Querido Leitor

30 de novembro de 2010 às 11h36

Quantas vezes por dia você se publica?

Não consegui achar o vídeo no site da YouPix. Nele, minha "ídola" Giselle Beiguelmann, mulher brilhante, dizia que a grande novidade não é a vida em rede, mas a publicação da própria vida. Estamos nos publicando o tempo todo. Publicar, como o nome já diz, é tornar público, seja uma foto, uma opinião, um pensamento ou sentimento. Publicamos quando postamos num blog, no Orkut, no Facebook, no Twitter, num sistema de comentários. Publicamos quando subimos um vídeo. Email não é público, nem MSN. A menos, claro, que outra pessoa torne público o que você escreveu. Fato é que, Giselle tem razão, estamos nos publicando o tempo todo.

O Twitter, então, é o festival da publicação compulsiva. Todo mundo publicando o tempo todo. Não sou nem quero ser nenhum exemplo de usuário, mas me esforço para não publicar coisas como "estou passando manteiga no pão" ou "acabei de lavar o cabelo". Mas, tudo bem, cada um publica o que bem entender. Não estou analisando o conteúdo em si, mas o ato da publicação.

Muita gente usa a Internet pra reclamar. É muito bom xingar no Twitter, é interessante usar as redes para reclamações de consumo. Mas até isso tem formas boas e ruins de serem feitas, melhores e piores em termos de resultado.

Ainda há pouco fui a um banco. Fui a duas agências do mesmo banco, ambas estavam fora do ar. Ninguém sabia quando o sistema voltaria. Fui a outro banco. Esperei muito tempo, uma máquina estava quebrada, a fila era imensa e o atendimento ruim. Pensei em tuitar na hora sobre os dois bancos. Depois reconsiderei. Pra quê? Eu vou mobilizar alguém pra melhorar o atendimento ou só quero reclamar dos bancos? Eu só queria reclamar. Decidi não publicar. Não era uma queixa com proposta, era só um mimimi.

Uma coisa eu sei: publicar-se é viciante. Você começa e perde a noção. Quando vai ver sua vida é toda pública, está toda publicada. Talvez seja uma tendência. Talvez seja melhor assim. Não sei. Ainda acho que o equilíbrio é o melhor caminho. Temos que manter uma parte da vida reservada, íntima, sem publicação. Caso contrário, muito em breve, os médicos e terapeutas vão recomendar como tratamento, manter uma vida privada.

E você? Quantas vezes por dia, ou por mês, você se publica?
Por que publicamos tanto?

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Um beijo, um browse, um aperto de mouse da @rosana
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