Hoje, pela manhã, recebi uma pergunta interessante: “Professor, o que o senhor acha das mudanças que o secretario de educação quer fazer, em São Paulo? Ele pretende alterar o modelo de currículo no ensino médio.”

Vou ser bem direto na resposta. Devo ganhar alguns “inimigos” com minha opinião, mas tudo bem. Estou aberto ao diálogo.

Existe uma multidão de jovens que, em algumas escolas, principalmente nas públicas, são treinados e massacrados, durante 6 longas horas por dia, para não pensarem. Eles somente aplicam “fórmulas prontas”. Há pobreza em iniciativa, curiosidade e pesquisa. Copiam a matéria da lousa ou de um projetor, que agora virou moda, para decorarem o conteúdo em busca de uma nota boa na prova. E mais nada.

Quando os alunos se tornam adultos e se deparam com o mercado de trabalho, continuam pensando que a vida se resume a este pequeno modelo no qual foram “adestrados”. Por essa razão, na maioria dos casos, muitos têm dificuldade de conquistar um objetivo que está além do óbvio. Eles se acostumaram a receber fórmulas prontas.

Ideias que buscam romper com a tradição são descartadas, e os exemplos de inspiração ficam pra depois. Afinal, o foco é, sempre, o temido vestibular. A vida de um estudante de ensino médio se resume a isso: estudar para o vestibular, estudar para o vestibular, estudar para o vestibular.

A proposta de mudança de currículo é ótima. A secretaria de educação ainda não revelou detalhes, mas o objetivo é que a etapa final do ensino médio seja construída a partir dos interesses do estudantes. Que ótimo! Vamos dialogar para verificar quais são os novos caminhos para a educação brasileira.

Para mim, não faz sentido ter dezenas de matérias no Ensino Médio  com o foco de trabalho voltado para questões, exclusivamente, "conteudistas". Mas logo vem a justificativa de pais e instituições: o ENEM e os vestibulares. No momento de escolher um escola para os filhos, os pais se preocupam apenas com isso. Percebo que esse sistema é uma tortura baseada no terror de passar num exame.

O modelo curricular em que nossos adolescentes vivem hoje funcionou no século passado. Hoje, a realidade, a velocidade, o interesse e o mercado de trabalho são outros. E a magia do conhecimento é deixada de lado. Alguns livros didáticos se tornaram meros espaços para preencher lacunas em branco.

Fico muito feliz em saber que o secretário da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, está querendo dialogar sobre uma mudança. Sabemos que tudo será feito aos poucos. Porém, neste momento, o que importa é dar os primeiros passos.

Se a gente não inspirar os jovens para viverem momentos únicos, com projetos reais, nada vai mudar em nosso país. Vamos continuar complexados e, somente, meros reprodutores de ideias alheias. É o famoso “siga o que a boiada diz.”

Buscar a realização de um sonho é o que existe de mais precioso na vida. E deixar isso de lado é um crime que estamos cometendo com as gerações futuras. Queremos formar pessoas para a realidade do mundo e não para guardar fórmulas prontas na gaveta. Espero que os diálogos continuem. Ainda precisamos pensar em alternativas!

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