30 de novembro de 2009 às 09h30
A nossa parte
Sempre que alguma coisa vai mal no Brasil, o que costuma ser frequente, falamos sobre o comportamento do nosso povo. E, nessa hora, nós olhamos o povo como se não fossemos parte dele. Na hora da crítica não somos "nós, o povo", mas eles.
Pois somos todos responsáveis, direta ou indiretamente, por boa parte da corrupção que contamina a política brasileira, da cueca à meia, passando pelo panetone. Por quê? Por muitos motivos. Começando pela nossa falta de interesse e consciência. Como ouvimos falar de corrupção o tempo todo, achamos que nem vale a pena investir em aprender e conhecer mais sobre os candidatos. Usamos a desculpa de que já são todos corruptos mesmo para justificar nossa preguiça política.
O pior fator, no entanto, está ligado a um dos aspectos positivos da nossa natureza brasileira, o humor. Humor é ótimo, nem precisamos discutir isso. Mas fazer humor e piada na hora errada é tão inadequado quanto usar a pá de lixo pra servir o almoço. Não tem graça votar em corrupto. Não tem graça votar em palhaço. Não tem graça votar em famoso só porque ele canta, dança, pinta, borda ou costura. Só se a pessoa for isso E tiver vocação e vontade política. Acontece que brasileiro gosta de fazer piada até nas urnas. E vota também porque acha "engraçado" ver a pessoa em Brasília.
O problema é que assim como o feitiço volta contra o feiticeiro,o voto humorístico volta em forma de piada sem graça, como agora o caso dos panetones pra crianças carentes,o dinheiro no cano da meia e tudo o mais.
Eu realmente espero que a transparência, a banda larga para todos, o Brasil todo conectado na rede, possa ser uma solução para um país menos corrompido. Menos. Porque a corrupção sempre vai existir em alguma proporção, já que a falta de ética e caráter existe e sempre existirá.
Começa aqui a campanha HumorNaRede: faça humor na vida privada pra não K-gar na urna eletrônica. Porque voto não é brincadeira.
Bom dia.










