Rosana Hermann

25 de fevereiro de 2013 às 20h52

Coração em pedaços

Durante muito tempo fiz o blog Querido Leitor sem falar nada dos meus filhos. Ou falando muito pouco. O mundo é grande, as pessoas são muitas e tem gente de todo tipo nesse planeta, inclusive pessoas perigosas. Para preservar a infância e adolescência deles, fui fazendo meu blog mencionando uma coisa aqui e outra ali. Conforme foram crescendo e a publicação pessoal foi aumentando, passei a mencionar mais os membros da minha família. Ainda assim tem gente que nem sabe o nome da minha única irmã. E nem que eu tenho uma irmã. Falo pouco da minha mãe, não compartilho a saudade que sinto do meu pai, conto algumas coisas sobre meu marido. Foi a opção que fiz, para preservá-los da minha vida exposta.

Parece um contra senso, mas sou uma pessoa reservada em minha intimidade. Tem mulher que conta detalhes de sua vida sexual até pro motorista do lotação. Nunca fui assim. Cada um, cada um.

Mas hoje estou com o coração partido. Feliz, contente, mas meio rachado. Anita, minha filha de 18 anos (@niefraim no Twitter, dona do blog Agora não dá tempo) pegou um avião e foi viver um ano em Israel (Shnat). Ela vai estudar em Universidades, passar um tempo num Kibutz, fazer outros cursos, entre outras coisas. Claro que é uma experiência maravilhosa e sei que é um presente pra vida dela. Meus pais nunca puderam pagar uma viagem assim pra mim, tive sorte de ter um pai militar que viajava bastante a trabalho. Mas viagem assim, pra valer, intercâmbio, eram apenas impossíveis pra nós.

Chorei muito no aeroporto. Quando ela embarcou e eu abracei meu marido, quase duas décadas passaram pela minha cabeça. Me lembrei do dia que fiz o teste de gravidez no banheiro e vi o resultado positivo. Eu estava pronta para viajar para o Amazonas, a trabalho, como repórter da TV Manchete. Lembro da alegria que senti ao saber que eu seria mãe outra vez. Lembrei dela nascendo, da sua infância, de pegá-la no colo. Foi como um curta-metragem, num flash. E lá estava ela, aos 18, ganhando o mundo sem a gente.

Como não dormi de nervoso e não parei de chorar até agora, não tenho a menor condição de sair de casa. Dói tudo. Senti um aperto tão grande no peito que não conseguia respirar.

Sei que não tenho motivo pra me queixar e nem estou, pra ser sincera. Eu estou apenas vivenciando essa coisa que as mães sentem quando se separam de seus filhos por um tempo. Preparando o espírito para ver o quarto dela vazio, sentir a ausência de suas conversas diárias comigo, dos abraços, da companhia permanente. Sim, tem Internet, Skype, eu sei. Mas ela pretende evitar esse excesso de contato. A ideia toda é justamente a de aprender a se virar sem nossa tutela.

E agora, estou aqui. Trabalhando, preparando uma reunião pra amanhã e acompanhando nos sites que fazem tracking de voo para saber quando o avião vai chegar em Roma. De Roma, Itália, ela pega outro avião para Israel.

Todo mundo diz que um ano passa depressa e, assim como esse dia de partir chegou, chegará também o dia de voltar. Saber a gente sabe. Mas saber não muda o jeito que a gente sente.

Aqui estou eu, colocando metas curtas para não sofrer de saudade por antecipação. Vou deixar a saudade chegar e conversar com ela com jeitinho.
Os filhos são do mundo. A gente só prepara o ninho.
Hoje minha passarinha bateu asas e voou.
Certeza que ela vai cantar de alegria e em 2014 ela estará de volta.
Mas o coração tá bem trincadinho.
Se agora já tô com saudade, imagine na copa.

icon smile Coração em pedaços

Shine, baby, shine!

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Um beijo, um browse, um aperto de mouse da @rosana
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39 Comentários

"Coração em pedaços"

25 de February de 2013 às 20:52 - Postado por rosana

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Comentários
  • marcia
    - 4 04UTC março 04UTC 2013 - 11:42 AM

    meu filho foi se despedir...era pra ele ter ido..acabou nao indo..mas toda a turma dele da chazit foi.... boa sorte e boa viagem....beijos de outra mamis.

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  • Renata
    - 2 02UTC março 02UTC 2013 - 11:22 PM

    Rosana, estou me sentindo tão normal agora! Estou vivendo a mesma coisa. Nunca pude fazer intercâmbio, casei com militar (viajamos um pouco pelo Brasil) e me preparei financeiramente desde que meu filho nasceu para mandá-lo para um intercâmbio. Sabia que um dia ele iria embora, feliz, e eu ficaria aqui por 1 ano sem ele. Só que essa preparação não é suficiente! O aeroporto foi horrível, ainda mais porque me contive muito para ele não ficar nervoso. E fiquei fazendo tracking até ter certeza que o avião havia pousado. Enquanto não ouvi a voz dele falando que estava tudo bem não consegui pensar, dormir, comer, nada. Aquela fase inicial de adaptação foi totalmente nerve-wrecking para mim, e olha que ele é um guri tranquilão. Ainda bem que ele ficou logo feliz. Estamos felizes, mas a saudade é imensurável. E a gente fica naquela tortura de exigir de si própria não ser uma mãe egoísta, porque ele está escrevendo sua história agora. Mas, né, lugar de filho é no colo, poxa. Sucesso pra tua guria, paz no coração pra ti.

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