Fuzis: sim ou não?

As circunstâncias ditam os procedimentos. Este é o princípio. Assim se desenvolvem as atividades humanas e, como não poderia deixar de ser, também aquelas inseridas no campo da segurança pública.

Há cerca de duas décadas, os delinquentes da Cidade do Rio de Janeiro, em especial, os que atuavam na proteção aos traficantes de drogas em várias favelas, começaram a empregar fuzis automáticos, face ao poder de fogo dos mesmos.

A Polícia Militar, à época, estava inferiorizada em meios bélicos. Afinal, era fuzil automático versus revólver. Face a tais circunstâncias, ocorreu a oportuna decisão de armar as unidades operacionais da Polícia Militar com fuzis automáticos. Tal iniciativa possibilitaria condições a PM de vencer a resistência armada desses marginais fortemente armados.

Hoje, o cenário operacional está se transformando. Na medida em que nos centros urbanos (por natureza densamente povoados), os delinquentes já reduzem o emprego de fuzis, assim também agirá a Polícia Militar. Nas áreas ocupadas pelas UPPs, ou seja, nas comunidades de baixa renda, o risco de inocentes serem atingidos por tiros de fuzil é enorme. Entretanto, o emprego eventual dessas armas por marginais contra a polícia ainda está ocorrendo, razão porque a retirada das armas automáticas deverá ser realizada de forma bastante cautelosa, principalmente, para não expor os integrantes das UPPs a uma perigosa inferioridade de meios.