30 de novembro de 2011 às 12h04
Ah, querido leitor!
Hoje eu falei de você na terapia. Verdade. Sim, isso é bem estranho porque ao ler isso você se assume como uma pessoa, com nome, identidade e quando eu falei de você eu usei uma forma mais genérica. Eu falei sobre você, essa pessoa com a qual eu tenho afinidade e com quem compartilho ideias, experiências, informações e sentimentos através deste blog, o Querido Leitor.
O Querido Leitor é antigo e tem sido testemunha de muitas mudanças na Internet.
No começo da Internet, do blog, do farofa e tudo mais, éramos poucas pessoas conectadas. Era mais ou menos fácil ser visto como um "sucesso", porque a concorrência era pequena. Poucos sites, poucos blogs, poucos leitores. A escala era bem menor.
Felizmente a Internet deixou de ser uma coisa elitista, de acesso restrito e milhões de brasileiros podem usar esta maravilha, a última esperança do projeto 'ser humano' dar certo. Somos 80 milhões de conectados, talvez mais, considerando-se o acesso por outras vias, como celular. Os blogs são muitos, as redes, os perfis. A comunicação que faz sucesso, que atinge milhões, também mudou.
Analisando de trás pra frente os blogs, sites e colunas de muito sucesso (e eu não me incluo nele, certamente) vemos que as três plataformas preferidas pelos brasileiros são: futebol, humor e fofoca, não necessariamente nesta ordem.
A linguagem também tem que ser mais popular, direta e muito clara. Pouco texto, de fácil compreensão. Pouca informação de cada vez, em forma de pílulas e notas. É isso que faz sucesso hoje, que atinge milhões.
Conversando com um amigo, comentei sobre o axioma do "quanto mais primário o texto, maior o número de leitores". Ele funciona não só na web, mas para livros. Os livros mais lidos são aqueles que contam boas histórias sem exigir esforço do leitor. Ele não tem que parar para pensar, nem procurar palavras no dicionário. Os livros que mais vendem usam um número bem reduzido de palavras da língua portuguesa, o "vocabulário ativo". Você não aprende nem mesmo uma palavra ao ler esse tipo de livro, porque ele só usa as palavras que você já sabe. Não é que isso seja melhor, pior, bom, ruim, isso apenas é assim.
E foi aí que falei de você, querido leitor, na consulta. Você e eu temos algum tipo de identificação, seja pelas palavras que conhecemos, pelo interesse que temos, pelo desejo de aprender.
Ontem, por exemplo, quase me perdi em tantas abas e vídeos e possibilidades. Eu estava navegando na web, pesquisando pautas para gravar e encontrei incontáveis vídeos com cursos, palestras, aulas e fiquei com vontade de aprender tudo! De baixar todos os livros recomendados. Senti o entusiasmo que reconheço em comentários que trazem links legais, com emails de novidades.
Nem todo mundo é assim, mas quando a gente encontra alguém parecido, a gente se reconhece.
E eu me reconheço em você, querido leitor. Que gosta de ler, que ama aprender, que se questiona, que olha o mundo com fome de conhecimento.
Por tudo isso, muito obrigada!
E vamos em frente.










