22 de janeiro de 2013 às 08h13
E depois de uma hora, o que aconteceu?
Sou viciada em Twitter, como já é de domínio público. Minha luta contra o vício é a mesma da luta contra a gula. Continuo gostando de twittar e comer, mas me controlo tanto quanto possível para não virar uma esfera gigante e inerte com os dedos colados no teclado e os olhos colados na tela.
A favor do Twitter e do uso contínuo de redes sociais fica a desculpa de que, depois de uma hora twittando, ganhei muita coisa. Reforcei ligações pessoais, conheci gente nova, adquiri novas informações, produzi e absorvi ideias. Embora sempre seja possível passar uma hora inteira de inutilidades adquirir um pouco de informação é quase inevitável.
Infelizmente nem tudo o que a gente faz na Internet tem uma utilidade ou resultado prático. Em geral muitos prazeres que nos divertem não levam a nada. Até um jogo disputado de forma repetida e que ensina alguma técnica para jogar melhor e, quem sabe, lucrar com isso, pode ser considerado uma utilidade. O que mais acontece, no entanto, é que passamos muitas horas com coisas que não apenas são inúteis, mas até maléficas para o espírito. Ler fofocas requentadas, maledicências e boatos, reproduzir mentiras e idiotices, brigar com todo mundo são só alguns exemplos de como jogar sua vida fora, engordar a bunda, enrijecer as artérias e matar neurônios com ajuda da modernidade.
Uma pergunta pode nos ajudar a selecionar melhor o uso do nosso tempo: depois de uma hora fazendo essa atividade, qual vai ser o output?
Se eu passar uma hora limpando a casa, fazendo faxina nas minhas coisas, depois de uma hora eu terei:
.gastado calorias
.melhorado o ambiente
.removido sujeira
.evitado doenças.
.gerado felicidade estética
.enaltecido o espírito.
.economizado a faxineira.
Se eu passar uma hora fazendo tricô ou crochê, também terei bons subprodutos. Pode ser um cachecol, uma bolsinha, um conserto em uma roupa.
Ler um livro por uma hora é um treino para a tenção, um deleite para a imaginação, exercício e aprendizado.
E assim vai. Uma hora de exercícios físicos pode prolongar e melhorar a qualidade de vida, acrescentando saúde para seu corpo e sua mente.
E se você ficar uma hora jogando um joguinho no celular? Depois de uma hora passou uma hora, apenas. Você poderia ter ficado olhando para o relógio que o tempo teria passado e o outcome seria o mesmo: nada. Melhor dormir uma hora, que a 'siesta' melhora a digestão.
Uma hora no trânsito é irritante por isso. Um desperdício de vida útil sob pressão da cidade. Horrível. Uma hora em pé num ônibus, num trem ou metrô é igualmente terrível. Se pelo menos você puder ficar sentado ouvindo músicas ou notícias, lendo, já é uma vantagem.
Claro que uma boa hora de ócio é sensacional e necessária. Mas o ócio inútil também vicia. A preguiça é um vício como a gula, muito difícil de combater. Pior quando é algo quase genético, uma preguiça atávica que já vem no seu sistema operacional.
Gerenciar o tempo, parar para pensar na utilidade do que se está fazendo, aprender a se concentrar para realizar tarefas com eficiência no melhor tempo possível é uma arte quase perdida. A geração Y, especialmente, coloca o desejo acima de tudo, como se o que ela ~quer~fosse a melhor coisa para o mundo. Às vezes não é nem a melhor coisa pra ela, é só o ego no comando em busca de uma existência de hedonismo.
Sei que você não gastou uma hora lendo este post. A pergunta que fica é, o que você vai fazer com o resto dos minutos que você tem agora, até que uma hora se complete?
Pense nisso.
Tempo não é dinheiro, tempo é investimento de energia vital.
Escolha bem a forma como você vai usar seu tempo para que seu ócio não seja fatal.
Bom dia.











