Rosana Hermann

12 de janeiro de 2013 às 14h19

O desejo da outra

Toda vez que falo 'ah, brasileiro é muito isso ou aquilo' fica parecendo que não sou brasileira. Sou, claro que sou. Mas ser brasileira não me impede de olhar o povo brasileiro com olhos críticos. Talvez até me credencie a falar já que convivo com brasileiros como eu. A mesma coisa vale para falar de mulheres. E, olha, por mais feminista, feminina, feminesca que eu seja, vou te contar que mulher é um bicho complicado. E invejoso.

E é como mulher e invejosa que vou falar do assunto. Mulher quer o que a outra tem. Ponto final e fim da história. Ou começo da historinha que vou contar agora.

Aconteceu em Barra do Una, transmiti pelo spreaker, mas acabei deletando o post que escrevi, numa crise de consciência. Eu também faço coisas que minhas amigas fazem, copio ideias de artesanato de mulheres que fazem tricô e crochê. Não sou diferente de ninguém no quesito inspiração em ideias alheias. Mas o caso aqui não é de inspiração e sim de comportamento, de desejo feminino. Foi assim:

Estava chovendo em Barra do Una, pra variar e ao sair do mercadinho resolvi passar numa lojinha de roupas ali na praia. Eu queria um macaquinho. Fui até uma arara e comecei a procurar por eles. Achei um. Na mesma arara uma mulher estava com a mãe procurando vestidinhos.

Perguntei pra vendedora se os macaquinhos estavam na mesma arara dos vestidinhos, misturados. Antes que a moça pudesse responder a compradora dos vestidinhos disse:

- Os macaquinhos estão aqui, misturados. Eu já passei por um monte deles, tô procurando vestidos.

- Obrigada - eu disse. E peguei um macaquinho rosa, fui pra cabine experimentar os dois.

Ficaram grandes pra mim. Voltei, pendurei os dois macaquinhos e, ao tentar pegar outros, percebi que não havia mais nenhum na arara. Nem UM. Vi, de longe, que a compradora dos vestidos, pegou TODOS OS
macaquinhos da loja e foi experimentá-los no provador ao lado do meu.

E, claro, a mãe dela voltou, pegou os que eu provei, levou pra filha, que comprou o cor de rosa que eu experimentei.

Passou. Saí da loja e não comprei nada.

Corta para:

Externa. Manhã de chuva. São Paulo. Lojinha de roupas que abriu no Bairro de Higienópolis

Saí do pet shop, vi uma nova lojinha de roupas e entrei para experimentar um casaquinho. Vi coisas absolutamente lindas, peças únicas, fiquei encantada. Cinthia, a dona da lojinh veio de atender. Conversamos e comecei a provar algumas coisinhas. E entrou uma mulher. Ela também achou tudo lindo, mas não estava provando nada. Até que eu vi uma peça, uma blusa colorida, dobrada numa pilha no chão. Pedi pra ver a blusa, era G. Mas era bonita, colorida. Perguntei sobre a estampa. A mulher que olhava as araras enlouqueceu. Ficou ao meu lado, pegou a blusa, segurou-a. Tirou-a da minha mão, por assim dizer e foi pra cabine que eu estava usando para experimentá-la.

E aí eu virei pra Cínthia e perguntei:

- Bom, eu tenho certeza que ela vai comprar a blusa que eu cobicei, mas me conta uma coisa, o que é isso que acontece com as mulheres? Por que a mulher quer o que a outra quer, quer possuir o DESEJO da outra?

E Cínthia respondeu:

- É assim mesmo, até pior. Tem muitas, mas muitas mulheres que ESPERAM a outra pegar um cabine, experimentar uma roupa para escolher a mesma depois.

- Elas querem o que as outras querem, é isso?

- Isso.

Vou ficar aqui meditando, sobre as coisas que eu quero, sobre o quanto outras mulheres me influenciam. Porque também sou afetada por isso. Também quero muita coisa que minhas amigas têm, quero ir a lugares onde elas vão, sigo seus conselhos e recomendação. Mas eu jamais ficaria esperando uma mulher pegar um cabine pra experimentar a roupa depois.

Enfim, acho que é só uma questão de nuance, de grau. Porque vai ver somos todas assim e a gente apenas não tenha consciência disso.

Chove. Vou ficar em casa pensando nisso e aguardando seu comentário, original e único.

Update - achei muito legal o comentário da Maria Hilde sobre o caso. Veja a experiência dela:

"Oi Rosana, tenho um brechó há 17 anos. E como todo brechó as peças são únicas e não temos grade de numeração. Mas basta uma cliente reservar a peça (deixar em cima do balcão para provar) que essa peça vira desejo, cobiça, mulherada torcendo para não servir. Uma coisa impressionante. Já até pensei em fazer um marketing tipo, olha só: tá reservada, então é bom!! rs.. e eu acho que é mais ou menos por aí o pensamento "delas" ou "da gente" A analogia é quase a mesma da fila (a tal fila que o povo entra sem nem saber pra que).
Em tempos não acho que meu comentário seja original, mas o brechó é...rs.

http://obrechocamarim.blogspot.com.br/

Maria Hilde"

27 Comentários

"O desejo da outra"

12 de January de 2013 às 14:19 - Postado por rosana

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Comentários
  • Yra doce
    - 19/01/2013 - 3:23 AM

    Ah...eu se pudesse copiaria quase tudo que veste a Kate,,,,nora da Lady Di. Mas o excesso de quilos não permite.rsrsrs

    Responder
  • Camila
    - 15/01/2013 - 12:03 AM

    Mulheres são totalmente diferentes de homens e sinceramente, até os invejam. Fazem amizade mais fácil, não tem muita frescura com relação a lugares para sair, gente para conversar. Acho muito feio isso na mulher, a cobiça. Tem outro fator também: mulher punhal. Ao mesmo tempo que fala que fulana é amiga, ela te conta uma fofoca dessa "amiga".

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