Querido Leitor

Gente tonta como eu gosta de aplausos. A pessoa vaidosa, carente, insegura, problemática também pode querer chamar atenção de forma primordial. Ou desesperada. O aplauso é um tipo de aprovação pública sonora da nossa existência.

Existem outras manifestações de reconhecimento e apoio, desde os prêmios internacionalmente reconhecidos até os hits silenciosos num post, cuja audiência poucos podem medir. Mas tudo é medida de sucesso e sucesso é o objetivo de muita gente.

Gente quer brilhar, quer ser famosa, quer ser reconhecida. Quer carimbar o passaporte da existência. Quer ser relevante, quer se destacar na multidão. Gente busca identidade. E id, em latim, quer dizer 'eu'.

Os aplausos, os hits, os elogios, cumprem esse papel de enaltecer o ego pessoal e podem, eventualmente gerar dinheiro. Mas nesses casos o dinheiro não é um fim, um objetivo. O objetivo é o reconhecimento que traz fama. Se o dinheiro não vier, tudo bem.

Empresas de comunicação também são pessoas jurídicas vaidosas. E querem sucesso. Mas para elas a audiência não é um fim, mas um meio. A audiência é vendida para os anunciantes como produto. E é esse produto, a atenção dos consumidores, que gera dinheiro. Vivemos num mundo capitalista e o objetivo de toda pessoa jurídica é dinheiro. Dinheiro, lucro é o fim, audiência é um meio.

A massa não percebe nada disso, está distraída, está entretida. Por isso a indústria do entretenimento cresce tanto, porque é de interesse de todos que o povo fique entretido. Entreter é manter um grupo de pessoas, segurá-las juntas com a atenção voltada para um determinado assunto. É uma forma de controle. E as pessoas jurídicas querem isso, audiência com controle. Por isso uma empresa de televisão, por exemplo, não quer um artista ao vivo que fuja muito do combinado, do roteiro, do ensaiado, alguém "incontrolável". Compreensível.

Os artistas buscam a total liberdade, a expressão pessoal sem freios. Um artista quer comer o mundo. O problema é que, de vez em quando, o mundo também quer comer o artista. Dependendo do caso, a mídia junto com uma parte do povo pode fazer um bom estrogonofe.

Acompanha fritas, senhor?

 

 

 

 

 

 

 

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