25 de novembro de 2009 às 19h34
Experiência de privacidade
Fiz uma experiência, bem boba, um ensaio de uma ideia.
Digitei uma expressão sem importância como "eu vou" no search do Twitter e escolhi uma pessoa a esmo.
Uma garota.
Entrei no seu perfil do Twitter e li todos os seus posts. Todos. Quase 900.
Não levou tanto tempo assim, já que os posts são curtos.
Na experiência não procurei pelo nome dela em nenhum outro lugar. Não saí do Twitter, na verdade.
A ideia era tentar conhecer uma pessoa lendo apenas seus tweets, descobrir o quanto é possível saber sobre sua vida a partir do que ela mesma torna público..
Li tudo. E fiquei com a sensação de que quase a conheço.
Sei tudo o que ela gosta de comer. Ela fala muito de comida, especialmente doces. Sei o tipo de bolacha que ela prefere, seus sabores de sorvete favoritos, seus hábitos de pedir pizza pelo delivery. No quesito alimento eu poderia agradá-la em cheio se a convidasse pra comer em minha casa.
Seus hábitos de beleza também estão todos postados. Ela fala muito sobre lavar e secar o cabelo. E menciona o tempo todo ...as suas unhas. Ela faz as unhas regularmente, no mesmo dia. Quando muda o dia ela acha estranho.
Sei onde ela estuda, o curso que faz, o ano em que está. O nome de suas amigas. Descobri todas suas preferências na TV. Dá pra traçar a grade de programação da TV dela. Completa. Seus artistas favoritos, seus programas e apresentadores, os atores com quem ela sonha. O IBope poderia descobrir as preferências de boa parte da população lendo tweets. As pessoas dizem tudo o que pensam sobre programas de televisão e suas opiniões.
Ela é louca por futebol, doente por seu time. Adora música sertaneja. Está louca da vida porque perdeu um CD que ela gravou. Suspeita que tenha sido a emprega que desapareceu com ele.
Ela fala da mãe, do pai, da irmã, do primo, da prima, de muita gente da família. Já os conheço.
Sei o que ela compra, quantos pets tem em casa, quando foi ao médico. Ela tweetou da sala de espera. Até os dias em que está com cólica ela já divulgou. Se alguém quisesse, poderia, só pelo twitter, traçar até o calendário de dias férteis da moça.
O que eu quero dizer com isso? Simples. Que lendo todos os posts de uma pessoa, digamos, mil, dependendo de quanto ela fala de si, você poderia saber muita coisa sobre ela. Poderia fazer uma agenda, um diário. Uma biografia.
Não sei se isso é perigoso, porque ela pode estar em qualquer lugar do mundo, twittando em português. Mas ativando o geotagging... seria fácil de achar.
Gostei do jeito dela. É estudiosa, parece ser boa filha, boa moça. Me afeiçoei. Espero que ela tenha passado de ano, com boas notas.
Fiquei com vontade de ler outros perfis inteiros, do primeiro ao último. E ver o quanto as pessoas se expõem, se abrem, se confessam. Não penso nisso como algo ruim, mas como uma necessidade de vencer a solidão, de libertar os pensamentos. De abrir o coração para o mundo.
Talvez, e apenas talvez, essas pílulas postadas ajudem a purgar os sentimentos represados. Talvez tweetar, postar, seja um novo tipo de transpiração, uma espécie de...sudorese emocional. A gente vai botando as toxinas da alma pra fora, na esperança de reequilibrar um pouco o nosso espírito agitado.
Se funciona?
Não sei. Não quero pensar nisso agora.
Nem eu nem minha nova amiga secreta, que acabou de entrar de férias.
E nem sabe que eu existo.
Amiga secreta, divirta-se!
PS - ah...não vai me dizer que você vai procurar no search pra ver se descobre quem é a moça...ehehehe!










