11 de março de 2010 às 15h01
O lucro pelo mal alheio
No caminho entre a DM9 e o R7, ouvi uma entrevista na rádio CBN em que Paulo Rezende (não sei se é assim) falava sobre a indústria da multa. O que me chamou a atenção é que, além de comentar que as multas não educam, ele disse que hoje a arrecadação com multas de trânsito passou a ser uma fonte de receita essencial para a prefeitura.
Então eu parei no semáforo e pensei:
- Ei, se a prefeitura de São Paulo não pode mais viver sem a receita das multas, se esse dinheiro é essencial, então, eles não podem abrir mão dessa verba. Ou seja, para a Prefeitura não é interessante que os motoristas deixem de ser multados. Portanto, um trânsito sem infrações não é bom para a cidade! Conclusão: a cidade de São Paulo, QUER que você dirija mal, cometa infrações, faça coisas erradas, mantenha seu carro de forma irregular. Para poder multar e arrecadar mais. Sem contar que já ouvi dizer que alguns agentes ganham COMISSÃO. Multa mais, ganha mais. É um estímulo para multar.
Isso é totalmente sem nexo. Uma cidade com problemas de trânsito gravíssimo quer que o trânsito piore para arrecadar mais.
A ideia se expandiu para... coisas piores. Será que o mundo não quer que a gente coma mais do que deveríamos? Em todo lugar, todo o tempo, oferta de comida tipo 'junk food'. Balas, doces, salgadinhos, refrigerantes. Só porcaria. Para manter a indústria. E será que não querem que a gente tome mais remédios do que deveríamos? Para que a indústria arrecade mais? Será que, enfim, boa parte da economia capitalista não está estruturada no nosso mal? Será que o nosso mal é o lucro alheio?
Não sei. Mas pode ser. É cruel, mas tem nexo.










