27 de setembro de 2009 às 12h34
Bem-vindo, querido leitor!
Não, eu não vou começar com aquele yadda-yadda-yadda de "eu blogo há quase dez anos" , "já fiz mais de cinquenta mil posts" e tudo mais. Ou talvez eu comece. Não sei ainda. A emoção de escrever este 'primeiro post' do Querido Leitor num contexto totalmente novo espalha cores em meu cinzento cérebro a ponto de confundir as decisões racionais sobre meu próprio texto.
Algumas coisas, porém, estão bem claras na minha cabeça: o valor que o Querido Leitor adquiriu por sua causa e a importância deste novo momento que passo a explicar agora.
Ao longo desses anos, por mais que eu me esforçasse, este blog sempre sofreu de um problema de 'clandestinidade' perante minhas atividades profissionais primordiais. Chefes olhavam de forma esgueirada quando eu falava sobre o blog, colegas torciam levemente o nariz quando me viam escrevendo um post durante o horário de trabalho, leitores me perguntavam se "eu não tinha nada para fazer da vida" para ter tanto tempo de postar no Querido Leitor. Aos olhos de muitas pessoas blogar era uma espécie de vício pessoal, mania doentia, idiossincrasia inexplicável.
Sempre compreendi a postura das pessoas que se reuniam sob a nuvem desta desconfiança, mesmo achando que blogar era apenas a minha opção pessoal de fazer um intervalo mental, digamos, uma alternativa mais saudável do que sair para 'fumar um cigarrinho lá fora'. Quando surgiram os blogs realmente eram vistos como diários de adolescentes, orbitando entre o irrelevante e o desprezível. Algumas pessoas fixaram esse conceito inicial e não fizeram nenhuma atualização desde então. Sim, porque os blogs evoluíram rapidamente, viraram um poderoso instrumento de expressão, informação, troca de experiências, interação, cidadania, diversão, mil coisas. Os grandes veículos de mídia passaram a ter blogs e blogueiros como contratados. E o resto você sabe.
O Querido Leitor também cresceu, ganhou leitores, criou uma comunidade, conquistou respeito e até alguns prêmios. Ainda assim, postar era sempre uma atividade marginal, um rio fluindo ao lado de minhas funções profissionais no mundo da criação de televisão. Em muitas ocasiões, quando não havia ninguém ao meu lado para me recriminar visivelmente, a reprovação exterior dava lugar à culpa interior, o que me levou a subir muitos posts num netbook levado de casa e conectado no meu próprio modem 3G, para não usar a estrutura da empresa. Era ou não o caso de me sentir uma blogueira clandestina?
Pois agora, finalmente, depois de quase uma década, o Querido Leitor se emancipou de fato. Virou gente grande. E assumiu não só o controle de sua própria vida, como da minha também.
O Querido Leitor foi convidado a vir oficialmente para o R7 junto comigo e fazer parte deste grande projeto de comunicação cuja meta é ser o maior portal de conteúdo de língua portuguesa da Internet.
Este post está sendo escrito na redação, num computador do R7, diante dos olhares de colegas e superiores, sem problema algum. Não há mais culpa, reprovação, dúvida, medo. A partir de agora não apenas posso, mas DEVO postar no blog. Eu vim aqui para isso.
PS - Daqui a pouco tem novo post. E, claro, a partir de agora espero você, querido leitor, aqui.










