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Violência sem rumo e direção

Nessa sexta-feira que passou, mais um caso deixou os paulistanos estarrecidos com a violência nas ruas. Mais uma pessoa morreu como consequência de uma briga de trânsito. É a segunda morte pelo mesmo motivo em uma semana. E a enésima em vários anos na capital. Dessa vez, um homem foi esfaqueado por ocupantes de um caminhão que o teria fechado. Irritado, ele desceu do carro com um porrete nas mãos e levou várias facadas de dois homens que estavam com o motorista do utilitário. A mulher e a filha assistiram a tudo de dentro do veículo sem poder fazer nada. Se não tivesse aparecido um policial à paisana, que passava pelo local e deu voz de prisão aos assassinos, talvez teria sido mais um caso de violência de autor desconhecido.

briga morte 1 Violência sem rumo e direção

Motorista morto por caminhoneiros

No último dia 23, um enfermeiro  de 25 anos foi baleado na cabeça por um motoqueiro, também por causa de um discussão no trânsito. Rafael Francesco Coccita não resistiu ao ferimento e acabou morrendo quatro dias depois. Mais sorte - se é que se pode dizer assim - teve a publicitária Jéssica Otte, 24. No ano passado ela foi agredida brutalmente, com um soco na cara, por um homem que dirigia uma camionete de luxo. Isso aconteceu porque ela demorou para sair com o carro num cruzamento com farol. Irritado, o motorista acabou batendo no carro dela e, quando ela desceu para ver o estrago, foi agredida covardemente.

Se eu for relatar os inúmeros casos de violência gratuita, consequência de brigas de trânsito, vamos levar um dia todo no relato. É uma violência descabida, cotidiana e que assusta não só pela gravidade dos casos mas também pela gratuidade. Me faz pensar que vivemos, cada vez mais, numa selva incontrolável em que seres-humanos se transformam em animais irracionais e sanguinários quando assumem o volante de seus carros. E tudo por um motivo o mais banal possível: a luta por alguns metros a mais de espaço nas tumultuadas ruas paulistanas.

Hoje mesmo, antes de escrever este artigo, me deparei com o motorista da camionete à minha frente gesticulando agressivamente na direção de uma van de serviços parada ao seu lado. Na hora percebi que se tratava de uma discussão, com xingamentos e gestos obscenos, por causa de alguma imprudência do motorista da van. A intensidade de ira em ambos era tamanha, que pensei que fosse presenciar um MMA ali, na rua.

Enfermeiro Violência sem rumo e direção

Enfermeiro morto por motoqueiro na marginal

Me pergunto: o que justifica tamanha violência e ignorância? O que leva pessoas tranquilas e serenas durante o trabalho se transformarem em bestas raivosas quando dirigem? Será que a disputa que envolve espaço e tempo (alguns segundo a menos pra chegar ao destino) é motivo suficiente para essa carnificina que estamos vendo nas ruas? É uma onda de intolerância e impaciência que me assusta, transforma motoristas em verdadeiros monstros e deveria exigir um pouco mais de atenção de estudiosos e das autoridades.

É certo que vivemos num mundo estressante. Problemas financeiros, insatisfação no trabalho, maus relacionamentos pessoais e outros infortúnios, acabam nos tirando do sério sempre. As vezes temos vontade de estrangular alguém! Mas será que tudo isso é suficiente para acender esse estopim, para justificar o descontrole? Não consigo entender e acreditar que sim!

Mas a violência e agressividade gratuita não está apenas nas ruas, no trânsito. Outro dia mesmo me contavam sobre um passageiro que "estapeou" uma atendente de companhia aérea, no aeroporto, porque seu assento não estava reservado no voo. Pesquisem no Youtube sobre "briga no aeroporto" e vocês verão inúmeros vídeos mostrando situações semelhantes e degradantes. Se pesquisarem por "briga no trânsito" então, o resultado é ainda mais assustador.

O que estamos fazendo com a nossa humanidade? É difícil acreditar que motivos de estresse corriqueiros sejam capazes de detonar essa animalidade nas pessoas. As vezes sinto como se estivesse rodeados por "zumbis", prestes a me devorar a qualquer movimento brusco. E é o que vejo acontecer, principalmente no trânsito. Falta consciência, falta gentileza, falta cooperação. A horda de ignorantes prestes a explodir é tamanha que as vezes dá medo de sair de carro. Conheço gente que adquiriu síndrome do pânico depois de uma discussão por uma vaga de estacionamento num supermercado, onde quase foi agredida.

Jessica Violência sem rumo e direção

Publicitária levou soco de motorista

Não quero parecer exagerado, meus queridos leitores, mas estamos vivendo tempos difíceis. E não falo de economia nem de política. Falo de coisas mais graves, que não podem ser consertadas. Vivemos tempos em que ficaram distantes a educação, a solidariedade, a colaboração e tolerância. Tempos em que o "individual" é mais importante que o "coletivo". Parece que as pessoas foram convocadas para uma guerra onde sobrevive quem é mais violento e forte. Vejo irmãos brigando na justiça contra irmãos por besteiras de um inventário, vejo filhos brigando com pais (e vice-versa) por motivos absolutamente banais, vejo chefes desrespeitando subordinados (a exemplo do que certas novelas dá como exemplo), idosos mal-tratados, crianças violentadas. Assisto pela TV e leio pelos jornais e internet que maridos assassinaram ex-esposas, pais mataram filhos e bandidos tatuando o número de mortes que causaram no braço.

E fico assustado, lembrando que no passado não era assim e que no futuro tudo pode ser ainda pior. E a solução não depende de um governo, de uma nação. Depende apenas de nós, do que pretendemos ser. E o que muitos pretendem, ou demonstram em suas atitudes, não me traz conforto algum.

Vício com endereço certo

cracolandia Vício com endereço certo

Cracolândia: fim dos barracos, mas não do vício.

Essa semana que passou a prefeitura de São Paulo lançou mão de mais uma tentativa de livrar as ruas do centro, mais propriamente a chamada "Cracolândia", dos usuários de drogas. Mas desta vez, a tentativa difere do que fez a administração de Gilberto Kassab que numa tentativa estapafúrdia revestida de "internação compulsória", acabou esparramando os viciados por vários pontos da cidade, até mesmo no Jardins, bairro nobre da capital. O que se fez agora foi cadastrar os moradores de rua viciados daquela região, acomodá-los em hotéis baratos (de graça, claro) e dar-lhes café da manhã, almoço e jantar. Também sem custo nenhum para eles. Quem topou fazer parte do programa, além de receber estes benefícios vai ter de trabalhar seis horas por dia na manutenção e limpeza de parques e praças ganhando 15 reais por dia trabalhado. Ao final de um mês, serão 450 reais se não houver faltas ao serviço. O programa, que já está sendo chamado de "Bolsa Crack", parece uma boa idéia. Mas só parece!

Em primeiro lugar, a ver o estado psicológico e de saúde da maioria dos viciados, se percebe de cara que o que eles mais precisam é de tratamento médico e internação. E isso o programa não prevê. Também não está sendo considerada uma boa idéia te-los colocado em hotéis na mesma região por onde perambulavam. Alguns darão menos de 30 passos do quarto onde estão para a calçada onde estavam. Apesar de muitos com quem conversei terem a intenção de se afastar das drogas, eles vão continuar sob a tentação e sentindo até o cheiro da fumaça dos cachimbos de crack que vão continuar sendo usados por ali, já que muitos rejeitaram a mudança. E outra: a intenção do programa não é fazer com que eles parem de fumar a droga imediatamente, portanto, não há nada que vá trabalhá-los nesse sentido agora. Em resumo, eles vão poder continuar fumando tranquilamente seus cachimbos, mas agora sob a proteção de um quarto de hotel. E só vão trabalhar nos dias que quiserem porque não serão obrigado a isso. Só não vão receber pelas faltas.

O que os programas de Kassab e Haddad tem em comum? O objetivo! Na verdade, às vésperas da Copa do Mundo o que se tenta mais uma vez é varrer a sujeira para debaixo do tapete, deixar a cidade "aparentemente" limpa da cracolândia. Só que desta vez ao invés de esparramar os viciados, esconderam boa parte deles dentro dos hotéis, livres dos olhos dos turistas.

"Mantê-los aqui, na mesma rua onde moravam não foi nada inteligente. É um passo para a recaída" reclama um dos usuários que se negou a ir para o hotel. Outro problema que se prevê é que muitos poderão morrer de overdose dentro dos quartos, coisa que não acontecia na rua porque sempre tinha um monte de gente em volta que ajudava e chamava o Samu. "Agora, se o camarada entrar, trancar a porta e fumar além do limite, sabe-se lá o que pode acontecer", profetiza o usuário. Dar a eles um espaço discreto como um quarto de hotel também vai permitir que eles recebam os traficantes com tranquilidade.

No dia em que acompanhei a "Operação Braços Abertos" para o Jornal da Record, conversei também com gente esperançosa. Mas eram, principalmente, casais. A possibilidade deles terem sua intimidade longe das ruas num quarto que não precisem dividir com outros viciados deu-lhes a esperança de sair dessa vida, de construir uma família de verdade, se livrar do vício. Por esse lado e se não houver recaída, o programa até que pode ajudar alguns a se salvarem.

Esperemos até o fim da Copa e das eleições para ver no que isso vai dar. Como já se tem noticiado que muitos dos inscritos no Braços Abertos passam o dia fumando a droga em seus quartos, muitos acreditam no fracasso do programa e que ele seja mais uma jogada eleitoreira do que uma ação humanitária.

Declarações desmentidas geram mais suspeita

abuso 157 Declarações desmentidas geram mais suspeita

157 ou 137? Artigos seriam coincidência ou recado?

Mais um dia debruçado sobre o caso do menino de 13 anos que teria matado toda a família e cometido suicídio. E mais um dia em que não me convenço de que foi realmente ele que fez isso. Talvez eu até tenha de engolir depois tudo o que tenho dito aqui, mas não posso me resignar e aceitar o que a polícia esta propondo até o momento. Pode até ter feito! Mas acredito que tenha mais gente por trás disso tudo que o guiou. Inclusive porque vizinhos teriam visto movimentações estranhas na casa na tarde de segunda feira, antes dos corpos serem descobertos.

Hoje vi as fotos da cena do crime: pai deitado de bruços num colchão na sala, mãe deitada sobre os joelhos sobre o mesmo colchão e o menino caído ao lado, deitado de lado. A princípio parece tudo montado, tudo muito estranho. A impresão que dá é que alguém arrumou os corpos para que sugerissem como teriam sido os disparos. Não sou nenhum perito, não tenho nenhuma habilidade nem faro policial, mas a cena me trouxe interrogações. Porque o casal dormia num colchão na sala sendo que havia um quarto pra isso e que não estava em reforma? Estranho!

Na entrevista ao delegado do caso, sem grandes novidades, ele trouxe mais alguns elementos que confirmariam a versão apresentada até agora do "sim, foi o menino".  Foi dito que ele sabia dirigir bem  - bom, isso foi visto nas imagens das câmeras de vigilância  que o mostram estacionando o carro próximo da escola. E que também sabia atirar, pois o pai o ensinou. Ok, filhos de policiais podem ter essa habilidade. Um colega de escola também teria dito em depoimento: "Ele dizia todo dia que aquele seria o último dia dele na escola, que amanhã não viria mais ".  Mesmo assim, não me convenço.

Há outras coisas estranhas na história como, por exemplo, o comandante da mãe do garoto afirmar e desmentir em menos de 24 horas que ela tinha colaborado com investigações sobre a participação de PMs em roubos de caixas eletrônicos. Também disse e "desdisse" depois que havia estas investigações. Ainda justificou que "se atrapalhou" durante a entrevista dada a uma rádio da capital e que não sabia que estava sendo gravado. Oras, se ele alega que pensava estar numa conversa informal, na minha opinião, então ele teria dito tudo de maneira mais verdadeira, digamos assim. Imagino o que aconteceu: desmentiu tudo porque teria tomado um tremendo puxão de orelhas (pra não dizer uma "carcada") do comando superior da PM. E se isso aconteceu é porque não deveria ter falado o que disse, ou seja, a verdade. Se a cabo Andréia ajudou a denunciar colegas, essa colaboração pode muito bem ter a ver com isso. Ou estou viajando demais?

Outro detalhe que apuramos hoje também faz referência ao que está riscado no portão da casa e ao que eu disse no meu último artigo. A palavra "Abuso" e o número "157", como eu escrevi, podem referir-se a artigos dos códigos penais brasileiro e militar que descrevem "roubo" e "violencia contra superior", consecutivamente. Hoje aventou-se a hipótese de não ser "157" e sim "137" (porque os números estão borrados), cujo artigo refere-se a "RIXA". Uma produtora que tem contatos  com o pessoal do PCC me confidenciou que descobriu que a Cabo Andréia era linha dura e pegava pesado com suspeitos, do tipo meter o cuturno na boca, pisar na cabeça e outras gentilezas. Seria mesmo uma coincidência ou um recado?

Aguardemos os próximos capítulos dessa história que já desconfortou a cúpula da segurança pública paulista.

Tarifa revogada! Mas pode ser uma armadilha.

ng2413315 Tarifa revogada! Mas pode ser uma armadilha.

Vitória nas ruas: tarifas rebaixadas

Quero fazer um “mea-culpa” hoje em relação a o que eu disse no último artigo. Eu afirmei que o brasileiro não sabia fazer manifestação, um protesto decente. Isso diante da onda de baderna e vandalismo que vimos nos protestos pelo Brasil afora e questionando porque isso só foi feito agora. Ainda continua não sabendo, precisa aprender muito com a história. Mas o volume de pessoas nas ruas e as vitórias conquistadas em torno da tarifa de ônibus nos ensinaram que esse é o caminho, o começo, o despertar. Nunca se viu uma união tão grande em torno de um só grito. Nem mesmo nas Diretas Já ou no impeachment de Collor. Resultado: tarifas de ônibus baixadas em várias capitais e reajustes revogados em quase todo o país. Hoje, quarta-feira, foi a vez de São Paulo e Rio de Janeiro cederem. E assim se pode dizer: É, o povo realmente acordou e tem força!”.

Já sabemos também que a bagunça e o quebra-quebra registrados foram patrocinados por pequenos grupos de vândalos que não comungam com o ideal da maioria e apareceram só para tentar desacreditar o movimento. A grande massa mesmo mostrou maturidade, união e força. Apesar dos xingamentos que nós da mídia sofremos nas ruas, vimos que isso faz parte de um contexto secundário, de uma provocação apenas. Mas o foco foi mantido e vitória conquistada. Só quero lembrar aos mais exaltados que foi exatamente a mídia que revelou ao mundo a força que esse movimento popular teve.

O que me amedronta mais nessa história toda é o discurso político em São Paulo que me leva a crer que essa revogação do reajuste da tarifa pode custar muito mais caro lá na frente. O prefeito Fernando Haddad deixou claro que isso poderia custar investimentos em outras áreas. Então nos preparemos para enfrentarmos reajustes piores no IPTU e em outros serviços públicos como água, gás, luz e telefone. E vamos ficar atentos ao que faltar ainda mais na saúde, educação e segurança. O recado foi claro de que somos nós é que vamos continuar pagando a conta porque eles não vão tirar esse prejuízo do dinheiro gasto com a Copa. Ou alguém acredita que vão?

Mas desta vez, pelo menos o recado maior foi do povo. Nossos governantes sabem o poder que essa massa tem nas mãos e do que ela é capaz. Então, é bom não abusar nem nos fazer de trouxas.

Estive em quase todas as manifestações em São Paulo. Confesso que acompanhei assustado os clamores populares. Mas meu espanto não foi pelo medo do que poderia acontecer com nossa equipe nem das provocações que sofremos. Foi por ver o tamanho e a rapidez da mobilização através das redes sociais. Nem mesmo as lideranças do Movimento Passe Livre, tenho certeza, sabiam no que isso ia dar. E deu no que deu: um imenso despertar de populações insatisfeitas em quase todas as capitais brasileiras. O grito pela redução da tarifa virou o grito pela educação, contra a corrupção, por mais segurança e saúde. Virou o grito do “saco-cheio” de tanta bandalheira desse governo, de tanto desmando. Virou o grito contra o desrespeito.

O governo passa a mão na cabeça agora mas vai nos entubar de outra maneira. Só não podemos deixar que isso nos desanime. As manifestações precisam continuar, o povo precisa sair às ruas cada vez que se sentir lesado. Quem sabe um dia a gente consiga fazer com que parem de nos fazer de palhaços.

Intolerância: caminho para a auto-destruição

intolerancia Intolerância: caminho para a auto destruição

Tenho andado entristecido com a humanidade, chocado com brutalidade das relações e das reações humanas, decepcionado com o que o ser humano está se tornando. Falo isso com a alma contaminada pela tragédia que vimos, agora, num apartamento de Alphaville. O caso não tem nenhuma relação com a criminalidade, com a delinquência, com a violência urbana que estamos acostumados a ver diariamente. Desta vez - o que mais me amedronta - tem relação com a desumanidade das pessoas, com a forma odiosa com que os semelhantes tem se tratado, com a ganância, com a arrogância, com o egoísmo. Um homem de 63 anos estragou a vida de três famílias - a do marido, a da mulher e a dele próprio. Pelo que? ABSOLUTAMENTE, POR NADA! Simplesmente perdeu a compostura e a lucidez porque estava sendo alvo de reclamações. Foi desumano e egoísta. Matou em nome do seu próprio bem estar, matou a mando do próprio ego. E antes de se matar com um tiro na cabeça, ainda responsabilizou a esposa pelo estrago. "Matei e resolvi. Agora é com você", teria dito ele.

Mas não é só isso que me revolta nas relações humanas. Há várias outras formas de assassinato que são tão cruéis quanto tirar a vida de alguém. O assassinato da gentileza, do altruísmo, a morte da solidariedade e da compaixão, a execução sumária da bondade, da lealdade e da honestidade. Um exemplo disso: cruzo o dia todo com pessoas dentro do meu próprio trabalho que, muitas vezes, são incapazes de dizer um "bom-dia", "boa-tarde" ou "boa-noite". Nas ruas vejo o desprezo de muitos com o "obrigado, com licença e me desculpe". Tomo esbarrões em locais lotados e não ouço nada disso.

Ao contrário da gentileza e da educação que deveríamos estar vendo, somos testemunhas diárias da ignorância e, quase sempre, da idiotice, da imbecilidade. Basta buzinar para um motorista para alertá-lo que ele está te fechando e, pronto! Lá vem um dedo médio erguido para o alto naquele tom ameaçador. Isso quando o sujeito não para ao seu lado no semáforo e desfila todo um repertório de palavrões que faria Dercy Gonçalves revirar no túmulo. Já fui ameaçado por  homens e mulheres ao volante, taxistas, motoristas de ônibus e motoboys (esses quase que diariamente) que se sentem donos da via pública e no direito de fazerem as atrocidades que bem entenderem achando que não podem ter a atenção chamada. Bando de trogloditas que, parece, estão enfrentando uma guerra em que o mais forte sobrevive e os mais fracos são pisoteados. Prefiro ser o mais fraco, mas não me uno a essa horda de boçais que, impacientes e truculentos, tornam o cotidiano essa selva toda.

Ah, claro, não podemos esquecer também dos criminosos que ceifam vidas, subtraem sonhos e desejos, ameaçam nosso futuro em troca de um relógio bacana, de um celular moderno ou de uma bolsa, talvez falsificada. Ou dos gatunos que, sorrateiramente invadem nossos lares, nossas almas e nossa dignidade. Hoje você trabalha, você conquista mas a insegurança lhe impõe limites para usufruir daquilo que conquistou. A ineficiência da polícia e a falta de uma política pública de segurança jogaram para nós, mortais, a responsabilidade de cuidar do que temos. Ao invés de dar o recado para os bandidos, o recado vem pra gente mesmo: "Olha, não andem com celulares caros, não exibam relógios valiosos, não dirijam carros luxuosos, blá, blá, blá!"

Mas falando a verdade, são dos bandidos que a gente deve menos ter medo. Pois sabemos o que querem, como agem, mais ou menos quando agem e porque são assim. E até podemos identificá-los por sua maneira sempre suspeita. Medo mesmo devemos ter dos vizinhos que não conhecemos, do motorista de taxi que está à sua frente, do motoboy que vem pelo seu retrovisor, da pessoa com quem você esbarra na rua. Desses sim não sabemos o que esperar, que reação terão a uma afronta qualquer. Por mais banal que seja, a pressão do estresse, dos problemas rotineiros, da falta de dinheiro ou até mesmo um desequilíbrio emocional patológico serão gatilhos para transformar essas pessoas em verdadeiros monstros que matam sem motivo aparente ou justificativa. Os "dias de fúria" estão se tornando comuns e é isso que devemos temer. E o pior: contra essa intolerância não há segurança nem polícia que a impeça. Ela nos ronda, convive com a gente e pode, a qualquer momento, bater à sua porta. Pode estar até mesmo dentro da sua casa.

O que fazer? Na verdade não sei. Mas só vejo solução nas nossas atitudes, na nossa conduta. Pois da mesma forma que elas nos conduzem ao céu, também podem nos levar ao inferno.

Carros versus Bikes – até quando?

bikes Carros versus Bikes   até quando?

Tem gente que precisa aprender a conviver com as bikes

Semana que passou vi pelo Facebook o artigo de um colunista da Folha que causou indignação na maioria dos leitores e a mim também. O teor sugere que o tal jornalista não tem o mínimo conhecimento necessário do trânsito que o cerca. O texto é cheio de preconceitos contra mulheres e velhos ao volante e destila um ódio quase velado pelos ciclistas. É óbvio que, como ele mesmo afirmou, o fato dele não saber andar de bicicleta o leva a rechaçar quem sabe e curte. Mas esse nobre (nobre?) colega de profissão parece que o faz por não ter a mínima noção do que é a ocupação das ruas de qualquer cidade, apesar de sua suposta experiência e vivência.

Não quero aqui levantar a bandeira do transporte ecológico, que não polui, não faz barulho, não consome combustível e traz benefícios à saúde. Apesar de ser um ciclista ativo não gosto de usar a prática para ativismos desacerbados. Mas defendo sim a convivência pacífica entre os que pedalam e os que se acham donos do trânsito.

O jornalista brada em seu artigo que "o ciclista é insidioso, frágil, secreto. Conspira contra o carro: confia no poder das massas –às dezenas, e logo às centenas, conquista a faixa do ônibus, entre os quais se esconde, e conquistará as outras". Deixando de lado a barbaridade que ele diz, temos de observar que o trânsito é organizado para a convivência segura de vários agentes: carros, motocicletas, pedestres, camihões, coletivos e... ciclistas! Isso mesmo, os ciclistas também tem o direito de fazer uso das ruas, assim como qualquer outro meio de transporte. Está no Código Brasileiro de Trânsito. Texto do CBT valoriza essencialmente a vida, não o fluxo de veículos. Na redação de seus artigos, está uma preocupação, acima de tudo, com a integridade física dos diversos atores do tráfego, sejam eles motoristas, motociclistas, ciclistas ou pedestres. Bicicletas, triciclos, handbikes e outras variações são todos considerados veículos, com direito de circulação pelas ruas e prioridade sobre os automotores.

Ainda pergunto: que direito dá aos carros de dominarem as vias, não permitindo que nenhum outro meio mais possa usá-las?

Precisamos dizer a alguns motoristas, principalmente os que comungam da visão desse retrógrado jornalista, que essa soberania do automóvel na briga pelo espaço nas ruas não existe e nunca existiu. Aliás, foram as bicicletas as primeiras a ocuparem as vias de tráfego ao longa da história e aos poucos foram expulsas pela imponência dos carros, esses sim ameaçadores pela sua potência e massa. E não vejo problema algum que elas estejam voltando, cada vez mais, a ocupar o espaço que sempre foi delas. Se as bicicletas e seu benefício de transporte não fossem tão importantes, não se teriam criado leis para punir os motoristas que as desrespeitam.

As ruas são dos carros, mas igualmente das bicicletas, dos pedestres, dos ônibus, dos caminhões e de qualquer veículo de transporte que tenha ou não motor. Mas é preciso haver respeito de todas as partes. Pedestres não podem achar que, pelo fato de terem ganhado mais importância com a lei das faixas, agora são donos das ruas. Assim como os ciclistas não devem se igualar aos motoboys achando que o corredor é seu território. A gentileza e o cuidado com a vida tem de fazer parte dessa convivência. E quem está ao volante de um carro, principalmente os que admitem serem "barbeiros confessos", em vez de se sentirem ameaçados pelos ciclistas, deveriam sim é compreender a importância das bikes para a mobilidade de uma capital como São Paulo e nos fazer o favor de não sair por ai colocando em risco a vida das pessoas. Afinal estes sim são uma verdadeira ameaça ao trânsito.

Pedágio: funciona mas é duro de engolir

 

pedagios Pedágio: funciona mas é duro de engolir

Tarifas em São Paulo são abusivas

Quando estou de folga da TV sempre dou uma escapada para o interior onde tenho família. Meu principal destino é Ribeirão Preto, a 310 quilometros da Capital. Dia desses precisei fazer um bate e volta para uma consulta lá e fiquei na dúvida entre ir de carro ou de avião. Como sempre gostei de pegar estrada, ir dirigindo não seria problema algum. De avião, eu teria de ficar amarrado aos horários que atrapalhavam meus compromissos. E pensando melhor ainda, com as passagens aéreas, ida e volta, em torno de 350 reais, decidi ir de carro mesmo. Assim curtiria a estrada e economizaria um pouco. Mas muito pouco. O problema é que me esqueci de um detalhe: não calculei o valor dos pedágios!

Eu sempre defendi que pedágio é uma das poucas taxas (acho que a única) que a gente paga em que se pode ver o resultado. Em São Paulo, pelo menos, rodamos sobre tapetes de asfalto. Nas rodovias como a Bandeirantes e Anhanguera há telefones de emergência a cada quilômetro e sempre que se precisa, há socorro quase que imediato. Até aí, tudo bem. O que não devemos concordar é com o preço que se paga por isso que, em São Paulo, se tornou um verdadeiro abuso.

Vejam meu exemplo: de combustível até Ribeirão Preto, rodando cerca de 650 quilômetros (ida e volta) gastei cerca de 160 reais (isso num carro pouco econômico que faz em média 10,5 km/litro). A parada pro cafezinho, um salgado e água saiu mais 12 reais. Agora, só de pedágios (e são 8 ao longo do caminho, 16 ida e volta) foram mais 98 reais e vinte centavos. Total da viagem: R$ 270,00. Realmente um pouco mais barato que o avião (80 reais). Mas levando em conta o tempo que gastei e o cansaço, não sei se realmente valeu a pena.

Deixando a economia de lado, minha indignação é com o preço dos pedágios em São Paulo. Você acha que o que paga é justificável até transitar por outras estradas, em outros estados, tão boas quanto as daqui só que com pedágios bem mais baratos. A BR 101, após Curitiba em direção a Florianópolis, tem um bom asfalto e não cobra mais que R$ 1,70 por pedágio. Em Minas a taxa varia de R$ 1,40 a R$ 2,80. Já em São Paulo o abuso varia entre R$ 4,90 até R$ 21,20 (na Imigrantes) com média de R$ 7,20. A pergunta é: porque outros estados conseguem manter suas rodovias em ótimo estado de conservação cobrando pouco e São Paulo não? É lógico que alguém está lucrando com isso. E não seria ninguém mais que não o governo estadual que autoriza as concessões e lucra milhões com isso.

E ainda tem mais um agravante: quem usa o sistema "Sem Parar" sente menos o peso no bolso já que a facada vem uma vês por mês apenas e com débito automático na conta. Quem paga a cada passagem pelas guaritas sente mais a mordida.

Mas fazer o que? Deixar de viajar de carro? Deixar que as estradas virem crateras? Não tem jeito! O pedágio é mais um mal que somos obrigados a engolir como outros tantos neste país. Um gosto amargo temperado pela corrupção e injustiça que nos escorcha historicamente.

Nossa pseudo-liberdade!

Outro dia li na internet o relato do repórter da Globo, César Menezes, sobre um assalto que ele sofreu em São Paulo, parado no trânsito, dentro de um taxi. Como passei por isso recentemente, mas com a sorte de ter sido apenas furtado no aeroporto, não sendo intimidado diretamente pelos ladrões, senti ainda mais indignação que meu colega de profissão ao ler a notícia. E a conclusão a que chego é que, realmente, estamos cada vez mais cerceados do nosso direito e ir e vir e de "ter".

assalto Nossa pseudo liberdade!

Na mira da insegurança.

Hoje vemos que os bandidos tomaram conta das ruas de São Paulo sem que haja uma ação efetiva para combatê-los. E assim, um dos nossos direitos básicos previstos na constituição -  A SEGURANÇA - é desprezado, jogado no lixo.

Hoje não podemos nos sentar tranquilos em qualquer restaurante ou bar para um simples jantar de comemoração, ou apenas para desfrutar de alguns momentos de lazer, porque estamos sujeitos a passar por um arrastão como os que temos visto toda semana. No dia dos namorados eu e minha mulher chegamos a deixar relógios, jóias, carteiras e celulares em casa - levamos apenas um cartão de crédito - para não corrermos o risco de perder tudo numa ação dessas. Nos sentimos ridículos, claro, mas era a única alternativa se quiséssemos comemorar a data fora de casa sem nos preocuparmos em perder algo num assalto. O pior é que especialistas dizem que temos de carregar sempre o "dinheiro do ladrão". Até isso está se institucionalizando!

Em São Paulo você não pode ter um carrão chamativo porque vira alvo de arrastadores e sequestradores. Não pode portar um bom relógio sem chamar a atenção. Se sacar um celular moderno em público, corre riscos. Se abrir um iPad em qualquer lugar, pode virar um prato cheio para bandidos. Daqui a pouco teremos de tomar cuidado com a grife das roupas que usamos. Não se pode nem sair com cachorros pequenos para passear sob o risco de tê-los levados por alguém que pedirá resgate depois. Agora, depois do assalto do Menezes (leia aqui), andar de taxi também será preocupante?

Estamos vivendo uma pseudo-liberdade, mais aprisionados do que quem está atrás das grades. Nem dentro das nossas casas, cercados com grades, câmeras, cães ou cercas elétricas, estamos seguros. Condomínio fechado deixou de ser sinônimo de tranquilidade faz tempo. Vivemos com medo, precavidos e desconfiados. Suspeitamos até de quem vem nos perguntar a hora na rua ou pedir uma informação. Quando nossos filhos ou esposas vão sair de casa então, as recomendações de cuidado são tantas que, muitas vezes, eles se apavoram e preferem não ir. Só mesmo em casos de urgência.

Não podemos mais ir sossegados ao médico, ao shopping, ao supermercado, aos bares e restaurantes. Não podemos nos descuidar por qualquer segundo que seja das coisas que carregamos e nem podemos deixar qualquer objeto que seja no console do carro. Nem mesmo podemos sacar dinheiro em caixas-eletrônicos sem medo. Onde vamos parar com tanta insegurança?

Como eu disse num post recente, não estão roubando apenas aquilo que adquirimos e conquistamos com nosso trabalho. Estão roubando a nossa tranquilidade, a nossa paz de espírito, nossa confiança e segurança. Estão roubando aquilo que nos é mais valioso - nossa liberdade! E a polícia pouco, ou quase nada, faz para nos dar isso de volta. Assim como nossos objetos levados.

Quando nos levam um relógio, um notebook ou um celular, estão te levando muito mais que simples objetos de valor. Estão levando sua honra, rebaixando você a um ser desprezível como uma larva de inseto. Os bandidos pisoteiam nossa dignidade como quem amassa uma bituca de cigarro e comemoram com deboxe mais um trouxa lesado. Certa está a idosa que, por ter a casa invadida, atirou e matou um ladrão.

O que eu queria mesmo é ter isenção de impostos por cada objeto que nos roubam. Pelo menos assim estaríamos dando dinheiro a um ladrão só, que também não nos dá nada em troca.

A fumaça controversa

poluicao 300x191 A fumaça controversa

Vai um fumacê ai?

Existem em são Paulo algumas coisas que não tem no resto do Brasil. Uma é o rodízio, que até acho correto e funciona bem, senão o trânsito seria um caos ainda maior. A outra é a tal da inspeção veicular. A intenção é nobre: diminuir a poluição do ar tentando reduzir o número de carros poluidores nas ruas. Mas, como diz o velho ditado, "de boas intenções o inferno tá cheio".

Eu até concordaria em pagar uma taxa anual se a coisa fosse séria. Mas não é o que vemos nas ruas diariamente. Nem no que já foi mostrado pelo jornalismo da Record. Quem não viu, já denunciamos alguns técnicos da controlar (os que fazem os testes de avaliação) que recebiam propina para liberar carros irregulares, com índices de poluição bem acima do permitido. E agora, mais recente ainda, o escândalo da renovação do contrato da prefeitura com a Controlar por debaixo do pano, sem nenhuma licitação.

Enquanto isso, vemos circular pelas ruas de São Paulo centenas, milhares de veículos cujo escapamento mais parece a chaminé de uma fábica de celulose. E o pior: os que mais dão mau-exemplo são os ônibus do transporte público da capital. Eles sim são os principais responsáveis pela maior parte dessa poluição.

Parece aquela coisa de faça o que eu mando, não faça o que eu faço - diria a prefeitura.

E até quando isso vai? Nós, os trouxas, vamos continuar levando nossos carros na oficina, gastando os tubos na manutenção, pra deixar ele funcionando como um reloginho pra passar no teste. Enquanto isso, os espertos nos cobram mais uma taxa, além do licenciamento, do IPVA, do seguro obrigatório, pra depois permitir que um ônibus vomite fumaça nas nossas fuças.

Bloquear os bens dos envolvidos é pouco pra se começar a por ordem na casa!

Tolerância zero para leis absurdas, já!

garupa 300x199 Tolerância zero para leis absurdas, já!

Atenção: garupa em moto é sinal de crime!

Estive nessa terça feira no palácio do governo. O assunto era a Lei do Garupa. O governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, diria se vetaria ou não a lei que, em cidades com mais de um milhão de habitantes, proíbe motociclistas de carregar outra pessoa durante a semana. Mas não decidiu ainda, está em cima do muro. Afinal, sancionar a lei, que já foi erroneamente aprovada pelos deputados paulistas, seria assinar um atestado de incompetência para combater o crime.

A justificativa de discutir uma lei como essa é a necessidade de "acabar" com os crimes cometidos por duas pessoas numa moto que, segundo estatísticas da secretaria de segurança pública do estado, respondem por mais de 60% do total de ocorrências. Até aí, tudo bem. Intenções de se combater crimes sempre são bem vindas, mas desde que sejam coerentes. O que não é o caso.

Veja bem: a lei proibiria garupas durante a semana. Esqueceram de analisar que a maior parte dos crimes acontece nos fins de semana. Outra coisa: bandido é bandido e não respeita lei, então não seria isso que coibiria sua ação. Em resumo, o maior penalizado por essa ridícula determinação seria o próprio cidadão de bem, gente que leva sua esposa ao trabalho de moto porque não pode ter um carro. Gente que busca o filho na escola porque não pode pagar o transporte escolar. Gente que, mais uma vez, vai pagar pela inconsequencia de uns, incompetência de outros.

Essa lei me parece aquele história do cara que chega em casa, pega a esposa com outro no sofá e vende o sofá. "Não aguentaria mais sentar ali com minha mulher", justificaria o trouxa. Já que é assim, mais uma vez o governo tentando resolveu um problema da maneira mais fácil, porque então não proibir os carros de terem marcha-ré? Assim a gangue que usa a traseira dos veículos para assaltar lojas ficaria impedida de agir. Ou então, vamos proibir as pessoas de andar na calçada, já que é alto o índice de assaltos no passeio público.

E o camarada ganha mais de 30 mil reais na assembléia legislativa pra ter esse tipo de idéia. Mais ridículo ainda é seus companheiros assinarem embaixo.

Se isso passar, e acredito que o bom senso do governador não vai deixar, temo que outras leis, igualmente absurdas, possam vir à reboque. Proibir de falar ao celular dentro de bancos, por exemplo, é uma delas. Atenção "otoridades" vamos parar de brincar e levar a coisa mais a sério? Senão, vamos extinguir o cargo de deputado já que os crimes cometidos por esse tipo de político não para de crescer no país.

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