26 de fevereiro de 2010 às 13h00
A orca e o bolão
Separei duas notícias para a aula de roteiro desta sexta-feira: o bolão dos premiados sem prêmio ('bolão furado')e a orca que matou a tratadora (orca assassina). Embora tenham o componente de tragédia como denominador comum, a segunda, por envolver a perda de uma vida humana, nos deixa muito mais chocados.
As primeiras notícias diziam que a tratadora havia morrido afogada. Hoje, porém, sabe-se que a treinadora morreu dentro da boca do animal e, além do afogamento, teve traumatismos múltiplos. É um caso terrível em que não se tem quem ou que culpar. A orca é um animal, não pode ser culpada por sua natureza. A tratadora é uma profissional. E o parque não parece ter sido responsável pelo acidente. Por mais que a gente discuta o caso depois de ter acontecido, não temos a quem culpar. Pelo menos até que tudo seja esclarecido. Talvez alguém seja responsabilizado.
Já o caso do bolão furado é diferente. Há muito mais a apurar. Se houve ou não dolo, se foi erro humano, o que vai acontecer com os clientes lesados, se haverá processo. A história real envolve conceitos como sorte, destino e outras questões metafísicas que pegam todos em cheio. Quem nunca se perguntou se a sorte existe? Se tudo é aleatório? Se tudo está escrito?
Escrever um roteiro é contar uma história.
E boas histórias sempre nos fazem pensar.










