21 de junho de 2010 às 14h33
Uma história de amor de todos nós
Escrevo este post aqui na minha mesa de trabalho no R7, sentada confortavelmente na minha cadeira, olhos na tela do PC, mãos no teclado. A diferença é que estou chorando muito. Acabei de voltar do banheiro onde fui secar o rosto e tentar disfarçar meu sentimento genuíno, porém bandeiroso, totalmente inadequado para um ambiente coletivo de trabalho.
Choro de alegria, por causa de um vídeo que acabei de ver e outro que revi depois do primeiro. Vou contar a história do jeito que ela me impactou.
Acabei de ver mais uma palestra da TED Talks, dessa vez com Margaret Stewart do YouTube, falando sobre direitos autorais. Não sei se já aconteceu com você, mas algumas gravadoras, quando detectam que você usou uma música que pertence a elas sem pagar por isso, simplesmente cortam o áudio do seu vídeo. É muito, muito chato e, sobretudo, não é uma coisa inteligente, como vamos ver adiante
Margaret fala sobre os números impressionantes do YouTube, do quanto a empresa respeita os direitos autorais, etc. Como exemplo, ela conta sobre o dia em que o clip da música "Forever" de Chris Brown foi lançado pela Sony, há dois anos. Uma fã viu o vídeo na TV, gravou com o celular e subiu-o pro YouTube. Rapidamente o sistema detectou o vídeo sem direitos e ofereceu à Sony a informação de que uma cópia sem licença estava no ar. A opção de emudecê-la ou não, a partir daí, era da gravadora.
O tempo passou, a música saiu das paradas. Porém, no final do ano passado, um jovem casal escolheu essa canção, Forever, para tema de uma entrada surpreendente, dançada, na entrada da cerimônia de casamento deles. A Sony decidiu não bloquear a música. Em vez disso, colocou um link para anunciantes e para o iTunes. O vídeo, que você deve ter visto, está com mais de 50 Milhões de views. E a canção, depois de 18 meses, voltou às paradas do iTunes. Ou seja, foi bom pra todo mundo.
O casal, ao voltar de lua de mel, descobriu que o vídeo tinha viralizado loucamente. Deram entrevistas na TV e resolveram usar esse sucesso de uma forma generosa: os 32 mil dólares recebidos como doações foram para uma instituição que trabalha para acabar com a violência doméstica.
Além disso, a ideia e a coreografia do casamento de Jill e Kevin foram usadas pelos estúdios da NBC, numa cena da série The Office, mostrando que no nosso ecossistema cultural todos emprestam ideias para todos, grandes para pequenos e pequenos para grandes.
Imagine se a Sony Music tivesse simplesmente cortado o áudio do vídeo de casamento dos dois. Não só a empresa teria deixado de ganhar muito dinheiro, assim como o artista e os músicos, mas milhões, literalmente milhões de pessoas em todo o mundo teriam sido privadas dessa alegria tão contagiante de ver a felicidade do casal, dos padrinhos, de todos que participaram dessa união tão feliz. E, como disse Margareth, a alegria é algo que vale a pena ser espalhada.
No site de Jill e Kevin, eles contam com simplicidade como se apaixonaram mutuamente numa festa de casamento de um casal de amigos em 2005. E encerram os agradecimentos a todos que deram a eles tanto carinho pelo vídeo, com um conselho: nunca pare de dançar.
Agora, bote o fone de ouvido e reveja o vídeo que tanta gente já conhece, pensando no quanto de felicidade e alegria existem ali. A gente vê e chora, porque é tanto amor, mas tanto amor, que o amor que existe na gente acorda do nada, transborda pelos olhos e nos faz chorar de emoção.










