Rosana Hermann

4 de fevereiro de 2013 às 12h24

O poder da alcunha

É difícil decorar um nome próprio numa língua muito diferente da sua. Dá pra ir até Gwyneth Paltrow, num Ban Ki-moon ou até num Mahmoud Ahmadinejad (ai, odeio esse cara). Mas bastou aquele vulcão islandês entrar em erupção para notar como é frágil nosso poder de comunicação. Sabe, o lindo do Eyjafjallajökull? Se você ficou com muita vontade de aprender a pronúnica correta, ei-la, ensinada em inglês por um Islandês nativo.

Por isso é tão bom que exista a 'alcunha'. A alcunha substitui bem um nome próprio, com palavras de referência. A alcunha também resolve o problema de não confundir homônimos. Quando digo Alexandre, o Grande, você já sabe que não estou falando de Alexandre, o Frota.

A história é repleta de alcunhas e referências explicativas. Era o fulano filho de beltrano (e daí todos os sobrenomes com 'filho', como JohnSon, Jackson, as atividades do pai, cidade de origem (Tales de Mileto). Fico triste de ser ignorante em história universal para poder citar dezenas de exemplos sem recorrer ao Google. De cabeça, além do Alex, posso citar Átila, o Huno ; Maria, a Louca; Catarina, a Grande; Conan, o Bárbaro. Haggar, o Horrível. Acho isso tudo muito interessante. Vale ler o verbete da Wikipedia que fala da formação de sobrenomes:

Formação dos sobrenomes ou apelidos em geral

Os nomes de família chegaram até nós de diferentes maneiras. A grande maioria dos sobrenomes evoluiu de cinco fontes principais:
Ocupação: John, sendo carpinteiro, cozinheiro, moleiro, alfaiate, chamar-se-ia em inglês, respectivamente, de: John Carpenter, John Cook, John Miller e John Taylor. Um ferreiro, se chamaria em inglês de Smith, um dos sobrenomes mais comuns. Toda vila tinha os seus Smiths (ferreiros), Millers (moleiros), Taylors (alfaiates) e Carpenters (carpinteiros), Gardners (jardineiros), Fishers (pescadores), Burke ou Burgie (tem a ver com castelos ou fortes), Hunters (caçadores), sendo que os Millers de uma vila não tinham necessariamente qualquer relação com os Millers de outra vila.
Localidade: O John que morava numa colina/montanha (hill, em inglês) pode ter ficado conhecido por John Overhill (over, considera-se "em cima"). O John que morava perto de um riacho poderia ser chamado de John Brook (brook=arroio, ribeiro). Pode-se dizer que, em inglês, um sobrenome deriva de um local quando, por exemplo, termina em:
-hill (em inglês) ou -berg (em alemão), ambos significam montanha, monte;
-ford (um leito de rio);
-wood (floresta, bosque);
-brook (arroio, ribeiro);
-well (poço).

E o que tudo isso tem a ver com 2013?
Tudo.
Basta ver que hoje o ~jornalismo de celebridades~ é feito assim. Gente sem nome que só se conhece pela referência, como toda a família de mulheres-fruta e mais:

.A peladona de Congonhas
.O mendigo gato de Curitiba
.A mulher do Google Tradutor
.A moça do Avast (atualização do antivirus)
.A mãe loira (loura) do Funk

Os exemplos são infinitos, porque enquanto estamos fazendo a lista novos apelidos estão surgindo outros. Acabei de ler que Minas Gerais é o estado que mais bota apelido nos outros. Li também que Cláudio vem de claudicante, manco. O senta lá Cláudia começa a fazer sentido.

Ah, sim. Antes de partir, queria muito compartilhar o fato de que existe uma pequena cidade no Pais de Gales chamada Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch. Por razões facilmente dedutíveis ela é carinhosamente chamada de Llanfair. Para o Querido Leitor Incrédulo, o mapa.


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Beijos, Leitor, o Querido.
da Rosana, a Hermann

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3 Comentários

"O poder da alcunha"

4 de February de 2013 às 12:24 - Postado por rosana

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Comentários
  • claudu0ia collares
    - 7 07UTC fevereiro 07UTC 2013 - 3:36 PM

    Rosana vc escreve tao bem que nem acho o que comentar...

    Responder
  • Leandro
    - 4 04UTC fevereiro 04UTC 2013 - 4:23 PM

    Quem escreveu o nome dessa cidade estava muito revoltado( com o computador e/ou teclado). Lembra aquelas brincadeiras de digite com o cotovelo.

    Responder
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