A tecnologia que nos aproxima… e nos afasta

veja tecnologia A tecnologia que nos aproxima... e nos afastaEsses dias fiz uma pausa nas férias em Florianópolis para ir a Ribeirão Preto resolver umas coisas. Tanto na ida quanto na volta, observei com detalhes uma situação que achei curiosa, olhada com um pouco mais de crítica. É a quantidade de pessoas que esperavam seus vôos entretidos com seus celulares, notebooks, netbooks, iPads e similares. Cheguei a contar: num raio de, mais ou menos, 30 metros de mim, havia 183 pessoas imersas em seus gadgets. As mulheres seguravam seus smartphones com as duas mãos, digitando com habilidade alguma coisa, certeza, no Facebook. Homens mais velhos estavam sentados com laptops no colo, olhando planilhas no Excel – possivelmente empresários ou funcionários de empresas comerciais. Boa parte das pessoas “rabiscava” a tela de um iPad com a ponta do dedo indicador. Homens mais jovens, sentados displicentemente, navegavam no celular, provavelmente, no Twitter. E outros, engravatados, de pé e andando pra lá e pra cá falando ao celular. Lendo um jornal, livro ou revista, quase ninguém.

Pensei: poxa, ninguém conversa com ninguém! Nem mesmo as pessoas que estavam em grupo – cheguei a ver um casal com uma filhinha pequena, cada um com um iPad nas mãos. Lembrei de uma cena ridícula em casa quando, um dia, eu e minha mulher sentados no sofá, cada um com um notebook no colo, enviávamos mensagens apaixonadas pelo MSN. De repente paramos e demos risada da situação.

Essa mesma tecnologia que nos aproxima de pessoas distantes, nos faz reencontrar amigos de infância, torna nosso dia-a-dia mais ágil, facilita tarefas, ajuda na escola, no trabalho, na vida pessoal, também é capaz de tornas as pessoas mais frias, mais distantes, mais isoladas. Você acaba não conversando mais. Quando precisa falar com alguém, ao invés de ligar manda uma mensagem de texto. No próprio Facebook vejo pessoas conversando com os amigos numa simples postagem, como se fosse um chat instantâneo:

“Oi Luciana Macedo Elias, vamos pra balada hoje?
Legal Lígia Arruda Farias, onde vamos?
Sei lá, vamos chamar o Carlos Theodoro Mendes. Ele conhece lugares bacanas!.
Ei, a madame Luciane Macedo Elias tem hora pra voltar, tá?
Tá mamãe Eloisa Macedo de Arruda Silvério Elias Pereira! Vou voltar cedo! Huashuashuash...
(isso seria uma gargalhada!?!?!?).

Pelo menos é o único lugar onde todos se chamam pelo nome completo com muita intimidade (risos)!

Eu me confesso um viciado em tecnologias. Tenho quase tudo quanto é tipo de gadget e os uso para facilitar minha vida e também para “vadiar” na internet. E sempre me pego usando texting ao invés de ligar para alguém. De repente paro no meio da mensagem e penso: “Pô, vou ligar né, bater um papo mais descontraído!”. E ligo.

Essa nova onda, de escrever ao invés de falar, também pode levar a alguns constrangimentos. Uma vez não me toquei de que o a tecla Caps Lock estava ativada e digitei uma frase inteira no celular. Veio a resposta: “NAO PRECISA GRITAR COMIGO!!”. Só depois fui me ligar da gafe. Escrever com pressa e sem pontuação também causa desconfortos. Imagine se você receber a seguinte mensagem de um amigo: “eu posso te pagar de jeito nenhum vou deixar isso passar”. Imagina se o destinatário coloca a vírgula depois do nenhum. Fim da amizade na certa!

E tecnologia é uma delícia, mas temos de tomar cuidado com os excessos. Vamos pensar que, de vez em quando, devemos sair e dar uma passadinha na casa da Liliana de Carvalho Mello do Face, pra colocar a conversa em dia. Pelo menos você vai poder chamá-la de Lili sem que ela não veja sua mensagem. Ou então ver, tet à tet, o seu amigo Gustavo que nos últimos 2 anos você só conhece pelo avatar do MSN. Quando quiser gritar com alguém, fale alto e não “escreva em caixa alta”. E seja feliz. Um pouco mais!

 

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