Arquivo do mês: janeiro 2012

Éramos felizes e não sabíamos

arrancar os cabelos 300x242 Éramos felizes e não sabíamos

SAC - Sacanagem Autorizada com o Cliente

Sempre fui uma pessoa antenada com os avanços da modernidade. Tive celular logo que lançaram, assim como com a vt a cabo, naveguei na internet mesmo antes dela entrar no Brasil, batia papo em BBS (alguém se lembra disso?) e usei muito ICQ. Também, muito antes disso, assinava várias revistas e tinha serviço da Embratel para ligações telefônicas interurbanas (olha só!!). Hoje tenho assinatura de tudo quanto é coisa: serviço de celular, TV a Cabo digital, internet banda larga, serviço de modem 3G, internet banking e tudo mais que tornaram nossa vida mais fácil e ágil.

Antes disso tudo, me lembro que lá pelos anos 80, a gente ficava em casa esperando alguém ligar pra marcar uma balada. Encontrar alguém na noite então, sem celular, era uma missão quase impossível. A TV pegava 4 canais, no máximo e uns dois deles bens ruins de imagem. Tudo o que a gente queria digitar era na máquina de escrever e se errava, da-lhe amassar o papel e começar de novo. Ou usar o famoso corretivo mais conhecido como "branquinho". Não tínhamos internet, celular, tv a cabo, computador... e a vida seguia calma e tranquila sem a gente sentir nenhuma falta disso.

E quando a gente queria reclamar da telefonia, ia lá na telefônica conversar com o pessoal. No banco o gerente era nosso amigo. Com a televisão, a gente nem reclamava, só mudava de canal. E só! Não tínhamos nada mais com o que se preocupar. Um pouco antes, nem plano de saúde existia! Mas foram só essas coisas que tornaram nossa vida "mais fácil?" aparecerem para as dores de cabeça surgirem na mesma proporção!

Na medida em que as novidades iam aparecendo, íamos aderindo e se maravilhando com tudo. Mas junto das inovações vieram também os problemas. Para dar conta de atender as reclamações com os serviços (e olha que não eram tantas assim) as empresas criaram departamentos exclusivos chamados hoje de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) e que, atualmente estão nas mãos de empresas terceirizadas chamadas de call center. Aí nosso inferno começou!

Se você tem problemas com o seu celular, TV por assinatura, internet, telefone fixo ou qualquer ouro serviço disponível em sua residencia ou trabalho, primeiro você vai ter de "conversar" com uma gravação eletrônica para, milhares de tentativas e horas depois, ouvir de uma atendente de carne e osso que lê um roteiro naquele gerundismo indigesto: "Nós vamos estar encaminhando seu problema para nosso departamento técnico para eles estarem agendando uma visita para que estejamos podendo atender sua reclamação!"

Acabou o sossego! Se você precisar de qualquer coisa, que seja uma simples mudança de endereço, vai ter gastrite antes da atendente desligar na sua cara. E pior: na hora de fazer uma assinatura dessas, elas fazem você se sentir o único cliente da empresa, aquele do qual a companhia depende fervorosamente e vai lutar com todas as armas para "defendê-lo e ajudá-lo da melhor forma possível". Agora, tenta cancelar esse serviço! Tenta mudar de plano! Tenta pedir qualquer alteração que seja no seu pacote! E tenta ficar calmo e não ter um ataque do coração!

E você pode ser o cliente Mega-Blaster-Premium-Gold que não vai adiantar nada. Vai passar a mesma raiva de quem tem um plano "Carvão" por exemplo.

É minha gente, é muito bom ter esses inúmeros serviços à nossa disposição. Mas que outro jeito, né? Ninguém quer virar ermitão e se trancar num total isolamento tecnológico. Só que pra isso, vamos continuar sendo os idiotas que as empresas não respeitam e vamos continuar perdendo horas e horas conversando com as "gerundetes" dos call-center sem conseguir resolver nada. E pra quem ainda não sabe, não adianta mudar dessa para aquela empresa - é tudo farinha do mesmo saco. Acho até que SAC devia ser Sacanagem Autorizada com o Cliente!

O melhor é tentar não ter problemas. Aí você vai ver como sua vida é maravilhosa. Mas... é possível não ter problemas com essas empresas que estão hoje aí?

Senão, jogue tudo pela janela, instale um telefone de disco na sua casa e bote bombril na ponta da antena pra assistir melhor a TV. E se você escreve bastante, como eu, compre um litro de branquinho! Vai ver como a sua saúde vai melhorar!

Obsessão pela futilidade, pelo insosso

luiza teló Obsessão pela futilidade, pelo insosso

Luiza e Teló: atuais ícones da cultura brasileira

Tenho cada vez mais convicção de que o brasileiro, pelo menos em sua maioria, tem adoração por coisas fúteis, superficiais e desinteressantes. Enfim, por aquilo que não acrescenta nada em nossas vidas, mas estão ali, sempre presentes, como se fossem um karma.

Percebo isso, principalmente, nas redes sociais como Twitter e Facebook. Outro dia até fiz uma pequena pesquisa na minha time-line onde são exibidas as postagens de milhares de pessoas - muitas que conheço, outras que não. E o resultado foi curioso. De 100 postagens que li, vi o seguinte:

- 3 repliques de notícias do dia;
- 5 questões sobre política/corrupção/saúde/educação/falsa grávida;
- 32 postagens de coisas estritamente pessoais (fiz isso, fiz aquilo, vou aqui, fui ali);
- e outras 60 (SESSENTA!!) piadinhas/fotos engraçadas/BBB/Luiza do Canadá e outras baboseiras.

Mas no Facebook até que agente perdoa, afinal aquilo ali não é uma coisa pra ser levado muito a ferro e fogo. É mais pra descontrair, rir e fazer rir, desabafar. Enfim, é um diário pessoal onde cada um exprime o sentimento que bem entender.

Mas acho interessante mesmo é que quando posto algum assunto sério, algum questionamento sobre comportamento, uma reportagem de impacto, uma questão política, uma nova lei, um caso de corrupção, etc.... recebo lá, vai, 5 comentários! Agora se eu posto uma foto engraçada, uma piadinha sobre a Luiza que está (ou estava) no Canadá ou faço graça com o refrão mais repetido do Brasil (Ai se eu te pego!), pronto! Lá vem uma enxurrada de comentários.

E não vejo isso apenas na minha time-line não. Das dos meus amigos também. É um festival de besteiras que as vezes me assusta. Aí me pergunto: será que as pessoas não querem mesmo falar de coisas sérias por causa de tanta atrocidade que vemos na TV e nos jornais? Ou não estamos nem aí pra isso e o jeito mesmo é brincar?

E vejo isso acontecer também fora das redes sociais. Mulheres frutas fazem sucesso na TV e viram celebridade. Um funk qualquer cuja letra não tem o menor sentido (e elas nunca tem mesmo) mas que tem uma batida irritante, estoura nas paradas de sucesso e ganha até disco de ouro. Reality shows inúteis que mostram um bando de gente sem noção, sem ter o que fazer e sem nenhum conteúdo se proliferam nas tvs e tomam espaço de coisa muito melhor que poderia ser exibida. É uma impressão incômoda de que o brasileiro só dá valor ao que não presta!

Calma, calma... não quero fazer aqui igual meu colega de profissão Carlos Nascimento, que disse que já fomos mais inteligentes. Não é pra tanto também. Só quero, com a ajuda de vocês, tentar entender um pouco essa obsessão.

Novela tem mais audiência que documentário. Programa cultural é uma coisa que só se vê nas madrugadas do fim de semana quando quase ninguém está acordado. E se está, não está na frente da televisão. Axé, funk e sertanejo fazem mais sucesso que MPB e a garota do momento não é que venceu um câncer e sim a que estava (já voltou?) no Canadá. E, convenhamos, coitada da Luiza que até agora não esta entendendo direito o que aconteceu com ela!

No Facebook vejo compartilharem charges engraçadas e fotos bizarras mas não vejo isso acontecer com a palavra de Deus, por exemplo, ou mensagens de otimismo e esperança. Milhões de pessoas ligam para votar no BBB (que fatura milhões de reais a cada paredão) mas não vejo ninguém doando um centavo sequer para qualquer instituição de caridade ou para qualquer causa nobre.

Diante disso, temo pelo futuro da minha filha, que tem hoje pouco mais de um mês de vida, e de outras crianças que estão crescendo num mundo com valores tão baixos. Além disso tudo que vemos, ainda enfrentamos uma onda de intolerância que assusta - é gente matando gente por causa de uma discussão de trânsito, gente que fura fila por causa da pressa, estaciona em vaga de deficiente, não dá lugar pra idoso nos ônibus, gente incapaz de ser gentil.

Privar nossos filhos desse mundo é praticamente impossível, só trancafiando-os dentro de casa sem internet e televisão. Mas o esforço que fazemos hoje para torná-los pessoas melhores no futuro é imensamente maior do que fizeram conosco os nossos pais. E isso torna uma frase que se espalhou por ai, ainda mais verdadeira: "Muito se pensa em deixar um mundo melhor para os nossos filhos. Mas alguém sabe como deixar filhos melhores para o nosso mundo?".

Com tanta baboseira por ai, não vai ser fácil! #Ficaadica!

Uma história de ganância, malandragem e outras mazelas

bingo 251x300 Uma história de ganância, malandragem e outras mazelas

Certa vez, ouvi uma história que retrata bem o quanto as pessoas podem colocar sua ganância à mostra, com garras afiadas de egoísmo.

Vejam só: Romualdo (vamos chamá-lo assim), dono de um escritório de advocacia, comprou dois bilhetes de um bingo beneficente para ajudar uma instituição de caridade. Ato nobre. Os bilhetes davam direito a concorrer ao sorteio de um carro popular. Sem tempo para ir ao tal bingo - comprou mesmo pela insistência da tia que lhe vendeu os bilhetes - os deu para sua secretária de anos, que aqui chamaremos de Valdete. Ela, mulher de meia idade, de família simples, ao chegar em casa e também sem tempo para ir ao bingo, antes de jogá-los na gaveta ofereceu os convites para a filha ir com o namorado. Ambos que não tinham nada pra fazer (a não ser ficar se esfregando no sofá da sala) acharam programa de velho, mas resolveram ir.

O almoço (também incluía um almoço) era daqueles que servem churrasco com farofa, arroz e garfinho de plástico, num pratinho de papelão encharcado com o molho da salada de repolho picado com tomate (tradicional nesse tipo de evento). Trezentas e cinquenta e duas pessoas depois, o casal conseguiu se servir, empurrando aquela gororoba pra baixo com guaraná Dolly sem gelo. Resistiram a tudo porque havia a chance de ganharem o carro no sorteio.

Bom, terminado o almoço, cartelas nas mãos, começa o bingo. O locutor, mais parecido com Matusalém depois do Alzheimer, gritava as pedras numa cadência tartarugal, bem diferente daquela correria dos extintos bingos eletrônicos onde não dá pra respirar, ouvir a pedra e marcar na cartela ao mesmo tempo. E ainda fazia brincadeiras "novas" como “Dois patinhos na lagoa... 22, a idade de Cristo... 33, dois velhinhos safados fazendo sexo... 69” (ops!).

De repente um jovem grita BINGO!, ainda cuspindo lascas de repolho que ficaram presas nos dentes. Era ele, o namorado da filha da Vadete! O casal não acreditava. Tinha ganho o carro no valor de uns 25 mil reais. O moleque que mal tinha feito 18 anos, saiu correndo por entre as mesas derrubando as velhinhas que ainda conferiam as pedras. Voltaram os dois de carro zero pra casa.

Ao chegar e mostrar o prêmio, Dona Valdete pulou de alegria: “Graças a Deus nunca mais vou precisar ir trabalhar de ônibus”, dizia. E o garoto insolente: “Péra lá, mas quem ganhou o carro fui eu!”. "Mas fui eu quem te deu o bilhete, pirralho!", bradou ela.

Bom, tava armado o começo de uma confusão danada. A mãe do garoto entrou na briga pela posse do carro que o namorado da filha tinha ganho. A secretária mandou ela largar o “mau caráter”, que a partir dali passou a não prestar mais (justo ele que sempre foi coberto de mimos e guloseimas caseiras pela sogrinha querida).

Ao consultar o patrão, advogado, sobre o que fazer e quem tinha direito sobre o carro, ele falou “Pêra lá, mas fui quem pagou pelos convites” e requereu o carro pra si, ameaçando a secretária histórica de demissão. Confusão danada que foi parar até na delegacia. O pior é que o delegado queria saber se o bingo tinha autorização pra ser realizado (parece que não).

Bom, agora vocês já sabem como acabar com um namoro, partir o coração da sogra, conseguir uma demissão e ainda provocar uma ameaça de prisão dos velhinhos que organizaram o bingo. Tudo isso por apenas R$ 20,00 - preço dos dois convites e da ganância que provocou essa confusão toda.

Moral da história: coloque o traseiro de um cordeiro na frente de um leão e saberás se ele é vegetariano!

Festa demais pra pouca comemoração

Dilma Alkmin Festa demais pra pouca comemoração

"To tão emocionada com a festa, governador. Por nada presidenta, na eleição a gente acerta a conta!"

Semana que passou Dilma esteve com Alkmin. Já seria estranho esse encontro por si só, não fosse o motivo: a assinatura de um convênio para a construção de casas populares no estado de São Paulo, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. Agora eu pergunto: PRA QUE FESTA?

Festa que eu digo é o que acontece com todo cerimonial do governo federal, do estadual e das prefeituras quando se inaugura alguma obra ou, simplesmente, quando se assinam alguns convênios. Dessa vez, havia pelo menos umas mil pessoas no Palácio do Governo em São Paulo. Gente que descia de vans, de micro-ônibus, de carros oficiais, gente chegando a pé. Enfim, era um bando de gente de tudo quanto é lugar e tipo: madames emperiquitadas, homens engravatados, gente simples, seguranças, grupos de protesto. Caraca! O que esse monte de gente vai fazer numa cerimônia dessas? Ver a Dilma? Ver o Alkmin? Ver os dois juntos cochichando algo no palco? Ver essa gente assinando um monte de papéis?

E os discursos então? Dai-me Sonrisal pra tanta azia! Primeiro fala o presidente da associação não sei das quantas, depois o deputado, aí vem o senador, o secretário, o ministro, o presidente não sei de onde.... duas horas de falação que dá sono até em soldado do Palácio de Buckinghan. Haja estômago!

Eu queria saber porque o poder público faz tanta festa, gasta tanto dinheiro em cerimônias como essa? "Ah, pra dar visibilidade a um projeto dessa magnitude", diria algum aspone qualquer. Entendi. Gasta-se fortunas, faz-se festa, comemora-se uma coisa que não é mais do que uma OBRIGAÇÃO do governo, que é fazer as coisas como deveria, cumprir as promessas de campanha, dar saúde, educação, trabalho e moradia pros brasileiros menos privilegiados. Não é mesmo?

Mas não! Tem de fazer festa! Tem de mostrar que aquilo é um FEITO excepcional do Governo, QUE NÃO SE MEDIU ESFORÇOS, que se venceu todos os obstáculos para que aquele convênio fosse realizado! PURA BALELA! DEMAGOGIA PURA! MARKETING ELEITOREIRO!

Agora, ao invés de chamar essa horda toda de puxa-sacos, porque não fazer a coisa num gabinete pequeno, apenas com responsáveis em assinar o convênio, liberar o dinheiro e começar as obras sem alarde, sem marketagem, sem fogos e rojões? Sabem porque? PORQUE ISSO NÃO DÁ VOTO! Tem que mostrar pro povã0 brasileiro, até mesmo para aqueles que não vão receber uma telha sequer desse dinheiro, que o Governo é altruísta, maravilhoso, humanitário, que pensa nos excluídos, blá, blá, blá. Pra fazer o zezinho lá da Paraíba pensar: "Oba, daqui a pouco é nóis!"

Tenho certeza que, com o dinheiro gasto com essa ostentação e demonstração de egocentrismo, daria pra construir pelo menos mais umas dez casas.

Campanha já pelo fim das solenidades demagogas! Será que a gente consegue em ano de eleição?

Terra de ninguém, sem quase ninguém

 

cracolandia Terra de ninguém, sem quase ninguém

Foto: Fernando Donasci/Reuters

A cracolândia é um problema que se transformou numa espécie de "cartão de visitas negativo" de São Paulo desde os anos 90. E nunca se conseguiu resolver aquilo. Nem mesmo a operação da PM realizada recentemente teve resultado positivo. Ainda é possível ver consumidores de crack usando a droga em plena luz do dia nas imediações, sob as barbas da polícia que montou um posto ali. Agora, a ROTA, considerada o grupo de elite da polícia paulistana, entrou na operação. Pra que? Para tirar os usuários dali e espalhá-los ainda mais pela cidade? Foi o que a operação fez até agora.

Duramente criticada pelo Ministério Público de São Paulo, a ação na cracrolândia mais parece coisa politiqueira do que assistencial. Aos olhos de muitos, teria sido apenas um respaldo aos interesses imobiliários na região. E muitos se perguntam porque aquilo existe nesse tempo todo e nunca se conseguiu fazer nada? Eu me arrisco a responder: teria sido a valorização da região com o projeto "Nova Luz" que despertou interesses comerciais nos terrenos e prédios abandonados dali?

Agora, como num surto de desespero, o Governo do PSDB, já crucificado por denúncias que arrepiariam até Ali Babá, tenta mostrar à população paulistana que resolveu a questão. Mas só tenta! Acredita quem não tem juízo e discernimento.

Os números da ação na cacrolândia nos fazem rir:
- 23 pessoas presas (muitas soltas depois porque eram apenas usuários);
- 28 condenados pela justiça recapturados.

E, PASMEM, foram apreendidos apenas 440 gramas de pedras. MENOS DE MEIO QUILO DA DROGA! Ah, me esqueci de dizer que foram feitas quase 3 mil "abordagens". Como será que foi isso? "Oi tudo bem, sou da polícia. O sr tem pedras de crack aí? Não? Ah, tudo bem. Desculpe por abordá-lo!".

E o que aconteceu com a maioria dos farrapos humanos que perambulavam por ali? Foi levada para alguma clínica de tratamento? Eles foram atendidos pelos serviços públicos sociais? Foram encaminhados para instituições de desintoxicação? Nada disso! Continuam fazendo a mesma coisa - fumando crack - em outras regiões da cidade. Não se espante, você que mora aí em Santa Cecília, Perdizes ou Barra funda, se ver um desses usuários na porta do seu prédio. Foi isso que a operação da polícia fez, apenas esparramou a cracolândia pela cidade.

A atitude também joga por terra outra situação: o trabalho que, mesmo mal e porcamente, vinha sendo feito ali por agentes sociais. Havia, no mínimo, uma tentativa de recuperar alguns viciados, mesmo que insignificante. Agora, nem essa possibilidade existe mais. Além disso, esse esparramo todo, dificultou ainda mais qualquer trabalho de inteligência policial para detectar e prender os traficantes responsáveis por abastecer a região.

A cracolândia é um caso de polícia sim, mas acima disso, uma questão de saúde pública e assistência social. A maioria dos que estão ali, mais do que cadeia, precisam de tratamento, de encaminhamento, de apoio. Já ouvi histórias de pessoas que perderam para o crack, seus pais, irmãos, filhos, parentes. Eram gente de bem que, de repente, perdeu o rumo. Muitos ali são criminosos, claro. Mas não podemos generalizar.

Às autoridades envolvidas faltam vergonha na cara, caráter e boa vontade para que a cracolândia deixe realmente de ser esse cartão de visitas do mal de uma das maiores capitais do mundo. Espalhar usuários pela cidade não vai resolver a questão. Confiná-los num só lugar, como o que foi feito durante duas décadas, também não.

Gentileza… faça e receba de volta!

Vi esse vídeo na postagem de um amigo do Facebook e achei belíssimo. Exprime bem a lei da ação e da reação: tudo o que você faz, para si ou para os outros, volta na mesma proporção e intensidade. E isso vale para o bem e para o mal. Quero compartilhar com você, leitor, para que atitudes como as que são representadas no vídeo, possam, um dia, ser disseminadas pelos quatro cantos do mundo. Afinal, gentileza gera gentileza.

 

E a política, mais uma vez, nos mostra a língua

 

caretas barbalho1 300x150 E a política, mais uma vez, nos mostra a língua

O retrato do escárnio político do Brasil. (Foto: Beto Barata/Ag. Estado)

Foi uma brincadeira de criança, claro. Típica de um moleque qualquer que adora fazer gracinhas diante de uma câmera. Desses que, longe da ingenuidade não receberam mesmo é educação dos seus pais.

Fazer caretas, mostrar a língua para alguém, pelo menos na minha época, era sinal de desrespeito punido com puxão de orelha, palmadas e castigo. Esse tipo de atitude é comum entre crianças e, de pendendo da intensidade, parece que elas querem nos dizer "Você é um babaca, eu faço o que eu quero, sou superior a você, não to nem aí pro que você pensa, você não manda em mim...etc". Seria apenas engraçado se o cenário não fosse a posse de um político corrupto barrado na última eleição pela lei da ficha limpa e que agora assume por causa de um deslize da justiça eleitoral.

Nas feições do menino, filho de Jader Barbalho, não vejo uma criança brincando com fotógrafos e cinegrafistas. Vejo as expresões do próprio pai caçoando, debochando da justiça e de nós brasileiros. O que o filho fez é a perfeita representação do que ele mesmo, com certeza, queria nos dizer: "Olha aí seus juízes de merda, seus opositores imbecis, seus eleitores desinformados... não to nem aí pra vocês! Olha eu aí assumindo de novo depois de um infundado escarcel! Aqui pra vocês, ó!"

E mais uma vez a política corrupta, criminosa, infratora, debochada e inimputável vence. Mais uma vez um político nos chama, indiretamente, de idiotas diante do público. Mais uma vez perdemos a esperança de que um dia tudo isso vai mudar.

E tudo por causa de uma justiça decrépita e ineficiente.

E Deus queira que o Barbalhinho não siga os passos do pai. Imaginem o que, depois de adulto, ele pode fazer se for pego na mesma situação?

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