não enfrentei problemas nessa fase e nem vi casais amigos passarem pelo mesmo. Para mim a sustentabilidade da relação se consolida ao passar dos anos. É claro que há os desgastes comuns de qualquer relação - seja um casamento ou uma sociedade empresarial - mas o importante é saber como enfrentá-los ou se preparar para que esses desgastes não passem de mero detalhe.

Outro dia, conversando com um amiga pelo Facebook, ela vendo minhas declarações de amor públicas à minha mulher, me perguntou como eu conseguia ter uma relação bonita assim e o que minha esposa fazia para ser tão amada. "Será que eu sou muito chata?", disse ela. Eu respondi: "Olha, a minha mulher é muito chata também e nem por isso desmerece minhas declarações". Ela riu! Expliquei que não há nenhum segredo. O que há é paciência, respeito, compreensão, amizade, tolerância e ausência de egoísmo. Quando se quer levar uma relação em frente, devemos sempre abrir mão de uma série de coisas. Jamais podemos usar daquela máxima, que pra mim nunca valeu, de que "eu sou assim e você tem de gostar como eu sou". Esse é o primeiro erro que cometemos ao esquecer que o egoísmo estraga qualquer relação. Ninguém é tão imutável a ponto de fazer com que as pessoas nos engulam de qualquer jeito. Outra coisa que precisamos ter num casamento é paciência pois nem sempre as coisas acontecem do jeito e no tempo que a gente espera. A tolerância é para sabermos aceitar determinados defeitos dos nossos companheiros ou companheiras e compreender que ninguém é igual a ninguém - todos nós temos os nossos defeitos e manias que, mesmo policiados, vem à tona a todo momento.

É claro que é necessário ter amor, mas isso é uma consequência do resto. Se não existir primeiro paciência, admiração, respeito, tolerância, etc, o amor acaba rapidinho. Com tudo isso, ele se consolida.

Dando um exemplo, eu e minha mulher nos parecemos demais. Vejo nela meus defeitos e vice-versa. Chego até prever determinadas reações dela em algumas situações pois são as que eu teria. Muitas vezes a critico por falhas e em seguida me lembro que eu teria feito a mesma burrada. Enfim, somos o espelho um do outro. E por esse simples fato as faíscas são muitas. Mas etéreas, se evaporam rapidamente como álcool. São raras as vezes em que passamos horas sem nos falarmos depois de uma briga qualquer. Nas nossas vidas isso não tem espaço. Podemos quebrar o pau e cinco minutos depois estarmos dormindo abraçadinhos. Esse é o segredo da relação, não deixar que fatores externos interfiram nos sentimentos que temos um pelo outro.

A transparência na relação é indispensável também. Quando você diz o que tem de dizer, sem meias palavras, as coisas são mais claras. Mesmo que doa. Só deve haver o cuidado para que as palavras não extrapolem os limites da ofensa, da mágoa ou do desrespeito. Pois lembrem-se que a flecha disparada e papéis jogados ao vento não retornam. Sem mentiras tudo também flui mais tranquilamente. Não sou terapeuta de casais, nunca estudei comportamentos humanos mas digo tudo isso porque vivi essas situações nas relações anteriores. Já menti, já trai, já desrespeitei e por isso não deram certo. Essa é a primeira vez que resolvi agir diferente e estou colhendo os melhores frutos que uma relação pode dar.

Nos devemos também lembrar dos agrados. Quem não gosta de receber flores sem motivo, uma ligação despretenciosa, uma declaração de amor qualquer, ser lembrada no meio de uma tarde, receber uma mensaginha no celular, um bilhete no espelho do banheiro? Jamais podemos esquecer de lembrar às nossas companheiras ou companheiros o quanto eles são importantes. Se não há motivos para isso, então a crise não chegará aos dois anos de relação, quanto menos aos sete.

Crise dos sete, dos dez, dos vinte anos é você quem cria. Usando de sabedoria e de sentimentos e atitudes que estão nas nossas mãos, o tempo, ao invés de cruel, será o melhor aliado de uma relação sólida. Fará do seu casamento um bom vinho que quanto mais idade tiver, melhor.

Oportunismo dilacerante

Uma das coisas que mais odeio nesta vida é o oportunismo. Acho que é uma das atitudes mais perversas do ser humano porque, muitas vezes, tira proveito da desgraça alheia. Me lembro bem disso durante a cobertura da inundação em Santa Catarina, em 2008. Na época várias cidades ficaram debaixo dágua e milhares de família foram desabrigadas. A região conhecida como Morro do Baú, um "panelão" entre montanhas que abrigava dezenas de pequenas propriedades rurais, desabou sobre tudo matando mais de cem pessoas, dizimando famílias inteiras. Nos dias que se seguiram à catástrofe o que vi pelas ruas das cidades atingidas foi deplorável. Além do cenário de destruição e do flagelo da população, o que mais me revoltou foi a atitude execrável dos que não foram atingidos. Botijões de gás chegaram a ser vendidos por mais de cem reais quando, na época, custavam pouco mais de trinta reais. Vi pessoas vendendo água de torneira em garrafas plásticas, direto da mangueira do jardim. Também presenciei os preços de supermercados subirem astronomicamente. Tudo isso para tirar proveito de um momento de necessidade das pessoas quando, na verdade, o momento era de solidadriedade.

A economia tem como regra o aumento de preços ou valorização de bens quando há pouca oferta de mercado e a demanda é grande. Até aí, tudo bem. Faz parte do mecanismo. Agora, se valer da descgraça alheia, é no mínimo lamentável.

Tivemos outro exemplo recentemente quando o governo anunciou reajuste no preço dos combustíveis. O aumento para os usineiros, ou seja, lá na fonte de produção, foi de pouco mais de seis por cento. Imediatamente, o valor nas bombas subiu DESCARADAMENTE. Em alguns postos foi possível confirmar aumentos de mais de 40 centavos por litro, o que dá quase 20% de reajuste, enquanto o normal deveria ser perto de 4%.

Para citar mais um exemplo, este em São Paulo, desta vez as vítimas foram os mototatxistas e motoboys. Com a nova lei que os obriga a ter um kit de segurança para circular (antena corta linha de cerol, colete reflexivo, bagageiro, adesivos, etc) começou uma corrida atrás destes ítens. Não foi surpresa nenhuma saber que o preço do material disparou no mercado. Foi observado aumentos de até 100% no preço dos produtos. Outra barbaridade aconteceu quando o governo obrigou os planos de saúde a aceitar determinados tipos de procedimentos que antes não eram aceitos. O que aconteceu? O preço das mensalidades subiu. Sem falar ainda no "desconto" que o governo deu nas contas de luz (uma redução obrigatória por processo judicial), compensado depois pelo aumento no preço dos combustíveis. É mole?

Imagino agora, o quanto subirá o preço das forrações acústicas anti-chamas, dos extintores de incêndio, da mão de obra de especialistas e outros produtos e serviços necessários às casa noturnas, depois da tragédia de Santa Maria.

Em resumo, oportunismo é a arte (nefasta, claro) de lucrar em cima da necessidade alheia, aproveitar-se das circunstâncias para tirar vantagem. E isso vem de todos os lados - do governo, do comércio, dos prestadores de serviços, das escolas, enfim, de todo um universo do qual nós consumidores dependemos. E não temos muito o que fazer. Nossas leis são inócuas contra esse tipo de coisa. Deixar de comprar? Deixar de pagar? Deixar de usar determinado tipo de serviço? Seria a saída não fosse o oceano de cartéis em que vivemos. É o velho ditado: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho dilacera e come". Tente dormir com isso e seja feliz!

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