7 de novembro de 2009 às 21h33
A expulsão da aluna da Uniban
Eu soube pelo Twitter, pelo @pedrotourinho , mas já vi no R7 também. Geisy foi expulsa da UNIBAN.
Não vou começar pelo óbvio, atirando pedras na UNIBAN. Conheço pouco a empresa. E não conheço Geisy pessoalmente.
O vestido de Geisy era curto? Era. Era justo? Provocativo? Acho que sim. Pode ser considerado 'inadequado' para uma faculdade? Talvez. Eu já fui jovem, já dobrei muita saia de colégio pra ficar curta, já convivi com mulheres de todos os tipos, gostosas, aparecidas, robert, extravagantes, tímidas. Todas. Sou mulher ,sou filha, sou mãe.
Vou abrir meu coração e falar, com TODA a sinceridade de que sou capaz, como mulher. Eu já torci o nariz para uma garota que foi vestida de uma forma totalmente inadequada num evento, do qual participei. O lugar, o clima, o ambiente, a viagem, exigiam um dress code à vontade. Quase todas as mulheres foram de jeans ou bermuda, tênis, sandália baixinha. E ela, foi como Geisy. Com um salto altíssimo, que mal permitia que ela caminhasse pelas pedras. Um vestido curtíssimo, do tipo que mostra a calcinha na primeira sentada. Justíssimo, agarrado ao corpo que ela ostenta com visível orgulho. E, detalhe: com uma calcinha estilo fiapo marcando um triângulo minúsculo na bunda que chamava a atenção de todo mundo. Pra completar, uma generosa abertura no decote. Sim, ela destoava de todo o resto. Verdade.
Mas também era verdade que ela era a mais bonita. A mais gostosa. A que tinha o melhor corpo. A mais jovem. A mais feminina. A mais desejada.Pelos padrões estéticos eu deveria dizer "ela pode". E mostrava porque podia.
Quando comentei com outra mulher do grupo, ela respondeu: é o jeito dela. Ela anda assim o tempo todo, todos os dias. Sempre de saltos altíssimos, roupa justa, tudo de fora. Entendi na hora a mensagem. O jeito dela. A personalidade dela. E depois, se a pessoa quer andar da anabela 15 na rua de terra, eu não tenho nada com isso, tenho? O incômodo era meu. Ela estava feliz. E, aparentemente, fazendo a alegria de muita gente.
Eu conheço POUCAS mulheres de corpo perfeito que o escondem. Em geral, mulher bonita, gostosa mostra mesmo. Porque beleza é poder. Tem gente que ostenta carro, tem gente que ostenta cultura, tem gente que ostenta corpo. E tem gente, felizmente, que tem e não ostenta. Esses são minoria. Em geral, quem tem exibe.
Eu não conheço a Geisy, mas vejo que ela gosta de mostrar o corpão. Numa outra entrevista pra a Rede Record, ela estava com um decote imenso, tipo 3/4 dos peitos de fora. E daí? Se ela quer sair com tudo de fora, problema dela. E ninguém tem o direito de encostar um dedo ou falar um ai pra moça. Ela faz o que bem entender com seu corpo, porque ela não está infringindo a lei. Aliás, eu pergunto a UNIBAN: onde está o estatuto que diz que aluno tem que se vestir de uma determinada forma nas dependências da faculdade? Está escrito?
Muita gente, aproveitando a carona do preconceito, usou o argumento de que ela estava usando uma roupa de "garota de programa". E se uma garota se programa quiser fazer faculdade não pode? Uma prostituta não pode estudar? E MESMO que uma prostituta estudasse e fosse com roupas provocantes, ninguém tem o direito de humilhá-la ou persegui-la. A sorte de Geisy é que não tinha um jardim de pedras na faculdade, porque se tivesse ela teria sido apedrejada como Maria Madalena ou como as mulheres adúlteras condenadas à morte por apedrejamento do Talebã.
O mar de preconceito passa por tudo. Pelo corpo, pela roupa, pela classe social. E não termina aï. Tem gente que alega que ela `queria aparecer`! E aí eu pergunto: e quem não quer?
Isso tudo é uma prova do nosso atraso. Atraso social, atraso sexual, atraso mental, atraso humano.
Minha vontade é organizar um vestidaço, um protesto. Todas as mulheres de vestido pink, curtos, justos, na frente da UNIBAN. De salto alto. Bonitas, feias, magras, gordas, jovens, velhas, todas. Todas de rosa choque.
Uma tropa de choque rosa.











