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O caminho inverso

voltando pra casa O caminho inverso

Voltar pra casa nunca foi tão bom

A passagem dos anos 80 para os 90 foi bastante emblemática para o País. Naquela época vivemos transformações sociais, de costumes, políticas e econômicas que mudaram os rumos do Brasil. Mas, falando de política e economia, especificamente, ao mesmo tempo em que houve mudanças provocadas pela abertura do mercado para importações e o surgimento do Plano Real, a sociedade ansiava por promessas de um futuro melhor e via como única saída o saguão de embarque dos aeroportos. Com isso houve uma espécie de êxodo - milhares de brasileiros rumando a outros países, principalmente Estados Unidos e Japão, com a esperança de conquistar um trabalho, juntar dinheiro e construir uma vida mais confortável. No fundo havia mais uma aura de ilusão do que garantia de sucesso. Mas independente do que pudessem conseguir lá fora, os aventureiros não mediam esforços - largavam estudos, família e a tranquilidade de viver em seu país de origem para enfrentar os desafios de uma outra cultura, outros costumes e padrões. É óbvio que muitos quebraram a cara. Mas houve quem teve mais sorte e continua por lá até hoje. Raras exceções como minha irmã, por exemplo, que há mais de 20 anos é cidadã inglesae não voltou mais para morar aqui.

Mas a situação hoje se inverteu e são estrangeiros que têm, cada vez mais, procurado o Brasil para conquistar o sucesso desejado e novas oportunidades de uma vida mais confortável e tranquila. Ao mesmo tempo, brasileiros que já tinham alcançado uma vida estável no exterior, agora começam a voltar pra casa certos de que aqui agora teriam mais sorte. Isso é o que revelam novas pesquisas do IBGE. Segundo o instituto, a migração do exterior para o País aumentou em mais de 60% nos últimos dez anos.

De acordo com o Censo 2010, mais de 450 mil pessoas fizeram esse movimento na década que antecedeu a pesquisa. O número é 62,7% maior do que o verificado nos anos 90 quando cerca de 280 mil pessoas vieram pra cá. Os pesquisadores apontam ainda que grande parte desses migrantes internacionais é de brasileiros que viviam fora e que retornaram ao País. Mas há também casos de estrangeiros que decidiram morar no Brasil, a maioria se instalando na região Sudeste.

Segundo ainda o IBGE, pouco mais da metade (54,1%) dos imigrantes que chegaram ao Brasil nos dois anos anteriores ao Censo pode ter sido empurrada pela crise de 2008 nos Estados Unidos, que afetou principalmente a economia dos países ricos e fez com que muitos brasileiros voltassem ao País. Agora vemos isso acontecer com estrangeiros de origem europeia, principalmente espanhóis, gregos, franceses e ingleses que enfrentam instabilidade econômica em seus países.

Essa situação pode estar sendo causada pela crise internacional, mas também devemos levar em conta o fortalecimento da economia brasileira que permitiu um aumento na renda familiar e mais oportunidades de trabalho. Um exemplo: pouco antes de escrever este artigo, fiz uma matéria mostrando que até 2013 o Brasil vai precisar de mais de 7 milhões de profissionais de nível técnico para atuar em várias áreas. E, em algumas delas, o salário oferecido é maior até do que os que são pagos para profissionais de nível superior.

Devemos levar em conta ainda que o brasileiro hoje é o povo que mais gasta no exterior - só no primeiro trimestre deste ano, foi uma bagatela de 10 bilhões de reais. O valor é quase duas vezes maior do que os estrangeiros gastaram aqui no mesmo período.

É! A sala de embarque dos aeroportos continua, sim, sendo uma saída para os brasileiros, só que agora, apenas para as compras e diversão. E o país que antes era retratado em filmes como refúgio de mafiosos, traficantes e terroristas fugitivos, agora é terra de esperanças para muitos estrangeiros.

Sem sacolinha e sem respeito ao consumidor

 

compras 300x169 Sem sacolinha e sem respeito ao consumidor

Sem sacolinha, jogue tudo no porta-malas.

Volto a falar sobre a suspensão das sacolinhas plásticas nos supermercados por me sentir cada vez mais desrespeitado com a situação. A foto acima explica o que não só eu, tenho certeza, mas a maioria dos paulistanos e consumidores de algumas cidades do país, tem enfrentado na hora de fazer suas compras. Quando a proibição foi anunciada comprei sacolas reutilizáveis e caixas plásticas para tentar aderir à nova situação e colaborar com a medida. Juro, fiz a minha parte. Mas confesso que não é fácil digerir a falta de respeito da maioria dos supermercados. Eu fiz matéria sobre isso e tá lá na determinação: "mesmo com a eliminação das sacolinhas plásticas, o estabelecimento é obrigado a oferecê-las como opção ao consumidor que queira pagar por elas. Além disso deve disponibilizar outros meios como caixas de papelão, por exemplo, para que os clientes possam levar suas compras". Só que não acontece nem uma coisa nem outra. No supermercado onde fiz as compras na segunda feira não havia caixas de papelão nem sacolinhas disponíveis, mesmo que eu quisesse pagar por elas. Também não havia mais sacolas reutilizáveis para vender. A resposta da mulher do caixa é o retrato do desprezo e da desinformação com o qual somos tratados: "Ah meu senhor, não temos! Se o senhor está incomodado, não precisa levar as compras!". Isso sem ao menos pedir para alguém verificar se havia caixas. Só não fui embora porque não queria desperdiçar as duas horas que passei lá dentro.

Aí, você deve estar se perguntando: "porque esse jornalista babaca não levou as sacolas e as caixas que diz ter comprado para colaborar com a medida?" A resposta é simples. Nem sempre estou no meu carro. As vezes vou trabalhar de taxi e não posso deixar de atender a um pedido da esposa para passar no supermercado. Afinal não vou deixá-la fazer isso com um bebê de quatro meses em casa. O meu caso pode ser apenas um exemplo insignificante. Mas, com certeza, há outra centena de exemplos semelhantes - de gente que sai de casa sem imaginar que vai ter de fazer compras e depois é obrigado a isso. Por isso os estabelecimentos tem de ter um "plano B" para não nos deixar no sufoco. Esse dia aí, das compras, eu estava sim no meu carro, mas as sacolas e caixas não estavam ali porque tinham sido usadas pela minha mulher dias antes numa outra compra, com o outro carro da família. E eu não saí de casa nesse dia com as compras na minha lista de afazeres. E outra: não sou totalmente contra a suspensão das sacolinhas (apesar de achar que não são elas as vilãs da poluição ambiental). Sou contra a forma como nós consumidores temos sido tratados por muitos estabelecimentos que se livraram de um problema e se lixam para o que criaram para nós.

Enfim, não interessa aos supermercados se eu esqueci ou não as sacolas e caixas. Eles são obrigados a me oferecer opções. Mas como nesse país muitas coisas são feitas para atender aos interesses corporativos e não da população, nós temos que passar por isso - jogar as compras no porta-malas, no porta-luvas, no banco de trás, seja onde for, enquanto alguém se beneficia de verdade dessa situação. E, podem ter certeza, não é o meio ambiente!

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