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Aventuras radicais

skate 219x300 Aventuras radicais

Será que eu ficaria assim?



O tempo vai passando e agente acha que, por ter feito quase tudo na vida, pode tirar o pé do acelerador. Não comigo. Às vezes acho que tenho menos idade do que realmente tenho. E quer, saber? Tenho mesmo! Pelo menos na minha cabeça.

Digo isso porque sempre tenho a impressão de desejar ou fazer determinadas coisas que não cabem mais nos meus 47 anos (putz, já é quase meio século de vida!). Por exemplo: toda vez que passo em frente a uma certa loja no shopping perto da minha casa, tenho vontade de comprar um skate. É isso mesmo. Um skate, aquela prancha de madeira com rodinhas que a molecada de boné carrega por ai, mais do que livros e cadernos escolares.

Minha mulher acha que sou louco, que pirei e que talvez o avanço da idade está me fazendo delirar. E dá risada como se eu não falasse sério. Mas eu não ligo. Meu desejo de ter um skate é motivado pela sensação de liberdade que um treco desses causa. Sempre que vou ao parque Vila Lobos, onde costumo caminhar com as cachorras e a esposa, fico babando ao ver a molecada (alguns nem tão moleques assim) descer ziguezagueando uma das avenidas que dá acesso ao parque. E quando vi um cara, imagino que da minha idade, fazendo isso, aí é que me bateu a vontade, mesmo!

Mas o brinquedinho que eu queria é um modelo desses mais compridos, com rodas maiores, tipo infláveis. Sei que tem um nome específico, mas não sei qual (alguém me dá uma dica?). Bom, mas não tive coragem ainda. Acho que até relembrar como se anda nisso (já faz bastante tempo quando subi num pela última vez) eu enfrentaria alguns tombos e minhas aparições na TV não combinam com gesso!

Aí penso em coisas menos radicais como o modelismo, por exemplo. Quem me vê na frente de uma loja olhando os mini aviões, helicópteros e carros com controle remoto, acha que tenho 12 anos! E só não comprei um ainda porque não gosto de dormir no sofá e minha mulher sempre me convence que ainda há muita coisa para comprar para a Mariah, que vai nascer daqui duas semanas.

E nesses devaneios juvenis, já fiz trilha de jipe e de moto, acampei no pantanal, fiz escaladas, rapel, caça submarina, fui piloto de rally, a maioria disso depois dos 35 anos de idade.

Agora me preparo para minha aventura mais radical – ser pai aos 47 anos de idade pela primeira vez. Já criei desde pequenininhas duas meninas da minha primeira mulher que hoje são duas belas mulheres de 24 e 27 anos, mas pulei a fase das fraldas. E é exatamente aí que vejo a aventura. Será a primeira vez que vou ter de encarar um serzinho que tudo que bota pela boca solta na fralda em questão de segundos. Ainda não sei se estou preparado pra isso, afinal o curso de gestante que fiz com a minha mulher durou apenas algumas horas e estou até agora tentando lembrar como se dá banho.

Mas será uma aventura radical que, como todas as outras, estou ansioso para enfrentar. Não vejo a hora! E mesmo que, as vezes, isso me dê certo medo, tenho certeza de que será o maior prazer que terei em toda a minha existência. Trocar fraldas, dar banho, amamentar, vesti-la, saber identificar o porquê dos choros... isso sim será como escalar o Kilimanjaro ou descer de caiaque as corredeiras do Grand Canyon. Mas, vamos lá... medo é para os fracos!

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