Querido Leitor

5 de outubro de 2010 às 22h34

Saúde

Nikky nomeucolo 477x640 Saúde

O médico da clínica veterinária ligou e me chamou para uma conversa. Fui lá e encontrei Nikky muito abatida e fragilizada. Ela quase não para em pé, não come, não está enxergando bem. Fiquei com ela no colo, até que adormecesse. E, durante muito tempo, fiquei acariciando sua cabecinha. Embrulhei-a no meu casaco e fiquei com uma capa de chuva. Tentei não chorar, pra não transferir nada de ruim pra ela. Contei sobre o apoio de todos os leitores do blog, dos amigos do twitter, dos colegas de trabalho. E depois veio a conversa.

Nikky não está melhorando. Ontem, teve um momento de melhora, mas piorou novamente. E muito. A cinomose avança rapidamente. Ela fica debilitada, perdida, batendo-se nas coisas. Não está enxergando, não tem apetite. E sofre por não ter um momento sem dor, ou de alegria. Ele disse que de todos os veterinários, ele é o que menos opta por eutanásia ou sacrifício, só em último caso. E ele acha que com um prognóstico ruim, somado às convulsões, ao problema hepático, ao fato dela estar tão fraca, eu devo mesmo considerar a opção. São 12 dias internada, com assistência 24 horas, tentando de tudo. E nada melhora. Ao que tudo indica, ela não tem imunidade boa para melhorar. Eu a trouxe pra casa já com o vírus incubado. O estresse da mudança de hábitos, o tempo de incubação de duas semanas, e a doença se manifestou. Eu prometi a ele que vou pensar e dar uma resposta em breve. Vou conversar com minha família.

Saí, muito abalada e fui dar um tchau por hoje pra Nikky. Ela estava deitada e dormindo na mesma posição onde eu a deixei. Acariciei sua cabecinha e disse a ela:

- Nikky, se você quiser ir embora, se você quiser que eu vá embora, se você já estiver cansada de tudo isso, me dê um sinal.

Esperei alguns segundos. Ela levantou a cabecinha, olhou pra porta e fez um sinal, como que apontando minha saída. E voltou a dormir.

Falei de novo. Ela repetiu o mesmo gesto. E eu disse a ela que se for isso que deve acontecer, se ela tiver que ir embora mesmo, vamos fazer isso juntas, de comum acordo. E pedi a D'us que interceda por nós. Eu disse a Ele que, se ela dormisse agora e não acordasse mais, eu entenderia a mensagem. Mas que se ela não conseguir fazer isso sozinha, então, que seja uma decisão de todos, para o bem dela. Eu não me importo com esforço, trabalho, despesa. Eu me importo com o bem-estar dela. Se ele não vier nunca mais, se não houver perspectiva de felicidade, então o melhor é encerrar o sofrimento.

Fui pegar meu carro e vim para casa. E só quando cheguei aqui me lembrei. Amanhã eu tenho mil exames pra fazer, em jejum, às 6:15 da manhã. Eu pensei tanto nela que esqueci totalmente de mim. Me deu vontade de chorar, porque eu preciso fazer um jejum de 12 horas e eu só almocei ao meio-dia, estava morrendo de fome. Comi uma coisinha leve, torcendo pra que o jejum de 8 horas seja suficiente.

Esse final de semana, vamos todos viajar, em família. Precisamos pensar em tudo isso, discutir o significado das coisas.  Setembro foi difícil. Perdi a minha Lilly e agora, estou quase perdendo a minha Nikky, sem trégua.

Mas a vida é tão curiosa. Meu cachorro Teddy, um boxer que estava muito doente, lá em águas de S. Pedro, que amamos muito, conseguiu emprenhar a fêmea. Vamos ter filhotinhos dele. E isso quer dizer que a vida sempre continua. Em nós ou nas gerações futuras.

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