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A fumaça controversa

poluicao 300x191 A fumaça controversa

Vai um fumacê ai?

Existem em são Paulo algumas coisas que não tem no resto do Brasil. Uma é o rodízio, que até acho correto e funciona bem, senão o trânsito seria um caos ainda maior. A outra é a tal da inspeção veicular. A intenção é nobre: diminuir a poluição do ar tentando reduzir o número de carros poluidores nas ruas. Mas, como diz o velho ditado, "de boas intenções o inferno tá cheio".

Eu até concordaria em pagar uma taxa anual se a coisa fosse séria. Mas não é o que vemos nas ruas diariamente. Nem no que já foi mostrado pelo jornalismo da Record. Quem não viu, já denunciamos alguns técnicos da controlar (os que fazem os testes de avaliação) que recebiam propina para liberar carros irregulares, com índices de poluição bem acima do permitido. E agora, mais recente ainda, o escândalo da renovação do contrato da prefeitura com a Controlar por debaixo do pano, sem nenhuma licitação.

Enquanto isso, vemos circular pelas ruas de São Paulo centenas, milhares de veículos cujo escapamento mais parece a chaminé de uma fábica de celulose. E o pior: os que mais dão mau-exemplo são os ônibus do transporte público da capital. Eles sim são os principais responsáveis pela maior parte dessa poluição.

Parece aquela coisa de faça o que eu mando, não faça o que eu faço - diria a prefeitura.

E até quando isso vai? Nós, os trouxas, vamos continuar levando nossos carros na oficina, gastando os tubos na manutenção, pra deixar ele funcionando como um reloginho pra passar no teste. Enquanto isso, os espertos nos cobram mais uma taxa, além do licenciamento, do IPVA, do seguro obrigatório, pra depois permitir que um ônibus vomite fumaça nas nossas fuças.

Bloquear os bens dos envolvidos é pouco pra se começar a por ordem na casa!

Tolerância zero para leis absurdas, já!

garupa 300x199 Tolerância zero para leis absurdas, já!

Atenção: garupa em moto é sinal de crime!

Estive nessa terça feira no palácio do governo. O assunto era a Lei do Garupa. O governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, diria se vetaria ou não a lei que, em cidades com mais de um milhão de habitantes, proíbe motociclistas de carregar outra pessoa durante a semana. Mas não decidiu ainda, está em cima do muro. Afinal, sancionar a lei, que já foi erroneamente aprovada pelos deputados paulistas, seria assinar um atestado de incompetência para combater o crime.

A justificativa de discutir uma lei como essa é a necessidade de "acabar" com os crimes cometidos por duas pessoas numa moto que, segundo estatísticas da secretaria de segurança pública do estado, respondem por mais de 60% do total de ocorrências. Até aí, tudo bem. Intenções de se combater crimes sempre são bem vindas, mas desde que sejam coerentes. O que não é o caso.

Veja bem: a lei proibiria garupas durante a semana. Esqueceram de analisar que a maior parte dos crimes acontece nos fins de semana. Outra coisa: bandido é bandido e não respeita lei, então não seria isso que coibiria sua ação. Em resumo, o maior penalizado por essa ridícula determinação seria o próprio cidadão de bem, gente que leva sua esposa ao trabalho de moto porque não pode ter um carro. Gente que busca o filho na escola porque não pode pagar o transporte escolar. Gente que, mais uma vez, vai pagar pela inconsequencia de uns, incompetência de outros.

Essa lei me parece aquele história do cara que chega em casa, pega a esposa com outro no sofá e vende o sofá. "Não aguentaria mais sentar ali com minha mulher", justificaria o trouxa. Já que é assim, mais uma vez o governo tentando resolveu um problema da maneira mais fácil, porque então não proibir os carros de terem marcha-ré? Assim a gangue que usa a traseira dos veículos para assaltar lojas ficaria impedida de agir. Ou então, vamos proibir as pessoas de andar na calçada, já que é alto o índice de assaltos no passeio público.

E o camarada ganha mais de 30 mil reais na assembléia legislativa pra ter esse tipo de idéia. Mais ridículo ainda é seus companheiros assinarem embaixo.

Se isso passar, e acredito que o bom senso do governador não vai deixar, temo que outras leis, igualmente absurdas, possam vir à reboque. Proibir de falar ao celular dentro de bancos, por exemplo, é uma delas. Atenção "otoridades" vamos parar de brincar e levar a coisa mais a sério? Senão, vamos extinguir o cargo de deputado já que os crimes cometidos por esse tipo de político não para de crescer no país.

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