26 de abril de 2010 às 08h47
Otto e Lilly
Otto é um cachorro inteligente e obediente, características que nem sempre ocorrem aos pares. Ele entende tudo o que está acontecendo na casa e, embora tente demonstrar seus desejos, resigna-se quando não é atendido. Ele sabe esperar. É capaz de ficar horas olhando pra porta até que alguém finalmente o leve para um passeio na rua. Ele passeia entre duas e três vezes ao dia, com direito a cinco ou seis 'descinhas' até o térreo para uma voltinha no pequeno gramado.
Otto tem personalidade. E idiossincrasias, como manias de velho. Precisa de estímulo olfativo para realizar suas tarefas orgânicas. Sem cheiros de rua, como xixi de outros cachorros, ele não funciona. Para comer é a mesma coisa. Não tem prazer na ração e, dependendo da circunstância, eu tenho que dar a comida na mão. Ele não gosta do pote. Tem que ser a altura certa, a cor certa ou então, ele faz jejum. É um cachorro enjoado para comer. Mas tem aptidões incríveis: nunca deixa de pegar a bola, pega quitutes no ar, incrível.
Com a família é a coisa mais querida do planeta. Com os outros, um vulcão impronunciável. Late para todo mundo, rosna para crianças e não gosta de bebês em carrinhos. Morro de vergonha e tenho que explicar pra todo mundo que não adianta tentar fazer carinho nele. Ele não gosta de ninguém que não seja da sua convivência. Todo mundo é uma ameaça a quem ele ama. E nós amamos o Otto.
Lilly é totalmente diferente. É a coisa mais fofo, querida, amável, simpática do mundo. Ela adora os seres viventes. Ama os humanos. Beija todo mundo, abana o rabo sem parar, brinca sem parar. Na rua é incontrolavemente feliz. Parece ficar possuída por um espírito de um malabarista árabe chamado Al-Gazarra. Só quer fazer folia. Não pega nada que jogamos. Não busca a bola. Salta sem ver o alvo e às vezes, erra a altura da cama e do sofá e se esborracha. Doidinha.
Quando desço com os dois, como hoje cedo, já com as coleiras e guias, Lilly quer pegar a ponta da guia do Otto para levá-lo, ela mesma, para passear. É muito engraçado.
Com Otto aprendo a esperar. A ser leal. E compreensiva. Com Lilly aprendo a ser querida, fofinha, feliz.
Amo meus cachorros. E tudo o que eles me ensinam.
Um cachorro não é só o melhor amigo do homem, mas também seu melhor professor.
Bom dia, mundo cão.










